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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O NATAL NÃO É CIRCO


O Natal pode ser sinal de libertação, de respeito pela Mensagem de Amor e de Tolerância, jamais de ofensa e de aviltamento dos outros. De que vale, hoje, no Mercado, cantarem tantos louvores ao Menino, se, depois, durante outros trezentos e tal dias, esquecerem-se das palavras cantadas?


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Nunca tive, nem tenho, atitudes que configurem perseguição, subtil ou descarada, seja lá a quem for. Posso até dizer que muitos que me atacaram nos idos tempos da década de 70 e 80, não posso aqui dizer que os tenho por amigos, porque a amizade envolve muitas outras variáveis, mas com eles tenho relações de total cordialidade e de esquecimento do passado. Não gosto de reter situações vividas que me desagradaram, nem de colocar um pé atrás na relação pessoal. Talvez, pela função docente que exerci durante muitos anos, direi que ando sempre com o apagador na algibeira, apagando o que não me interessa, para que as coisas boas prevaleçam. 
Um pouco por isto, quando assisto a atitudes políticas provocatórias em contraponto com estes protocolares cumprimentos de Natal, que não passam disso mesmo, de um rotineiro cumprimento de Natal, para a imagem e para as palavras de circunstância, neles descubro não os valores da sinceridade, mas a hipocrisia em estado puro. Simplesmente porque não podemos hoje ser uma coisa peçonhenta e, amanhã, andarmos a bater no peito. Isto é, ofender hoje e, logo depois, ter um cumprimento de Feliz Natal, com toda a carga de alegria e
de projecto que esta expressão encerra. É hipocrisia, por exemplo, na Assembleia Legislativa, insultar com o que há de mais reles, porque toca na vida pessoal das pessoas e, uns dias depois, desejar Bom Natal e Feliz Ano Novo a este ou àquele. É de mau gosto, espezinhar um dia e remeter, no outro, um postal de Feliz Natal!

O Natal é muito mais
do que os cumprimentos
protocolares.
Eu sou muito sensível a estes jogos e às atitudes hipócritas. Não consigo entrar nesse jogo viciado e sujo. Nunca entrei. Olho-os com alguma comiseração. Pobre dos Homens que assim se comportam, nessa política do vale tudo, sem ética e sem moral. Os que utilizam tudo, mas tudo, as extensões do poder, os subservientes, os que não se importam de andar com o nariz colado ao joelho, a comunicação social que lhes é afecta, paga por todos nós, precisamente para criarem o ambiente que lhes interessa. O Natal não é isso. O Natal pode ser sinal de libertação, de respeito pela Mensagem de Amor e de Tolerância, jamais de ofensa e de aviltamento dos outros. De que vale, hoje, no Mercado, cantarem tantos louvores ao Menino, se, depois, durante outros trezentos e tal dias, esquecem-se das palavras cantadas?
Ilustração: Arquivo pessoal.

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