quarta-feira, 30 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 79. GRUYÈRE/SUÍÇA

A Suíça produz mais de 400 tipos de queijo. Gruyère evoca uma pitoresca região de Friburgo, zona envolta em montanhas e pastos verdejantes. O nome do queijo aparece em 1655, em Gruyères, vila medieval e pólo turístico, no centro da charmosa região do mesmo nome. A Denominação de Origem Controlada (DOC) aplica-se, desde 2001, a esse produto de que os suíços procuram defender a exclusividade.
«O queijo é um produto vivo, ainda mais o gruyère que é fabricado com leite cru. Ele melhora como o vinho» sublinhou Othmar Raemy, marchand de queijos.

GALOS, GALINHAS E O CERCADO

Vezes sem conta dou comigo a magicar se vale a pena. Invade-me uma sensação de desânimo contrária à minha atitude perante a vida. E cruzo-me com outros que dizem o mesmo, que questionam a lufa-lufa por uma educação melhor, quando olhamos à volta e o registo é o de cada um para seu lado, maquinalmente resolvendo obrigações definidas, todos sem tempo para reflectir, discutir e defender projectos com futuro. Uns, embrulhados e subjugados em resmas legislativas e de telefone em punho para decifração do que a hierarquia quer, outros, rotineiramente, ao toque de uma campainha, a debitar e debitar coisas, muitas vezes desinseridas de escolhas colectivas sobre a construção do futuro comum, como escreveu R. Plant (1992), "sem o sentido da virtude cívica ou da orientação para valores que não tenham unicamente em vista o interesse pessoal e o comportamento do mercado". Diz Rubem Alves, esse notável pedagogo, que é preciso desaprender um certo jeito de ser escola. Como isso, por ora, não acontece, a luta de anos a pugnar pelo debate, por outros olhares e novos comportamentos, naturalmente esmorece. Mas não morre! As velhas e ultrapassadas estruturas conceptuais, organizativas, curriculares e programáticas, por vezes pintadas de fresco, vão cair e os tais que, por aí andam, por conveniência de vida, sentados em empoeiradas secretárias, terão aí consciência do monumental erro estratégico que cometeram. De facto, o actual modelo educativo que o País e a Região seguem está morto. O Professor José Serralheiro, num notável texto publicado no jornal A Página da Educação, concretiza: "(...) frangos e frangas, alguns já com cristas de galo ou idade de galinha, deambulam pelo cercado. De tempos a tempos os criadores enxotam-nos para as "salas de aula". A criação move-se sem interesse. Uma vez empoleirados, manifestam uma apatia e desinteresse mais condizente com o debicar do alimento imprevisto do que com qualquer organização do trabalho. É nesta política de galinheiro que estamos. De galinheiro e não de aviário. As crianças e os jovens, na sua maioria, vão ao cercado para encontrar os parceiros, deambular, cacarejar, mostrar as penas, arrastar a asa, bicando-se uma vez por outra numa assustadora alienação (...)". Ora, os políticos, quais galos e galinhas, empoleirados, de crista bem levantada, deambulam e cacarejam também pelo cercado da Região, incapazes de oferecerem uma nova ordem ao galinheiro. Bem pelo contrário. A prova está no galo de crista maior quando, em Câmara de Lobos, um concelho a braços com problemas múltiplos, tem este diálogo com um franganito que aguardava o Presidente da República:
- Então, tens tido boas notas?
- Não senhor.
- Não? "Tás" desgraçado! Não te importes. Também chumbei três anos e cheguei a Presidente do Governo...
Achando graça, os presentes riram-se. Graça de mau gosto, digo eu. Simplesmente porque com a Educação não se deve gracejar. É um assunto muito sério. Mas quando, dias depois, no decorrer de uma inauguração de uma escola, ouço a mesma personagem falar de "plano de operações", "armada", "contra-ataque", "ataque feroz", levar o adversário a "perder a cabeça", tudo expressões com cheiro a pólvora, muito pouco educativas para uma cerimónia escolar, num tempo que exige combate à indisciplina e violência, uma boa preparação cívica e o fomento do estudo no sentido da preparação para os complexos desafios que aí estão ao virar da esquina, resta-me dizer que não só não dão uma nova ordem ao galinheiro, como não sabem aproveitar os momentos para assumir uma conveniente atitude política e pedagógica. O que fazer? ...
Opinião, da minha autoria, publicada, hoje, no Diário de Notícias da Madeira.

terça-feira, 29 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 78. GENEBRA/SUÍÇA

A cidade é quase toda rodeada por território francês e somente tem ligação com o resto do país através do lago e por um estreito corredor. Genebra é definitivamente suíça, mas uma cidade onde se fala o francês. O requintado Centro Histórico da cidade é conhecido como 'o segredo mais bem guardado da Europa'. Este é um dos museus a visitar.

ACORDO ORTOGRÁFICO

Não gosto de colocar o pé em ramo verde, por isso, este assunto é para os linguistas.
No entanto, estou atento e confesso que, entre os que se manifestam favoravelmente e os que se posicionam claramente contra, estou mais próximo dos últimos. A percepção que tenho é que caminhamos no sentido da descaracterização da Língua Portuguesa. Entre outras, a eliminação das maiúsculas, a supressão das consoantes mudas, a supressão dos acentos e dos hífenes, leva-me a concluir (levianamente, não sei!) que a matriz da nossa Língua está a ser vendida aos interesses do Brasil. E digo isto, independentemente de razões científicas, pela constatação de 1,6% dos vocábulos da Língua Portuguesa mudarem de grafia, enquanto 0,5% dos vocábulos Luso-Brasileiros passar a escrever-se de forma diferente.
Ainda hoje li uma entrevista com o escritor Fernando Dacosta. Ele é corrosivo na sua apreciação. Tome-se em consideração algumas passagens da entrevista:
"(...) O Brasil está a querer utilizar a Língua Portuguesa como elemento de supremacia (...) O Brasil é uma grande potência e está, de facto, a crescer cada vez mais. É graças ao Brasil e não a Portugal, que no mundo inteiro há cada vez mais pessoas a quererem falar português. Por isso, o Brasil tem um pouco esse poder de querer comandar a Língua; tem o poder económico, o poder da sua população e terá, no futuro, uma grande influência como potência mundial. Mas é preciso dizer uma outra coisa. Os povos africanos escolheram a matriz portuguesa e a língua portuguesa de Portugal. E hoje faz parte do estatuto de um angolano e de um moçambicano, por exemplo, saber falar e escrever correctamente o português de Portugal. (...)"
Trata-se, da minha parte, de uma achega para a reflexão que se impõe.

CIDADES E LUGARES 77. GENEBRA/SUÍÇA

Um dos locais que vale a pena visitar em Genebra é a Igreja Ortodoxa Russa. Está sediada numa zona muito próxima da parte mais antiga da cidade. Genebra é o centro cultural e económico da Suíça de expressão francesa. É a cidade mais internacional da Suíça. Quase 44% da população (175 mil habitantes) é estrangeira. Há uma razão: a cidade abriga mais de 200 organizações internacionais. Na sua história, destaca-se por ter abrigado Jean Calvin, o mentor da reforma protestante calvinista. Situada às bordas do lago Léman e na fronteira com a França, Genebra é uma cidade limpa, segura e organizada.

1º DE MAIO E O GOVERNO

Na génese do 1º de Maio está a luta dos trabalhadores contra as políticas dos governos. Em qualquer parte do Mundo, sublinhe-se. É o necessário contraponto que estabelece a reflexão e os equilíbrios entre governantes e governados. Daí que seja inaceitável que, no caso específico da Madeira, o governo se associe a um dia face ao qual deveria manter-se distante e muito atento aos sinais. O seu envolvimento sempre foi contranatura e abusivo ainda para mais, neste momento, que se vive uma crescente precarierização e uma altíssima taxa de desemprego. É evidente que se percebe a intenção política. Já nos anos 30 do século passado, em pleno Estado Novo, com António Salazar no poder, para evitar o associativismo e as manifestações, o governo criou a FNAT (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho), de acordo com o princípio que se não posso impedir associo-me e controlo. A estratégia agora é outra, mais refinada, mais adocicada, com festa, vinho, bolo do caco e, quando o orçamento permite, a presença de um qualquer "pimba". E o povo divide-se e esmorece. E o povo esquece, por horas, as agruras da vida.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 76. GENEBRA/SUÍÇA

Na Catedral de S. Pierre é possível subir à torre principal, através de uma labiríntica escada de 157 degraus. Durante a subida pode-se descansar em pequenos espaços de onde, através das janelas, se observa a cidade. No cimo, a vista é deslumbrante pois, para além da cidade, vê-se praticamente todo o lago Léman.

DROGA: CONTRADICÇÕES POR EXPLICAR

Leio, no Diário Digital, que a Região Autónoma da Madeira foi a única Região do País que, entre 2001 e 2007, diminuiu o consumo de estupefacientes. Fico feliz com isso. Só gostaria é que fossem explicadas as contradicções com os seguintes números:
Em 2006 foram contabilizados 1300 atendimentos no centro de S. Tiago; em 2007, 1800 atendimentos.
Em 2006 foram distribuídas 24.000 seringas; em 2007, 48.000..
O consumo de heroína disparou 700% de um ano para o outro e crianças há de 11/12 anos consumidoras de estupefacientes.
Há qualquer coisa aqui que não bate certo. Ou será que a média de sete anos esconde o crescimento dos últimos dois?

CIDADES E LUGARES 75. GENEBRA/SUÍÇA

A parte mais antiga da cidade deve ser visitada através do percurso pedonal. Do miradouro da Catedral avista-se o lago Leman que tem 72 km. de comprimento. Um dos melhores exemplos da arquitectura romanesca é, sem dúvida, a Catedral de S. Pierre. É de uma beleza ímpar. Trabalhos realizados em 1976 revelaram a existência de um sítio arqueológico debaixo da catedral, o que permitiu concluir que a ocupação religiosa daquela área data do século IV d.C. Foram identificadas 11 diferentes construções sobrepostas, e entre os vestígios remanescentes estão as antigas paredes, pia batismal e mosaicos que retratam figuras de religiosos.

1º DE MAIO: DEVERES E DIREITOS

No dia 1 de Maio de 1886, já lá vão 122 anos, realizou-se uma manifestação de trabalhadores nas ruas de Chicago, nos Estados Unidos da América. A finalidade dessa manifestação visava, fundamentalmente, reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias. Alguns operários morreram, mas três anos depois estava instituído o Dia do Trabalhador. Não era possível, em plena pujança da “Revolução Industrial” sujeitar os trabalhadores a condições desumanas de laboração.
Da memória desse tempo, embora o quadro seja substancialmente diferente, entendo que, cento e vinte e dois anos depois, está na altura de voltar à rua para travar o caminho que os senhores do mundo nos querem fazer trilhar, no sentido de recentrar os deveres face aos direitos.
Há uma nova escravidão em curso, meticulosamente trabalhada e apresentada de forma colorida aos trabalhadores. Não se dão conta que, no fundo, a engrenagem visa torná-los peças da gigantesca máquina económica em que o mundo está dissolvido, isto é, peças de uma máquina controlada por cerca de 300 famílias que, subtil, paciente e estrategicamente, definem, entre outros desígnios, o que comer, o que vestir e até em quem votar. Alheios ao que se esconde por detrás das políticas, muitos aplaudem, mas também milhões começam a manifestar-se e a dizer basta. Simplesmente porque o desenvolvimento tem que ter em conta o Homem e o seu desenvolvimento como primeiríssima dimensão. É a economia ao serviço do Homem que está em causa.
Na próxima quinta-feira, dezenas de milhar de trabalhadores vão, certamente, sair às ruas para participar na habitual manifestação do 1º de Maio. O objecto central do protesto será a revisão do Código do Trabalho. De facto, por exemplo, despedir por inadaptação constitui mais uma particularidade de uma vaga neo-liberal que a todos espezinha e que não tem em conta que ao lado dos deveres no trabalho, existe, também, o trabalho com direitos.

CIDADES E LUGARES 74. GENEBRA/SUÍCA

Com 180.000 habitantes, é a maior urbe dos cantões francófonos e sede de mais de 200 organizações internacionais. Fica situada na margem sul do Léman, o maior lago natural da Europa Ocidental, sendo atravessada pelo rio Ródano. Traços arqueológicos com 12.000 anos já atestam a existência de população no local onde hoje se situa Genebra. Após ter sido, durante pouco tempo, sucessivamente uma república independente e um território francês, aderiu, em 1815, à Confederação Helvética.
Genebra é uma cidade encantadora não só do ponto de vista da sua organização espacial mas também pelo encanto e dinamismo ao longo do lago. E tem muito para ver...

MANUEL ALEGRE NA MADEIRA

No dia 17 de Maio, Manuel Alegre, Deputado do Partido Socialista, na Assembleia da República, estará na Região onde participará num debate aberto aos militantes e simpatizantes do PS e toda a sociedade madeirense. O encontro terá lugar no Pestana Grande Hotel a partir das 15 horas.
Considerando as posições públicas que Manuel Alegre tem vindo a produzir, tudo leva a crer que este encontro se revista de muito interesse face ao quadro político geral do País e, particularmente, ao da Região Autónoma da Madeira.

domingo, 27 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 73. BERNA/SUÍÇA

A cidade de Berna praticamente não mudou desde a Idade Média e apresenta um conjunto único de castelos, ruelas, igrejas e torres que encantam qualquer um.
Berna tem um ritmo deliciosamente calmo e tem um núcleo medieval de prédios praticamente intacto. Debaixo dos mais de 6 quilómetros de arcadas, muitas lojas se escondem. A oferta de visitas culturais é diversificada e rica.
Impõe-se uma visita à casa onde Albert Einstein viveu, quando escreveu a Teoria da Relatividade, em 1905, e o novíssimo Zentrum Paul Klee, projetado por Renzo Piano, para abrigar a colecção de obras do artista mais famoso de Berna.

POLÍTICA EDUCATIVA: A URGENTE NECESSIDADE DE UM BRAINSTORMING

A Deputada do PS na Assembleia da República escreve, hoje, um artigo de opinião no DN que vale a pena ler. A páginas tantas, destaca uma declaração de J. Delors (1996): "Nenhuma reforma em Educação se fez sem ou contra os professores". E, logo a seguir:
"(...) hostilizá-los ou ignorá-los não é próprio de uma Democracia adulta em que a co-responsabilização dos processos de decisão concertada é condição para a mudança. Porém não qualificaria a referida aproximação de vitória. Vitória mesmo, seria aceitar com humildade arrepiar caminho e discutir de peito aberto as grandes questões - fracturantes algumas - de política educativa: o horizonte de empobrecimento da esmagadora maioria dos professores com o novo ECD; as categorias e as quotas; a avaliação do desempenho docente; a gestão das escolas; a autonomia (a sério) da escola; o seu funcionamento em turno único; os planos curriculares; a luta pelo sucesso; a vivência escolar; a resposta social da escola; a sua articulação com a comunidade; a formação inicial e contínua dos professores; os concursos; a precariedade; etc.
Parabéns, Júlia Caré, pela coragem política de saber dizer NÃO. É precisamente isso que defendo. Frontalidade na política mas com irrebatíveis argumentos, sem a perda dos princípios e dos valores que nos animam. São aquelas as questões que devem estar sobre a mesa, lá e cá, e que devem ser discutidas com a alma e o conhecimento daqueles que conhecem o sistema e lutam por uma alternativa política.

CIDADES E LUGARES 72. BERNA/SUÍÇA

Berna foi fundada em 1191 por Bertoldo V, duque de Zähringen. Segundo a tradição, o duque propôs que a cidade receberia o nome do primeiro animal que caçasse. Como foi um Bär (urso), a cidade passou a designar-se Bärn. Banhada pelo rio Aare, possui um centro histórico impecavelmente conservado, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.
É possível percorrer o centro histórico, sem grande esforço, em cerca de seis horas, visitanto a oferta cultural mais significativa.

PIOR A EMENDA QUE O SONETO...

O meu ilustre Camarada Dr. Augusto Santos Silva, de passagem pela Madeira, referiu-se ao triste episódio das declarações do Dr. Jaime Gama, sublinhando que tais declarações foram proferidas na qualidade de Presidente da Assembleia da República e que, portanto, não vê razão para tanta crispação em redor do discurso na cerimónia de abertura do recente congresso da ANAFRE. Discordo. E discordo por dois motivos: desde logo porque, como segunda figura institucional do País, o Dr. Jaime Gama tem o dever de estar atento e, portanto, de saber (e sabe) as características ímpares do exercício do poder na Região e os respectivos indicadores de desenvolvimento humano; em segundo lugar, porque o discurso institucional tem regras que estão muito para além dos elogios fáceis e despropositados.
A atitude de compreensão do Dr. Augusto Santos Silva, no fundo, remete-me para o quadro que várias vezes tenho aqui salientado, isto é, o da hipocrisia em que o exercício da política mergulhou. Eu não aceito que um político, investido numa determinada qualidade, às 10 da manhã, teça elogios a uma personagem e, passado uma hora, na qualidade de partidário, afirme precisamente o contrário. Aos políticos exige-se coerência e quando, por razões específicas não se pode dizer aquilo que vai na alma, no mínimo, o dever manda falar apenas do motivo que leva a ali estar. No caso em apreço, ao Dr. Jaime Gama, competia-lhe falar da importância das autarquias, da descentralização do poder e, entre outras, da necessidade que elas têm de verem reforçadas as transferências financeiras em função das crescentes responsabilidades que têm. E por aqui fico.

sábado, 26 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 71. ZURIQUE/SUÍÇA

Entre o seu fabuloso lago, as salas de espectáculos e galerias de arte, os restaurantes com sabores exóticos e as lojas de luxo, a maior cidade suíça, Zurique, alia a tradição à novidade com uma frescura inesperada no centro da Europa. Romântica, mas surpreendentemente boémia e sofisticada, proporciona mundos distintos a percorrer com os sentidos bem despertos. Uma cidade a visitar embora sem o requinte, por exemplo de Berna. Em cerca de quatro horas percorre-se o centro histórico e visita-se aquilo que é essencial.

SISTEMA EDUCATIVO: DEFENDER A ESCOLA PÚBLICA

Acabo de ler um livro sobre a Escola da Ponte (uma referência nacional de como educar, embora vista de forma enviesada pelo Ministério da Educação), subordinado ao tema Defender a Escola Pública. Trata-se de uma colectânea de textos. Aqui fica uma parte de um (pág. 116), escrito pelo Professor José Pacheco, para reflexão dos pensam a Educação:
"O nosso projecto não é de um professor, é de uma escola, pois só poderemos falar de projecto quando todos os envolvidos forem efectivamente participantes, quando todos se conhecerem entre si e se reconhecerem em objectivos comuns. Há vinte e cinco anos, escrevemos no nosso projecto educativo que os professores estão mais precisados de interrogações que de certezas. Porque não nos deixamos deslumbrar pelas soluções encontradas, mantemos despertas muitas dessas interrogações. Será possível conciliar a ideia de uma educação para a (e na) cidadania com o trabalho do professor isolado física e psicologicamente na sua sala de aula, sujeito a uma racionalidade que preside à manutenção de um tipo de organização da escola que limita ou impede o desenvolvimento de culturas de cooperação? Quando nos confrontamos com o insucesso dos nossos alunos, não será preciso ultrapassar a atribuição de culpas ao sistema, não será também necessário interpelar arquétipos que enformam a cultura pessoal e profissional dos professores?
Do meu ponto de vista, apenas uma palavra: obviamente!

CIDADES E LUGARES 70. ZURIQUE/SUÍÇA

Situada na margem leste do rio Limmat, a Grossmünsteer ressalta na paisagem pela imponência das suas duas torres simétricas. No exterior, a porta de bronze da entrada principal é ladeada por um portal românico. A construção do actual templo iniciou-se por volta de 1100, tendo as cúpulas sido concluídas quase quatro séculos depois. No seu interior, ressaltam vitrais de Augusto Giacometti, datados de 1932.
Para percorrer o centro histórico da cidade, torna-se praticamente desnecessário o recurso a um mapa.

RTP: JUSTIFICAÇÕES INJUSTIFICADAS

Uma vez mais a RTP-M, porventura porque a consciência acusa alguma coisa, sentiu a necessidade de equacionar, à sua maneira, a falta de pluralismo, de equilíbrio e noção da responsabilidade que tem enquanto detentora do serviço público. Chega ao ponto de justificar o pluralismo com um programa no qual participam cinco jornalistas, como se eles, naquele espaço, representassem correntes de opinião partidária. Os jornalistas não mereciam isto. A função deles, naquele programa, é absolutamente independente e, nesse sentido, analisam e comentam. Só isso.
Aliás, a RTP-Madeira deveria perceber a dimensão das palavras do jornalista Adelino Gomes, seu convidado do jornal de ontem que, a páginas tantas, disse para o pivot, quando este o questionou sobre a tentação inacta dos governos para controlarem a comunicação social:
"(...) apesar de muitos estudos na comunicação social, na área da teoria dos efeitos, demonstrarem que os efeitos das mensagens não são tão directos e tão úteis e positivos como às vezes os emissores pensam (...) as pessoas julgam ainda que condicionarem a informação e fazerem a informação manipulada rende junto dos outros. E a verdade é que, desde os anos 40, temos vindo a aprender que não é assim e que pelo contrário até leva a efeitos contrários".
Adelino Gomes foi mais longe quando se referiu à dicotomia governantes/jornalistas:
"(...) o governante tem uma obrigação reforçada de se conter e se não consegue conter-se, no caso dos jornalistas, devem obrigá-lo a conter-se". Devem opôr-se nesse sentido e ter a coragem de o fazer embora com custos.
A verdade, porém, por aqui essa coragem só poderia ser exercida se as respectivas direcções fossem livres e permitissem o cumprimento escrupuloso do código deontológico, garantindo-lhes protecção face à independência do seu trabalho. E isso está muito longe de acontecer.

CIDADES E LUGARES 69. ZURIQUE/SUÍÇA

Zurique é a maior cidade da Suíça. Situa-se na margem norte do lago com o mesmo nome, sendo atravessada pelo rio Limmat. Teve a sua origem num pequeno povoado celta estabelecido no século I a.C. no Lindenhof, monte que hoje integra o centro da cidade. Os Romanos construíram sobre este povoado uma fortaleza, substituída, no século IX, por um palácio carolíngio. Em 1218, Zurique foi integrada no Sacro Império Romano e, em 1351, na Federação Helvética.

25 DE ABRIL: UMA NOITE FANTÁSTICA

Foi uma noite fantástica. Quatro horas a ouvir os poetas, autores e compositores que ajudaram a fazer o 25 de Abril. O Coliseu dos Recreios encheu para escutar letras, vozes e sons que comovem, sobretudo aqueles que conseguem contextualizar no tempo o significado da longa noite fascista. Um Coliseu cheio de resistentes que não se deixam embalar nas loucuras de um presente envenenado. Só a RTP-Madeira passou ao lado. Compreendo! Faz parte da sua estratégia.
Um programa que, devidamente montado para uma sessão de 45 minutos, deveria ser de audição obrigatória nos estabelecimentos de ensino, para que o disparate e o desconhecimento desse lugar a uma atitude de compreensão da nossa penosa História recente e de reflexão para o futuro. A Associação 25 de Abril, a RTP e o Ministério da Educação deveriam pensar nisso.
Está na altura de voltar a ouvir "canta, canta esta canção, tu sozinho não és nada, juntos tens o futuro nas mãos", ou então, "eles comem tudo e não deixam nada". Teriam muito a ganhar e em saber, como salientou o jornalista de Abril Adelino Gomes, que a Pátria foi "madrasta" (continua a ser) que conduziu à emigração de milhares de portugueses, enquanto outros por aqui ficaram "exilados". Uma oportunidade para perceberem o significado de "ei-los que partem, velhos e novos...", ou então, "eles não sabem que o sonho é uma constante da vida". Para compreenderem "uma gaivota voava, voava... como ela somos livres, somos livres de voar" e que "não vamos brincar à caridadezinha, festa, canastra e boa comidinha". Perceberem que "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não" e que vivemos "esta mascarada enorme que o mundo nos aldraba". E que "se houver alguém que não goste, não gaste, deixe ficar" ou, então, a extensão do da frase "porque outros se calam, tu não".
Está na altura de voltar a ouvir as canções e asvozes de Abril, porque "só assim será poema, só assim será razão, só assim vale a pena, passá-lo de mão em mão", fundamentalmente porque "malmequer bem me quer, muito longe está quem me quer bem".
Está na altura, repito, de regressarem as canções de intervenção política. Antes que seja tarde.

CIDADES E LUGARES 68. ESTUGARDA/ALEMANHA

Estugarda, encontra-se numa óptima situação geográfica, num verde vale rodeado de bosques, pomares e vinhedos, que constituem uma das suas principais atracções. Não se deve esquecer, no entanto, que a revolução industrial empresários locais, tanto que, actualmente, Estugarda encontra-se na vanguarda económica europeia como sede de indústrias automóveis modernas, como a da Mercedes ou da Porsche, ou de indústrias eléctricas como a da Bosch.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 DE ABRIL: AS FACES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Bastou apenas uma semana e a verdadeira face política do Senhor Presidente da República ficou à mostra. Por aqui, durante a sua visita oficial, foi claro o seu distanciamento relativamente aos verdadeiros problemas da Madeira. Como se isso não bastasse ignorou, completamente, a qualidade da democracia regional. Uma semana mais tarde, ouço-o na Assembleia da República que "um regime político não pode esquecer as suas origens" (...) que não é "saudável que a nossa democracia despreze o seu código genético e as promessas que nele estiveram inscritas" que (...) "num certo sentido, o 25 de Abril continua por realizar" (...) e que há "ainda um longo caminho a percorrer" naquilo que o 25 de Abril continha em termos de ambição de uma sociedade mais justa. Palavras ditas mas não sentidas. Ele foi incapaz de se apresentar na AR com um cravo pelo que ele simboliza na luta por uma sociedade mais fraterna.
É esta política, com discursos politicamente correctos e de acordo com os contextos, que eu não suporto e que dá cabo da própria democracia. É esta atitude, envolvida numa hipocrisia extrema, que leva a que o Povo se distancie, cada vez mais (até um dia) da política e que os jovens (grande novidade deu o Presidente da República!) não liguem nada à coisa pública e que, como ontem aconteceu, estendidos na areia, vários, numa peça jornalística, sublinharam que o 25 de Abril era o dia da independência de Portugal!. Brilhante. Só o Senhor Presidente não sabia do descalabro que por aí anda.
Decidadamente, lamento ter de o dizer, este é um Presidente da República marcadamente partidário. Por esta via dificilmente fará um segundo mandato. Espero que não o faça, simplesmente porque desejo, em Belém, UM PRESIDENTE ATENTO E DE TODOS OS PORTUGUESES.

CIDADES E LUGARES 67. ESTUGARDA/ALEMANHA

Estugarda é uma cidade interessante e não mais do que isso. Tem alguns edifícios de arquitectura curiosa mas distantes de uma monumentalidade que esmague. Tem amplos parques que, sobretudo no Verão, se tornam o ponto de encontro de locais e estrangeiros. Estugarda é o centro de Bade-Wurtemberg. Dos edifícios históricos destacam-se o castelo do século XIII que abriga o Landesmuseum (museu da região), o novo palácio que data do século XVIII, assim como o Palácio de Rosenstein que data do século XIX e que abriga agora o museu de história natural. Pode-se também visitar a igreja de S. Leonardo, jóia da arte gótica do século XV e a Stifskirche (igreja colegial), basílica romana do século XII, concluida no século XV em estilo gótico.

25 DE ABRIL E OS QUE TEIMAM EM NÃO PERCEBER A DATA

O ex-capitão da Força Aérea (1974) Francisco Faria Paulino, personagem que viveu intensamente a "Revolução dos Cravos", escreve, hoje, um oportuno artigo de opinião do qual transcrevo as seguintes passagens:
"(...) Feita a descolonização, o que está em causa não é só a democracia, nem o desenvolvimento.Trata-se do próprio futuro do Homem e com ele, entender este tipo de desenvolvimento que se insiste em manter como se fosse eterno e, por arrastamento, esta democracia que se começa a questionar, por não resolver os problemas actuais (...) falar do 25 de Abril que já tanta gente tem dificuldade em perceber, deve transformar-se em preparar os amanhãs, que temo, sejam de poucas cantorias (...) em vez de insaciáveis, nos empanturrarmos de excessos, com o consumo de coisas inúteis e exigindo muito e cada vez mais, seria importante estar atento ao mundo em que vivemos (...) para alterar este estado de coisas que nos aproxima de um abismo de que já começamos a ver as bermas e que teimamos em ignorar, bastava apenas abrir bem olhos e a consciência. Será conveniente que o façamos, se quisermos evitar um diferente 25 de Abril num futuro que se adivinha e que, provavelmente, não será já feito por militares cansados de guerras inúteis mas por hordas de desamparados de tudo, que nada terão a perder".
Pensei escrever um texto sobre esta importante data que muitos teimam em não percebê-la. Para quê? Em síntese, Francisco Faria Paulino fez a resanha das preocupações. Hoje, o 25 de Abril e a mensagem global que dele decorre impõe-se-nos um posicionamento e sentimento prospectivos que implica, necessariamente, trazermos o futuro ao presente para que o possamos desenhar em benefício do POVO e não apenas de alguns membros do povo que somos. Na Europa, no País e, particularmente, na Região a que pertencemos.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 66. DACHAU/ALEMANHA

Embora não sejam totalmente originais, as camaratas foram recuperadas de acordo com as características iniciais.
Em Novembro e Dezembro de 1945, foram julgados no tribunal de guerra 40 homens das SS responsáveis pelo campo de Dachau, tendo 36 sido condenados à morte.

25 DE ABRIL: LIBERDADE! SEMPRE...

Sem sessão solene na Assembleia Legislativa da Madeira ou qualquer outra manifestação, por mais singela que fosse, o 25 de Abril, jamais se apagará da memória do Povo, pela sua importância no quadro da LIBERDADE e da DEMOCRACIA.

CIDADES E LUGARES 65. DACHAU/ALEMANHA

Para o campo de concentração de Dachau, os primeiros enviados foram alemães, adversários políticos do ditador. Com o tempo passaram a ser para lá transferidos também os homossexuais, estrangeiros (provenientes de cerca de 27 países), clérigos, ciganos e os considerados como pertencentes a uma "raça inferior" - os judeus. De todos, estes últimos foram os que mais padeceram, vítimas da propaganda hitleriana. Para eles foram destinados os piores castigos e humilhações. Na imagem, uma das câmaras de gás.

A VERDADE É COMO O AZEITE...

Os problemas internos do PSD, os de lá e os de cá, dizem respeito à vida interna do partido. Não tenho nada que me imiscuir ou tecer considerações. Todavia, o que me leva a escrever tem um enquadramento diferente. Trata-se de analisar, embora sumariamente, um político que manifestou interesse em se guindar à chefia do governo nacional por via da liderança partidária e, pelo que parece, não tem o caminho facilitado. De facto, não deixa de ser curioso que um político ganhador como é o caso do Dr. Alberto João Jardim, poucos o desejem por lá. Tecem-lhe elogios, mormente quando por cá passam, mas depois, quando se trata de o lançar ao mais alto nível da hierarquia partidária e, eventualmente, à chefia de governo, nenhuma vaga de fundo acontece, tampouco, as figuras mais destacadas do aparelho partidário dele se lembram. Por que será?
Evidentemente que isto tem uma leitura política. Eles conhecem o estilo, conhecem a forma e o conteúdo de fazer política, sabem que há uma substancial diferença entre a vivência democrática e as características autocráticas e alguns tiques ditatoriais e conhecem, também, os condicionamentos sociais intencionalmente gerados, na Região, ao longo de trinta anos, e que tais características de actuação política não têm qualquer viabilidade no território Continental. E sabem mais: que ele nunca governou em tempo de vacas magras e que a Região está numa situação difícil como confirmou o Vice-Presidente do Governo. Eles sabem que a dita “obra” qualquer um a faria se se considerar o volume do financiamento europeu e do orçamento de Estado, no decorrer dos vários programas e quadros comunitários de apoio. Eles conhecem toda a história.
Não basta, por isso, ganhar actos eleitorais. Torna-se necessário analisar os indicadores de desenvolvimento humano entretanto gerados e que razões subjazem ao facto de um povo, durante trinta anos, ter mantido o mesmo político no poder. Eles certamente conhecem o processo e, por isso, partidariamente, elogiam-no, mas não desejam que salte da "grande autarquia" para uma posição de Estado. Pessoalmente, embora nada tenha a ver com isso, até acho que se deveria candidatar.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 64. DACHAU/ALEMANHA

O campo de concentração de Dachau dista cerca de 30 km de Munique. Foi o primeiro campo criado após a chegada de Hitler ao poder. Trinta e duas mil pessoas foram mortas.
Foram efectuadas experiências com o paludismo (malária), com o intento de criar métodos de imunização. Nesse sentido, cerca de 1.100 presos foram infectados com esta doença e também de reistência à hipotermia mergulhando os presos em recipientes de água gelada.
São necessárias três horas, no mínimo, para percorrer as instalações do campo, no meio do silêncio onde apenas os passos na gravilha são audíveis. Há momentos de uma grande comoção onde a pergunta que assalta é sempre a mesma: Como foi possível o Homem fazer isto?

CREDIBILIZAÇÃO DO PARLAMENTO

O objectivo e o tom dos discursos, mormente no designado "período antes da ordem do dia" são sempre os mesmos. Assiste-se, por parte da maioria, a uma clara tendência para desviar as atenções para o Continente, como se esta não fosse uma Região Autónoma dotada de órgãos de governo próprio e, portanto, de políticas próprias. Compreendo o incómodo, ele está à vista de todos pois é difícil rebater os indicadores, mas é aqui que se deve centrar o debate sobre os vários dossiês da governação regional. Isto não significa que, a propósito, o governo da República não venha à colação. É natural que isso aconteça. A sistematização, porém, acaba por ser ridícula, ineficaz e ter o significado da incapacidade política para utilizar, em toda a sua extensão possível, os domínios que a Constituição e o Estatuto Político-Administrativo conferem.
Há, claramente, uma fuga à realidade local e um desvio da atenção para o exterior, como se tudo dependesse da República. No fundo, sintetizo, tudo o que de bom acontece constitui mérito da governação regional; as incapacidades e insuficiências, todas elas, são da responsabilidade do Primeiro-Ministro. E não é assim, como se sabe.
O Parlamento, nem a maioria parlamentar, credibilizam-se pela utilização da palavra descontextualizada da realidade regional, com os sistemáticos hinos de louvor ao Senhor Presidente do Governo Regional ou então, um ano depois, com discursos sobre a vitória eleitoral de 6 de Maio de 2007. Por aí é o descrédito.
É evidente que ninguém espera que a maioria teça considerações que coloquem em causa o governo, mas exige-se, salvo excepções que as há, outra postura, mais séria, mais honesta, de maior rigor e profundidade nas análises mesmo que tenham o incómodo de levar a água ao seu moinho. Pelo contrário, genericamente, a oposição desempenha bem o seu papel. É sensível que há trabalho, empenhamento e estudo dos assuntos em debate. Não há, grosso modo, leviandade discursiva. É, por isso que, em qualquer debate, a maioria perde e fica a léguas da capacidade argumentativa da oposição. Conjugar posicionamentos políticos distintos, discuti-los, saber ouvir e negociar não fazem parte da lógica da maioria. É pena. Todos perdemos, o povo perde, quando salta aos olhos que o objectivo, no mor das vezes, é "toca a despachar".

CIDADES E LUGARES 63. NEUSCHWANSTEIN/ALEMANHA

Apesar de belíssimo, o castelo de tem uma característica que é frustrante: devido à densa vegetação envolvente, torna-se difícil encontrar um lugar onde se possa fotografá-lo em toda a sua beleza arquitectónica e imponência. Por dentro não é permitida a utilização de máquinas fotográficas. Todavia, vários sítios na Internet mostram a beleza e riqueza dos salões e de todos os espaços do interior deste castelo de Ludwig. A poucas centenas de metros existe um outro, o de Hohenschwangau, que constitui, também, não no aspecto arquitectónico, mas na riqueza interior, uma visita a não perder.

O QUE SERIA DO CIMENTO SE NÃO FOSSE A AREIA!

"O que seria do cimento se não fosse a areia", exclamava, esta manhã, na Assembleia Legislativa, o Deputado Leonel Nunes. O problema está precisamente aqui.
Não sendo eu especialista nesta área dos recursos naturais, nem conhecendo em toda a sua extensão a legislação, do debate fiquei, no entanto esclarecido. A extracção de inertes possibilita lucros fabulosos na ordem dos 110%. Tão apetecível este negócio que há quem não tenha barco mas tenha licença de exploração. E que mesmo uma proposta no sentido de taxar em 5% a extracção em benefício dos cofres da Região, uma vez que se trata de bens extraídos do domínio público, até isso a maioria não aceitou. Há, de facto, qualquer coisa de gato escondido com o rabo de fora.
Deixo a discussão para os especialistas, mas não deixo de lembrar, no quadro da sustentabilidade, o texto do Decreto Legislativo Regional 3/84/M, de 1 de Fevereiro, primeiro diploma regional dedicado a esta matéria, estabelecia no seu preâmbulo as seguintes considerações:
«A Região Autónoma da Madeira, dados os seus condicionalismos geográficos, é particularmente sensível à estabilidade da sua faixa costeira, e, concomitantemente, do leito do mar que lhe serve de apoio natural. De facto, as características particulares da sua plataforma marítima, com profundidades e declives elevados, mesmo junto à costa, obrigam ao estabelecimento de medidas de protecção suficientemente cautelosas com vista à recuperação inadiável do meio físico. A não ser assim, poderá comprometer-se, também, e definitivamente, os equilíbrios biológico e ecológico com todas as consequências que daí advirão para as outras gerações. Aliás, já em certas zonas da Ilha da Madeira se verificam acentuados desequilíbrios do meio ambiente junto à costa, que põem em perigo vidas e haveres das populações locais.»
Faço minhas as palvaras do Deputado Leonel Nunes: "(...) o que seria do cimento se não fosse a areia", simplesmente porque, no cimento, há muita gente interessada.

terça-feira, 22 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 62. NEUSCHWANSTEIN/ALEMANHA

O Castelo de Neuschwanstein é o mais famoso dos três construídos para Luís II da Baviera, por vezes referido como o "Louco Rei Luís". É uma das obras-primas do romanticismo novecentista. Numa fantástica imitação de um castelo medieval, Neuschwanstein é embelezado por um conjunto de torres e flechas e está espectacularmente situado num ponto alto sobre a garganta do Rio Pöllat.
Da vila ao castelo faz-se um percurso, a pé, por entre densa vegetação, de, aproximadamente, 35 minutos. Há um transporte em cabina puxada a cavalos. O horário de acesso é previamente marcado. No Verão, pode acontecer chegar a Neuschwanstein às 11 horas e só ter entrada no castelo às 16 horas. Mas vale a pena a espera!

INACEITÁVEL

Enquanto cidadão e enquanto docente não posso aceitar que a inauguração de um estabelecimento de ensino sirva para uma intervenção de carácter partidário. Se eu fosse director ou professor daquela escola tinha imediatamente abandonado a sessão inaugural da Escola Básica do 1º Ciclo da Ribeira Brava. É inaceitável, independentemente de quem estiver no governo, o aproveitamento de um momento público para falar dos problemas internos, neste caso, do PSD, e da atitude que o futuro líder partidário deverá seguir no que concerne às eleições legislativas nacionais de 2009. O partido tem órgãos e sede própria e é aí o local para debater e anunciar estratégias. Nunca a escola e nunca no decorrer de uma inauguração de um estabelecimento de ensino. Isso configura uma falta de respeito pela instituição e pelas pessoas que tenham posicionamentos partidários diferentes. Se havia alguma dúvida sobre onde termina o partido e começa o governo, ou vice-versa, essa dúvida, ontem, ficou completamente esclarecida.
E tanto que havia para falar sobre educação. Lamentavelmente, o que foi dito pelo Senhor Presidente do Governo Regional em matéria de política educativa foi muito pouco ou nada. Era importante que se referisse a questões tão simples quanto estas: o modelo de autonomia, gestão e administração, a questão da avaliação do desempenho, a prova pública de acesso ao 6º escalão da carreira docente, a contagem do tempo de serviço para efeitos de reposicionamento salarial, enfim, matérias importantes e politicamente adequadas ao momento. Mais, ao contrário de falar de "plano de operações", "armada", "contra-ataque", "ataque feroz", levar o adversário a "perder a cabeça", tudo considerações muito pouco educativas para aquela cerimónia inaugural, o Senhor Presidente devia, sim, abordar questões importantes sobre o combate à indisciplina e violência no espaço escolar, a necessidade de boa preparação cívica e do fomento do estudo no sentido da preparação desta geração para os desafios que aí estão ao virar da esquina.
Como docente, estou desolado.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 61. BÜHL/ALEMANHA

Ao lado da monumentalidade de muitas cidades, a Alemanha é fértil em pequenos espaços, que só uma bem preparada visita os descobre. Bühl é um desses. Uma cidade, melhor dizendo, uma vila de pequenas dimensões mas que mexe com quem a visita. Dista poucos quilómetros de Immenstad. As margens do lago são convidativas pelas actividades de lazer. Não há centros cívicos descomunais, nem praias de areia, nem marinas sem sentido. Há turismo, serenidade e qualidade de vida.

NO ALVO

A direcção do PS/Madeira vai apresentar ou já apresentou queixa ao Ministério Público, contra o Jornal da Madeira (JM) por alegado dumping nos preços da publicidade. Penso que esta é, apenas, uma forma encontrada na luta pela moralização da comunicação social madeirense.
Apesar de alguns ataques pessoais, que fique claro que nada me move contra quem lá trabalha. Pelo contrário, respeito os postos de trabalho pelo que eles significam para a vida de cada um dos trabalhadores. Aliás, lá trabalhei, no tempo do Doutor Paquete de Oliveira e do Arcebispo Dom Maurílio Gouveia. O problema é outro e inscreve-se, por um lado, na distorção das regras do mercado; por outro, porque é inaceitável que aquele matutino, sobreviva, há anos, à custa do orçamento regional. Numa estimativa de quinze anos de subsídios, segundo li, conclui-se que o Jornal terá recebido um total 34 milhões de euros, ou seja, 6 mil euros por edição/dia. Obviamente que ninguém pode estar de acordo com uma situação destas. Ademais, seria interessante conhecer como é que se gastou 34 milhões dos impostos dos madeirenses, quando outros, o DN-M, por exemplo, diariamente tem de lutar para sobreviver, de forma independente, num mercado difícil e sem apoios.
Portanto, uma boa iniciativa da direcção do Partido Socialista, no sentido da moralização do mercado.

CIDADES E LUGARES 60. LINDAU/ALEMANHA

LINDAU é uma cidade localizada no sul da Alemanha nas margens do Lago Bodonsee e aos pés dos Alpes. A cidade ilha, como é conhecida, é a cidade alvo para muitos turistas e sede de muitos eventos. Oferece, graças ao seu ambiente natural, óptimas possibilidades de lazer.
Trata-se de uma cidade em que tudo parece estar no seu devido lugar. As ruelas, as singulares características da arquitectura, o acesso ao lago, a zona comercial, a tranquilidade da paisagem, fazem de Lindau um centro turístico de excelência. Um exemplo para muitos governantes.

NÃO CAUSAR MELINDRES

COM QUE ENTÃO... diz o líder parlamentar do PSD na Assembleia da República, Dr. Santana Lopes, a visita do Senhor Presidente da República à Madeira constituiu um exemplar serviço à coesão Nacional. O Presidente, sublinhou, demonstrou firmeza "ao evitar tratar temas que pudessem causar melindre”.
Ora bem, apenas dois comentários. Desde logo, que raio terá a ver a visita com a coesão nacional? Será que o PSD-M tem algum arsenal, bombas, submarinos e aviões de combate que faça estremecer, a qualquer momento, o território continental? Portanto, é um disparate falar de coesão nacional. Em segundo lugar, ao dizer que o Presidente evitou tratar de temas melindrosos, reconheceu a existência desses mesmos assuntos. E neste caso não foi sério, uma vez que a política, seja ela a que nível for, deve ser contextualizada e desenvolvida, no momento oportuno, de forma frontal e transparente. E o Presidente sabe, certamente, como analisar e exercer a sua influência no sentido da correcção dos processos. O problema é, obviamente, outro.
Não é furtando-se ao equacionamento dos problemas que se constrói o País no seu todo e a Região em particular. Se assim não é, afinal, para que serve o Órgão de Soberania Presidente da República?

domingo, 20 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 59. ST. GALLEN/SUÍÇA

Na parte leste da Suíça, próximo ao Lago de Constança, a cidade medieval de St. Gallen foi construída ao redor da grandiosa catedral e abadia. O barroco suíço parece extremamente clássico. A elegância marfim da fachada da catedral é impar. Ao entrar, o espanto do visitante não é menor. Paredes claras e lisas, com apenas alguns frisos de cor cinza, dão destaque ao barroco que surge discreto em tonalidades outonais. As nuances que permeiam o dourado e o ocre fazem um belo contraste nos assentos reservados aos integrantes do coro.

EDUCAÇÃO ATRAVÉS DO DESPORTO (III)

“Para aqueles que têm apenas um martelo como ferramenta, todos os problemas parecem pregos” - Mark Twain.
Citei Toffler [1] como poderia enunciar outros visionários. Certo é que há muito que abandonámos as vagas agrícola e industrial. Não me parece lógico que no quadro das vagas que se sucedem se continue a utilizar, grosso modo, os mesmos instrumentos, a mesma conceptualização das práticas físicas dos séculos XIX e XX. Infelizmente, predominam, em cadeia, resistências à mudança no sentido daquilo que é evidente, isto é, de uma Educação Desportiva que acompanhe os novos tempos.
De facto, a mudança sempre incomodou consciências adormecidas por anos a fio de rotinas. E se é normal que tal aconteça, também é normal que surjam momentos em que se agitem ideias, em que se troquem opiniões e em que se divulguem experiências, de forma a que tudo possa ser reequacionado de novo. Para que tudo possa renascer. Por isso, questionar, hoje, a Educação Física é, antes de mais, criar as condições para que ela possa renascer. Trata-se de um trabalho a ser partilhado por todos, dos professores aos políticos, sem dogmas, sem preconceitos e sem ideias preconcebidas, já que aquilo que está em jogo deverá ultrapassar clivagens de opinião. Todas são bem-vindas. Um projecto portador de futuro constrói-se na diversidade das ideias e no pluralismo das opiniões. Um posicionamento destes relega, portanto, o isolamento por ausência de debate. Porque o isolamento apenas conduz à repetição das soluções do passado. Tal como afirmou Mark Twain: “Para aqueles que têm apenas um martelo como ferramenta, todos os problemas parecem pregos”. É por isso que se impõe uma cruzada de criatividade a caminho de novas soluções concordantes com o sentido das mudanças
[2]. Porque hoje as palavras-chave multiplicam-se: rotura, mudança, competência, previsão, estratégia, gestão, reengenharia, excelência, criatividade, inovação, sinergia, comunicação, internet etc., quantas palavras por aí andam que, na sua essência, exprimem que o Mundo passa por duas revoluções, tal como salientou Don Tapscott: “as das tecnologias da informação e a das técnicas de gestão”. Elas são fonte de conhecimento e daí que as escolas que souberem explorar as potencialidades de cada uma serão, certamente, as mais bem sucedidas. (Continua)

[1] A Terceira Vaga foi editada, em Portugal, há vinte anos.
[2] A este propósito, o Doutor Olímpio Bento (2001), sobre a crise da Educação Física, resume: “(…) para a reconstrução da Educação Física assume particular relevância a revolução operada nos conceitos de corpo, de saúde e de estilo de vida activa e na educação ambiental. Mais, essa reconstrução é ditada por duas ordens de razões incontronáveis: 1. pela necessidade de renovação da própria escola, no tocante à sua configuração enquanto polo de cultura e de humanidade; 2. pela necessidade de influenciar o desporto institucionalizado que hoje ostenta as máculas de um paradoxo, ao afastar-se da cultura, da formação, da educação, do humanismo. Isto é, encontra-se em rota de colisão com princípios e valores que o fundaram como um sistema moralmente bom e resvala, cada vez mais, para a imoralidade, para o analfabetismo, para a incultura e para a trapaça. Sendo através desta área escolar que as crianças e jovens acedem ao contacto com o desporto, a escola não pode eximir-se da responsabilidade que lhe cabe nesta matéria”.

CIDADES E LUGARES 58. ST. GALLEN/SUIÇA

Já no século IX, em termos religiosos, intelectuais e económicos, a região ficou conhecida como uma das mais importantes da cultura ocidental com sua biblioteca. Um acervo de 100.000 volumes oferece verdadeiras raridades, principalmente do período que vai do século VIII ao XII. Não são poucas as obras ilustradas com iluminuras inspiradas nos estilos irlandês e carolíngeo. Entre os principais temas cobertos pelo acervo estão o bíblico, litúrgico, paleográfico, histórias da arte, jurisprudência e medicina, música, literatura e filologia latina.

O ELOGIO DO TAMANHO DA REGIÃO

O Presidente da República, na sua visita à Região, quase todos os dias, teve a preocupação de sublinhar que não comentava atitudes político-partidárias, mantendo, assim, uma aparente distância entre a função de mais alto Magistrado da Nação e o desempenho dos políticos. Não gosto do estilo mas tolero. Não gosto porque entendo que essa história do distanciamento é uma treta. O Presidente foi eleito com um programa, é a primeira referência institucional do País, é o garante de um conjunto de obrigações que jurou cumprir e, portanto, não pode fazer de conta, não pode fazer que não sabe, enfim, não deve assobiar para o lado passando pelos verdadeiros problemas como gato sobre brasas. Mas, repito, tolero.
Todavia, tudo tem um limite. É-me difícil poder aceitar que o Presidente, ainda ontem, no jantar da despedida, a convite do Senhor Presidente do Governo, tenha feito um elogio do tamanho da Região ao político e às suas políticas, esquecendo-se, até como economista, que a situação da Região é gravíssima e que os indicadores gerais e sectoriais não abonam em função de um desenvolvimento equilibrado, harmonioso e sustentável. Dizer que "(...) o senhor pode orgulhar-se da obra que realizou ao longo de 30 anos da Autonomia", constitui um exagero e um eventual desconhecimento da realidade se, no outro prato da balança, tivesse tido o cuidado de colocar os graves problemas gerados com tais opções políticas. E não estou a falar dos constrangimentos à acção política que ele, na qualidade de Presidente de todos os portugueses e garante da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas, deveria garantir e actuar, no pressuposto que tais garantias não se esgotam nos actos eleitorais. Estou a falar de outras coisas.
Há obras bem pensadas, obviamente que sim. Outras, nem por isso. O Presidente deveria interrogar-se se com o mesmo volume de financiamento da União Europeia e dos Orçamentos de Estado, não teria sido possível um outro paradigma de desenvolvimento que não gerasse o caos na pobreza e na exclusão social, no desemprego e no domínio cultural, factores esses geradores de um futuro pintado em tons escuros. E aí o Presidente tinha a obrigação de assumir um discurso claro, inequívoco e corrector das políticas.
Depois, há qui uma questão de hipocrisia política. Ao longo dos anos, entre outros mimos, o Presidente do Governo Regional caracterizou o Professor Cavaco Silva de "tecnocrata, "político caloiro", ida para Belém como "nociva para o País", "cavaquismo só por cima do meu cadáver" e ontem, caracterizou-o como "um grande português, que tanto fez e faz pela pátria comum e que tanto ajudou e impulsionou na concretização de muitas das ambições e expectativas legítimas do povo madeirense". É por estas e por outras que o desempenho dos políticos enoja aqueles que pensam a política como um acto nobre, sério, honesto e transparente.

sábado, 19 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 57. PRAGA/REPÚBLICA CHECA

Desde 1992, o centro histórico de Praga estendendo-se por uma superfície de 866 ha (incluindo os bairros de Hradčany com o Castelo de Praga, Malá Strana/ o Bairro Pequeno, Staré Město/ a Cidade Velha com a Ponte de Carlos e Josefov, Nové Město/a Cidade Nova e Vyšehrad) figura na lista do Património Cultural Mundial da UNESCO.

CONGRESSO DOS PROFESSORES

É sempre um momento comovente do Congresso, quando, em uníssono, a terminar, os Professores cantam o seu hino:

Porque ensinar é dar de nós à vida
Dizer que esta partida
É mais que jogar

Porque aprender
É ter à frente a vida
É ponto de Partida
Para depois navegar

Uma lição é um presente dado
Daquilo que o passado
Nos soube ensinar

É uma canção
De dar o que sabemos
De querer dar o que temos
Soletrando o verbo amar

Queremos dar um rosto ao futuro
E semear a flor que vai nascer
E construir o jeito de saber
Que unidos vamos ter
A força de chegar

Está a tocar
E vamos terminar
Dizendo que a esperança
Se pode ensinar.

CIDADES E LUGARES 56. PRAGA/REPÚBLICA CHECA

Inicialmente foi construído o claustro, posteriormente a igreja foi adicionada a este, também no estilo barroco, entre 1.626 e 1.750. Na fachada destaca-se o famoso (e bonito) campanário com 30 sinos feitos à mão e que tocam diferentes notas e executam a música dedicada a Nossa Senhora.
Belíssimos frescos ornam o claustro e o interior da igreja de Nossa Senhora da Natividade.

9º CONGRESSO DOS PROFESSORES: EXCELENTE!

É absolutamente lamentável a ausência dos responsáveis pelo sector educativo na Região Autónoma da Madeira, já não digo ao longo de todo o Congresso mas, no mínimo, em alguns momentos absolutamente essenciais para quem tem responsabilidades governativas. Intervenções como as do Dr. Almirindo Janela Afonso, do Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho, do Dr. José Calçada, Presidente do Sindicato dos Inspectores de Educação e Ensino e, ainda, do Doutor Santana Castilho, Professor Coordenador da Escola Superior de Educação de Santarém, forçosamente teriam de ter a presença daqueles que lideram o processo educativo na Madeira e mais, de todos os Conselhos Executivos, Inspectores, Delegados Escolares e outros que desempenham funções de relevo no Sistema Educativo. Deveriam ter descido do pedestal e ouvir o brilhantismo das intervenções que a todos os seiscentos e tal delegados e convidados fez reflectir. Ninguém está adequadamente habilitado para gerir e administrar o sistema quando se refugia, quando não estuda, não ouve ou não quer escutar o outro lado das políticas, sobretudo, neste caso, quando o tema central do Congresso foi a "Educação e Cidadania em Tempo de Globalização". A ausência tem um significado e esse é o da acéfala repetição maquinal das atitudes dos decisores políticos que apenas poderá conduzir aos mesmos resultados que o sistema apresenta.
Entre outras áreas que foram exaustivamente analisadas pelos oradores, destaco a problemática da avaliação do desempenho docente. E porque este processo está em fase de regulamentação, aqui deixo uma passagem discursiva do Professor Santana Castilho, que cito através de alguns apontamentos que recolhi: (...) uma coisa é avaliação do desempenho; outra, é a classificação do desempenho. A avaliação faz sentido para comparar e avaliar percursos e respectivos desvios; não deve servir para rotular ou punir pessoas (...) O que o sistema precisa é de uma cultura do desempenho onde o objectivo seja o Homem (...) O próprio sistema empresarial lucrativo há muito que abandonou a avaliação que querem trazer para o sistema educativo. O que eles buscam é a cultura do desempenho que tem, naturalmente, outros contornos mais vastos e consequentes (...) O sistema de avaliação que querem impor só pode trazer mais caos ao caótico sistema educativo.
Se lá fossem poderiam ter aprendido alguma coisa. Paciência!

sexta-feira, 18 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 55. PRAGA/REPÚBLICA CHECA

As ruas e as construções medievais de Praga exalam cultura. Há uma espécie de deslumbramento permanente: a "jóia de pedra", como a denominou Goethe, impressiona a todo momento. Estar em Praga é como vivenciar muitos tempos ao mesmo tempo, desvendar muitos lugares em um mesmo lugar, rememorar uma história sem tê-la vivido. Rara cidade que a guerra não demoliu por completo, a capital da República Checa conserva intactas antigas construções: castelo, palácios, catedrais, igrejas e conventos, museus, salas de concerto, pontes e viadutos, torres e cemitérios.

RENDIMENTO SOCIAL DE INSERÇÃO: 7.000 OU 8.000 BENEFICIÁRIOS?

Os números do Rendimento Social de Inserção na Madeira continuam por esclarecer. Ontem foi a vez da Drª Bernardete Vieira, junto da Drª Maria Cacaco Silva, publicitar o número de 7.000 beneficiários. Exactamente 7.000. Nem mais um nem menos um! Para o Dr. Jardim Ramos, são 8.000. Exactamente 8.000. Nem mais um nem menos um! Em que ficamos?
Mas o problema não se coloca aí, nos números tão redondinhos e na falta de concordância entre membros políticos do mesmo governo. O problema está em perceber as razões que subjazem à existência de significativas bolsas pobreza e de exclusão social na Madeira e, portanto, o que essas bolsas significam em função das políticas económicas e sociais implementadas ao logo de três décadas. E isso ninguém se atreve a tomar posição. Porque será?

CIDADES E LUGARES 54. PRAGA/REPÚBLICA CHECA

A noite em Praga é mágica. Poucas cidades têm o seu centro histórico tão bem iluminado.
A luz e as sombras, intencionalmente criadas, projectam os edifícios na sua monumentalidade. Apercebemo-nos de pormenores da arquitectura que à luz do dia não sobressaem.
Este ambiente é notável e contagiante quando compaginado com a serenidade das pessoas e dos lugares mais movimentados. Praga à noite é um hino à beleza e à paz.

VISITA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA: UM DESASTRE POLÍTICO

A dois dias do regresso a Belém, esta visita do Senhor Presidente da República à Região Autónoma da Madeira pode ser considerada um desastre político. Já não há volta a dar. O registo da sua presença em tudo me fez lembrar os cerimoniais de outrora de Américo e Gertrudes Tomás, acompanhados da extensa corte da Acção Nacional Popular. Não há diferencas significativas nos discursos, nos louvores, nos banhos de multidão, nas bandeirinhas distribuídas e na incapacidade (intencional) de dar um sinal à população que, de facto, é o presidente de todos os portugueses e um presidente atendo e interventor na solução dos problemas. E se assim observo e escrevo não é pelo meu posicionamente partidário, mas sobretudo com a preocupação do cidadão que tenta se manter esclarecido.
O quadro político, económico, social e, naturalmente, cultural é muito preocupante. Os indicadores gerais e específicos em múltiplas áreas da governação exigiam a presença de um Presidente a meter o nariz no laranjal e a cheirar esta fruta aparentemente saudável por fora mas corroída e podre por dentro. Com o seu comportamento percebo, agora, o verdadeiro significado da expressão "cooperação estratégica". Lá, coopera, com o PS, de acordo com os seus interesses de recandidatura; aqui, coopera com o PSD, na esperança de não sofrer os efeitos dos ataques políticos do Presidente do Governo Regional. Os problemas ficam para depois.
E sendo assim, entendo que esta visita acabou por ser desprestigiante para o primeiro Órgão de Soberania, uma vez que se exige muito mais do Presidente da República. Não se trata de tomar partido, de posicionar-se em função do quadro político regional e das tensas relações entre o poder e a oposição, mas de ouvir, interpretar e dar sinais à sociedade que está atento e preocupado face aos gravosos indicadores que colocam a Região à beira do colapso. Não há exagero da minha parte quando aplico a palavra colapso. O problema é, de facto, grave e o governo sabe-o bem. Apenas está a adiá-lo e, neste pressuposto, o Senhor Presidente da República, ao sacudir as responsabilidades, torna-se, a partir deste momento, cúmplice da situação. Sinceramente, não sei que magistratura de influência poderá exercer, que preocupações poderá apresentar ao Primeiro-Ministro nas habituais reuniões semanais, que influência poderá ter junto do Presidente do Governo Regional, quando a sua passagem pela Madeira se resumiu ao silêncio sobre os problemas que a todos afecta, quando o que fica para a História são os almoços e jantares, os discursos de circunstância, uma fuga à sessão solene na Assembleia, visitas turísticas guiadas e muitos aplausos e salamaleques à sua passagem. É caso para dizer que, não o rei, mas o Presidente vai nú. Era melhor que não tivesse vindo. Pelo futuro desta Região, os madeirenses precisavam de uma postura política e não turística.
Apenas uma nota final relativamente ao trabalho da oposição e aquela de terem apostar no futuro, preparando políticos para substituir as gerações que vão acabando a carreira. Se o Presidente disse isto aos representantes dos partidos, apenas demonstrou que desconhece, completamente, o quadro e a monumental teia de interesses e de pequenos e subservientes poderes caracterizadores da Madeira política. E se conhece não foi sério. Como não considero ter sido um deslize ter dito ao Presidente do Governo Regional: «(...) no seu próximo mandato virei aqui dar conta da plantação que irei fazer com as sementes que levo daqui, da Laurissilva».

quinta-feira, 17 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 53. PRAGA/REPÚBLICA CHECA

A Igreja da Natividade (Loreta de Praga) é uma das visitas inesquecíveis. Ao vê-la de fora ninguém avalia o que apresenta no seu interior em termos de beleza arquitectónica e de ornamentação, tanto a igreja, com sua belíssima nave barroca, o claustro e seus jardins, cópia da Santa Casa, na Itália, em Loreto, construído 1626-31, isto para além das riquíssimas jóias do museu. Infelizmente, é proibido fotografar o seu interior.

EDUCAÇÃO ATRAVÉS DO DESPORTO (II)

“Vive-se uma época de mudança explosiva. (...) Velhas maneiras de pensar, velhas fórmulas, velhos dogmas e velhas ideologias,
por muito queridos ou úteis que tenham sido no passado,
já não se coadunam com os factos. (...)
Não podemos meter à força o mundo embrionário de amanhã
nos cubículos convencionais de ontem”.

Alvin Tofller


Questionarão muitos professores, fundamentalmente, mas também políticos e outros agentes desportivos, afinal, o que tem a ver, no essencial, a citação de Tofller com o nosso problema, isto é, com a Educação Física e o Desporto na Escola? Diria que tudo se partirmos do pressuposto que no mundo que estamos a viver, se tornar indispensável olhar para os Sistemas Educativo e Desportivo como sistemas que interagem entre si e com todos os restantes. Há, como sempre existiu ao longo da História, a necessidade de um esforço colectivo no sentido de uma permanente interrogação, na perspectiva de, tendencialmente, fazer ajustar a actividade profissional aos novos ritmos que a vida impõe. E assim sendo, parafraseando Carlos Fuentes, citado por Toffler (1984), impõe-se questionarmo-nos se “estamos a morrer ou a nascer?”. Melhor dizendo, numa aproximação a este contexto, se a Educação Física está a morrer ou a renascer?. Trata-se de uma questão essencial, isto é, se a tendência é aferrolhar esta área de desempenho social ou, pelo contrário, libertá-la dando largas à imaginação criando uma Educação Desportiva geradora de felicidade para quem a pratica e recompensadora para quem a orienta no plano da plena satisfação profissional [1].
É este o dilema perante o qual a Escola e as instituições políticas estão confrontadas. É caso para interrogar: por que razão os jovens terão de se subordinar, tal como ontem, a programas estandardizados e desadequados que pouco ou nada têm a ver com a sua maneira de ser e com as suas expectativas? Programas baseados numa taxonomia discutível, repetitiva, desmotivadora e discordante das necessidades do seu corpo, da sua saúde, da sua inteligência e da sua cultura? Porquê estarem sujeitos à estandardização que nega, a partir de um determinado estádio, o direito à opção e à livre escolha? Programas que os agridem em regimes de coeducação, que são de uma chocante artificialidade e que não respeitam a estrutura da cadência da organização do tempo da sociedade actual? Há, sustentamos, pertinência nestas questões. Elas derivam da prática. É por isso que considero ser necessário avançar para um paradigma organizacional que contrarie as lógicas do passado, numa incessante busca de soluções personalizadas à medida de cada comunidade, de cada escola e de cada jovem.
Os tempos são outros. Hoje vive-se o factor E na feliz expressão de Joel Makower: Estado, Educação, Eficiência, Excelência, Ecologia, Eficácia e Economia. E das duas uma: ou criamos uma energia colectiva para gerar o salto para o futuro ou confinar-nos-emos às consequências derivadas da passividade, da acomodação e do oportunismo. A Escola está no meio da turbulência e de nada lhe valerá resistir à mudança, simplesmente porque tudo está a ser posto em causa e reequacionado de novo. No desporto, também. Só por aí, através de uma nova mentalidade, poder-se-á, no futuro, dispor de uma população que o assuma e o pratique como bem cultural. (Continua)


[1] Sempre que me reporto a estas matérias, trago em memória o posicionamento, de longa data mas sempre actual, do filósofo Doutor Manuel Sérgio: (…) Por mim sou em crer que se a Educação Física, se se deixa aferrolhar na torre de marfim onde virginalmente querem escondê-la, roubando-lhe o acto fecundante do contacto com as ciências do Homem, não excrescerá a mediania (…). A Prática e a Educação Física, 1985, pág. 11.

CIDADES E LUGARES 53. PRAGA/REPÚBLICA CHECA

Na "Cidade" Judaica podemos apreciar os exteriores de algumas sinagogas, visitar outras sem fotografá-las e aprender a história dos judeus locais. O bairro judeu (Josefov) é um dos bairros mais famosos de Praga. As pedras tumulares são, no seu conjunto, uma peça arquitectónica de rara beleza.

9º CONGRESSO DOS PROFESSORES

Penso que, aos poucos, os educadores e professores estão a tomar consciência que o Estatuto Regional da Carreira Docente da Madeira não corresponde aos interesses do sistema educativo, tampouco aos da classe. Trata-se, de facto, de um Estatuto que pouco difere do Estatuto do Ministério da Educação. Basta compará-lo com olhos de total isenção. As alterações introduzidas não convencem e, por algum motivo, naquilo que é essencial, os seus mentores fugiram ao diálogo e recusaram-se a aproveitar as sugestões do principal sindicato de professores da Região (SPM). Tanto assim é que, por duas vezes, o Estatuto foi aprovado, na Assembleia, apenas com os votos favoráveis do PSD. Só o PS-M apresentou, em sede de Comissão Especializada, 69 propostas de alteração; apenas 9 foram acolhidas e essas, mesmo assim, absolutamente marginais.
Portanto, não pode o Senhor Secretário Regional da Educação dizer que o modelo regional do ECD será sempre feito "com os professores e nunca contra eles". A história do processo, desde o seu início, prova o contrário e que entre o que discursivamente diz e a prática há uma considerável distância. Aliás, o facto do Sindicato de Professores da Madeira iniciar, amanhã, o seu 9º Congresso, subordinado ao tema "Educação e Cidadania em Tempo de Globalização", sem a presença dos convidados da hierarquia política madeirense, só tem o significado que a Secretaria Regional da Educação não quer saber do principal parceiro social para efeitos de implementação da política educativa. Será pelo Sindicato estar filiado na CGTP?
Há, de facto, pedra no sapato. Os professores que se acautelem.

CIDADES E LUGARES 52. PRAGA/REPÚBLICA CHECA

O centro de Praga caracteriza-se pelas ruelas e edifícios de todos os estilos arquitectónicos - rotundas românicas, catedrais góticas, palácios de estilos renascença e barroco, casas em estilos de classicismo, Arte Nova, cubismo e funcionalismo ou edifícios modernos.
A imagem refere-se ao Rudolfinum, uma espectacular sala de concertos.

DE QUE RI O SENHOR PRESIDENTE?

Há já alguns anos, o ex-director do Expresso, José António Saraiva, num texto oportuno e corrosivo, relativamente ao Dr. Souto Moura, perguntava: de que ri o senhor Procurador Geral da República? A questão tinha, necessariamente, um contexto, mas filiava-se no fácies do Procurador que transmitia a imagem de um permanete sorriso. O jornalista terminava dizendo: ri de si mesmo!
Ora, lembro-me da atitude firme, militar, que impunha respeito do General Ramalho Eanes; da atitude bonacheirona, simples, paciente mas não ingénua, do tipo "o que tu queres sei eu", do Dr. Mário Soares; da atitude do Dr. Jorge Sampaio, activa, combativa e de, ali mesmo, chamar os bois pelo nome. E temos agora o Dr. Cavaco Silva, um Presidente que passa entre a chuva sem se molhar, entre os problemas sem se comprometer, mas sempre com um sorriso de orelha a orelha. Afinal, de que ri o Senhor Presidente?

quarta-feira, 16 de abril de 2008

CIDADES E LUGARES 51. PRAGA/REPÚBLICA CHECA

Praga é conhecida como a cidade das cem cúpulas. É um dos mais belos e antigos centros urbanos da Europa, famosa pela excelência do seu património arquitectónico e riquíssima vida cultural. A catedral de São Vito Venceslau e Vojtek é o mais conhecido monumento religioso de Praga e constitui um ponto característico da cidade. No local onde se encontra, existia uma rotunda pré-românica construída pelo príncipe Václav, que foi aqui também sepultado. O lugar mais sagrado da catedral é a Capela de São Venceslau, onde se encontram depositadas as Jóias de Coroação Checa.

O EXEMPLO QUE NÃO VEM DE CIMA

Estou desolado. A minha luta por um sistema educativo melhor, por uma educação ao serviço do desenvolvimento é, de facto, na nossa terra, uma utopia. Atentemos neste diálogo onde intervêm o Senhor Presidente do Governo Regional da Madeira e uma criança de Câmara de Lobos, minutos antes da chegada do Presidente da República:
- Então, tens tido boas notas?
- Não.
- Não? Tás desgraçado! Não te importes. Também chumbei três anos e cheguei a Presidente do Governo...
Este diálogo é absolutamente inaudito. Afinal que andamos nós, professores, a fazer na escola? Que exemplo de trabalho dá o Senhor Presidente do Governo Regional da Madeira a uma criança de um concelho a braços com problemas múltiplos de carácter social, educativo, de formação profissional, cultural e económico? Que exemplo para os pais e encarregados de educação foi dado? E que pensarão os responsáveis pelo sistema educativo regional?
Talvez digam que se tratou de uma graça. De muito mau gosto, digo eu. Simplesmente porque com a Educação não se pode nem se deve brincar. A Educação é um sector muito sério, porque é ali que se joga o futuro colectivo e a prosperidade da Madeira. Por momentos, senti uma revolta interior, não pelo meu posicionamento partidário mas pela infelicidade (será?) das palavras ditas, no quadro de um sistema que precisa de muito sucesso escolar e de qualidade para sair do pântano em que nos encontramos.
De resto, um Presidente tem de ser uma referência, um exemplo, porque as suas palavras devem, necessariamente, provocar efeitos positivos na população.

CIDADES E LUGARES 50. DRESDEN/ÓPERA/ALEMANHA

A Ópera de Dresden representa 300 anos de história. No tempo de Augusto, o Forte, Johann Adolf Hasse (1699-1783) era o compositor determinante, no século XIX, Carl Maria von Weber (1786-1826) e Richard Wagner (1813-1883), como directores da ópera, levaram o teatro musical de Dresden a grandes êxitos e também Richard Strauss (1864-1949) estreou nove das suas óperas nesta cidade. Hoje Wagner e Strauss são o ponto central do programa da Sächsische Staatsoper (Ópera Nacional da Saxónia).

EDUCAR ATRAVÉS DO DESPORTO (I)

A partir de hoje publicarei alguns excertos do livro "ANO EUROPEU DA EDUCAÇÃO PELO DESPORTO", editado, em 2004, pelo autor deste blogue.
(...) Buscando as razões mais profundas de um sentimento que se multiplica a cada ano que passa, encontro uma causa que explica, se não no todo pelo menos em grande parte, a desmotivação e a fuga dos professores para outros ambientes profissionais porventura mais estimulantes e gratificantes. As causas mais evidentes de tais desencantos situam-se, indisfarçavelmente, na desadequação organizacional das instituições e na concomitante incapacidade de resposta da Escola aos interesses de quem a frequenta quer como aluno quer como docente. São estas as razões, deduzo, de maior consistência para a procura de outros âmbitos de intervenção profissional. Aliás, recordo que este não é um sintoma novo. Já no longínquo ano de 1969, enquanto estudante, recordo-me e não me canso de amiudadas vezes repetir, pela profundidade das palavras, no decorrer de uma aula, julgo de Psicopedagogia, o Jubilado Doutor Paula Brito dizer qualquer coisa como isto:

“(…) Como pode uma escola sempre igual competir com a vida que é sempre diferente. O desencontro é inevitável”.

Esta expressão de um pensamento estratégico
, eu diria, revolucionário na época, exprimia e continua, apesar das mudanças introduzidas nos sistemas educativo e desportivo, a caracterizar a ausência de uma desejável sintonia entre o microcosmos escolar e um mundo que, como bem cantou António Gedeão, “pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança”. É esse desencontro, esse desfasamento, gerador de uma incontrolável angústia pela incapacidade de poder transformar, que está a conduzir e a estrangular vontades múltiplas no despontar de uma prática educativa escolar na qual, através do desporto, “cada um se sinta bem dentro da sua pele” como sintetizou Christian Pociello.
De facto, a Escola continua a não a responder de forma eficaz. A Escola pró-activa continua distante. A sua autonomia coarctada. O que dão com uma mão logo retiram com a outra. Consequentemente, o seu projecto educativo continua mais próximo das rotinas do passado do que das exigências que a conquista do futuro convida, pese embora, reconheço, as notáveis excepções resultantes do entusiasmado esforço militante de muitos professores. Daí que, a Educação Física, porque não constitui uma ilha dentro da sociedade e da Escola, como corolário, sofra duplamente: primeiro, pelo próprio ambiente interno, demasiadamente condicionador e dependente; segundo, pelo desadequado sentido organizacional, de gestão e de conteúdos que caracteriza aquela área curricular.
Daí que me pareça evidente que a Educação Física precise de ser desacorrentada, liberta das amarras trituradoras de qualquer veleidade. E porque assim penso, repito, este despretensioso texto tem por objectivo um contributo no desmantelamento de uma engrenagem velha e ferrugenta, a caminho de um paradigma desenvolvimentista assente em pressupostos de “valorização pessoal e social do ecossistema desportivo”, como caracterizou e bem o Doutor Gustavo Pires, no livro Da Educação Física ao Alto Rendimento. Mas sejam quais forem os posicionamentos dos leitores, este livro só pode ser interpretado como uma achega para o debate que urge. De resto, na esteira do pensamento do meu Amigo Dr. Nelson Mendes eu diria que “não inventamos nada, vamos talvez relacionando cada vez mais (…) tornando presente o ausente”. (Continua)