Adsense

domingo, 27 de fevereiro de 2011

REFORMAS PPC


O sentido reformista deve ser explicado nas suas razões mais profundas. O que sinto é que muitas vezes esse sentido reformista não tem em conta a realidade, apenas surge como necessidade de resposta aos grandes interesses dos grupos mais liberais e que, pacientemente, tecem as vias do seu próprio sucesso à custa dos demais. 


E volta e meia falam de "reformas". Mas há que anos é assim! O País precisa de "reformas", dizem. Só não precisam quais, em que sentido, porque razões e finalidades. Tornou-se num "chavão" que serve para mascarar o discurso político, enquanto formato para dizer que se tem soluções para um determinado quadro, embora não digam como e porquê. 
Aos anos se ouve falar de "reformas" era para tudo isto estar melhor. Algumas até foram concretizadas, a da Segurança Social, por exemplo. Foi exaustivamente explicada e, entre apoiantes e defensores de outros modelos, ela aí está. Agora, a generalização do discurso reformista, por um lado, deixa-me de pé atrás, exactamente porque as razões mais substantivas não são explicadas, o que conduz à dúvida sobre o que se esconde por detrás desse discurso pretensamente reformista, por outro, e por extensão, a ideia que me fica é que quem assim fala, não tem solução alguma. 
Escrevo isto depois desta manhã ter escutado o líder do PSD, Dr. Pedro Passos Coelho (PPC), pela enésima vez, falar de "reformas". Não adiantou quais e, sobretudo, em traços genéricos, o sentido real da intenção reformista. São precisas "reformas" e por aí ficou. Ora bem, se são, por exemplo, do tipo "contrato de trabalho oral", por favor, aguente aí que eu vou ali e já volto! Ou, então, aquelas que "privatizam" uma parte da Segurança Social, através de seguradoras e afins, também vou ali e já volto! Ou, então, ainda, uma certa privatização da saúde e do sistema educativo, poupe-nos o Dr. Pedro Passos Coelho, por esse caminho reformista não vou, isto é, não vou pela perda de direitos constitucionais, pela perda de direitos sentidos e reclamados pela população e que custaram muito sangue para os conseguir.
Por isso, o sentido reformista deve ser explicado nas suas razões mais profundas. É óbvio que não estou aqui a defender um sentido estático e dogmático da legislação. Não, ela tem de ser dinâmica, mas tem de ir ao encontro das necessidades das pessoas. O que sinto é que muitas vezes esse sentido reformista não tem em conta a realidade, apenas surge como necessidade de resposta aos grandes interesses dos grupos mais liberais e que, pacientemente, tecem as vias do seu próprio sucesso à custa dos demais. 
Ilustração: Google Imagens.   

Sem comentários: