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domingo, 5 de junho de 2011

APROXIMA-SE A BARBÁRIE ANTI-SOCIAL


A direita ultraliberal é capaz de bater no peito e "comungar" aos domingos, mas odeia o "cheiro a pobre". Dirão alguns, que exagero! Não, não se trata de exagero, com o respeito e consideração que tenho por figuras do centro-direita, com quem tenho relações de amizade, em abstracto, a leitura que tenho do mundo, do que leio e do que ouço, da compaginação de vários analistas e de autores insuspeitos, a direita é o fulcro de uma continuada "barbárie anti-social", onde se assiste ao esmagamento dos que menos têm para que alguns continuem a alimentar uma riqueza, muitas vezes obscena.


O povo escolheu, portanto, que se aguente. Democraticamente, respeito o veredicto. Mas não deixo de dizer, em função das minhas convicções, que se aguentem todos aqueles que proporcionaram esta opção pela direita. É que apesar de tudo, apesar da esquerda e, concretamente, o Partido Socialista, ter "pecados" e alguns graves, eu prefiro uma esquerda que defenda o Estado Social do que uma direita que o espezinhe. É que eu não vou, desculpem-me os meus Amigos que se situem à direita, não vou pelas palavras ditas, pelo amor aos pobrezinhos, pelo discurso manso e aveludado, eu vou pela matriz histórica que a direita sempre teve e que sempre a distinguiu da esquerda, não da esquerda romântica ou apenas reivindicativa, mas da esquerda que aplica os princípios da igualdade, da fraternidade e da liberdade. Da esquerda moderada e séria mais preocupada com os outros do que com os interesses de grupos sejam eles de que natureza forem.
O povo escolheu e, consumado o acto eleitoral, não vou aqui e agora choramingar, embora nunca tivesse assistido, ao longo de tantos actos eleitorais, a tamanho complô desde o Presidente da República até comentadores e ditos polititólogos. Talvez se arrependam! Talvez a maquinação gerada lhes rebente nas mãos, mais cedo que tarde. Porque há um aspecto face ao qual não me subsistem dúvidas, aliás, pelos exemplos de outros países: a direita privatiza tudo, inclusive, os sectores que devem estar sob o controlo do Estado. Privatiza a Educação, a Saúde, reduz o apoio social e empurra para as seguradoras e para outros sistemas os direitos que se enquadram, por exemplo, na aposentação. A direita ultraliberal é capaz de bater no peito e "comungar" aos domingos, mas odeia o "cheiro a pobre". Dirão alguns, que exagero! Não, não se trata de exagero, com o respeito que tenho por figuras do centro-direita, com quem tenho relações de amizade, em abstracto, a leitura que tenho do mundo, do que leio e do que ouço, da compaginação de vários analistas e de autores insuspeitos, a direita é o fulcro de uma continuada "barbárie anti-social", onde se assiste ao esmagamento dos que menos têm para que alguns continuem a alimentar uma riqueza, muitas vezes obscena.
Vejo e todos assistimos, no nosso país, à "passerelle" de várias figuras de relevante importância em sectores vitais da sociedade, que ontem se disseram próximos dos socialistas, com assento nos Estados Gerais e nas Novas Fronteiras e que, hoje, já não estão para aí virados, por mero oportunismo de natureza financeira. Andam na onda, ou melhor, de crista em crista, apenas porque vivem para a acumulação de riqueza. E, depois, deixam tudo aí, na Terra. São do tipo catavento, figuras despidas de valores, que se encostam em função dos seus interesses. E há os outros, os mentores profissionais dos desequilíbrios do mundo, plenos de poder oculto, que sabem muito bem que teias tecem e que caminhos pacientemente trilham até lá chegarem.  Há, de facto, aquilo que designo por uma rota milenar da direita, hoje atenuada por um discurso meloso, que tende a fazer acreditar aos desprevenidos que, partidariamente, somos todos iguais e que defendemos todos a mesma coisa. Apenas aparência. Não é assim, apesar, repito, de alguns pecados da esquerda.
Porque as palavras são como as cerejas, trago aqui um texto de Alexandre Figueiredo (in Mingau de Aço) sobre o discurso da direita:
"Não é novidade que a direita sempre se acha no monopólio da razão. Ela é que fala em "liberdade", em "cidadania", como fala também em "valores sagrados" ligados à "família", "propriedade" e outros pretextos. Intolerante, ela não se satisfaz com o direito de discordar dos nossos pontos de vista. Quer que os nossos espaços de expressão deixem de falar de certas coisas. Mas eles é que são "equilibrados", ainda que reajam com raiva. Eles é que são "racionais", ainda que reajam com irracionalismo. Eles é que "adoram o pobre", nós, que queremos a melhoria de vida das classes populares, é que "sentimos nojo do pobre". Eles é que "gostam do povo", desde que o povo fique calado, distraído com o recreio popularesco da grande mídia, tão "sabiamente elaborado" visando "o que o povo gosta". Eles é que falam em "liberdade", quando actuam contra a verdadeira liberdade dos outros. Eles é que falam em "paz", quando promovem a guerra. Eles é que falam em "legalidade" quando violam qualquer tipo de lei. A direita é assim desde os tribunos mais conservadores até os jovens mais reacionários. Ninguém vai dizer, no discurso, que as oligarquias estão perdendo seus privilégios alcançados há décadas. Preferem dizer que "defendem a democracia". A direita não quer perder os seus privilégios. Nem mesmo em relação à exploração da cultura popular, distorcida e domesticada pelas suas elites. Por isso até falam bonitinho, dizendo que "nós agimos contra o povo", da mesma forma que as forças progressistas "promovem a desordem e a subversão".
Bom, comecei este texto pelo resultado das eleições e onde já vou! O resultado não me espantou. Como ainda ontem escrevi, estou mais preocupado com as eleições legislativas regionais de Outubro. Essas sim, são determinantes para a Madeira. As de hoje nem tanto, até porque, os vencedores vão ter que cumprir, nos próximos anos, aquilo que procuraram: os interesses da "troika" e os interesses do capitalismo selvagem, dos especuladores e das agências de rating, as tais que armadilharam Portugal. Apenas lamento que a esquerda não tivesse percebido que o chumbo ao PEC 4 só resultaria na entrega do poder, de bandeja, à direita. Isso, lamento. E lamento que a esquerda não tivesse convergido no essencial, inclusive, corrigindo processos.
Ilustração: Google Imagens.

6 comentários:

Anónimo disse...

Porquê que o PS nunca aceitou as propostas do BE e do PC mas sempre preferiu coligar-se com o CDS?

André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Essa é uma questão muito importante que nos levaria a um largo conjunto de análises.
Mas sempre lhe digo que é minha convicção que nem sempre tem existido abertura suficiente para que isso aconteça. Bem ou mal enquadrada até já foi proposta uma "plataforma democrática". E lembro-me, em 1993, quando fui candidato à presidência da CMF, os esforços que desenvolvi nesse sentido e que não tive êxito. Enfim, como disse, tudo isto merece uma profunda e sensata análise.

Visitante disse...

14%?
Ainda não se demitiram?
Quando passam a assumir resultados?
E as consequências dos falhanços sucessivos?
Não há renovação?

herberto duarte pereira disse...

Prof. Escórcio. Não creio ser tão simples quanto possa parecer, que o líder do seu partido atire para factores exteriores também a descida, nova descida eleitoral do PS na Madeira. Reconheço no seu partido um conjunto de personalidades capazes de fazer mais e melhor, mas nunca com o actual líder, que nada representa nada! repare se em 2007 perdeu porque se'aliou' às politicas de Socrates, desta vez fez tudo para se demarcar e o resultado continua a ser a descida de votantes. Depois enquanto cidadão fico triste em verificar o persentagem da abstenção, um facto normalmente passa logo para segundo plano, que que deveria ocupar um lugar de destaque na agenda dos partidos politicos, Todos!

Fernando Vouga disse...

Caro amigo

Já em tempos manifestei aqui o meu descrédito nos chamados paradigmas de direita e de esquerda. Continuo a pensar que o que interessa não é a cor da bandeira mas a qualidade de quem nos governa. Ninguém come criancinhas ao pequeno-almoço e ninguém está livre do espartilho imposto pelos grandes senhores do capital...
No que respeita ao último acto eleitoral, penso até que o PS está de parabéns. Livre do cidadão Pinto de Sousa pode, finalmente, enveredar por um socialismo mais verdadeiro.
O meu amigo pode ter a certeza de que o prestígio do partido vai recuperar brevemente e assim desempenhar um papel essencial na consolidação da nossa democracia.

André Escórcio disse...

Obrigado pelos vossos comentários.
Começo pelo Amigo Fernando Vouga. Concordo consigo quando fala da "qualidade de quem nos governa". Mas isso implica estar ou não imbuído de princípios e de valores que nos façam acreditar numa sociedade mais justa, de rompimento com as assimetrias sociais. E aí, os paradigmas de direita e de esquerda, porque correspondem a matrizes distintas, que influenciam o acto de governar, acabam por ser determinantes. Eu prefiro a "qualidade de quem nos governa", no quadro de um paradigma de esquerda.

Ao Amigo Herberto e ao "Visitante", li, registei, mas aceitem que não comente. Um abraço.