quinta-feira, 30 de junho de 2011

FALTAM 100 DIAS


É tempo de um BASTA, um CHEGA de tanto atropelo, de tanta mentira e de tanta deturpação da realidade. Mas é tempo também, de uma vez por todas, do Partido Socialista apresentar-se com uma postura que cative o voto de todos os que estão cansados e desesperados desta governação que, hoje, não é mais do que uma "nau sem rumo". Isso é possível com pensamento político, serenidade e confiança, três palavras essenciais que poderão despoletar o entusiasmo da população da Madeira e do Porto-Santo. É possível com uma equipa de pessoas que possam dar corpo às políticas que serão anunciadas.

 
Se o Senhor Presidente da República decidir marcar para 09 de Outubro as eleições legislativas regionais, a partir de amanhã faltarão 100 dias relativamente ao dia de reflexão. Três meses e uma semana, por aí.
Adivinho uma campanha duríssima, porque o poder instalado há 35 anos, apesar do significativo desespero social que por aí anda, vai querer segurá-lo ao jeito de uma lapa agarrada a uma pedra. Uma lapa descomunal, velha, cheia de algas em volta, que de tão velha é rija e sem sabor. Está ali agarrada, quase inamovível e confundida com a pedra. É essa lapa que este "(...) povo humilde, estóico e valente" terá de removê-la, tal como o fez enquanto "(...) herói do trabalho na montanha agreste". O nosso hino, com letra do meu saudoso e Amigo socialista Ornelas Teixeira, aqui se aplica, neste contexto político de acentuado e generalizado desconforto. Porque é tempo de um BASTA um CHEGA de tanto atropelo, de tanta mentira e de tanta deturpação da realidade. Mas é tempo também, de uma vez por todas, do Partido Socialista apresentar-se com uma postura que cative o voto de todos os que estão cansados e desesperados desta governação regional que, hoje, não é mais do que uma "nau sem rumo". Isso é possível com pensamento político, serenidade e confiança, três palavras essenciais que poderão despoletar o entusiasmo da população da Madeira e do Porto-Santo. É possível com uma equipa de pessoas que possam dar corpo às políticas que serão anunciadas. Essa é a via determinante. Não é a única, certamente, mas a fundamental. O êxito de um programa político depende, sobretudo, das pessoas que lhe dão corpo. Não basta a referência principal, neste caso, o Dr. Maximiano Martins, figura de indiscutível valor nos planos político e do conhecimento construído ao longo da sua notável vida profissional. Não é suficiente, na lógica de que uma "andorinha não faz Primavera". Necessário se torna, ao lado das políticas, um corpo de políticos, capazes de mudar o rumo, gerando a confiança entre a população. O momento que a Madeira atravesa é muito grave, muito delicado, aliás, como tenho vindo aqui a desenvolver em vários textos. Não gosto da palavra bancarrota, mas a Madeira está nesse caminho. E a inversão desse caminho implica uma geração de novas políticas que velhos políticos acomodados já não conseguem desenvolver.
Por tudo isto, estou certo que esta campanha, repito, será duríssima. Da parte do principal partido da oposição (PS-M) espero uma campanha sem qualquer agressividade, mas sobretudo esclarecedora. Que o Dr. Jardim venha para o espaço do debate dos projectos políticos, que não se refugie, que não se esconda, que não fale apenas de longe, mas frente-a-frente aos olhos de todos. Se fugir, desde logo será um perdedor, um político com medo, um homem que não sabe interpretar as regras da democracia, um homem fraco, um político que apenas quer o poder pelo poder. Daí que, espero, que ao longo do mês de Julho, possamos seguir debates para que o povo tome consciência da realidade política, económica, financeira, social e cultural. Nestes três meses, pergunto, se terão algum interesse seguir os deputados da Madeira relativamente ao que se passa na Assembleia Legislativa da Madeira ou na Assembleia da República? Debates dessa natureza não suplantam, parece-me óbvio, o interesse de ouvir os candidatos sobre a realidade da Região e a confrontação das suas propostas para os próximos quatro anos.
Mas será que, uma vez mais, o Dr. Jardim fugirá com o "rabo à seringa" como vulgarmente se diz? Estou convencido que sim. Bom, mas há remédio, deixem a cadeira livre!
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

EDUCAR PARA A SOLIDÃO


Há muitas vezes o pressuposto de que a solidão está associada aos idosos. Neste sentido, deixo um dado, esse sim, que a ciência nos tem proporcionado: parece que aqueles que são mais atingidos pela solidão não são os idosos, são os adolescentes; pelo menos pela aplicação das escalas, aceitando os limites desta aplicação. Há uma maior percentagem de adolescentes atingidos pelos fenómenos da solidão, pelos sintomas da solidão, do que os idosos.


Estou a ler uma notável entrevista com Adalberto Dias Carvalho, Doutor em Filosofia da Educação, Catedrático na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O Professor estudou a exclusão e a intimidade que têm em comum o fenómeno da solidão. Aos poucos, no que me parecer de mais relevante, aqui vou dar nota de uma, repito, notável entrevista, incluída na edição de Verão da revista A Página da Educação.

"A solidão ainda não foi assumida como uma questão para a Educação. Que eu saiba não consta dos programas para a Educação, a não ser na sua forma estética, na literatura... Não consta dos padrões de desempenho dos professores que depois servem de suporte para a avaliação dos docentes. Os padrões de desempenho nunca referem a criança, referem sempre o aluno. O aluno é um dos estatutos da criança, mas por trás do aluno está sempre uma criança, está um ser humano. As preocupações com as competências e a sua definição levam a que se despreze estas dimensões. Embora existam escalas de de solidão, como é que vamos medir o professor que se preocupa com a solidão dos seus alunos? Quanto é que isso consta na classificação da avaliação dos docentes?"
Ilustração: Google Imagens.
NOTA:
Com esta mensagem atingi as 3.000 mensagens neste espaço de comunicação. Curiosamente, esta foi sobre EDUCAÇÃO, o sector pelo qual nutro uma grande paixão.

terça-feira, 28 de junho de 2011

DISNEYLÂNDIA DE MENINOS GRANDES

OUTRA VEZ ARROZ?


Todos os madeirenses e porto-santenses têm o direito de olhar para os políticos como pessoas de bem, como pessoas que lutam pelo seu bem-estar, pela felicidade de todos, que trabalham não com os olhos postos na eleição seguinte, mas na geração seguinte. Esta música, este coreto itinerante e este número de circo não pode continuar. É que estão em causa pessoas, crianças e jovens com um futuro hipotecado; estão em causa adultos que querem trabalhar e está em causa uma população idosa e sem meios que continua a comer o pão que o diabo amassou. Basta de folclore e de música pimba, partamos para o trabalho gerador de felicidade.


Esgotou o prazo de validade.
Ele, o presidente do governo regional da Madeira, vai a todas. Rotundas, caminhos municipais e ontem foi inaugurar uma padaria. Uma oportunidade, mais uma, para desancar no país "desgraçado", na sua permanente cruzada "evangelizadora", onde tudo o que de bem feito aconteceu, o protagonista tem rosto, está ali, em pessoa; as tormentas locais, a falência da Região, essa, alto e parem o baile, a culpa é toda de lá, dos outros.
Trata-se da habitual música de um vinil que de tanto tocado, a agulha salta, desafina e irrita, pelos riscos de anos a fio a ser rodado. Ouve-se e boceja-se, pela ausência de criatividade e rasgo inovador. Ontem, quando ouvi as declarações, veio-me à memória a história do chinês que, ao iniciar a refeição, com as mãos nas orelhas, exclamava: "outra vez arroz?".
É que já não há pachorra, confesso, para ouvir esta espécie de música pimba, diária e repetidamente, do tipo "timex", que não adianta nem atrasa, quando existem tantos e tantos problemas por resolver, desde logo, com todo o tecido empresarial da Região. Eu convido os visitantes deste espaço a escutarem a conferência de imprensa hoje realizada e que disponibilizarei logo que o registo esteja disponível, e desse acompanhamento tomarem consciência do problema grave das finanças públicas regionais. São assuntos desta natureza que devem (deveriam) ser equacionados e não os fait-divers do senhor presidente do governo, as suas palavras falhas de qualquer conteúdo, a sua "água do Luso" que não resolve a indigestão depois de trinta e cinco anos de folclore, de despesismo, de engorda, de prioridades não respeitadas, de megalomanias que apenas encheram e enchem os olhos dos desprevenidos. A verdade é que temos aí sete mil milhões para pagar, desemprego, pobreza, problemas sociais em crescendo e ninguém que nos acuda.
A situação é tão grave que nem o governo do Dr. Passos Coelho, da mesma família política (!), parece interessado em querer resolver. Os sinais parecem-me muito claros, com a negação da candidatura do Dr. Guilherme Silva para a presidência da Assembleia da República e, entre outros aspectos, a exclusão de qualquer madeirense, do PSD, para ministro ou secretário de Estado. São sinais politicamente evidentes que a Madeira é olhada de forma enviesada pelo líder do PSD Nacional (e pela coligação). São factos, não meras deduções partidárias. E numa terra onde, durante anos, tanto alarde o presidente do governo fez, desta ser uma de "gente superior", custa aceitar que nenhum filho desta antiga "pérola" esteja em condições de ocupar um lugar por "mérito e competência". O que me leva a crer das saudades que o Dr. Jardim começa a ter de outros que lhe pagaram as dívidas, apesar de todos os dislates e ofensas.
Isto não pode continuar. Tem de ter um fim. Todos os madeirenses e porto-santenses têm o direito de olhar para os políticos como pessoas de bem, como pessoas que lutam pelo seu bem-estar, pela felicidade de todos, que trabalham não com os olhos postos na eleição seguinte, mas na geração seguinte. Esta música, este coreto itinerante e este número de circo não pode continuar. É que estão em causa pessoas, crianças e jovens com um futuro hipotecado; estão em causa adultos que querem trabalhar e está em causa uma população idosa e sem meios que continua a comer o pão que o diabo amassou. Basta de folclore e de música pimba, partamos para o trabalho político gerador de felicidade.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

MÉRITO E COMPETÊNCIA... POR APROXIMAÇÃO!



Entre comendas, medalhas e outras quantas coisas que por aí andam, vale a pena seguir o essencial desta posição.

OUTUBRO, ALI TÃO PERTO!


Preferem, neste Orçamento Rectificativo, avançar com mais um aval de reforço das garantias prestadas às instituições de crédito. O resto, o prioritário, pode esperar. A fome pode esperar, as empresas podem esperar, os despedidos podem esperar, os calotes, enfim, podem esperar. A obra pública para inaugurar a tempo das eleições, essa não. Essa é prioritária, é essa que garante discursos, garante os palcos para os ataques aos que denunciam, garante, nesse dia e só nesse dia, uma mesa com o churrasco e o vinho seco.

Uma nota, neste meu dia muito atarefado e sem grande margem para escrever o que na alma me vai. Mas vamos a isto. Uma pequena nota quando preparo o debate sobre o Orçamento Rectificativo que, na próxima Quarta-feira, estará em debate na Assembleia Legislativa da Madeira. Trata-se de uma nota de indignação, quando verifico que este governo continua cego e surdo à realidade. Mudo, não, porque fala que se farta e apresenta-se sempre fidalgo, embora se saiba com uma mão à frente e outra atrás. Metaforicamente, em pino, não deita um cêntimo que acuda a realidade. Mas, fala, barafusta, exibe o acessório e esconde o essencial, aquilo que faz falta e que o povo reclama.
A televisão, todos os dias, funciona como uma "passerelle", porque o importante é debitar palavras e mesmo que não entendíveis, lá pensarão que "mais vale uma imagem que mil palavras". Penso até que há secretários regionais mais apostados na promoção da sua imagem pública do que em governar. Tenho presente o Dr. Manuel António, o inefável secretário dos recursos naturais e ambiente. Ele, todos os dias, "inventa" qualquer coisita para lá estar, correndo até o risco do presidente do governo ver-se ultrapassado nos contabilizados minutos de exposição. Enfim, dir-se-á que é a estratégia de guerra onde vale a superioridade de fogos (palavras) através da presença do "exército". Neste caso, os verdadeiros problemas, cada vez mais estão a ficar para depois, determinante é aparecer, dizer umas coisas e proporcionar o sentimento que o governo trabalha.
Bom, mas iniciei este texto com a minha indignação relativamente ao Orçamento Rectificativo. Embora este governo esteja a terminar o seu mandato, ainda seria tempo para o governo corrigir a longa listagem de calotes que estão a conduzir as empresas a estados de falência e ao despedimento. Existem estados de gravíssima aflição empresarial, que se encontram no limite das possibilidades, entre aqueles que investiram e que se vêem agora perante uma montanha de problemas onde se inclui o drama da facturação não liquidada. Mas a isto o governo não atende. Vejo os estabelecimentos de educação e ensino sem um cêntimo, com dívidas a fornecedores até ao céu da boca, com dívidas aos professores, mas o governo a isto não atende. Vejo o sistema de saúde agonizante, com milhões de dívidas às farmácias e a empresas parceiras e convencionadas, que estão a colocar em causa milhares de colaboradores, mas a isto o governo não atende. Vejo a pobreza a crescer e famílias de mão estendida e vejo vinte milhões em novas obras na marina do Lugar de Baixo, sem a certeza de que o mar, lá para Novembro, não os levem embrulhados nas ondas. É a lógica da aparência e da opulência, de uma riqueza que não existe, enquanto a esmagadora maioria, cada vez mais, está confinada a um redil como se de animais se tratasse. Preferem, neste Orçamento Rectificativo, avançar com mais um aval de reforço das garantias prestadas às instituições de crédito. O resto, o prioritário, pode esperar. A fome pode esperar, as empresas podem esperar, os despedidos podem esperar, os calotes, enfim, podem esperar. A obra pública para inaugurar a tempo das eleições, essa não. Essa é prioritária, é essa que garante discursos, garante os palcos para os ataques aos que denunciam, garante, nesse dia e só nesse dia, uma mesa com o churrasco e o vinho seco.
Mas quando, gente da minha terra, se livrarão deste quadro político, mas quando, gente da minha terra, entenderão que este é o caminho da catástrofe social?
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 26 de junho de 2011

LOUCURA POLÍTICA

 
 
 Está na hora de travar a loucura antes que a loucura tome conta de todos.


A Madeira precisa de um governo de salvação regional. Não há qualquer exagero nesta posição. O actual quadro económico, financeiro e social determina a urgência de um novo e corajoso pensamento político relativamente ao futuro. Os indicadores são dramáticos: o total descontrolo das finanças regionais, o desemprego e a pobreza, acrescida da falta de crédito junto da Banca, reclamam a necessidade de um novo paradigma económico e de uma outra sensibilidade social que o Dr. Jardim, depois de 35 anos de governo PSD, não está em condições de assegurar. Mesmo que quisesse não podia, refém que se encontra da teia que ele próprio teceu. Aliás, pergunto, o que move este delirante interesse em se agarrar à cadeira do poder? O “Guiness”, certamente que não.
Ora, esta devastadora e arrepiante crise madeirense, muito anterior à crise internacional e do país, agudizou-se, agora, porque às históricas debilidades regionais, por péssima hierarquização das prioridades, juntaram-se as imposições da ajuda externa. E nesta hora que exige verdade e humildade, o Dr. Jardim teima em continuar a iludir a população, como se o drama não exigisse menos palco e festas da cebola, do pêro ou da cereja, e mais rigor e sensatez discursiva e governativa. Aquilo que transmite prova que se encontra perdido. Falta-lhe mérito e competência. Por isso, fala como se todos fossem mentecaptos e parte para a ofensa a pessoas de reputada idoneidade social. Dirão alguns, sempre foi assim, desmobilizar e instituir o medo, mas está na hora de travar a loucura antes que a loucura tome conta de todos.    
Ilustração: Google Imagens.
Nota: Artigo de opinião, da minha autoria, publicado na edição de hoje do DN-Madeira.

sábado, 25 de junho de 2011

FAZER OBRAS INÚTEIS É UM ROUBO


O que é importante é definir um programa de emergência. A situação da Região no plano económico, das finanças públicas e no plano regional justifica que todas as energias sejam concentradas num programa de emergência, sendo que parte desse programa será um choque económico. O desemprego atinge níveis assustadores e não podemos viver com mais de 20 mil desempregados.


Dr. Maximiano Martins
Candidato do PS-M a Presidente
do Governo Regional.
Considero de relevante importância a entrevista que o candidato à Presidência do Governo, Dr. Maximiano Martins, concede na edição de hoje do DN.  É relevante porque começam ali a ser definidos um conjunto de preocupações políticas em ordem a salvar a Região da catástrofe económica, financeira e social. Ao mesmo tempo que dá, serenamente, para o interior do partido, um sinal de necessidade de todos se envolverem e que o momento terá de ser de unidade em torno do essencial, para o exerior, tendo em conta a situação económico-social, o candidato mostra-se absolutamente determinado: "(...) O que é importante é definir um programa de emergência. A situação da Região no plano económico, das finanças públicas e no plano regional justifica que todas as energias sejam concentradas num programa de emergência, sendo que parte desse programa será um choque económico. O desemprego atinge níveis assustadores e não podemos viver com mais de 20 mil desempregados (é a segunda região do país com maior desemprego)".
Questionam os jornalistas: Propõe um choque económico de natureza fiscal? "(...) Um choque económico significa visar emprego e empresas. A questão da competitividade é essencial para que as empresas tenham saúde económica e possam manter e criar emprego. Deve ser feito tudo o que possa permitir ao nível da fiscalidade, da concorrência, da prática de preços regulados para que as empresas possam ser mais competitivas.
E o programa de emergência prevê um menor peso do sector público na economia regional? "(...) Sem dúvida. O programa de emergência tem três vertentes: resposta aos problemas sociais, pois os níveis de desemprego são elevados e com tendência para aumentar; a área das finanças públicas, com um ataque ao desperdício dos gastos públicos; e a área económica, porque as empresas precisam de ter condições para ter um elevado desempenho".
E como se consegue isso com as limitações do poder fiscal da Região previstas no pacote da 'troika'? "(...) Há sempre margem, porque há a Autonomia mas também o estatuto de ultraperiferia. Só que cabe a cada madeirense perguntar a si próprio se será que o presidente do Governo Regional e o PSD-Madeira são hoje as entidades mais capazes para ter processos negociais a nível nacional e internacional. Acho que não. Veja-se a forma desastrosa como este Governo Regional conduziu as negociações com Bruxelas, onde andou a arvorar uma riqueza que a Região não tem e colocou a Madeira fora das regiões de convergência e com isso perdeu-se 500 milhões de euros".
Do meu ponto de vista trata-se de um momento marcante, pelo conteúdo e pelo facto de marcar uma postura completamente diferente do outro candidato, o Dr. Alberto João Jardim.
Ilustração: Google Imagens.
NOTA:
Esta tarde, a propósito de uma declaração do Dr. Jardim, divulgada há dias, sem sentido e provocatória, um leitor de nome Evaristo Silva, deixou o seguinte comentário no on-line do DN que aqui reproduzo:
"Parafraseando Cavaco Silva - a moeda fraca expulsa a moeda forte - eu diria que, na Madeira, a mediocridade expulsa a competência, seriedade e trabalho. De tão fracos recursos que tem, a Madeira, não se pode dar ao luxo de deitar pela janela fora, os seus mais competentes filhos, digamos assim.
Maximiano Martins, é um grande valor acrescentado para a Madeira, porque: tem fortes conhecimentos na área Industrial, vários sectores, pois foi, não só técnico como Director no Ministério da Indústria; foi durante largos anos Professor e regente de disciplinas em Faculdades de Economia do país, sobretudo, em áreas de Economia Industrial, onde foi precursor de novos conhecimentos e inovação com origem na América do Norte; foi Director do IAPMEI, com elevadíssimas responsabilidades na criação de novo paradigma para as IAPME'S, no vector da inovação tecnológica e melhorias na competitividade; geriu quantias financeiras superiores às movimentadas por muito banco cá da praça; tudo, mas tudo com sucesso. E mais detalhes do seu valoroso curriculum que eu desconheço. É uma pessoa prática de muito valor. Em termos de conhecimento, saber, trabalho, seriedade, experiência, competência, idoneidade, na Madeira devem existir muitíssimo poucas pessoas como ele. Digo isto, a ponto de ter quase a certeza de que o Senhor Doutor Alberto João Jardim não lhe chega aos calcanhares e, até parece qeu nutre uma indisfarçada inveja pela grande competência do Professor Maximiano.
Atenção: eu não sou do PS nem de outro partido qualquer, embora, me reveja parcialmente na social-democracia. Mas, conheço bem o Professor Maximiano Martins. Aliás, nesta fase de crise grave que atravessa a Madeira, deveria ser o Professor Maximiano Martins quem deveria estar a dirigir os destinos políticos e económicos da Madeira, pela sua clarividência, elevado conhecimento em áreas económicas, mercados, globalização, etc. etc... Enfim, as coisas não são assim desgraçadamente, porque os partidos acabam por dividir as pessoas, e, em consequência, os melhores filhos da terra são queimados na fogueira, por dirigentes que se têm manifestado como pobres de espírito".

sexta-feira, 24 de junho de 2011

PORQUE HOJE É SEXTA...

CALMA MEUS SENHORES... A REGIÃO NÃO AGUENTA TANTA AGRESSIVIDADE. A SITUAÇÃO É MUITO SÉRIA.

 
 
Falam de um "traidor", de "roubo", de "comportamentos bandalhos", de "falta de vergonha", de "crápulas", de "vuvuzelas socialistas", "mafiosos", "partido asqueroso", "jogos patéticos de hipocrisia", comportamento "nojento", "bastidores da intriga e da vilanagem", enfim, presumo que o que li constitui apenas um ensaio do que vem a caminho. Não querem debates, não querem partir para um acto eleitoral com o povo devidamente esclarecido para que possa deliberar como quiser e melhor entender. Só que este poder é assim, prefere manter o estado de ignorância, prefere manter 20.000 exemplares distribuídos de borla e com o dinheiro de todos os contribuintes, a atirar de cima do palco das "festas" pagas por todos as maiores calúnias e ofensas, do que discutir, com seriedade, aos olhos de todos, os projectos para os próximos quatro anos.


Assisto a um nervoso miudinho com a escolha do Dr. Maximiano Martins enquanto candidato à Presidência do Governo Regional. Considero que o Dr. Jacinto Serrão fez uma opção acertada. Mas, a partir daí tem sido uma roda viva de declarações e artigos de opinião que só demonstram um acentuado desconforto no partido da maioria. A minha leitura, de forma simples, é que estão à rasca e que isto não será, certamente, um passeio até Outubro para legitimar o crónico candidato do PSD.  O que verifico, a partir de textos publicados, é que existe um sentimento que o edifício vai abanar. Não sei se cairá, mas ficará com graves fendas e tocado nas suas estruturas, disso estou convencido. Tenha o PS bom senso e sentido de responsabilidade nas fases seguintes deste processo.
Aliás, é o que oiço na rua e são as mensagens que me chegam, que se antes eram preocupantes, hoje trazem um cunho de esperança e, por isso mesmo, tudo me conduz a essa leitura que, em Outubro, pode acontecer o fim ou o início do fim do jardinismo. É em função de quadro previsível que surge a velhinha tecla de insistir na destruição da imagem do candidato. Faz parte dessa estratégia do poder, mas denuncia o incómodo e apreensão junto de todos aqueles que têm uma vida agarrada ao poder. Falam de um "traidor", de "roubo", de "comportamentos bandalhos", de "falta de vergonha", de "crápulas", de "vuvuzelas socialistas", "mafiosos", "partido asqueroso", "jogos patéticos de hipocrisia", comportamento "nojento", "bastidores da intriga e da vilanagem", enfim, presumo que o que li constitui, apenas, um ensaio, um aperitivo do que vem a caminho. Mas a todas aquelas expressões concedo a tolerância infinita, porque sei que é assim que o poder se comporta. Não querem debates, não querem partir para um acto eleitoral com o povo devidamente esclarecido para que possa deliberar como quiser e melhor entender. Isso, não!
Seria lindo isto acontecer no Continente, isto é, os candidatos não se exporem ao eleitorado. O que não lhes cairia em cima! Só que este poder é assim, prefere manter o estado de ignorância, prefere manter 20.000 exemplares distribuídos de borla e com o dinheiro de todos os contribuintes, prefere atirar de cima do palco das "festas", pagas por todos, as maiores calúnias e ofensas, do que discutir, com seriedade, aos olhos de todos, os projectos para os próximos quatro anos. Discutir a economia, as finanças, a educação, a saúde, a pobreza, o desemprego, as obras, o desperdício, a situação dramática das empresas, eu sei lá, tudo o que faz parte da nossa vida colectiva, isso não, isso é perda de tempo, dirão.
Penso que estão enganados, pois se houver grandeza, candidatos e um bom projecto de governo, apesar do tempo ser curto, esta maioria absolutíssima terá os dias contados.
A ver vamos.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

SEMPRE ACTUAL...



"Earth Song" nunca foi lançado como single nos Estados Unidos, historicamente o maior poluidor do planeta.

“HOSPITAL ASFIXIA PRIVADOS”

 
 
Existindo uma capacidade de resposta adequada às necessidades, no que concerne aos meios complementares de diagnóstico, e, por outro lado, sendo público e notório que o Sistema de Saúde se debate com gravíssimas e inegáveis dificuldades para pagar, a tempo e horas, aos fornecedores em geral, para além dos milhões em dívidas acumuladas, é óbvio que a prioridade não se encontra ao nível da aquisição de novos equipamentos, por mais louvável que seja a iniciativa em dotar o sistema público de meios que o tornem mais autónomo.

 A propósito de uma peça inserta na edição de hoje do DN-Madeira, o grupo parlamentar do PS assumiu o seguinte posicionamento:

1. O PS defende e disso bastas vezes tem dado nota, que a Saúde, sendo um direito de todos, tem de ser defendida através de um sistema público, devidamente organizado que possa responder, com eficiência e eficácia à procura. A disponibilização dos serviços (oferta) deverá, assim, estar adequada, de acordo com os princípios do rigor e da excelência. 
2. No entanto, por posições governativas alimentadas ao longo de muitos anos, não podemos ignorar uma capacidade técnico-científica instalada, a partir da qual foram subscritos protocolos de interesse bilateral. E nesta proximidade entre o sector público e o privado, no interesse dos utentes, muitos hipotecaram as suas vidas na criação de empresas e no investimento em equipamentos, responsabilizaram-se pela formação técnica dos seus quadros e garantem a presença de muitos colaboradores.
3. Num quadro destes, seria de elementar bom senso político ter presente a capacidade instalada na Região, a qualidade dos serviços prestados e as responsabilidades assumidas pelas empresas, em contraponto com qualquer investimento do sector público, mesmo com recurso a algum financiamento externo, em um momento de gravíssimas dificuldades na disponibilização dos recursos financeiros.
4. Existindo uma capacidade de resposta adequada às necessidades, no que concerne aos meios complementares de diagnóstico, e, por outro lado, sendo público e notório que o Sistema de Saúde se debate com gravíssimas e inegáveis dificuldades para pagar, a tempo e horas, aos fornecedores em geral, para além dos milhões em dívidas acumuladas, é óbvio que a prioridade não se encontra ao nível da aquisição de novos equipamentos, por mais louvável que seja a iniciativa em dotar o sistema público de meios que o tornem mais autónomo.
5. A opção de equipar o Serviço de Saúde da Região contrasta, assim, com uma situação claramente incentivada, da qual resultará danos irreparáveis para o sector privado e, naturalmente, para muitas dezenas de despedimentos dos colaboradores dessas empresas. Mais razoável teria sido, nos anos mais próximos, estabelecer novos protocolos de cooperação, sobretudo ao nível de preços, entre os dois sectores, com evidentes ganhos para ambos os sectores e sobretudo para o utente.
6. Acresce dizer que este era um dos temas que faziam parte de uma reunião que solicitámos à Administração do SESARAM, há mais de dois anos, e que sempre foi negada.
No âmbito das preocupações aqui enunciadas, o grupo parlamentar do PS-M irá solicitar a constituição de uma Comissão de Inquérito Parlamentar para, objectivamente, a situação ser clarificada na relação custo-benefício e no quadro multifactorial que ele próprio encerra.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

ESCONDER A POBREZA E A EXCLUSÃO SOCIAL


O problema permanece. O governo nega-se a fazer um estudo que quantifique e caracterize as múltiplas variáveis, os deputados do PSD negam-se a trabalhar nesse campo e, assim, o Secretário dos Assuntos Sociais defende que a pobreza atinge 4%, o Presidente do Governo, entre 8 e 10%, os estudos académicos 30% e, no meio disto, de situação em situação, vão escondendo uma preocupante realidade, que toda a gente conhece, a partir dos testemunhos dos representantes de várias instituições, dos números do desemprego e da violência à porta da Segurança Social da Madeira. Conjugam o verbo ignorar em todos tempos, porque assumir a realidade pode colocar em causa os actos de governação.

Não constitui assunto novo, o quadro político de quero, posso e mando, todos os dias vivido na Assembleia Legislativa da Madeira. Não há folga possível, cedência, aceitação, integração de outros pensamentos e articulação entre pontos de vista distintos. Ali, tudo o que venha da oposição é literalmente chumbado. Hoje, por exemplo, depois de várias reuniões em que andou para cá e para lá uma análise ao "Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social" (2010), acabou por prevalecerem os documentos recebidos das entidades públicas responsáveis pela realização de actividades diversas, e não uma análise desses documentos através da Comissão Especializada de Assuntos Sociais, Saúde e Protecção Civil. Isto é, os serviços do governo regional, grosso modo, descreveram o que realizaram e ponto final, está tudo certo! Papel recebido que, no essencial, pouco adianta, não só porque os documentos estão disponibilizados na Internet, como constituem um olhar, apenas um, sobre um problema vasto e complexo.
Ora, importante, seria, do meu ponto de vista, a partir das acções realizadas, a Comissão Especializada tomar em mãos o quadro multifactorial da pobreza e da exclusão social, estudar os documentos públicos e formular uma opinião, sustentada em relatório final, a partir do qual, a Assembleia pudesse assegurar propostas no sentido de serem acolhidas pelo governo, na perspectiva de um efectivo combate à pobreza e à exclusão. Esse combate não se esgotou em 2010, nem se esgota, obviamente, através de uma meia-dúzia de iniciativas ao longo desse ano. O combate é muito complexo, exige estudo, debate desapaixonado, eu diria, até, despartidarizado, exige que se elenquem medidas que possam, a prazo, resolver aquilo, a pobreza, especificando melhor, hoje considerada uma fatalidade pela maioria política. E não é!
Portanto, o problema permanece. O governo nega-se a fazer um estudo que quantifique e caracterize as múltiplas variáveis, os deputados do PSD negam-se a trabalhar nesse campo e, assim, o Secretário dos Assuntos Sociais defende que a pobreza atinge 4%, o Presidente do Governo, entre 8 e 10%, os estudos académicos 30% e, no meio disto, de situação em situação, vão escondendo uma preocupante realidade, que toda a gente conhece, a partir dos testemunhos dos representantes de várias instituições, dos números do desemprego e da violência à porta da Segurança Social da Madeira. Conjugam o verbo ignorar em todos tempos e modos, porque assumir a realidade pode colocar em causa os actos de governação.
Mas o problema mais sério desta situação é que vejo jovens, muito jovens representantes do povo que alinham no discurso mais retrógrado e insensato. A juventude que deveria ser irreverente, não acomodada, acaba por trilhar os mesmos caminhos, senão politicamente mais tortuosos do que os seus mentores. É evidente que não estou à espera que um grupo parlamentar coloque em causa as políticas do governo que sustentam. Não é isso que está em causa, mas há limites, convenhamos. Este é um dos tais temas que a Assembleia deveria estudar, analisar e propor no sentido de uma melhor governação. Que mal existirá nisso? Só que a resposta é outra: aqui, mandamos nós e ponto final. Até Outubro, digo eu. Depois, logo se verá!
Ilustração: Google Imagens

POUPAR 200 MILHÕES PARA INVESTIR NAS EMPRESAS E NO EMPREGO

terça-feira, 21 de junho de 2011

UMA DERROTA POLÍTICA DE AJJ


Logo que viu a impossibilidade do Dr. Fernando Nobre, apressou-se a indicar o nome do Dr. Guilherme Silva, com um pressuposto que não lembraria ao diabo: as vitórias do PSD na Madeira. Não colocou em cima da mesa um eventual prestígio da figura em questão, as suas eventuais qualidades, o seu passado, a sua eventual credibilidade e aceitação entre os seus pares, não, o pressuposto fundamental baseou-se nas vitórias do PSD da Madeira. Deveria ter estado calado, preferiu falar e perdeu.

A Deputada Assunção Esteves, ex-juíza do Tribunal Constitucional e ex-eurodeputada, foi eleita  presidente da Assembleia da República.
Maria Assunção Andrade Esteves tem 54 anos e foi eleita deputada pela primeira vez em 1987, pelo círculo de Vila Real, na primeira maioria absoluta do PSD, durante a liderança de Cavaco Silva. É a primeira mulher a presidir à Assembleia da República.
Não vou aqui comentar, em pormenor, a proposta do Presidente do PSD, Dr. Passos Coelho, relativamente à indigitação do Dr. Fernando Nobre. Considerei de um lado e do outro uma imprudência política total. Mas sempre adianto que se um quis aproveitar o meio milhão de votos que Nobre trazia da campanha para a Presidência da República, o outro, a possibilidade de, através da Assembleia da República, alavancar a sua imagem de independente para uma próxima candidatura à Presidência da República, já que Cavaco Silva não poderá continuar. Mas isso, enfim, são as minhas deduções, outras existirão, naturalmente.
Mas quero comentar a derrota clara do Dr. Alberto João Jardim neste processo. Logo que viu a impossibilidade do Dr. Fernando Nobre, apressou-se a indicar o nome do Dr. Guilherme Silva, com um pressuposto que não lembraria ao diabo: as vitórias do PSD na Madeira. Não colocou em cima da mesa um eventual prestígio da figura em questão, as suas eventuais qualidades, o seu passado, a sua eventual credibilidade e aceitação entre os seus pares, não, o pressuposto fundamental baseou-se nas vitórias do PSD da Madeira. Deveria ter estado calado, preferiu falar e perdeu.
Ora, o significado político desta situação é que o Dr. Passos Coelho parece ligar pouco ao Dr. Jardim. Aliás, tome-se em consideração o que ele assumiu no congresso do PSD-Madeira, para facilmente se perceber que, doravante, pelo menos até Outubro, o Dr. Jardim não vai ter a vida facilitada. Quem, de facto,  lhe facilitou a vida de governante foi o Engº António Guterres que autorizou o pagamento de 110 milhões de contos da dívida da Madeira (final da década de 90) e, nos últimos anos, o Engº José Sócrates com a Lei de Meios, qual balão de oxigénio em função dos constrangimentos financeiros. 
Ora, a leitura política que neste momento faço é que, apesar das críticas e das continuadas ofensas, o Dr. Jardim sempre gostou de ter os socialistas na República. Cavaco Silva, por exemplo foi odiado durante dez longos anos. Todos nos lembramos da história do Sr. Silva e, já agora, do endividamento zero imposto pela Drª Manuela Ferreira Leite! São marcos que a História do processo não apagará. E não deixa de ser curioso o facto, entre outras razões (apagar o CDS/PP da cena política local) que o Dr. Jardim tivesse assumido que gostaria de ter no Governo da República uma coligação PSD/PS. Ele lá saberá porquê.
Ilustração: Google Imagens.

FESTAS TRANSFORMADAS EM COMÍCIOS PARTIDÁRIOS


O problema é que o anormal passou a ser considerado normal. É assim e ninguém reage. Não está em causa a promoção dos produtos regionais, mas o aproveitamento da situação para uma "lavagem ao cérebro". É, por isso, entre tantos factores, que se dão estas maiorias absolutas há trinta e tal anos.


Não aceito porque constitui uma vergonha e uma claríssima descredibilização da democracia. O facto de um partido ser governo, porque se trata de dinheiros públicos, não pode, porque é imoral, um titular de cargo público, no caso concreto, o presidente do governo regional, utilizar as festas populares de promoção, sobretudo dos produtos da agricultura madeirense, para subir ao palco e utilizar o espaço para comícios político-partidários.
No último domingo, pouco ou nada o presidente do governo falou da produção de cereja, mas no alto do Jardim da Serra, aproveitou para os seus habituais discursos de ataque e de ofensas a todos quantos têm uma opinião diferente. Se ainda falasse da pobre agricultura e dos pobres agricultores ou de qualquer projecto, enfim, vá que não vá, mas utilizar o espaço, de forma ilegítima, para a sua propaganda, só aqui! Em qualquer sítio do País ou da Europa, em geral, teria comentários nada abonatórios. Poderia fazer uma vez, mas certamente não repetiria, porque a comunicação social encarregar-se-ía de travar este atropelo democrático. Razão tem pois um "anónimo" que, no on-line do DN, escreveu: "Estive na festa e tive que ir embora, porque nunca gostei de comícios, supostamente era para ser uma cerimónia comemorativa da festa da cereja, o que vi foi uma entidade que representa o estado a falar em partidos como se de um comício tratasse!"
O problema é que o anormal passou a ser considerado normal. É assim e ninguém reage. Não está em causa a promoção dos produtos regionais, mas o aproveitamento da situação para uma "lavagem ao cérebro". É, por isso, entre tantos factores, que se dão estas maiorias absolutas há trinta e tal anos. Como pode a oposição, por melhores que sejam as suas propostas, competir, diariamente, com um poder que utiliza, três, quatro palcos por dia para "vender o seu produto"? A desproporção de meios é evidente. E ainda vêm "ilustres" figuras me dizerem que a democracia funciona, sem mácula, na Região Autónoma da Madeira!
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

ALGUÉM PODE CONTINUAR A ACEITAR O DESPOTISMO?


O Dr. Jardim, com esta atitude, demonstrou, claramente, que está no fim da sua vida política. Esta forma de governar é inaceitável. Ele, uma vez mais, deu a entender que apenas quer estar, ser o centro, de preferência sem leis e sem regras, onde tudo possa girar de acordo com a sua vontade e os seus caprichos. Eu, o "Único Importante", penso, determino e os restantes, qual interruptor, devem agir em conformidade. Mas alguém pode continuar a aceitar este despotismo?


Esta foto diz tudo ou quase tudo!
Tinha a intenção de comentar esta situação momentos após dela ter tido conhecimento. Adiei porque considerei um absurdo o presidente do governo regional impor que, alguns colunistas afectos ao PSD, deixassem de escrever nas páginas de opinião do DIÁRIO. Por uma questão de prudência, esperei pela confirmação.
Vamos lá ver, não é que não considerasse possível, à luz de comportamentos anteriores, mas entre a vontade e a concretização, é óbvio que medeia um espaço complexo a vários níveis da análise política. Mas ao que parece é mesmo assim, a sua histórica má convivência com o exercício pleno da Democracia e com os valores da liberdade, determinaram essa "imposição". E, porventura, os políticos em causa deixarão mesmo de opinar, porque as cumplicidades são muitas, o seu futuro político continua a ser determinado pela acção de um homem e, nestas coisas, diz certamente a cartilha laranja, aprendida pela experiência, convém manter o respeitinho, quando sabem que o abraço e a confiança de hoje pode, amanhã, transformar-se em uma condenação ao inferno.
O Director do DIÁRIO, Dr. Ricardo Miguel Oliveira, explica: "Jardim insiste numa cruzada irracional. Continua a colocar "objectivamente em sério risco" o pluralismo na Região, como já alertou há um ano a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Aliás, a directiva interna que impede os social-democratas de dar opinião no DIÁRIO é apenas mais um lamentável e vergonhoso episódio de uma longa série de atentados patrocinados pelo PSD-M e pelo seu líder. A opinião única no jornal pago pelos contribuintes; a perseguição ao jornalismo independente; o corte de assinaturas; as ameaças de expropriação; a recomendação empresarial ao boicote publicitário; as ofensas aos jornalistas; os múltiplos avisos de processos judiciais; o oneroso fomento da concorrência desleal com o objectivo de silenciar quem conta a verdade têm a marca de quem se habituou a emitir "fortes juízos de censura" e a ser pródigo nas contradições".
O Dr. Jardim, com esta atitude, demonstrou, claramente, que está no fim da sua vida política. Esta forma de governar é inaceitável. Ele, uma vez mais, deu a entender que apenas quer estar, ser o centro, de preferência sem leis e sem regras, onde tudo possa girar de acordo com a sua vontade e os seus caprichos. Eu, o "Único Importante", penso, determino e os restantes, qual interruptor, devem agir em conformidade. Mas alguém pode continuar a aceitar este despotismo?
O problema é que não se trata apenas de uma "proibição" relativamente ao DIÁRIO. O problema é muito mais grave e muito mais amplo, é que uma grande parte da sociedade e das suas instituições está CAPTURADA por este tipo de governação. Não se trata apenas da castração do pensamento livre, o que está em causa é a subordinação de um povo a uma única vontade e a uma única verdade. E quando mais o cerco económico e financeiro acontece, por erros cometidos ao longo de três décadas de governo ininterrupto, quanto mais cresce o desemprego e a pobreza, quanto mais crescem as falências, quanto mais crescem os desconfortos dos empresários, quanto mais crescem as angústias dos professores, dos médicos e dos enfermeiros, quanto mais cresce a dívida que já atinge os seis mil milhões, mais o sistema, eu diria, o regime, se enclausura e combate os espaços de liberdade e de pensamento como ainda o é o DN. Aquela "proibição" tem um sentido, eu diria simbólico, de transmitir o medo e o sentimento de que há um que quer, pode e manda. Em Outubro, ou se assiste a uma mudança, ou, lamentavelmente, isto acaba mal.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 19 de junho de 2011

UMA CANDIDATURA DE SALVAÇÃO REGIONAL


Podemos falar de Educação, de Saúde, de Ambiente, etc., mas tudo girará em redor de uma forte e consistente equipa que domine as questões da Economia e das Finanças. É o ponto chave de todo o processo, se partirmos do pressuposto que a situação da Região Autónoma é dramática: para além de uma crise interna, muito anterior à crise internacional, espelhada em seis mil milhões de dívida, 20.000 desempregados e pobreza em crescendo (tome-se em consideração os acontecimentos narrados na edição de hoje do DN, de tensão, violência e desespero à porta da Segurança Social da Madeira), juntam-se as consequências do memorando da "Troika, pelo que só uma candidatura com uma altíssima qualidade poderá contribuir para resolver as questões que os madeirenses e porto-santenses vão ter de enfrentar a partir de 2012.


Apoio, sem quaisquer reticências, a indicação do Dr. Maximiano Martins como candidato do PS-M à presidência do Governo Regional da Madeira. Uma opção do Dr. Jacinto Serrão que, do meu ponto de vista, é a mais acertada no actual contexto político. Saiba o Partido Socialista, entender esta decisão e aproveitar a disponibilidade deste reconhecido economista madeirense, com um percurso de vida e um currículo de grande notoriedade, para uma corrida eleitoral difícil, mas com grandes potencialidades quanto ao resultado final. Do meu ponto de vista, o PS terá de lançar-se para ganhar e estou certo que esse é o objectivo do Dr. Maximiano Martins. Ninguém entra numa processo desta natureza, embora reconhecendo toda a teia que está montada na Região, para perder, embora o resultado final pertença à vontade do eleitorado.
Conheço o Dr. Maximiano desde os bancos de escola. Sempre foi uma pessoa de excelente relação, de trato excelente, estudioso, lutador e cordato. O seu currículo académico e profissional atestam as suas inegáveis qualidades. E dou valor a esta escolha do Dr. Jacinto Serrão, independentemente, das qualidades pessoais, porque, nos próximos anos, tudo se jogará no plano da Economia e das Finanças. Podemos falar de Educação, de Saúde, de Ambiente, de Obras Públicas, etc., mas tudo girará em redor de uma forte e consistente equipa que domine as questões da Economia e das Finanças. É o ponto chave de todo o processo, se partirmos do pressuposto que a situação da Região Autónoma é dramática: para além de uma crise interna, muito anterior à crise internacional, espelhada em seis mil milhões de dívida, 20.000 desempregados e pobreza em crescendo (tome-se em consideração os acontecimentos narrados na edição de hoje do DN, de tensão, violência e desespero à porta da Segurança Social da Madeira), juntam-se as consequências do memorando da "Troika", pelo que só uma candidatura com uma altíssima qualidade política e técnica poderá contribuir para resolver as questões que os madeirenses e porto-santenses vão ter de enfrentar a partir de 2012.
O PS, essa é a minha opinião, está em condições de se apresentar ao eleitorado com uma excelente equipa, repito, política, com capacidade técnica, experiência e notoriedade social. Aliás, o Dr. Maximiano Martins é a figura capaz de estabelecer uma ponte com a sociedade no seu todo, com o sistema empresarial, em particular, e com as pessoas, em geral. Ele que, ainda recentemente, foi autor de um estudo de consultoria para a Comissão Europeia, sobre os "Desafios e Estratégias para as Regiões Utraperiféricas", é, sem margem para dúvidas, o madeirense melhor colocado para debater os problemas com os quais a Madeira está confrontada.
Espero duas coisas: primeiro, que o PSD-M tenha a decência de partir para uma debate eleitoral com regras e respeito pelas pessoas; segundo, que os órgãos internos do PS-M entendam, de uma vez por todas, que devem conjugar esforços em torno da decisão política do Dr. Jacinto Serrão. Esta é uma oportunidade, uma janela de esperança que não pode ser perdida em nome da felicidade do POVO.
Ilustração: Google Imagens.
NOTA:
O Dr. Jardim, mal soube da indicação do Dr. Maximiano Martins como candidato a Presidente do Governo, entrou logo no disparate discursivo. O habitual, de resto. Falou, deselegantemente, de um "roubou" a Madeira, porquanto o Dr. Maximiano foi Deputado na Assembleia da República. Achei interessante um comentário de DNG no on-line do DN-Madeira:
"Quem roubou a Madeira foi quem roubou à região um futuro livre de hipoteca.
Quem roubou a Madeira foi quem endividou sem permissão - de mais - o povo Madeirense.
Quem roubou a Madeira foi quem, tendo todas as condições para dispor de finanças públicas saudáveis, levou a região à bancarrota.
Quem roubou a Madeira foi quem a deixou refém de interesses político-empresariais excessivos.
Quem a roubou a Madeira foi quem não teve a capacidade política para ser saudável economicamente para não depender do CINM e do Turismo.
Quem roubou a Madeira foi quem diminuiu a imagem colectiva com que somos apreciados no exterior.
Levantem-se!
Levantam-se e tirem-lhe a maioria Parlamentar em Outubro.
Ou querem sufragar com o vosso voto o triste espectáculo com que diariamente são confrontados?"
Concordo com este desassombrado comentário. 

sábado, 18 de junho de 2011

A CAMPAÍNHA DE ALARME


É a história do navio que afunda, aí, o comandante, por mais democrático que seja, não pode chamar a tripulação e dizer: vamos, entre nós, nomear uma comissão que analise a situação. Pelo contrário, espera-se que ele dê ordens drásticas, sob pena de quando o relatório chegar o navio encontrar-se irremediavelmente perdido e, qual metáfora, com todos os tripulantes e passageiros mortos ou à deriva. Espero que as ordens surjam a todo o momento...

59 comentários. Sinceramente, não fazia a ideia que era incómodo para tantos. Alertado, li os primeiros e parei. Prefiro a minha sanidade mental a conviver com a insensatez e com a pequenez de pensamento. Até porque, como é vulgar dizer-se, por semelhança, há mais vida para além das instituições. E porque sei, também, que a mentira tem perna curta. Aliás, bastaram algumas mensagens deixadas no telemóvel e, sobretudo um comentário aqui públicado de uma Distinta Colega, a Drª Klara Fernandes... "Não tenho cor política, mas tenho uma alma colorida (...) por isso, tais comentários "são reflexo de pura ignorância e mal-dizer gratuito. Conforta-me o seu silêncio...", para continuar a viver para fora e não para dentro. Diria, então, venham outros 59, porque a minha opção encontra-se na esteira daquele a quem gosto de regressar (Paulo Freire): "mudar é difícil, mas é possível", embora saiba (há quanto tempo isto interiorizei!), que "a sectarização, porque mítica e irracional, transforma a realidade numa falsa realidade, que, assim, não pode ser mudada". Por isso mesmo, porque a coluna não foi afectada, não estou zangado seja lá com quem for, respeito os seus caminhos, apenas aprecio que respeitem o meu.
Aliás, um facto interessante da minha vida é que cumprimento, dialogo e até convivo, sem ressentimentos, com pessoas que, em certos momentos, ao longo da vida, me atropelaram e ofenderam. Mas tenho como adquirido e consciencializado que a vida é demasiado curta e complexa para conceder espaço para a maledicência. Há tanta coisa muito mais importante e que consta do meu rol de preocupações. Ademais, quando não tenho razão e a consciência acusa-me que errei, tantas vezes aconteceu, não tenho problema algum em esclarecer e pedir desculpa. Portanto, os comentários valem o que valem, tenham origem onde tiverem. Por aí, embora, não nego, magoado, passam-me ao lado. 
A posição que, individualmente, assumi, depois de duas semanas de reflexão, partiram do pressuposto que alguém deveria fazer soar a campaínha de alarme. Por vezes torna-se necessário, no meio do caos, que alguém procure dar sentido as coisas, agitar para reagrupar pensamentos dispersos, indecisões, posições menos esclarecidas, egoísmos e espíritos de capelinha. É a história do navio que afunda, aí, o comandante, por mais democrático que seja, não pode chamar a tripulação e dizer: vamos, entre nós, nomear uma comissão que analise a situação. Pelo contrário, espera-se que ele dê ordens drásticas, sob pena de quando o relatório chegar o navio encontrar-se irremediavelmente perdido e, qual metáfora, com todos os tripulantes e passageiros mortos ou à deriva. Espero que as ordens surjam a todo o momento, porque os madeirenses precisam, tal como sublinhava a minha Amiga Klara, interpretanto as palavras, uma vez de Paulo Freire, "porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade".
"Porque hoje é Sábado", que bom ouvir Vinicius, mas não, deixo aqui Mozart... Lindo!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O CAMINHO NÃO TERMINA NO FIM... EXISTE SEMPRE UM RECOMEÇO!


Dizia Freire: "sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino". Pois é, com as crianças, com os jovens, sempre consegui inquietar-me, estudar, aprender e transmitir, já com os adultos, as formatações são demasiado rígidas, pois sabem para onde vão, faltando-lhes, muitas vezes, a coragem e a clarividência para assumirem, na esteira de Régio, que não vão por aí.


Acabo de receber uma mensagem que me colocou, confesso, de coração apertado. Antes de qualquer comentário aqui fica:
"Não tenho cor política, mas tenho uma alma colorida com o pincel de todos quantos de VALOR, passam por mim... Tenho acompanhado (lado a lado) os seus últimos passos! Acima de tudo respeito-o e compreendo-o! Sei que não deve ter sido fácil tomar a Decisão... Há momentos na vida (por mais breve que seja) que o leme deve tomar outro rumo! Queria deixar-lhe as Palavras de Paulo Freire: "Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade".
Os comentários feitos no DN on-line são reflexo de pura ignorância e mal-dizer gratuito. Conforta-me o seu silêncio... É ele que muitas vezes conserva a nossa Dignidade! Caro AMIGO, as ervas daninhas morrem secas, mas as árvores, essas, Morrem de PÉ! Na minha alma, continuarei a ser pintada com as suas palavras, assim como na alma de muito Boa Gente! E o caminho não termina no FIM! O FIM só chega para ensinar-nos que existe sempre um RECOMEÇO!
Um forte ABRAÇO,
Klara Fernandes"
Obrigado, distinta Colega de profissão. O seu texto, confesso-lhe, tocou-me bem fundo. São palavras de quem sabe ler o Mundo e que traz consigo o conhecimento traduzido, entre outras, nas simples e profundas sínteses de Freire. Somos professores e, talvez isso, nos conceda a possibilidade, porventura, mais fácil, de olhar e perceber para além dos sinais que a visão periférica possibilita. Nós sabemos, porque aprendemos, pela leitura e pela experiência, frente a trinta alunos, olhar e perceber contextos sem fim, angústias escondidas, os sinais mais recônditos da alma, disfarçados em olhares, uns mais doces e autênticos, outros que levamos tempo para os interpretar. Esse caminho de descoberta, como tão bem sabe, faz-se por missão e vocação, por paixão, por princípios e por valores que abraçamos. Se me perguntar, porquê, não sei. Somos consequência de um processo e nisso trago José Régio presente:
"Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"

Saiba, que saudades tenho de ser professor. De entregar-me aos outros, de os ouvir e de perceber a sociedade. Tudo era mais fácil, embora, paradoxalmente, complexo. Compreender os adultos é tarefa muito mais complicada. Dizia Freire: "sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino". Pois é, com as crianças, com os jovens, sempre consegui inquietar-me, estudar, aprender e transmitir, já com os adultos, as formatações são demasiado rígidas, pois sabem para onde vão, faltando-lhes, muitas vezes, a coragem e a clarividência para assumirem, na esteira de Régio, que não vão por aí.
Sempre acreditei nos processos que nascem de baixo para cima, reflectidos, sentidos e comungados. É por isso que gosto do debate, da simplicidade e do rigor, da transparência contra a opacidade, de viver no meio de consciências que saibam discernir o essencial do acessório, o prioritário do secundário, o caminho difícil mas seguro, gosto das pessoas livres, porque a vida não se joga propriamente em um tabuleiro de xadrez, onde os peões vão caindo até ao momento do xeque-mate.
Caríssima Colega, obrigado. Parto para o fim de semana com a alma lavada pelas suas palavras, em função de outras, absolutamente descontextualizadas e publicadas e que me fizeram pensar se vale a pena! Um grande e fervoroso abraço.
Ilustração: Google Imagens.

OBRIGADO

Caro Amigo,
O que lhe escrevi foi de coração rasgado! Sei o que é ser Renegado... Não acredito em coincidências, acredito em vivências... Régio foi o eco constante para a viragem da minha vida: "Sei que não vou por aí"! Admiro-o! E não é preciso dar uma palmadinha nas costas para dizer que estamos presentes quando todos se vão embora! Precisamos de SI PROFESSOR com alma de Fénix... Barthes escreveu:"Há uma idade em que se ensina aquilo que se sabe. Vem, em seguida, uma outra, quando se ensina aquilo que não se sabe. Vem agora, talvez, a idade de uma outra experiência: aquela de desaprender. Deixo-me, então, ser possuído pela força de toda vida viva: o esquecimento..."
Venha ser Professor, venha aprender a esquecer. Venha jogar no tabuleiro de xadrez em que as crianças não fazem distinção entre peão ou rei, onde a palavra "xeque-mate" é sinónimo de risada e de voltar a brincar sem deixar cair ninguém! É tempo de esquecer as lutas desiguais, é tempo de deixar o campo de guerra, mas não a batalha! Venha ser Um de nós, com um sorriso de quem sabe que "não quer ir por aí"!!! Sinto a sua dor, sinto a sua frustração, sinto o pesar dos anos de luta... Estou consigo, eu uma simples aprendiz de feiticeiro... Sim porque o Professor é um Feiticeiro que lança através das suas Palavras, Feitiços de um mundo mais democrático e justo!
Caro Amigo, Fernando Pessoa escreveu algo soberbo: "Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo". Isso, meu caro Amigo ninguém pode roubar-lhe... Bem-haja na minha vida e naqueles que compreendem a sua luta! VALEU A PENA, sempre vale a pena! Obrigada pelo seu carinho e permaneça aqui... "Com Que Então..." continuará a ser o seu escape e o Silêncio Ensurdecedor de um povo que se revê nas suas letras...
Um Abraço muito Amigo:
Klara Fernandes

DIGNIDADE


Podia lembrar pérolas como ‘bastardos para não dizer...’. Recordar centenas de pura má-criação e são aos montes. A forma como tantas vezes se dirigiu aos seus opositores, aos seus inimigos e até aos seus parceiros políticos. (...)


Acabo de ler um texto da Jornalista do DN-Madeira Sandra Cardoso, correspondente em Lisboa. Um texto que fala do Dr. Jardim, a que atribuiu o título: "Dignidade". Logo abaixo um comentário de um leitor: "Análise fria e cruel, mas... Verdadeira". A páginas tantas, a propósito das próximas eleições legislativas regionais, a autora sublinha:
"Cheguei a pensar que seria altruísmo. Candidatar-se para roer os ossos depois de comer a carne. Governar sem meios para variar. Mas o presidente do Governo tem sido igual a si mesmo, ignorando a crise, contornado aqui e além, nomeando mais uns funcionários quando a regra é outra.
E como se não bastasse ainda tem a distinta lata de escrever artigos no jornal que todos nós pagamos a criticar os gastos com órgãos de comunicação social públicos. A coerência nunca foi o seu forte. E tal como foi constrangedor ver Soares numa campanha que não era sua, (refere-se às presidenciais com Cavaco - sublinhado meu) o mesmo se passa com Jardim, que está num campeonato, onde "domina" a arbitragem, mas não as regras do jogo, mostrando que vale tudo para conseguir mais uns patacos".
Identifico-me, totalmente, com esta análise. Aliás, neste blogue, desde início, tenho como pensamento chave: "Tudo tem o seu tempo... este governo já teve o seu". O problema, Caríssima Jornalista, é que a "Dignidade" implica, no caso do exercício da política, desprendimento total e isso nem todos podem ter. De tanto se sentarem na cadeira do poder, acabam por amá-la e acabam por ficar reféns das teias pacientemente tecidas. O emaranhado de linhas é tal, o labirinto dos interesses e das pressões é tão complexo que quem aí cai dificilmente encontra a saída. A História explica-nos exactamente isso, o que se esconde por detrás da longevidade política. Os políticos perdem o bom senso e até o respeito por si próprios. Não lhe estou, confesso, a ensinar nada que não saiba, mas apenas a juntar a um texto sério a minha reflexão pessoal. Parabéns.
Ilustração: Google Imagens.

AVALIAÇÃO DAS SOCIEDADES ANÓNIMAS DESPORTIVAS


Em 2007 e em 2010 este tema foi apresentado para debate na Assembleia. Foi literalmente chumbado pelo PSD e, agora, surge o governo, pela palavra do Secretário da Educação a sublinhar a intenção de venda das actuais participações sociais, concomitantemente, com esta decisão a de abrir concurso público visando a avaliação do investimento e das perdas de todo este processo. Lamentável.


Espantoso! Então o Presidente do Governo Regional da Madeira não sabe quanto custa a participação regional nas Sociedades Anónimas Desportivas (SAD's). E vai daí abre um concurso público "limitado por prévia qualificação" e assim lá vão mais € 125.000,00 do escasso dinheiro público. Isto, repito, é espantoso. No essencial, o que o governo pretende é saber quanto é que a Região tem investido e perdido nessa história das falidas sociedades. Mas, afinal, o que andam os titulares das pastas das Finanças e da Educação a fazer? E o próprio presidente do governo? E o próprio IDRAM? Então este assunto não deveria estar, no mínimo, anualmente, monitorizado, no sentido de uma permanente avaliação? E mais. Será necessário gastar, em moeda antiga, 25 mil contos quando o problema há muito que está identificado e, portanto, melhor não seria calendarizar o fim dessa luxuosa participação no capital social dos clubes? 
Na Legislatura 2007/2011 que agora está a terminar, o PS-M apresentou, por duas vezes, uma proposta de Decreto Legislativo Regional intitulado: "Estabelece as bases da actividade física, do desporto educativo escolar, do desporto federado e aprova o regime jurídico de atribuição de comparticipações financeiras ao associativismo desportivo na Região Autónoma da Madeira". Em um dos artigos sublinhava:
"i. Os clubes desportivos participantes em competições desportivas de natureza profissional ou com praticantes que exerçam a actividade desportiva como profissão exclusiva ou principal, sujeitas ao regime jurídico contratual, não beneficiarão, nesse âmbito, de apoios ou comparticipações financeiras por parte da Administração Regional Autónoma e das autarquias locais, sob qualquer forma, salvo no tocante à construção de infra-estruturas ou equipamentos desportivos e respectiva manutenção, reconhecidas, caso a caso, pelo governo".
ii. Neste âmbito, considerando a necessidade de um período de adaptação ao novo regime, estipula-se a data de 1 de Janeiro de 2012 para a entrada em vigor das disposições que venham a ser definidas, pelo Governo, em Decreto Legislativo Regional".

Em 2007 e em 2010 este tema foi apresentado para debate na Assembleia. Foi literalmente chumbado e, agora, surge o governo, pela palavra do Secretário da Educação a sublinhar a intenção de venda das actuais participações sociais, concomitantemente, com esta decisão a de abrir concurso público visando a avaliação do investimento e das perdas de todo este processo. Lamentável.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

FALTAM 115 DIAS...


O exercício da política deve ser sempre interpretado como um serviço público à comunidade. Nunca como um emprego. Daí o meu desprendimento. Estou, quando acredito, mesmo em um mar de adversidades; interrompo, quando descortino que a minha coluna está a ser tocada ou violentada. Não está em causa a divergência de opinião, pois entendo-a como princípio basilar da vivência democrática, qual fermento que ajuda o colectivo a crescer. O que tenho sérias dificuldades em aceitar e "digerir" é o silêncio calculista, perturbador e as zonas translúcidas dos processos.


Tenho as minhas convicções políticas, profundamente enraizadas pela experiência de vida. Não foram, apenas, as minhas leituras, a confrontação do essencial dos textos, a "herança" do meu pai, mas a permanente ligação do que fui conjugando com a vivência do mundo real, partindo do universal para o local e vice-versa. Sou socialista e ponto final. Filiado, isso sim, nos princípios e nos valores, de uma "declaração de princípios" que não rasgo ou apenas olho  quando dá jeito. Sempre gostei de responder às exigências sócio-políticas do mundo contemporâneo, aos valores da liberdade, da igualdade, da solidariedade, da integração social, da diversidade e da iniciativa, responder à defesa da promoção dos direitos humanos, neste pressuposto, também, aos direitos primaciais das liberdades, garantias e da democracia política, responder à paridade entre géneros na vida cívica, económica, cultural e social, responder ao combate às desigualdades e discriminações, responder a uma economia de bem-estar, de regulação do mercado na defesa da coesão social e territorial, o que implica a defesa do Estado Social, a independência do poder político face aos poderes económicos, responder, ainda, radicalmente, à defesa da democracia, do ambiente e da sustentabilidade, da intervenção democrática dos trabalhadores, responder a uma cultura humanista, científica e tecnológica e a uma nova ordem económica internacional. É por isso que sou socialista e com orgulho. É por isso que tantas vezes digo que o PS é para mim muito mais, repito, muito mais, do que os lugares que circunstancialmente ocupei ao longo da vida ou agora ocupo. O partido é apenas um instrumento capaz de conduzir à implementação desses princípios orientadores. Obviamente que respeito os outros amigos de percurso político, distribuídos por vários partidos, mas luto pelas minhas convicções, sem atropelos e tentando sempre procurar os pontos de encontro e não os desencontros.
O exercício da política deve ser sempre interpretado como um serviço público à comunidade. Nunca como um emprego. Daí o meu desprendimento. Do meu currículo, de Assembleia constam apenas dois mandatos.  Estou, quando acredito, mesmo em um mar de adversidades; interrompo quando descortino que a minha coluna está a ser tocada ou violentada. Não está em causa a divergência de opinião, pois entendo-a como princípio basilar da vivência democrática, qual fermento que ajuda o colectivo a crescer. O que tenho sérias dificuldades em aceitar e "digerir" é o silêncio calculista, perturbador e as zonas translúcidas dos processos. Gosto da frontalidade, do debate olhos nos olhos, de reconhecer a inteligência dos outros, dos processos de integração e não de divisão, gosto de viver no sentimento que sou apenas mais um que conjuga esforços com os demais.
Mas, enfim, a vida é assim, muitas vezes não é aquilo que ambicionamos. Temos de aceitar os desencontros com serenidade, na esperança de novos encontros. O problema central, esse, de facto, é um problema, é que a Madeira está, mais ou menos, a 115 dias de eleições legislativas regionais. E este aspecto preocupa-me, aliás, como já aqui escrevi. Não disputo lugares, quero uma alternativa de poder. E é neste sentido que tem de ser encontrada uma saída política geradora de CONFIANÇA, só possível com credibilidade política, técnica e notoriedade social, para que se possa cumprir a tal "declaração de princípios" com que iniciei este texto ao jeito de desabafo. A cada dia que se passa o tempo escasseia e não é através de calculismo e de pressões que o problema maior se resolve. Este é o meu "drama", porventura, não o de muita gente.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

GROTESCA OFENSA AO JUIZ PAULO BARRETO


É óbvio que para quem não gosta de ser fiscalizado e de obedecer a regras, os alertas feitos pelo Juiz podem não ser do agrado. Mas é o cumprimento da lei que está em causa e esse, com este ou com outro Magistrado, continuará a ser defendido, custe o que custar e doa a quem doer. 

Ontem segui a entrevista do Senhor Juiz Conselheiro Irineu Barreto, Representante da República para a Região Autónoma da Madeira. Na parte politicamente mais relevante, deduzi que o Senhor Representante se mostrava muito preocupado com os meses que se seguem, particularmente, com o acto eleitoral de Outubro próximo. Eu diria que as suas preocupações são legítimas e que foi muito importante a divulgação desse seu estado de espírito. Só que não é, certamente, com os partidos da oposição política que o Senhor Representante deve andar preocupado. A sua preocupação deve centrar-se, em minha opinião, no governo e no PSD-M, porque é aí que residem todos os focos que desvirtuam o acto eleitoral. Alguns exemplos: em período de campanha, o vergonhoso aproveitamento do governo e sofreguidão pelos actos inauguracionistas destinados à propaganda; as festas disto e daquilo com os consequentes discursos políticos; o Jornal da Madeira e a sua descarada propaganda pró-governo da Madeira; o voto acompanhado; os transportes de acamados em circunstâncias ilegais, enfim, tudo aquilo que o Senhor Delegado da Comissão Nacional de Eleições, Juiz Paulo Barreto, chamou à atenção no decorrer das últimas eleições. Preocupado deverá ficar, também, com a acessibilidade aos meios de comunicação social em pé de igualdade e preocupado, ainda, com a pública e grotesca ofensa feita ao Juiz Paulo Barreto, ainda esta manhã, através do voto de protesto apresentado pelo PSD. Na oportunidade, posicionei-me desta maneira:
"Senhor Presidente
Senhoras e Senhores Deputados,
Este voto de protesto não é que seja estranho, mas, no mínimo, é extremamente deselegante, desagradável e em nada contribui para o respeito institucional, ainda mais, quando está em causa a separação de poderes.
As declarações do Juiz Paulo Barreto, quer na imprensa escrita quer através da televisão, no nosso entendimento, foram as mais correctas e em circunstância alguma extravasaram o espaço das suas competências, enquanto delegado da Comissão Nacional de Eleições.
É óbvio que para quem não gosta de ser fiscalizado e de obedecer a regras, os alertas feitos pelo Juiz podem não ser do agrado. Mas é o cumprimento da lei que está em causa e esse, com este ou com outro Magistrado, continuará a ser defendido, custe o que custar e doa a quem doer.
Deveria, até, o PSD enaltecer esse facto, o rigor e a fiscalização impostos, o dever de imparcialidade que exigiu, pois poderia até partir do princípio que o acto eleitoral foi ganho sem chapelada, mas não, mesmo vencendo, o PSD quer mais e actua contra aquele que impõe o cumprimento da lei, os actos não discriminatórios e a não violação das recomendações da Comissão Nacional de Eleições.
Este voto, senhor presidente, senhoras e senhores deputados, não faz qualquer sentido e constitui uma nódoa para a Região ao ser enviado para conhecimento do Presidente da República e do Conselho Superior de Magistratura".

Ilustração: Google Imagens.

UMA ASSEMBLEIA QUE NÃO FISCALIZA E UM GOVERNO QUE FOGE ÀS RESPONSABILIDADES


Hoje, mais do que nunca, a Assembleia está configurada para a realização de “serviços mínimos”. Só no plano teórico pode ser considerada a “Casa da Democracia”. Quando é negado um debate de esclarecimento e busca de soluções para o desemprego, considerando que não é urgente, isto significa a consciência pesada e o medo da maioria ser confrontada com uma realidade que atinge perto de 20.000 pessoas. Quando não querem estudar a problemática da pobreza é porque, certamente, não estão dispostos à confrontação com os dramas sociais, por isso, escondem-na.


A Legislatura 2007/2011 está a chegar ao final. Independentemente de um exaustivo relatório que a seu tempo será do conhecimento público importa, desde já, reflectir sobre alguns aspectos que permitem dizer que a Assembleia Legislativa da Madeira não fiscaliza os actos do governo e o governo, por seu turno, foge às suas responsabilidades e deveres para com o primeiro órgão de governo próprio. Eis alguns exemplos:
  • Desde 2010 e repetidamente solicitado encontra-se por realizar uma interpelação com a presença do Vice-presidente do Governo sobre a “Operação das Sociedades de Desenvolvimento”.
  • Desde Janeiro de 2011 que se encontra por agendar uma interpelação ao governo sobre o processo de negociação com a União Europeia no quadro do envelope financeiro que a RAM poderá ter disponível para o período 2013/2020.
  • Mais recentemente, a 02 de Maio, foi requerido o agendamento de uma sessão plenária para formular perguntas ao Presidente do Governo Regional. Sem resposta.
  • A 18 de Maio foi solicitado um debate com carácter de urgência sobre o desemprego na Região. Na conferência de Representantes dos Grupos Parlamentares, o PSD inviabilizou, por não ser urgente.
  • Em Março de 2011, foi solicitada à Secretaria dos Recursos Humanos uma cópia do contrato de suprimentos ao Jornal da Madeira, constante da Resolução 192/2011, a qual não teve resposta.
  • A 01 de Fevereiro de 2011 foram solicitadas informações à Secretária do Turismo e Transportes e ao Vice-Presidente do Governo, sobre diversos aspectos que se prendem com a paragem das obras do ex-hotel Savoy e as suas consequências, a qual não obteve resposta.
  • O Grupo Parlamentar do PS continua a aguardar, há mais de dois anos, um pedido de reunião com a Administração do SESARAM, outro, há um ano, com a Segurança Social na Madeira, outro, ainda, há um ano, com a Direcção Regional de Estatística.
Nem querem debater nem respondem à formulação de perguntas relevantes e fundamentais para o exercício do mandato. Todas as propostas legislativas foram chumbadas, todos os projectos de resolução inviabilizados, 98% dos pedidos de audição a membros do governo foram chumbados em sede de comissões especializadas, todos os pedidos de inquérito parlamentar, sobre diversos assuntos, foram chumbados. Até um voto de pesar foi rejeitado. A pergunta que o povo tem direito a fazer é esta: afinal, para que serve a Assembleia? Servirá, apenas, para legitimar uma Autonomia de papel ao serviço de um só homem?
A verdade é que a Assembleia está sequestrada por um grupo político que não olha a meios para atingir os seus fins. O primeiro órgão foi capturado pelo PSD, em total desrespeito pelos princípios e valores do regime democrático. O próprio Regimento da Assembleia é alterado sempre que a oposição descobre uma forma de promover o debate; o Presidente do Governo foge da Assembleia como o diabo da Cruz, os Secretários não comparecem, o funcionamento das comissões especializadas constitui uma farsa e as comissões eventuais uma pouca-vergonha política como testemunham os inquéritos à Comunicação Social e ao Endividamento da Região.
E tanto assim é que o Presidente do Governo, nem com as perguntas formuladas antecipadamente, de acordo com o Regimento, se digna comparecer perante os deputados. Ali só vai, uma vez por ano, no debate do Plano e Orçamento, ao abrigo de um regimento que lhe possibilita falar a solo, não ser questionado e para desferir grotescos ataques à oposição.
Hoje, mais do que nunca, a Assembleia está configurada para a realização de “serviços mínimos”. Só no plano teórico pode ser considerada a “Casa da Democracia”. Quando é negado um debate de esclarecimento e busca de soluções para o desemprego, considerando que não é urgente, isto significa a consciência pesada e o medo da maioria ser confrontada com uma realidade que atinge perto de 20.000 pessoas. Quando não querem estudar a problemática da pobreza é porque, certamente, não estão dispostos à confrontação com os dramas sociais, por isso, escondem-na.
E perante isto, pergunta-se, como pode o Presidente da República e o Representante da República na Madeira ignorarem esta grave situação, fazerem de conta que as instituições funcionam de acordo com a normalidade democrática e não se dignam ao exercício das suas competências e ao magistério de influência que lhes pertence? Que cumplicidades existem e que medo têm essas entidades de fazerem ver que o exercício pleno da democracia e da liberdade estão em causa? Não basta referir que a Autonomia é "um instrumento dinâmico que, entre outros objectivos, visa o desenvolvimento económico-social e a promoção e a defesa dos interesses regionais", quando estão em causa os pressupostos em que assenta o princípio autonómico no quadro do regime democrático.