quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

UMA SÓ PALAVRA: DESESPERANTE


Enquanto cidadão considero importante que saia do claustrofóbico "palácio" e empreenda visitas, mas começar por um estabelecimento escolar infantil de natureza privada, seguida da ANACOM, confirma a minha leitura sobre a responsabilidade do lugar que ocupa. Para visitar escolinhas, como é evidente, já temos o Secretário da Educação e quanto à ANACOM, os madeirenses têm muito mais que se preocupar do que com a regulação, supervisão e representação do setor das comunicações (...)


Confesso a minha extrema dificuldade em compreender o Senhor Representante da República na Madeira, Juiz Conselheiro Irineu Barreto. É natural que o erro seja meu. Todavia, analiso as suas declarações, oiço as entrevistas que concede e concluo que pouco ou nada bate certo com a realidade e com a importância que é dada ao lugar. Pelo menos na minha ótica dá seguras indicações que, embora sendo madeirense, se encontra desfasado da realidade e, porventura, do quadro político que "justifica" a sua actividade na Madeira. Ainda ontem fiquei perplexo não só com as visitas que empreendeu, mas também com as declarações que produziu.
Ora, enquanto cidadão considero importante que saia do claustrofóbico "palácio" e empreenda visitas, mas começar por um estabelecimento escolar infantil de natureza privada, seguida da ANACOM, confirma a minha leitura sobre a sua leitura política do lugar que ocupa. Para visitar escolinhas, como é evidente, já temos o Secretário da Educação e quanto à ANACOM, os madeirenses têm muito mais que se preocupar do que com a regulação, supervisão e representação do setor das comunicações. Deveria o Senhor Representante iniciar as suas visitas pelas instituições do Estado na Região, carecidas que estão de obras, de dignidade no funcionamento e no respeito por quem lá trabalha. Deveria ir ver as esquadras de polícia, enfim, não aqui enunciar todas as instituições e todos os serviços directamente dependentes da República que merecem atenção cuidada. Não só esses, mas também as instituições e serviços que evidenciam problemas a exigir urgente definição do Estado. 
Começou pelas criancinhas de um estabelecimento de educação privado, mas com um discurso político completamente desapropriado face às circunstâncias. Se o seu objectivo foi abordar o CINM, pois bem, que fosse ao Caniçal ou à sede do Conselho de Administração. Pareceria-me mais adequado. Foi a uma escola e à sede da Cruz Vermelha para fazer, pasmo, "um apelo à união de todos os madeirenses" e para sublinhar "que chegou a hora de acabar com as clivagens e divisões partidárias e reunir consensos naquilo que é essencial, quando estão em jogo os interesses da Região". Pergunto e exclamo: união de todos os madeirenses ao jeito de uma qualquer Acção Nacional Popular? Uma união em torno do PSD-Madeira? Então a DEMOCRACIA não se funda na liberdade de associação e de pontos de vista diversos? Que tipo de união o Senhor Representante da República pretende? A união que esmaga todos os que têm análises diferentes sobre as mais diversas problemáticas?
E, já agora, sobre o CINM, como justificar o pedido de um "consenso ao nível da Assembleia Legislativa para que a Madeira se apresente unida nessa matéria e noutras matérias"? Quem é que, historicamente, questiono, tem impedido que o CINM seja um instrumento de relevante importância para a Madeira? Quem são os responsáveis? Conhecerá o Senhor Representante o dossiê CINM, os relatórios, as posições dos vários governos da República, as posições da UE e as posições assumidas por vários países relativamente à falta de transparência? Conhecerá o modelo de gestão? Já leu o livro "Suite 605"? Poderia aqui colocar mais umas quantas questões que testemunham, inequivocamente, que quem não tem manifestado qualquer vontade de se sentar à mesa para debater esta importante questão tem sido o PSD na Assembleia Legislativa. E ao contrário do que o Senhor Representante da República sublinhou, não foi apenas uma iniciativa sobre o CINM que passou pela Assembleia. Foram muitas, sendo o tema CINM recorrente em diversos debates. Oiça ou leia as posições dos partidos sobre esta matéria, muito particularmente a posição do PS, justificadas através de propostas do Deputado Dr. Carlos Pereira.
Finalmente, também ao contrário do que manifestou o Senhor Representante, os problemas da Madeira não se resolvem com voluntariado. Resolvem-se com políticas económicas, com políticas educativas e sociais, resolvem-se com políticos que não mintam à população e que não se sirvam dos lugares de serviço público para promoção pessoal e familiar.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

António Trancoso disse...

Caro André Escórcio
O Sr. Juiz Conselheiro será tão bom no plano jurídico como revela graves "insuficiências" no plano político.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Verdade... não consigo perceber o Senhor Representante. MAS, AFINAL, JÁ SOMOS DOIS!