quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PROGRAMA DURO E INEXEQUÍVEL


A páginas tantas sentenciou: "ele (presidente do governo) fez-me lembrar aquela equipa que leva uma goleada, mas marcou um golo, e o treinador agarra-se àquele golo como uma grande façanha". E, de facto, é assim. A dureza do programa, por mais que ele venha, amanhã, disfarçar com um golo, continua a ser inexequível. A "carta de intenções" ditou a setença de morte da Autonomia.


Mesmo com o Carnaval à porta
convém que, amanhã, o Presidente retire a máscara.
Ontem, após as "negociações", o presidente do governo regional da Madeira assumiu uma declaração cujo alcance percebo-a e bem. Disse: "A Madeira não é beneficiada nem prejudicada" (...) o acordo "não tem nenhuma cláusula que signifique o abdicar de direitos constitucionais por parte da Região" (...) "o Programa é duro mas exequível".
Estava eu a digerir estas declarações e resolvi telefonar a um Amigo. A páginas tantas sentenciou: "ele (presidente do governo) fez-me lembrar aquela equipa que leva uma goleada, mas marcou um golo, e o treinador agarra-se àquele golo como uma grande façanha". E, de facto, é assim. A dureza do programa, por mais que ele venha, amanhã, disfarçar com um golo, continua a ser inexequível. A "carta de intenções" ditou a setença de morte da Autonomia. Por alguns largos anos. A Madeira não suporta um programa baseado na famigerada "carta de intenções". Se, em circunstâncias ditas normais, as parcas receitas da Madeira não chegam para as suas necessidades, como é que com as dívidas que estão por pagar, com o substancial abrandamento nas obras públicas, com um setor do turismo instável, com desemprego, empresas aflitas a despedir e a fechar, ausência de poder de compra, bem, espero pelo dia de amanhã para perceber onde se encontra a exequibilidade do programa de reajustamento financeiro. Qualquer pessoa vê que ele se apresta para mais uma manobra, para baralhar e tentar dar de novo, para surgir como salvador, quando, na realidade, a situação é de extrema complexidade. Mas, aguardemos.
O que me revolta é quando comigo dou a comparar esta situação com a sistemática mentira discursiva na Assembleia. Foram anos a dizer e a ofender a oposição, a assumir que a dívida não era de x, mas de y, que o desemprego era quase residual, através das patéticas declarações do Dr. Brazão de Castro, anos a falar de milhões para o sistema empresarial, anos e anos de sistemáticos chumbos de todas as propostas da oposição, anos a fio de inflamados discursos por ocasião do Dia da Região, do Programa de Governo e dos debates do Plano e Orçamento, alimentados por um delírio de negação das evidências, anos a empurrar para longe e a descobrir alibis tolos. A verdade é que hoje a população está claramente encostada à parede. Repito, aguardemos pelo dia de amanhã, mas tudo leva a crer que o presidente do governo quer antecipar o carnaval, colocando a máscara que só engana alguns. Seria bom que a máscara, finalmente, caísse e que falasse verdade ao povo.
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

Pica-Miolos II disse...

Senhor Professor
Deixar cair a máscara e falar verdade ao povo!?!
Desculpe que lhe diga,mas o Senhor Professor deve estar a sonhar...
Desde quando é que um aldrabão compulsivo é capaz de ter um laivo de seriedade?!
Espere pela "conversa" de amanhã...

João André Escórcio disse...

É óbvio que não espero nada, ou melhor, espero mais um número circense de contorcionismo.

Pica-Miolos II disse...

Senhor Professor
Acertou! Em cheio!
O "contorcionista" bem se esforçou, mas,a "claque" que o "apoiava", mais parecia assistir a um velório...

João André Escórcio disse...

Obrigado.
Foi um exercício feito no trapézio sem rede. Estatelou-se.