sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

UM PRESIDENTE COM AS "CALÇAS NA MÃO"

 
Retive três passagens interessantes e, simultaneamente, preocupantes: "eu sou o elo mais fraco"; "a Assembleia Legislativa são os meus patrões"; estou com "as calças na mão". Ora, se é o elo mais fraco, por aproximação ao título genérico do programa de televisão, deve sair. É o elo mais fraco que sai! Se a Assembleia é o primeiro órgão de governo próprio (seu patrão), então por que se nega ir à Assembleia justificar as medidas ao patrão? Só quando a Constituição da República o obrigar, disse. Finalmente, a confissão de que está com as "calças na mão" significa que está não só na penúria do dinheiro como do pensamento político. Estes três aspectos, devidamente conjugados, deveriam conduzi-lo à demissão e clarificação dos problemas desta terra.
 
 
Continua com um problema
de audição!
Acompanhei a entrevista da RTP-M ao Presidente do Governo Regional ao lado de outras pessoas com convições políticas diversas. No final foi ditada uma "espécie de sentença": condenado! Mas, pior que a condenação do entrevistado, houve uma unanimidade na condenação para o povo que permite um político destes continuar na liderança da Região. Hoje, após aquela entrevista, é caso para toda a população estar preocupada. Muito preocupada, pela imagem que o presidente ofereceu aos madeirenses, de político apavorado, mal preparado e sem respostas para as questões importantes. O drama das finanças públicas, a aflição dos empresários, o galopante desemprego, o exponencial aumento da pobreza, tudo isto foi contornado no meio de uma ausência de serenidade, de uma algaraviada e de uma perturbação constante entre as perguntas e as respostas. Retive três passagens interessantes e, simultaneamente, preocupantes: "eu sou o elo mais fraco"; "a Assembleia Legislativa são os meus patrões"; estou com "as calças na mão". Ora, se é o elo mais fraco, por aproximação ao título genérico do programa de televisão, deve sair. É o elo mais fraco que sai! Se a Assembleia é o primeiro órgão de governo próprio (seu patrão), então por que se nega ir à Assembleia justificar as medidas ao patrão? Só quando a Constituição da República o obrigar, disse. Finalmente, a confissão de que está com as "calças na mão" significa que está não só na penúria do dinheiro como do pensamento político. Estes três aspectos, devidamente conjugados, deveriam conduzi-lo à demissão e clarificação dos problemas políticos desta terra.
A treta das "facas nas costas" constitui uma manobra de clara busca da vitimização, na esteira de, eu dei tudo e estou a ser cruxificado. Essa de jogar para fora um problema que é, fundamentalmente, de administração e gestão política interna, dos órgãos de governo próprio, constitui uma atitude de mascarar o rol das responsabilidades que teve e tem no descalabro. Com aquela entrevista, com aquela atitude politicamente esquizofrénica, de fuga à realidade e de atabalhoamento discursivo, os madeirenses e porto-santenses têm motivos bastantes de preocupação. Está em causa toda a sociedade, todos os sistemas, a paz social, o crescimento e o desenvolvimento. Com um político sem soluções, de forma continuada a empurrar os problemas para a frente, a chutar para cima e para longe a "bola" de problemas que tem na sua posse, com um político que demonstra desnorte, falta de segurança e que não acredita sequer nas suas próprias convições políticas, obviamente que se torna necessário que a sociedade reaja no sentido da criação de condições para a necessária alteração do quadro político. A Madeira tem gente de qualidade capaz de travar a loucura política e esta fome de poder que cega a mais evidente das situações de descontrolo.
Ontem foi arrepiante e constrangedora a ostensiva tentativa de colar os jornalistas aos partidos políticos. Como se eles tivessem de ali estar subservientes, como se não tivessem, por missão, colocar as questões que o povo deseja ver respondidas. Felizmente, mantiveram a dignidade, a frontalidade e a responsabilidade, não se deixando ir nas provocações. Neste aspecto, apreciei o comportamento da Jornalista Daniela Maria: fria, distante, fácies sereno, olhos nos olhos, questionou o que tinha de questionar. Reparei que, a espaços, o presidente ficou perturbado com a sua atitude. A questão sobre os preços dos transportes públicos, por ela colocada, no boxe, chama-se um "gancho" que o levou ao tapete. Ainda vasculhou uns papéis, mas nada encontrou para contrariar. Mas aquela atitude de, sistematicamente, atacar os Jornalistas, como se eles fossem ou pertencessem aos partidos da oposição, demonstra a cada vez maior fragilidade política em que se encontra. É tempo de todo o povo refletir. Antes que seja tarde demais!
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

Anónimo disse...

Finalmente cai a mascara do UI! O Povo viu ontem um "espectáculo" triste de um homem cada vez mais só e por uma questão de teimosia (ou não..) prefer levar um povo de volta ao passado colonial do que abdicar do poder que tanto seduz os homens com falta de carácter ,de moral e ética. Jardim faz-me lembrar um pobre homem que vagueia pelas ruas do Funchal a discutir forte e feio com uma personagem que só existe na sua cabeça...Jardim quer simplesmente ser o entrevistador e entrevistado ao mesmo tempo...

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu excelente comentário. Identifico-me.

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Vi grande parte da entrevista — por vezes mudei de canal para descansar — e não estou assim tão seguro de que os madeirenses em geral tenham entendido a miséria que Jardim patenteou. Penso que "povo superior", a quem o seu discurso se dirigiu, engoliu o peixe podre como se estivesse fresco e continua do seu lado.Quem não sabe é como quem não vê.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Mas o povo tanto aplaude como, de um momento para o outro, pega na "foice". Eu sei que se mata por um palmo de terra e que, politicamente, habituaram-se a carregar a "cruz". Mas com tanto aperto... não sei se mais cedo que tarde, esse povo não vem para a rua dizer BASTA!