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segunda-feira, 10 de maio de 2010

O PECADO DA RIBEIRA SECA


Está na hora dos mentores se confessarem!


Concordo, sem retirar uma vírgula, com o texto, directo, sem rodeios, sem... "mas, porém, todavia, contudo"... da Jornalista do DN, Raquel Gonçalves. A situação criada pela Diocese e que ilustres Reverendos da Madeira, um ou outro, abertamente, um ou outro, para além do silêncio do adro, testemunham, está muito para além de uma simples suspensão "ad divinis" imposta pelo falecido Bispo Dom Francisco Santana, ele um apaniguado e acérrimo defensor das políticas social-democratas, lideradas pelo ainda presidente do PSD-Madeira. O que está aqui em causa, aliás, como tenho vindo a sublinhar, é uma questão que está muito para além da gestão corrente da Igreja. É um assunto claramente POLÍTICO, um assunto sujeito a muitas pressões, a muitos telefonemas e que se reduz a um posicionamento que se circunscreve, provavelmente, em uma simples frase: enquanto eu aqui estiver, ele não regressa. É um caso de vitória ou derrota e nada mais. Há uma história de agressividades sem sentido. Se o Padre Martins Júnior, como outros que defenderam a esquerda e a esquerda das esquerdas, em tempos que já lá vão, tivesse alinhado, politicamente, com os social-democratas, hoje era secretário regional ou candidato a Bispo. A análise do processo a esta conclusão me conduz. É por isso que o texto da Jornalista Raquel Gonçalves tem valor e acrescenta muito em termos de reflexão. Aqui fica, com a devida vénia:
"Vergonhoso! É esta a melhor definição para o que aconteceu, este fim-de-semana, na Ribeira Seca. Todo o enredo que rodeou a visita da imagem peregrina é, aliás, digno de uma espécie de realismo mágico à moda da América Latina. Uma santa, padres e um povo que se sente ostracizado por uma Igreja autista e pouco justa.
Pelo meio, uma suspensão 'ad divinis' que se perde no tempo, sem condenação ou redenção e com política à mistura.
Não fosse risível, tudo isto seria trágico. E trágico para quem? Não para os padres, com certeza, mas para o povo que acredita.
Visto de fora, o episódio até pode parecer de pouco interesse, uma discussão de paróquia em torno de uma imagem de barro.
Mas não é assim para quem tem fé. E, neste prisma, se houve alguém a quem a Diocese e os seus padres ofenderam não foi o padre Martins, mas sim o povo da Ribeira Seca. Esse povo que, pela devoção, constitui a verdadeira Igreja. Esse povo que merecia mais respeito e cuja crença não se compadece com brigas de sacristia. É claro que vão começar a chover versões e explicações para o que aconteceu. Se calhar até chovem críticas e condenações à comunicação social, como é tradição. Mas o 'pecado' cometido na Ribeira Seca tem raízes mais profundas do que a retórica que apenas serve para atirar água benta aos olhos. / Raquel Gonçalves, Editora de Madeira".
Ilustração: Google Imagens.

1 comentário:

Fernando Vouga disse...

Caro amigo

Também li o artigo de que fala e também concordo inteiramente. E, quanto ao aspecto político, nada tenho a acrescentar.
Porém, no que respeita às questões de fé, é preciso que tenhamos presente que este tipo de religiosidade, em que as imagens são tidas como possuidoras de poderes divinos, é pura idolatria. Ao bater-se veementemente pela "visita" de uma mera estátua à sua paróquia, Martins Júnior, embarcou na onda santeira/milagreira que tanto contribui para o descrédito da Igreja Católica. Colocou-se assim ao nível do clero local. E desiludiu-me profundamente.