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terça-feira, 30 de novembro de 2010

COMISSÕES ESPECIALIZADAS EM QUÊ?


Falo desta maneira porque não tenho jeito para fazer-de-conta. Ou há trabalho político ou tudo não passa de uma espécie de vigarice, permitam-me o termo. Porém, a maioria parlamentar assim não entende. Para quê analisar o Orçamento? Para quê discutir as opções políticas se, ao cabo e ao resto, é assim porque é assim e ponto final?

Há muita máscara
na Assembleia L. da Madeira
Será que eu e todos os que se opõem estão errados? Quando uma Comissão Especializada marca uma reunião para discutir o Plano e Orçamento da Região, subjacente está a intenção de o analisar e debater, sectorialmente, tais documentos. Se assim não é, pergunto, que razão de ser tem a reunião? Reunir apenas para dizer que o Plano e Orçamento está em condições de ser apreciado pela 2ª Comissão Especializada em Economia, Finanças e Turismo? Não faz o menor sentido. Se se marca uma reunião, de acordo com o Regimento da Assembleia é porque faz todo o sentido, sector a sector da governação, "mergulhar" dentro do Plano e Orçamento para perceber os porquês das opções políticas. Penso que isto é pacífico. De outro modo não faz sentido reunir. E falo desta maneira porque não tenho jeito para fazer-de-conta. Ou há trabalho político ou tudo não passa de uma espécie de vigarice, permitam-me o termo. Porém, a maioria parlamentar assim não entende. Para quê analisar o Orçamento? Para quê discutir as opções políticas se, ao cabo e ao resto, é assim porque é assim e ponto final?
Ora, numa perspectiva destas, os Deputados nem conta dão que se negam a si próprios e desprestigiam o designado trabalho parlamentar. Porque uma coisa para mim também é pacífica: aceito o resultado de uma votação, resultado esse que antes de qualquer debate já está definido, eu sei, mas não aceito que não se debata, não se ouça, não se troquem opiniões políticas sobre as matérias. Primeiro o debate, o confronto das ideias, só depois a votação e essa, enfim, espelha o que o povo sufragou nas urnas.
Perguntará o meu leitor, então, porque razão não é assim? Obviamente, porque o PSD detesta quem se lhe oponha, vocifera, como ainda ontem aconteceu na Comissão de Educação, sobre todos quantos queiram, civilizada e democraticamente, expor os seus pontos de vista. O objectivo é claro, esconder, esconder e esconder. A força de uma maioria nas Comissões, formadas por 7 elementos do PSD e dois da oposição, determina a conjugação desse verbo em todos os tempos e modos. Esconder outras verdades sobre o Orçamento, esconder as fragilidades, esconder as opções erradas, esconder os investimentos não prioritários, esconder o drama que a população está a viver, desde os empresários até aos pobres e desprotegidos. Escondem tudo e tomando a sua verdade como absoluta.
O que fazer, perante um quadro destes? Dir-se-á que compete ao Povo resolver esta situação. É verdade que sim, mas como? Quando toda a sociedade está manietada, controlada, arregimentada, quando o medo é transversal, quando, grosso modo, não há banda de música, clube, associação, casa do povo, Junta, Câmara, que não esteja sob olhar atento da engrenagem política? Quando a Assembleia está bloqueada pela "voz do dono", onde tudo se chumba sem uma discussão séria e profunda, quando são mais valorizados os fait-divers do que a palavra dos Deputados, quando tudo aquilo funciona debaixo de uma inexorável ordem determinada pelo "livrinho" laranja?
A única coisa que sei e, daí, a minha inabalável esperança, é que este ciclo caminha a uma velocidade estonteante para o seu fim. Há aqui um cocktail explosivo composto por uma crescente legião de desempregados, pobreza, aflições empresariais e, por maior que seja o cerco que o poder faça, através de variadíssimos processos, o estoiro acabará por se dar. Será a própria população a dizer BASTA. Aí, de nada valerão as contínuas desresponsabilizações políticas, remetendo para longe, para a República, aquilo que é dever dos órgãos de governo próprio. Enquanto isto não acontece, a luta continuará. Não desisto!
Ilustração: Google Imagens.

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