sábado, 29 de maio de 2010

TIROS CONTRA O ALVO ERRADO

Esta é uma Região Autónoma e, como tal, parece-me absurdo bater para fora quando o problema está cá dentro. Eu diria mais... lá, eles que se governem, porque o problema está, fundamentalmente, aqui.

Já começou a campanha eleitoral para 2011. Não há memória de ter começado tão cedo, dezassete meses antes dos eleitores serem chamados a avaliar o comportamento político do governo regional da Madeira. As declarações políticas dos vários partidos da oposição assim indiciam. Olho para o espectro político e o que me parece sensível é a existência de uma clara intenção de combater o Partido Socialista na Madeira. O alvo é apenas, acessoriamente, o PSD e o "jardinismo" que o norteia.
Ora, eu considero que isto é um monumental erro estratégico de quem, naquilo que é essencial, deseja ver, rapidamente, uma mudança de orientação política na Madeira. Trata-se de uma luta sem sentido com "tiros" contra o alvo errado. Se há partido que pode aspirar a ser poder na Região, a avaliar pela história dos resultados eleitorais, esse partido é o PS-Madeira. Todos sabem isso. Atacá-lo, com frases assassinas e sem qualquer sentido da realidade política que nos rodeia, constitui, sem dúvida, o melhor meio para ajudar o PSD a perpectuar-se no poder regional. É isso que está acontecer, o que denuncia, também, que as "oposições" não aprenderam nada com o acto eleitoral de 2007. Muitos foram atrás da Lei das Finanças Regionais, bateram forte e feio no PS (de lá e de cá) e, contados os votos, o que aconteceu é que todos perderam. Melhor dizendo, perdeu a Madeira.
É, por isso que, pelo que venho a apreciar, rejeito e lamento, profundamente, a estratégia que está aos olhos de todos os que acompanham a actividade política regional. É evidente que há aqui um sinal positivo: se batem no PS-Madeira é porque estão a sentir que existe uma crescente credibilidade política e uma notoriedade social, pela estabilidade interna e pelo trabalho propositivo que está a ser feito na Assembleia Legislativa Regional. No plano económico, das finanças, da educação, nos assuntos sociais, enfim, têm sido evidentes as preocupações enunciadas. E isso não deveria incomodar os partidos de oposição ao governo, ainda para mais numa altura em que o governo da Madeira apresenta gravíssimas fragilidades depois de 36 anos de governação ininterrupta. Cada um deveria lutar pelo seu posicionamento ideológico e nunca numa tentativa de fragilizar seja lá quem for. Não me parece inteligente esse percurso. O caminho do combate a quem está mais próximo de ganhar o poder é mais desesperante para quem o faz, do que propriamente para quem segue o seu percurso de combate ao "jardinismo". Como alguém me chamou à atenção, se esse é o caminho definido, obviamente, que vão garantir, não 36 mas 40 anos ininterruptos do "prato" que dizem rejeitar e combater.
A luta política não pode, em minha opinião, ser dirigida ao Engº José Sócrates e ao PS no Continente. Muito menos ao PS de cá. Eu não estou, obviamente, nessa luta, simplesmente porque o meu espaço de intervenção política é na Madeira, terra que tem órgãos de governo próprio. Nós não dependemos de uma JUNTA GERAL, organismo criado no Estado Novo. Temos governo próprio. Parece que as pessoas se esquecem disso, intencionalmente. É aqui e não nas manifestações nacionais, é aqui e não descendo a Avenida da Liberdade, é aqui e não no Terreiro do Paço que devemos centrar a luta por uma Região melhor. Bater lá para, eventualmente, obter resultados aqui, não creio que seja eficaz. É aqui que temos de pedir responsabilidades, é ao governo PSD-M que devemos exigir respostas para o desemprego, respostas para a pobreza, respostas para os empresários, respostas para a educação, para a saúde, respostas para a agricultura e para as pescas. É aqui que devem ser pedidas responsabilidades, entre tantas outras situações, por termos os transportes marítimos e terrestes mais caros, por não terem querido passar o subsídio de insularidade para 5%, terem negado um apoio suplementar aos pensionistas, termos os combustíveis mais caros e por não terem colocado o salário mínimo nos € 500,00. Mais, ainda, é aqui que temos de pedir responsabilidades pela dívida pública que temos, a qual já vai em seis mil milhões de euros. Não é através de manifestações que desçam a Avenida da Liberdade que tal se consegue. Aliás, eu que sou um acérrimo defensor dos sindicatos e que desejaria ver a maior parte dos trabalhadores sindicalizados, não deixo de ficar perplexo e de atribuir uma leitura política quando vejo sindicalistas da esquerda a jantar com o Dr. Brazão de Castro. São imagens que não se apagam facilmente, porque não há "jantares grátis".
Esta é uma Região Autónoma e, como tal, parece-me absurdo bater para fora quando o problema está cá dentro. Eu diria mais... lá, eles que se governem, porque o problema está, fundamentalmente, aqui.
Ilustração: Google Imagens.

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