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domingo, 4 de dezembro de 2011

A GRAVÍSSIMA CRISE DE LÍDERES


Fala como se não tivesse sido Primeiro-Ministro, com maioria absoluta durante dois mandatos. Fala como se o défice, no tempo dele não tivesse chegado aos 8,9%. Fala como se tivesse governado em tempo de vacas magras. Fala como se não tivesse chegado ao país o grande maná dos dinheiros europeus. E quando as situações são complexas, interpelado por jornalistas, logo vem dizer que o Presidente da República não comenta, blá, blá, blá, blá... Depois, raras vezes traz alguma coisa de novo. Limita-se a repetir o que já todos conhecemos, isto para não falar do designado magistério de influência que não se sabe por onde anda. O seu completo alheamento sobre o que se passa na Madeira, os sensíveis atropelos à vida, vivência e convivência democráticas, pergunto, por onde andará a sua voz, a sua mensagem, a sua atitude pró-activa? Dez anos como Primeiro-Ministro e mais dez de Presidente da República constituem uma pena máxima para os portugueses!



Duas notas nesta manhã de Domingo, na cidade que gosto: Porto.
Primeira: O Ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Dr. Miguel Relvas, foi ontem vaiado pelos autarcas reunidos no 13º Congresso da Associação Nacional de Freguesias. E disse que "todos estes climas são gerados e são estimulados e este clima foi estimulado" (...) "nunca vi reformas a favor de palmas e de aplausos. As boas reformas são feitas com determinação, com realismo e contra a adversidade".
Segunda: Joe Berardo foi frontal relativamente ao Presidente da República, Doutor Cavaco Silva. Assumiu que o Presidente deve abandonar o cargo porque está "relacionado com o BPN, ganhou dinheiro, e isso nunca foi bem explicado aos portugueses", porque tinha encontros com Oliveira e Costa (antigo responsável do BPN), um "amigo de longa data e homem do fisco do tempo" dos seus governos (...), porque viu o Presidente da República dizer publicamente que o Dias Loureiro (antigo ministro e responsável do BPN) era uma pessoa honesta, em quem tinha confiança".
E foi mais longe ao dizer que, enquanto governante, Cavaco Silva, defendeu medidas que prejudicaram o sector das pescas de Portugal e "agora diz que o Governo devia lançar-se pelo mar". Neste pressuposto o Comendador assumiu que o Professor Cavaco é responsável por "uma estratégia danosa para o futuro de Portugal, era tudo empréstimos e realmente pensava que não tínhamos que pagar esta dívida".
Comentário:
Dizia-me, há já algum tempo, não um saudosista político, mas um observador dos tempos, que muito lá para trás, para ser ministro era necessário ter idade, competência baseada na carreira académica e política e, claro, ser muito fiel ao regime. Hoje, não, basta ser fiel. Ora, no caso do Dr. Miguel Relvas, muitos questionam sobre o seu passado, por onde andou e que credibilidade política granjeou? Ah, sim, foi Secretário de Estado da Administração Local e, segundo o Jornal Mirante de 13.09.97, nesse ano, há exactamente quatro, já com 46 anos, licenciou-se na Lusófona. Leio que Miguel Relvas "era acusado de nunca ter trabalhado na vida nem sequer como estudante". E refere o Jornal "que se sentia deprimido quando o tratavam por Dr. sem que ele o fosse realmente". Daí o esforço por atingir o grau de Licenciado. Ainda bem, digo eu, todo o esforço deve ser louvado. Bom, mas isso, pouco me rala e pouco adianta. O que me preocupa é a competência das pessoas que nos governam. E quando esta personalidade assume que acredita "firmemente no caminho que está a ser seguido", pouco se ralando com as vaias dos autarcas, das duas, uma: ou, realmente, falta-lhe "background" político, sensibilidade e capacidade de leitura das situações, ou, então, está possuído de uma arrogância que se manifesta através da ignorância altifalante. Quando meia sala sai para não o ouvir e quando saem deixando para trás um coro de insultos, qualquer pessoa de bom senso ficaria apreensiva. Não foi o caso dele. Julgo, por isso, que o "estado de graça" deste Ministro terminou. Fez-me lembrar aquela mãe que vê o filho, no juramento de bandeira, com o passo trocado e que chama a atenção para o facto dos outros 29 estarem errados!
Quando ao comentário do Senhor Joe Berardo. Sabe-se que o Comendador não tem tido vida fácil nos últimos tempos. A situação dos mercados financeiros associado a outros problemas, certamente, que o têm deixado no meio de algumas angústias. Daí, pressuponho, que as suas declarações têm muitos outros contornos, pese embora tenha, desde há muito, nos habituado a uma certa frontalidade. 
Mas seja como for, o Comendador veio dizer aquilo que eu, também desde há muito penso, relativamente ao Senhor Presidente da República. Fala como se não tivesse sido Primeiro-Ministro, com maioria absoluta durante dois mandatos. Fala como se o défice, no tempo dele não tivesse chegado aos 8,9%. Fala como se tivesse governado em tempo de vacas magras. Fala como se não tivesse chegado ao país, no tempo dele, o grande maná dos dinheiros europeus. E quando as situações  agora são complexas, interpelado por jornalistas, logo vem dizer que o Presidente da República não comenta, blá, blá, blá, blá... Depois, raras vezes traz alguma coisa de novo. Limita-se a repetir o que já todos conhecemos. O designado magistério de influência não se sabe por onde anda. O seu completo alheamento sobre o que se passa na Madeira, os sensíveis atropelos à vida, vivência e convivência democráticas, constituem, apenas, um exemplo, pelo que pergunto, por onde andará a sua voz, a sua mensagem, a sua atitude pró-activa? Dez anos como Primeiro-Ministro e mais dez de Presidente da República constituem uma pena máxima para os portugueses.

Razão têm aqueles que dizem que, em toda a Europa, estamos a passar por uma gravíssima crise de líderes, de políticos de mão cheia que consigam dar rumo aos países. Portugal, no seu conjunto, é um exemplo muito claro.
Ilustração: Google Imagens.

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