Sábado, 19 de Novembro de 2011

"A TROIKA NÃO MANDA NA MADEIRA" E O PRESIDENTE DIZ-SE "ENTALADO"


O Senhor Representante da República é o garante do normal funcionamento das instituições, não deve, por isso, ser laranja, rosa, vermelho, azul, amarelo ou de qualquer outra cor. Existe para exercer a sua magistratura de influência, competindo-lhe ouvir, ser conciliador e deve, por isso, constituir uma ponte de soluções entre a Madeira e a República por via do Senhor Presidente da República. Não posso aceitar, por exemplo, que venha "relativizar a dívida da Madeira" em claríssimo apoio ao governo regional, comparando-a com as empresas públicas ou com a dívida do Estado. Não me parecem sérias nem honestas tais comparações.


Duas notas:
Primeira. Disse o secretário regional dos assuntos sociais da Madeira que a "troika não manda na Madeira". Isto a propósito das taxas moderadoras. Oh, Senhor secretário do "estado a que isto chegou", infelizmente e por culpa dos senhores que governam há trinta e cinco anos, infelizmente, repito, estamos nas mãos daqueles a quem sempre o presidente do governo regional agrediu com palavras. Pois, a troika não manda nisto, mas manda no dinheirinho! E para pagar os calotes do sistema de saúde entre os oito mil milhões de dívida global, é óbvio que precisam de se agachar às imposições da cartilha exploradora do FMI e de seus pares. O que o Senhor poderia ter dito é que tentariam evitar situações gravosas para a população. Aí, vá que não vá, ficar-lhe-ia bem. Agora, esse tipo de arrogância que configura a ideia que aqui não mandam nada, por favor, poupe-nos, porque estamos fartos dessa treta. É claro que se aproximam tempos difíceis e não é por acaso que o seu "chefe" anda por lá a mendigar 1,2 mil milhões para atenter a responsabilidades de curto prazo. E diz-se "entalado". Significativo. E aqui vamos com mais de 14% de desemprego, com empresas a fechar e com a pobreza a aumentar.
Segunda. O Senhor Representante da República foi entrevistado pela RTP-M. Sinceramente, não gostei das suas declarações. Manifestou-se, claramente, ao lado do governo regional da Madeira. Ora, o Senhor Representante da República é o garante do normal funcionamento das instituições, não deve, por isso, ser laranja, rosa, vermelho, azul, amarelo ou de qualquer outra cor. Existe para exercer a sua magistratura de influência, competindo-lhe ouvir, ser conciliador e deve, por isso, constituir uma ponte de soluções entre a Madeira e a República por via do Senhor Presidente da República. Não posso aceitar, por exemplo, que venha "relativizar a dívida da Madeira" em claríssimo apoio ao governo regional, comparando-a com as empresas públicas ou com a dívida do Estado. Não me parecem sérias nem honestas tais comparações. Porque, a entrar por aí (que não deveria), para além de outras importantes variáveis, teria de dividir a dívida de lá por 10 milhões de habitantes e a daqui por 260.000. Ora, a dívida da Madeira é muito grave, uma parte dela foi escondida, o desemprego é crescente e ocupa a segunda pior posição no contexto nacional, a pobreza está sem controlo, o Governo da República não dá indicações de assumir qualquer solidariedade e face a tudo isto o Senhor Representante da República, naquela entrevista, tentou relativizar os problemas que são muito graves. Teria sido melhor o seu silêncio.
Não gostei, também, da sua posição relativamente à ausência do PND da ronda que o Representante fez após o acto eleitoral. Essa de dizer que "só fazem falta os que cá estão" não é de bom tom. E lembro que o PS, na sequência dos acontecimentos (ocupação) no Jornal da Madeira, esteve no Palácio para dialogar com o Representante da República. Essa audiência foi-lhe negada com a justificação que o Senhor Representante se encontrava numa reunião. Ora, tendo em consideração que para o Senhor Representante "só fazem falta os que cá estão", dir-se-á que o PS manifestou-se preocupado, mas não obteve qualquer resposta do Senhor Representante. O PS esteve e o Representante não!
A justificação agora dada é que não era assunto seu nem tinha meios para actuar. Esta desculpa esfarrapada não colhe, porque, no mínimo, era seu dever receber a delegação partidária, escutar, apreciar e, se esse fosse o caso, mostrar-se impotente para o resolver. Hoje, aqui o digo, que foi a situação mais delicada e mais frustrante de toda a minha participação activa no processo político. Aliás, porque tinha sido a segunda vez que tal acontecia. A um pedido de audiência solicitado pelo PS, antes do início da campanha eleitoral (e mesmo que tivesse sido em período de campanha), o Senhor Representante também não quis receber o PS. Pergunto, por que razão? Não serão situações destas que geram desconfiança política e alinhamentos de todo reprováveis?
Ilustração: Google Imagens.

1 comentários:

João André Escórcio disse...

Um "Anónimo" resolveu entrar neste espaço de comunicação para ofender. Muito raramente isso acontece. Penso que ao longo de quase três anos, isso aconteceu duas vezes. Esta é a terceira. Tenho sido rigoroso na minha postura: analiso, critico com a minha verdade (existem outras verdades), mas não insulto nem agrido com palavras as pessoas, políticos ou não.
Gosto do debate e gosto de quem se oponha, porque é através do contraponto que a democracia ganha espaço.
Um "anónimo" é uma pessoa sem rosto. Não tem, pois, o direito de ofender seja lá quem for. Mesmo que não fosse "anónimo"!
Portanto, as pessoas e instituições ofendidas não merecem a publicação desse comentário aqui deixado. Não o publicarei por razões de dignidade e respeito.
Os blogues não devem ser espaços de maledicência e para vomitar ódios.