sábado, 21 de janeiro de 2012

QUEM DISSE QUE NÃO EXISTE ALTERNATIVA (I)


Assisti a qualquer coisa diferente, senti na serenidade das intervenções que alguma coisa está a mudar, que o medo e os constrangimentos estão a ser colocados a um canto e que as instituições da nossa sociedade estão a tomar consciência que a Região precisa de debate e que esta coisa de vergar a coluna a um senhor tem os seus dias contados.


Intervenção do Dr. Francisco Costa (SDM)
Por convite do grupo parlamentar do PS, assisti, ao longo do dia de hoje, a dois painéis no âmbito das suas Jornadas Parlamentares. A excelência das pessoas que os integraram deixaram-me encantado. Mas, mais do que isso, maravilhado fiquei pela abertura do discurso, próprio de cidadãos livres que reconhecem, cada vez mais, a necessidade de estudo, de debate e a importância do confronto das opiniões nesta hora de grandes dificuldades para a Região. Ao contrário do governo regional que, ao jeito de uma sociedade secreta, informa e "debate" o programa de reajustamento financeiro, apenas com os seus militantes partidários, (não sei se debate, porque iessa é uma palavra que o "chefe" detesta), o PS-M propôs a várias personalidades, independentemente dos seus posicionamentos políticos, debaterem sem rococós partidários os problemas que a todos nos afligem. E assim foi muito interessante, na Economia, escutar o Dr. Francisco Costa, da SDM, o Dr. Duarte Rodrigues, da ACIF, o Dr. Lino Abreu, da Associação de Comércio e de Serviços, o Dr. André Barreto, empresário no ramo da hotelaria, o Dr. José Júlio Castro Fernandes, empresário no ramo da saúde, entre outros empresários, José Iglésias e Martinho França.
Intervenção do Dr. José Júlio a que se seguiu
a do Dr. Élvio Jesus
Segui com muita atenção as diversas intervenções, a forma como abordaram os sectores aos quais estão ligados, as suas análises, umas conhecidas, outras, não, porém, posso aqui sublinhar, em conjunto, autênticas lições de como sair deste impasse ou, melhor, deste buraco criado pelo governo regional da Madeira. E mais, não ouvi ali apenas blá, blá, de que isto está mal, etc. etc., escutei, sim, propostas muito concretas e de uma enorme valia política. 
O mesmo aconteceu na parte da tarde com o painel sobre Saúde que registou a presença de vários médicos, do Presidente da Secção Regional da Ordem dos Enfermeiros, Dr. Élvio Jesus e também do Dr. José Júlio C. Fernandes. Uma sessão onde foi possível colocar em confronto as políticas seguidas na Madeira e nos Açores. O Dr. Ricardo Cabral, Deputado açoriano, numa extensa e fundamentada caracterização da região vizinha, possibilitou aos presentes a inevitável comparação de um vasto leque de indicadores. 
As Jornadas contam com a participação de cinco
Deputados da Região Autónoma dos Açores.
Independentemente do que se passou, do brilhantismo e lucidez dos intervenientes, quero aqui destacar um aspecto que me entusiasma. Refiro-me à demonstração de cidadania activa hoje vivida. Deveria ser sempre assim, mas, infelizmente, não tem sido. Hoje assisti a qualquer coisa diferente, senti na serenidade das intervenções que alguma coisa está a mudar, que o medo e os constrangimentos estão a ser colocados a um canto e que as instituições da nossa sociedade estão a tomar consciência que a Região precisa de debate e que esta coisa de vergar a coluna a um senhor tem os seus dias contados. Oxalá estas manifestações de cidadania se multipliquem, uma vez que, só por aí, na liberdade das pessoas se poderá encontrar as soluções. O secretismo não conduz a nada, ou melhor, conduz sim, a juntar mais caos ao caos existente.

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