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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ESCÂNDALO NACIONAL


Libertaram-se dos debates incómodos, mas deram mais um tiro na DEMOCRACIA. Pobre Povo que se deixa governar por pessoas que assim se comporta! O Parlamento não é um lugar para "palhaçadas". O Parlamento é um Órgão que emana do Povo e esse Povo, estou certo, se estivesse atento, perceberia que estes senhores estão a mais, envergonham-no com as suas atitudes.

"Quem semeia ventos
colhe tempestades"
Não me resta a mais pequena dúvida que o que se passou esta manhã, na Assembleia Legislativa da Madeira, constitui a mais evidente prova do descalabro do exercício da política na Região. O mais evidente desprestígio do primeiro órgão de governo próprio.
Ninguém com um mínimo de bom senso e de respeito pelos mais elementares princípios democráticos, por razões "absolutamente atendíveis" (aqui, sim), obviamente, teria suspendido a sessão plenária. Aquilo que se passou seria impensável nas Assembleias da República ou da Região Autónoma dos Açores. O que se passou corresponde ao bloqueio total da Democracia. E muito sinceramente, pasmo, como é possível gente adulta e respeitável, no plano político comportar-se daquela maneira.
Estranho, não é, até porque este filme já aconteceu em um outro momento. Fizeram exactamente o mesmo, só que agora de forma premeditada, o que é muito grave. "Despachar" 43 pontos da agenda de trabalhos em cerca de duas horas é um caso que pede a intervenção do Presidência da República e, talvez, das instâncias europeias. É a DEMOCRACIA que está em causa, o respeito pelos partidos e o funcionamento normal da instituição Assembleia. O problema é que estão todos coniventemente calados. Mas também serão responsabilizados na hora certa, pelo que não fizeram e pelo seu silêncio cúmplice.
Passam-se semanas sem um único plenário e logo no dia de "greve geral", o PSD, fruto da sua maioria absoluta, impôs um plenário, premeditado, sem um pingo de compreensão pelos grupos parlamentares e representações de partido, solidários com essa decisão das organizações de trabalhadores. "Limparam" a agenda, cujos projectos "chumbados" não poderão voltar a ser apresentados nesta sessão legislativa. Libertaram-se dos debates incómodos, mas deram mais um tiro na DEMOCRACIA. Pobre Povo que se deixa governar por pessoas que assim se comporta!
O Parlamento não é um lugar para "palhaçadas". O Parlamento é um Órgão que emana do Povo e esse Povo, estou certo, se estivesse atento, perceberia que estes senhores estão a mais, envergonham-no com as suas atitudes. Fazem o Regimento da Assembleia de acordo com os seus interesses, bloqueiam a palavra, chumbam tudo sem a mínima atenção pelo conteúdo das propostas, comemoram as efemérides que lhes interessam, mas negam o 25 de Abril, chumbam os inquéritos e/ou audições parlamentares, ofendem, insultam, enfim, fazem daquele espaço um recreio.
Não é esta a Assembleia na qual desejaria estar enquadrado. Desejo uma Assembleia de políticos com P maiúsculo, que debatam com seriedade as propostas que por ali passam, independentemente, do resultado da votação final. Pertenço a um Parlamento para o qual trabalho para que tudo seja deitado no lixo. Tenho em mãos um diploma com 180 artigos que levou meses a elaborá-lo. Sei que será "chumbado". Um trabalho inglório que apenas fica "para memória futura". E tal como eu, tantos trabalham para nada ser minimamente considerado. Apenas lhes interessa o poder pelo poder, a cadeira e a castração do pensamento. Eu sentiria vergonha, confesso. 
"Quem semeia ventos colhe tempestades", diz a sabedoria popular. É isso que estão a fazer.
Ilustração: Google Imagens.

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