segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

GABINETES HÁ MUITOS...


Nunca acreditei na existência de gabinetes ditos de aproximação aos eleitores. Da experiência de muitos anos chego à conclusão que, em termos práticos, são uma treta. A sua criação pode cair bem no eleitor, enquanto notícia, mas os seus efeitos práticos valem zero ou muito próximo disso. Se assim não fosse, os gabinetes autárquicos, as associações cívicas criadas na Madeira, entre outras, já teriam dado a volta a isto.


Os partidos e os respectivos grupos parlamentares não devem transformar-se numa espécie de caixinha de reclamações. Aliás, nunca acreditei na existência de gabinetes ditos de aproximação aos eleitores. Da experiência de muitos anos chego à conclusão que, em termos práticos, são uma treta. A sua criação pode cair bem no eleitor, enquanto notícia, mas os seus efeitos práticos valem zero ou muito próximo disso. Se assim não fosse, os gabinetes autárquicos, as associações cívicas criadas na Madeira, entre outras, já teriam dado a volta a isto. Lembro, aqui, as autênticas "romarias" às sessões públicas das câmaras municipais, consequência da existência de gabinetes com a vocação de equacionar os problemas mais sentidos pelas populações, os quais, no entanto, em pouco ou nada resultaram do ponto de vista eleitoral. Um desses partidos, o mais bem organizado a esse nível, o PCP, depois de um notável trabalho campo, acabou por perder um deputado. E um outro, o BE, perdeu a representação parlamentar. Ora, enquanto a cultura e a mentalidade dominante for esta, os partidos funcionarão como caixa de reclamações, sendo outra a caixa do voto.
Mas isto não significa que os partidos e grupos parlamentares se circunscrevam ao espaço fechado das suas sedes. Não é isso que quero exprimir. Os partidos têm de estar nos sítios, junto das pessoas, mas sobretudo com PROJECTO. Ouvir é uma coisa, ter projecto credível é outra. Escutar, todos o fazem, ser propositivo com pessoas de qualidade que interpretam os sinais e indicam as soluções, é outra coisa bem diferente. É, por isso, que aprecio mais o trabalho de mudança de mentalidade do que a audição de pessoas que vêm colocar o problema particular, da rua, do vizinho, da obra clandestina, de habitação, do pedido de emprego ou de acção social, etc.. Aliás, um grupo parlamentar não é propriamente uma vereação autárquica. Tem outra vocação e missão, que pode ser complexa se assim entenderem, no quadro de Primeiro Órgão de Governo Próprio. Baixar ao nível de Câmara Municipal ou de Junta de Freguesia não me parece um bom sinal. Cada patamar deve assegurar um grau de participação diferenciado. Parece-me óbvio.
Ademais, a Região é demasiado pequena. Todos conhecemos os problemas centrais, os problemas nucleares que determinam, a prazo, a melhoria da qualidade de vida das populações. E um grupo parlamentar deve constituir-se como instituição de cúpula cuja acção deve ser orientada para os grandes sectores da governação. Mas esta é a minha leitura e posição. Há outras que, embora discorde, respeito. Agora, a política séria não se faz com histórias de entretenimento.
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Como se sabe, a ARL pode "trabalhar" muito mas não produz nada. Esta medida parece-me ser uma prenda de Natal para os deputados do CDS. Com este novo "trabalho", que não passa de mais um entretenimento, já podem dormir descansados e com a consciência tranquila de quem cumpre o seu dever...

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
É isso mesmo. O problema é que há muita gente que vai neste tipo de iniciativas. Para mim são "timex", nem adiantam nem atrasam.
Um abraço.

Vilhão Burro disse...

Senhor Professor
Vai desculpar-me,mas,não estou de acordo consigo ao estabelecer uma comparação com o tal "timex"!
Que não adianta, é certo; mas lá que atrasa, atrasa...e não é nada pouco!

João André Escórcio disse...

É evidente que o relógio dele anda sempre ao contrário do sentido das prioridades!