quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

FAÇA O FAVOR DE NÃO INSULTAR OS EMPRESÁRIOS


Afinal, pergunta-se, para que serve este governo? Para que serve toda esta máquina política montada na Região, quando meia dúzia de funcionários podem juntar a faturação, dividi-la de acordo com as normas, das mais antigas para as mais recentes e remetê-las para pagamento? Que interesse pode nutrir a população pela existência de um governo que hipotecou a Autonomia e que tem todos os serviços bloqueados? Para que serve? Qual, neste momento, o seu objeto? O problema é que, com total hipocrisia, com uma venda nos olhos, o Senhor Presidente da República continua calado e o Senhor Representante da República denuncia, claramente, uma conivência política com este estado de situação.


O Povo precisa de libertar-se
do labirinto no qual o envolveram
Repetitivo se torna dizer que a AUTONOMIA, para já, foi-se! O governo regional, naquilo que é essencial, dir-se-á, em linguagem vulgar, que não risca nada. Digamos que existe, mas não existe. Existe, formalmente, mas, na prática, o presidente do governo assume funções de um antigo presidente da Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal. Os secretários são, neste enquadramento, diretores de serviço ou coisa semelhante. Quando o governo pretende dar um passo que envolva encargos, de "chapéu" na mão, tem de curvar-se perante a República. A loucura política de homem e de um partido a tal conduziu. Mas o mais grave, porque evidencia total ausência de decoro e respeito é produzir declarações ofensivas, descredibilizadoras, insultuosas e de uma soberba absolutamente condenável. Dizer: "os senhores credores que se entendam com Lisboa e não venham bater à minha porta" (...) "Vão ter de ir bater às portas de Lisboa" (...) "Faz-me tão bem ao coração não ter que aturá-los à porta", é de uma tal insensatez e mau gosto que um cidadão só pode sentir vergonha e repulsa pelas declarações produzidas.  Um governo que precisou dos empresários, dos grandes aos pequenos, e que agora, "servido", feitas as inaugurações, sacode as responsabilidades e manda-os dar uma voltinha! Alguém de bom senso, alguém com respeito por si próprio e pelos demais poderá aceitar este desaforo? Empresários que confiaram, que venderam produtos, serviços e obras, que mantiveram o silêncio, hoje, entalados entre as dívidas e as faturas não liquidadas, poderão, serenamente, aceitar declarações daquele jaez? Pessoas com responsabilidades, muitos obrigados a despedir colaboradores, porque lhes falta o suporte financeiro, ao escutarem aquelas palavras, o que dirão, para não dizer, o que lhes apetecerá fazer?
Este presidente e este governo ultrapassou todas as marcas. É uma vergonha e é uma nódoa. Ao invés de pedir compreensão, de lhes falar com serenidade e respeito, pelo contrário, arvora-se em ditador de aldeia e manda-os dar uma voltinha até ao Terreiro do Paço. Inacreditável. Afinal, pergunta-se, para que serve este governo? Para que serve toda esta máquina política montada na Região, quando meia dúzia de funcionários podem juntar a faturação, dividi-la de acordo com as normas, das mais antigas para as mais recentes e remetê-las para pagamento? Que interesse pode nutrir a população pela existência de um governo que hipotecou a Autonomia e que tem todos os serviços bloqueados? Para que serve? Qual, neste momento, o seu objeto?
O problema é que, com total hipocrisia, com uma venda nos olhos, o Senhor Presidente da República continua calado e o Senhor Representante da República denuncia, claramente, uma conivência política com este estado de situação. Este quadro dramático, onde, previsivelmente, chegaremos a Agosto com mais de 25.000 desempregados (neste momento já ultrapassou os 21.000), um momento que é de sinal vermelho, de alerta total para o desastre social que se aproxima, daquelas figuras não se vislumbra uma preocupação pela campainha de alarme que continua a tocar em altos decibéis. Só eles não ouvem, quando toda a oposição política clama por uma intervenção e quando os sindicatos e todos os parceiros sociais se manifestam preocupados. Por lá, o Senhor Presidente da República foge aos contatos eventualmente menos agradáveis e na Madeira "escuta-se" o seu silêncio; por aqui, do Representante de Sua Excelência, para além de uma ou outra notícia de uma visita de circunstância, o tempo passa e questiona-se: será que essa figura institucional existe? E se existe, para que serve? Apenas para olhar pela escassa legislação produzida? É pouco, muito pouco.
A Madeira está a passar, por culpa própria de quem a governou, ininterruptamente, a caminho de 40 anos, uma fase muito delicada, não apenas no mero plano da análise política, mas da sua economia, das suas finanças, do estado social e cultural. A Madeira está em um pântano em todos os setores. Há uma catástrofe social em crescendo e necessário se torna que alguém deite mãos a isto. Enquanto é tempo.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ORÇAMENTO DE BASE ZERO, REGULAMENTO DE BASE ZERO E ENTREVISTA DE BASE ZERO!


Se, em relação ao pagamento das dívidas, ficou claro que o governo, sem dizer quando e como, se compromete a saldar as dívidas (era o que faltava não liquidá-las!), já em relação ao projeto para o futuro nem uma palavra. É que o problema da política desportiva não se esgota no financiamento, em novas regras de distribuição do bolo, que tarde ou cedo serão estipuladas, mas em uma atitude prospetiva global, do que se deseja fazer hoje para que o sistema tenha sucesso amanhã. Ora, o que o secretário veio confirmar é que não tem uma ideia para o setor, nem para a interface sistema educativo/sistema desportivo. Perurou sobre as dificuldades do momento, europeias, nacionais e regionais e, neste pressuposto, falou de um orçamento regional de base zero, em um futuro regulamento de apoio ao associativismo de base zero, o que me leva a concluir, por extensão, que esta entrevista também foi de base zero.


Não tinha grandes expetativas, mas alguma curiosidade. Deixei de ver um outro programa que me interessava e fixei-me no "Prolongamento" da RTP-Madeira, uma vez que o convidado era o secretário regional da Educação e dos Recursos Humanos. Acabou por ser o "prolongamento" do que era previsível. Uma entrevista sem qualquer conteúdo que mereça aprofundada reflexão, palavras de circunstância e conceitos errados, face a três comentadores residentes, cada um bem definido nas suas opções clubísticas, denunciando mil e uma cautelas, porque o momento das suas instituições, precisando de dinheirinho fresco como de pão para a boca, assim aconselhavam. Não me centro, por isso, nas respeitáveis posições dos comentadores, mas naquele de quem depende a política desportiva. E aí, sim, a entrevista ultrapassou, pela negativa, o que seria de esperar. Isto é, um governante novinho nestas andanças, desconhecido no ambiente do associativismo desportivo, que poderia ali marcar o terreno de um novo tempo político para o desporto madeirense, veio, no essencial, repetir o paleio do costume. Esmiuçando aquela entrevista dela não ressaltou uma ideia, um esboço de paradigma que marcasse a rutura com um tempo e a abertura de um outro sustentável, duradouro e de resultados. Sem querer colocar as minhas palavras e conceções na boca do secretário, penso, todavia, que, para ele, governante, tudo se resumiria a dois momentos: primeiro, vamos pagar todas as dívidas em atraso; segundo, a partir de 2012/2013 a política desportiva assentará neste e naqueles pressupostos. Se, em relação ao pagamento das dívidas, ficou claro que o governo, sem dizer quando e como, se compromete a saldar as dívidas (era o que faltava não liquidá-las!), já em relação ao projeto para o futuro nem uma palavra. É que o problema da política desportiva não se esgota no financiamento, em novas regras de distribuição do bolo, que tarde ou cedo serão estipuladas, mas em uma atitude prospetiva global, do que se deseja fazer hoje para que o sistema tenha sucesso amanhã. Ora, o que o secretário veio confirmar é que não tem uma ideia para o setor, nem para a interface sistema educativo/sistema desportivo. Perurou sobre as dificuldades do momento, europeias, nacionais e regionais e, neste pressuposto, falou de um orçamento regional de base zero, em um futuro regulamento de apoio ao associativismo de base zero, o que me leva a concluir, por extensão, que esta entrevista também foi de base zero.
E já que a entrevista, fundamentalmente, andou pelo campo do financiamento ao associativismo, pergunto, quantos regulamentos foram anunciados e apresentados nos últimos anos e que acabaram por se transformar em documentos de meros acertos marginais, que nunca tocaram naquilo que deveria corresponder a um pensamento político estrutural para o desporto? Este regulamento que, diz o secretário, está a ser desenhado, é apenas mais um que em nada alterará os posicionamentos históricos sobre esta matéria. O governo, naquela entrevista, não conseguiu fazer um aviso à navegação e, por isso mesmo, deixou margem para que a pressão do associativismo venha a ditar as suas regras. Não estão em causa menos 5, 10, 15 ou 20% na assunção dos contratos programa, mas a ideia base, o conceito estratégico que o governo pretende implementar. Ora, o governo não tem uma ideia do que pretende.
O secretário agarrou-se a um conjunto de frases feitas, de palavras sem sentido, mas suscetíveis de enganar os desprevenidos. Por exemplo, falou de um passado de "brilhantes resultados", mas esqueceu-se que esses resultados efémeros, não só deixaram uma dívida colossal, como também 77% da população alheada da prática física e desportiva. E disse uma outra enormidade quando abordou a dicotomia escola-clube, ao sublinhar que o lugar próprio da formação é o clube. Não, senhor secretário, o lugar próprio, por excelência, é a escola, que tem de ser reorganizada no sentido de possibilitar uma interface de sucesso com o clube desportivo federado. Os clubes e as associações não visam a quantidade, mas a qualidade; à escola compete atingir 80/90% da sua população através do desportivo educativo, em diferenciados patamares ao longo de doze anos, com qualidade técnica, com rigor, com competição regular e com financiamento adequado. O clube deve constituir a extensão da excelência do trabalho ao nível do desporto educativo escolar. Isso implicava que o secretário centrasse a sua preocupação na formação ao nível de escola, nos currículos e não ao contrário. No fundo, apresentou-se ali como um secretário do desporto e não como um secretário da educação. Aliás, a sua contínua obsessão  pelos resultados ao nível nacional para garantirem "a dignidade e deixar bem o nome da Madeira" diz tudo relativamente ao seu posicionamento de mudar algumas coisas para que tudo fique igual. Não é por aí que a Madeira deverá seguir, não só pela existência de outras prioridades, mas também porque estas ilhas atlânticas são pobres e dependentes. Se o sistema, durante trinta anos, conduziu a uma dívida superior a 52 milhões de euros (IDRAM - peça jornalística publicada no DN e não desmentida), fora trezentos e tal milhões investidos nos últimos dez anos, mesmo que o governo pague o atrasado, dívida acumulada no tempo das vacas gordas, saliento, doravante, mantendo o globalmente a estratégia política, agora em tempo de vacas magras, a questão que se coloca é a de saber se haverá dinheiro para pagar a dívida e continuar a alimentar o monstro. É evidente que não há dinheiro para essa megalomania!
O Jornalista Nélio Gouveia e bem, ainda tentou abanar a consciência do secretário, perguntando-lhe se era possível manter 63 modalidades e duzentos e tal clubes e associações. O secretário, penso que não percebeu o alcance da pergunta e deixou isso à consideração do associativismo, no fundo, transmitindo a ideia que, se a minha aposta é a dignidade da representação da Madeira, quem não aguentar que feche as portas! Ora, para mim, neste momento, mero observador da situação, se esta política bateu no fundo, com esta entrevista, não me ficou a mínima dúvida que continuará no pântano sem hipóteses de qualquer recuperação.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

VOSSA EXCELÊNCIA DISSE SERVIÇOS MÍNIMOS NA EDUCAÇÃO?


A Escola é o que lá acontece, são os saberes transmitidos, é a sua dinâmica multifatorial portadora de futuro, é o acolhimento e o esbatimento das desigualdades sociais, e tudo isto é incompatível com serviços mínimos, mas com serviços máximos. A Escola não pode subsistir através de teorias do tipo desenrasquem-se, cumpram o horário e controlem os pequenos. A Escola não é o presente, é o futuro! E esta que, para mim, constitui a conceção central de uma política educativa esfumou-se da cabeça do responsável pelo sector. Em cada dia que se passa e com a manutenção daquela lengalenga discursiva pobre e despida do rigor das convicções que devem alimentar um projeto educativo, o governante cava a sepultura desta Região. Não há futuro quando um governante reduz a sua política aos serviços mínimos.

Sinceramente, enquanto político, começa a ser desesperante ouvir ou ler as declarações do Dr. Jaime Freitas, Secretário Regional da Educação e dos Recursos Humanos. Há intervenções que passam por mim como a água nas penas de um pato, outras, porém, deixam-se atordoado, porque, levam-me a questionar, como é possível um governante assumir uma dada posição?
Ora, pedir às escolas que cumpram os serviços mínimos é, do meu ponto de vista, uma calinada política que explica duas coisas: primeiro, o estado de falência do sistema no que concerne aos meios que visam o cumprimento da nobre missão educativa; segundo, explica a ausência de um sentido de responsabilidade política, mesmo quando a maré é muito adversa, para galvanizar toda a comunidade educativa (professores, encarregados de educação, alunos, funcionários, etc.) para que se continue a produzir o máximo e com entusiasmo.
A prioridade não é garantir que as escolas funcionem, isto é, mantenham as suas portas abertas, que os alunos, os professores e os funcionários compareçam, numa espécie de organismo que, em horário contínuo, abre às oito e encerra às dezanove. A Escola é o que lá acontece, são os saberes transmitidos, é a sua dinâmica multifatorial portadora de futuro, é o acolhimento e o esbatimento das desigualdades sociais, e tudo isto é incompatível com serviços mínimos, mas com serviços máximos. A Escola não pode subsistir através de teorias do tipo desenrasquem-se, cumpram o horário e controlem os pequenos. A Escola não é o presente, é o futuro! E esta que, para mim, constitui a conceção central de uma política educativa esfumou-se da cabeça do responsável pelo sector. Em cada dia que se passa e com a manutenção daquela lengalenga discursiva pobre e despida do rigor das convicções que devem alimentar um projeto educativo, o governante cava a sepultura desta Região. Não há futuro quando um governante reduz a sua política aos serviços mínimos. Não há futuro quando não existe uma ideia e um projeto que rompa com as dificuldades e que alimente a esperança. Não há futuro quando a verdadeira "obra pública" se desvia da educação para a cimentização. Não há futuro quando não se transmite a esperança, pelo contrário, a imagem da derrota.
Sinceramente, apenas do ponto de vista político (não pessoal) não sei o que ainda faz o Dr. Jaime Freitas à frente da Educação e dos Recursos Humanos. Passaram-se os primeiros cem dias de governo e, pergunto, que ideia foi transmitida para toda a comunidade educativa, para os agentes económicos, enfim, para toda a população? Zero. Infelizmente, zero. Ou melhor, acaba de ser dito, funcionem na base dos "serviços mínimos", isto é, de uma pseudo escola transformada como um espaço armazém de crianças e jovens, ou como se a escola pudesse ser comparada a uma situação de greve onde a lei estipula o cumprimento mínimo de algumas funções. Basta.
Eu sei que o secretário se meteu em uma monumental alhada. Embora com um passado sindicalista tem dado a entender que desconhecia o setor em todas as suas variáveis. Ora, o setor está a rebentar pelas costuras, pela péssima organização que foi dada ao sistema, mas também pelas dívidas que contraiu: sabe-se que há preocupantes saldos negativos de vários anos que as escolas vão transitando de orçamento em orçamento, é conhecida a situação dos largos milhares em dívida às empresas transportadoras no âmbito da ação social educativa, sabe-se que há milhares em dívida aos fornecedores de bens e serviços, sabe-se da falta de pagamento de muitos e muitos meses de água, luz e telefone, é notícia a falta de gás, sabe-se que o cumprimento dos projetos educativos está bloqueado pela falta de financiamento, é conhecida a vergonhosa gestão no que concerne ao "fundo escolar", são conhecidos os pedidos aos encarregados de educação para colmatarem as falhas do sistema, sabe-se do atraso no pagamento de mais de seis milhões de euros aos professores, enfim, quem acompanha o sistema conhece tudo isto e muito mais (Estatuto, Avaliação de Desempenho, etc. etc.) e sabe que as direções executivas fazem das tripas coração para, face à situação, manter os serviços mínimos. Ao governante, porém, exige-se outra atitude. Exige-se serviços máximos. Exige-se que à mesa do plenário semanal do governo garanta o financiamento necessário ao pleno funcionamento dos estabelecimentos de educação e ensino, normalizando os passivos e garantindo uma escola com futuro. Não pode um responsável pela Educação fazer de conta, olhar para a situação e apenas garantir a porta aberta! É o nosso futuro que está em causa.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

APARENTEMENTE NORMAL


O que ele quer e já desenhou em pensamento, admito, não é publicável. Para já. Parece existir aqui um compasso de espera relativamente a qualquer coisa e, de permeio, dizendo-se “teso”, surge divertido durante o desfile de carnaval, gozando com a situação e demonstrando um à-vontade que, repito, para um político aparentemente normal, não deixa de ter uma curiosa leitura.


Diz o "chefe" que a sua vida política, já lá vão 35 de poder contínuo, nunca teve anos fáceis. Este é apenas mais um, dirá. Não vou nessa cantiga. Há aqui qualquer coisa estranha, pelo que a sua atitude descontraída parece-me reveladora de uma qualquer estratégia que não descortino. Mas existe. Um ser político, aparentemente normal, perante o descalabro diário de toda a estrutura por ele próprio engendrada, das duas, uma: ou pirava-se do poder, alegando ausência de condições para governar, ou tem, em actividade, o desenvolvimento de uma estratégia. Os artigos de opinião publicados no JM, onde se inclui, há dias, o patético e miserável ataque à família Blandy, constituem uma máscara carnavalesca que esconde outros desígnios da sua paixão dominante. Desconfio que a verdade escondida esteja muito para além do blá, blá de circunstância e da ronda pelas capelas dos apóstolos. O que ele quer e já desenhou em pensamento, admito, não é publicável. Para já. Parece existir aqui um compasso de espera relativamente a qualquer coisa e, de permeio, dizendo-se “teso”, surge divertido durante o desfile de carnaval, gozando com a situação e demonstrando um à-vontade que, repito, para um político aparentemente normal, não deixa de ter uma curiosa leitura.
Os sinais emitidos pelo “chefe” são terrivelmente preocupantes. Já não falo da legião de novos pobres, do desemprego que alastra, da saúde em completa falência, das escolas sem um cêntimo, falo da contínua ausência de medidas, do drama das empresas que não facturam, das aflições familiares, da emigração forçada e da perda de esperança. Um ser político aparentemente normal não brinca com assuntos sérios, daí, que andará o “chefe” a engendrar?
Ilustração: Google Imagens.
NOTA:
Artigo de opinião, da minha autoria, publicado na edição de hoje do DN.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

AS CONTRADIÇÕES DO GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA


Experimentem passear pelo Funchal, à noite, e vão ver três coisas desgraçadas: o aumento de pessoas a dormir na rua, a quantidade de lojas fechadas e prédios desabitados e gente à procura de comer no caixote do lixo. Entretanto, gastam-se 30 contos para cobrir cada metro quadrado de parede dos túneis. Isto é criminoso. Por outro lado, há escolas que já pediram a ajuda dos pais para material, em particular papel de fotocópia, sendo conhecidos os problemas existentes para o pagamento das despesas correntes e a fornecedores".


Acabo de ler uma importante entrevista no DN-Madeira, cuja figura central é a Drª Violante Saramago Matos. A entrevista tem como mote o 20 de Fevereiro, mas centra-se, também, em outras questões de primeiríssima importância, sobre o planeamento, por exemplo. Duas páginas que aconselho ler. Mas este DN, todos os dias, traz-nos notícias e factos que nos deixam a pensar. Aliás, um dos exercícios de leitura que habitualmente faço, é o do cruzamento da informação. E hoje, uma vez mais, dei comigo a cruzar duas peças muito reveladoras do caos governativo a que chegámos. Atentemos:
Da entrevista: "Luxos inexplicáveis? - questiona o jornalista. "Parece que esta terra se alimenta de petróleo. Nós não temos pão, não temos dinheiro para dar de comer às pessoas. Experimentem passear pelo Funchal, à noite, e vão ver três coisas desgraçadas: o aumento de pessoas a dormir na rua, a quantidade de lojas fechadas e prédios desabitados e gente à procura de comer no caixote do lixo. Entretanto, gastam-se 30 contos para cobrir cada metro quadrado de parede dos túneis. Isto é criminoso. Há aqui corrupção, não sei onde está, mas alguém tem de me explicar qual é a lógica de, numa terra de fome, se forrar paredes. Há mecanismos quase criminosos, há gente que deveria estar sentada no tribunal a responder pelo que tem feito".
Da notícia: "A Escola 2+3 do Estreito deixa de fornecer almoço" (...) "Apesar da autonomia das escolas, neste momento, estas encontram-se de 'mãos atadas', já que qualquer contratação, seja de professores ou de outra ordem, tem de passar pela Secretaria do Plano e Finanças. Uma imposição que gera uma maior burocracia e que limita a acção das escolas. A isso juntam-se as dificuldades financeiras, já que as escolas não estão a receber a totalidade das verbas do orçamento regional a que teriam direito. Tal como o DIÁRIO já noticiou, há escolas que já pediram a ajuda dos pais para material, em particular papel de fotocópia, sendo conhecidos os problemas existentes para o pagamento das despesas correntes e a fornecedores".
Túneis, cota 500, vias rápidas, vias expresso, centros cívicos, marinas, praias amarelas, trinta e tal campos de futebol, piscinas por todo o sítio, escolas megalómanas, obras, algumas, faraónicas, enfim, houve dinheiro para tudo no mais cretino desrespeito pelas prioridades e pelo crecimento e pelo desenvolvimento sustentáveis. Mas, como se sabe, o dinheiro sempre foi um recurso escasso. Um dia teria de faltar e está a faltar. As escolas devem muitos milhões, de água, de electricidade, aos fornecedores em geral, desde o gás aos restantes bens consumíveis. E agora, aliás, já não é a primeira vez, as refeições vão ser cortadas naquela escola. E é na escola que muitos tomam a única refeição quente do dia! A Drª Violante tem razão quando salienta que o comportamento do governo dá muitas vezes a entender que parece que esta terra tem petróleo!
Ilustração: Google Imagens.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

NÃO DESTRUAM O PORTO SANTO


Estou a lembrar-me, por exemplo, talvez porque estamos no Inverno, de Saas-Fee, na Suíça (40 km2), onde os veículos ficam estacionados fora da pequena cidade, onde no seu interior é a viatura não poluente (poucas) que circula, onde não há centros comerciais e por aí fora. É evidente que tem os picos cheios de neve, é evidente que tem a sua especificidade, mas o que aqui importa é a garantir a "exploração máxima" da identidade de um lugar. E o Porto Santo (42 km2) tem especificidades para serem exploradas no quadro de um "conceito de ECODESTINO IRREPREENSÍVEL. O Ecoturismo como factor diferenciador gerador de uma forte reputação internacional e como fonte criadora de riqueza sustentável".


Tenho tido, felizmente, a oportunidade de, todos os anos, visitar alguns destinos que me interessam do ponto de vista da riqueza do património, dos museus, da arquitetura, da preservação e a forma como vivem as pessoas. Defino um ponto estratégico e, conduzindo, vou e regresso todos os dias aos pontos que me interessam. Numa semana, em média, faço 1200/1500 km. Tenho visitado grandes cidades, pequenas cidades e aldeias da nossa Europa. Do pouco que conheço em função do muito que gostaria de viver, tenho, hoje, uma ideia formada, baseada na experiência, sobre o que não deve ser feito num destino turístico. Desde logo, quando tenho a possibilidade de visitar um país, nunca o escolho porque a cidade é sede do Real Madrid, do Manchester ou do Paris Saint-Germain. Visito pela qualidade e do muito que posso desfrutar, por aquilo que é distintivo, diferente, que esmaga e que enriquece. Não visito para ver cimento, para olhar para o repetitivo que aqui encontramos. Penso, aliás, que esta é a tendência de qualquer turista quando sai da sua terra. Longe vão os tempos do turista que gastava os sofás dos hotéis. O turista é, cada vez mais, dinâmico, ávido de experiências e de contemplação sobre aquilo que lhe enche a alma.
Vem isto a propósito do Porto Santo. A destruição que andaram a fazer e que, parece, querem continuar a fazer. Um destino que pode deixar de ser sazonal, à semelhança de tantos que existem por aí fora, cada um com as suas especificidades, mas que não são desvirtuadas. Ao ler o artigo de hoje, do Dr. João Welsh, sobre o Porto Santo (42 km2), a páginas tantas a minha memória passava por alguns aglomerados populacionais muito significativos e que se encaixavam na perspectiva do autor do artigo. Estou a lembrar-me, por exemplo, talvez porque estamos no Inverno, de Saas-Fee, na Suíça (40 km2), onde os veículos ficam estacionados fora da pequena cidade, onde no seu interior é a viatura não poluente (poucas) que circula, onde não há centros comerciais e por aí fora. É evidente que tem os picos cheios de neve, é evidente que tem a sua especificidade, mas o que aqui importa é a garantir a "exploração máxima" da identidade de um lugar. E o Porto Santo tem especificidades para serem exploradas no quadro de um "conceito de ECODESTINO IRREPREENSÍVEL. O Ecoturismo como factor diferenciador gerador de uma forte reputação internacional e como fonte criadora de riqueza sustentável". Deixo aqui um excerto do texto do Dr. João Welsh, com uma pergunta: porque raio este governo regional não pergunta a quem sabe?
" Um conceito cuja marca diferenciadora, à imagem de alguns destinos verdadeiramente "desenvolvidos" passaria por anunciar O QUE A ILHA NÃO TEM (limito-me a copiar conceitos): Somos uma ilha que NÃO TEM: Centros comerciais; cadeias de fast food; mega hotéis, all inclusives, time-sharing - só pequenas unidades - uma ilha que não tem carros (só dos residentes + táxis - todos eléctricos não poluentes). Um destino onde os peões, os ciclistas, as segways e os cavalos seriam os principais meios de transporte, sempre com prioridade sobre os poucos veículos eléctricos. Uma ilha em que, imitando bons exemplos, os sacos de plástico seriam totalmente banidos e seria feita uma aposta na agricultura biológica com vista a maximizar o consumo hoteleiro dos produtos agrícolas da ilha - por pouco expressivos que fossem. A implementação de um conceito desta natureza, só por si, constituir-se-ia numa imagem de brutal força promocional! Constituir-se-ia facilmente numa referência nos mercados gerando procura sustentada."
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O "EVANGELISTA" AJJ


O "evangelista" AJJ baralha conceitos, deixa as cartas marcadas, vende o produto e nem conta se dá das incoerências, como se todos fossem saloios. Complementa com a frase: "Temos de ser persistentes e determinados na orientação que estabelecemos para continuarmos a fazer obra desportiva na Madeira". Mas, qual obra? A obra da dívida, a obra que deixou, trinta e tal anos depois, 77% da população distante da cultura desportiva? A obra da incultura? A obra que deixou os benévolos dirigentes desportivos em uma situação desesperante? A obra de cinco anos de atrasos nas transferências financeiras acordadas?


Duas notas políticas neste início de manhã.
Segundo o "evangelista" AJJ o sofrimento da população madeirense fica a dever-se "à loucura do Mundo". Uma declaração produzida à margem da inauguração das instalações de uma Academia de Bilhar. Perante esta douta opinião, se lá estivesse, mostrava-lhe a bola preta!
Ora bem, não foi a sua loucura, a sua inaptidão para traçar o crescimento e o desenvolvimento com sustentabilidade, não foi a fúria inauguracionista que dominou o seu pensamento estratégico, não foi a ausência de planeamento sustentável que originou o grave desequilíbrio nas contas públicas, não foi a estratégia de ganhar eleições que dominou o pensamento político, não foi a sua política de multiplicar o leque dos dependentes para que os tivesse sempre em rédea curta, desde a Igreja ao associativismo desportivo e cultural, nada disso, foi "a loucura do Mundo" a causa das causas do sofrimento do povo da Madeira. É espantoso! Comporta-se como o menino traquinas que perde o ano, chega a casa e diz: eu perdi, mas um António e o Francisco também perderam!!! Oh homem, pelo menos e por agora, prepare-se em casa, antes de dizer disparates que permitem deixar o rabo de fora. Porque toda a gente, mesmo aqueles presos à máquina partidária já começam a ter dificuldades em engolir a mentira oferecida em papel de celofane.
A atual situação financeira dos clubes continua envolvida em sinais trágicos. Cada vez que o "evangelista" AJJ fala, mesmo quando pretende "trocar por miúdos" as ideias, crescem as desconfianças e fica visível o olho da tempestade. Ora, o problema não está na redução de 15% nas transferências, não está em novas regras a apresentar até Maio que, no essencial, manterão este quadro que se mostrou trágico ao longo dos anos, o problema situa-se ao nível do paradigma global e específico que se deseja para o desporto. Em poucas palavras, ou o governo quer um desporto ao serviço do desenvolvimento ou um desporto ao serviço da política. A opção joga-se entre estes dois caminhos. E o que me parece é que o "evangelista" AJJ quer continuar na lógica de um desporto ao serviço da política, o tal modelo que gerou a tragédia do sistema. Quando assume o protecionismo da competição nacional e internacional, isto é, o "apoio àquelas modalidades que trazem títulos nacionais para a Madeira, sejam individuais ou colectivos", pois (...) "quem não tem resultados até agora não vale a pena, pois temos de cortar para não prejudicar outros", ideias estas complementadas com o seu posicionamento relativamente à formação, sublinhando que há que apostar no atleta madeirense em detrimento da "importação" de atletas de fora da Região, o "evangelista" demonstra que não sabe o que significa as etapas da formação, onde devem ter lugar e como é que elas se organizam ao longo dos anos. No essencial, este terceiro vetor da sua política, articula-se, uma vez mais, com o seu pensamento político, isto é, menos continentais e estrangeiros, é certo, mas uma aposta nos naturais com o objetivo de representarem a Madeira. O "evangelista" AJJ baralha conceitos, deixa as cartas marcadas, vende o produto e nem conta se dá das incoerências, como se todos fossem saloios. Complementa com a frase: "Temos de ser persistentes e determinados na orientação que estabelecemos para continuarmos a fazer obra desportiva na Madeira". Mas, qual obra? A obra da dívida, a obra que deixou, trinta e tal anos depois, 77% da população distante da cultura desportiva? A obra da incultura? A obra que deixou os benévolos dirigentes desportivos em uma situação desesperante? A obra de cinco anos de atrasos nas transferências financeiras acordadas?
O que o "evangelista" AJJ deveria ter assumido, nesta fase de grandes constrangimentos, por um lado, era o erro da sua política para o desporto, mas para isso teria de ter grandeza e humildade, por outro, calendarizar e pagar tudo o que está para trás e apresentar, em síntese, um paradigma de desenvolvimento do desporto baseado, prioritariamente, no desporto escolar e, acessoriamente, na interface com o desporto federado. Mas nisso nem o "evangelista" AJJ está interessado, nem o secretário da Educação domina.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

PACIÊNCIA DE SANTO


Alguns ainda negam as evidências, divagando com a força das palavras em defesa do seu cantinho partidário, como ainda ontem à noite foi evidente através do Deputado Guilherme Silva. Oiço-o e sinto-me nas bancadas de um circo a assistir a uma contorcionista, vergada pelo peso dos anos, mas que teima em manter o mesmo espetáculo de há trinta anos. À distância fico com a noção que aquele corpo de palavras não dá mais e que o público já tem dificuldades em aplaudir os falaciosos argumentos. No seu caso, fala e fala, corta o pensamento dos outros, fazendo-me lembrar os ginastas de há muitos anos que faziam tudo muito rápido para disfarçar as insuficiências técnicas. 


Aos poucos, de mansinho, com uma declaração aqui e outra ali, os governantes, pertençam ao governos regional ou autárquico, começam a denunciar que o processo de desenvolvimento que, durante anos, defenderam, estava e está errado. Foi essa forma anormal de gerir a coisa pública que tantas vezes foi motivo de debate na Assembleia Legislativa, mas sempre contrariada e torpedeada pela maioria parlamentar do PSD. Assume, agora, tardiamente, claro, o presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos que os "madeirenses vão cair no real" e deixar-se de devaneios, pois "ninguém queria saber de onde vinha o dinheiro e quem pagava (...) agora acabou". Pois é, foram necessários muitos e longos anos para chegar a essa conclusão. Confesso que me falta alguma paciência para ir lá atrás, às legislaturas passadas, ler o diário das sessões, compilar e colocar sob a forma de livro os trinta e tal anos de alertas, os posicionamentos que refletiam os sinais, desde o amarelo até ao vermelho em que hoje a Madeira se encontra. Alguns ainda negam as evidências, divagando com a força das palavras em defesa do seu cantinho e interesses partidários, como ainda ontem à noite foi evidente através do Deputado Guilherme Silva. Gabo a paciência da Jornalista Daniela Maria Santo. Paciência de santo, sublinho. Oiço-o e sinto-me nas bancadas de um circo a assistir a uma contorcionista, vergada pelo peso dos anos, mas que teima em manter o mesmo espetáculo de há trinta anos. À distância fico com a noção que aquele corpo de palavras não dá mais e que o público já tem dificuldades em aplaudir os falaciosos argumentos. No seu caso, fala e fala, corta o pensamento dos outros, fazendo-me lembrar os ginastas de há muitos anos, que faziam tudo muito rápido para disfarçar as insuficiências técnicas. O Dr. Guilherme Silva deveria passar uma manhã com o autarca Arlindo Gomes ou, então, sendo Deputado, dar-se à maçada (será?) de ler e reler o que foi dito pela oposição, ao longo de todos estes anos, muito antes da Madeira chegar ao descalabro económico, financeiro, social e cultural. Passar uma manhã com o autarca, mas também para questionar e perceber quem lhe deu o aval para várias obras megalómanas por si assinadas. Não sei se mudaria de opinião e de convicções, porque essas parecem-me cegamente entranhadas, mas atenuaria a leitura dos factos. Provavelmente, deixaria de encontrar qualquer bode expiatório para o que na Região se passa.
É o autarca que afirma que os orçamentos não podem ser elaborados tendo "por base os programas políticos", o que significa que tudo tem de ser concretizado na base da realidade, da disponibilidade, das prioridades, do rigor e da disciplina orçamental. Ora bem, pergunto a mim mesmo: mas onde é que já ouvi isto? Tantos o disseram, muitos equacionaram este que foi e é a questão central da deriva da governação regional. Lembro-me de um ex-secretário, há já uns anos, ter-me dito no meio de amena conversa: "dinheiro é coisa que não falta, não se preocupe com isso". Pois, estava o dito secretário a viver o sonho da árvore das patacas, um tempo de vacas gordas cujas tetas permitiam múltiplas ordenhas, um período de permanente regabofe inauguracionista que não parecia terminar. Mas terminou, conduzindo ao empobrecimento de quase todos, ao desnorte, ao cofre vazio, à mão estendida aos humores de uma ou mais "troikas". É por isso que me parece ser tempo de acabar com este sofrimento, com esta falta de esperança, com este faz que anda mas não anda, com este paulatino deslizar para a tragédia, com esta histórica tendência de empurrar para os outros culpas próprias, com este populismo desenfreado, com o planeamento feito no adro das igrejas, com as clientelas políticas, com os favorecimentos a alguns em detrimento de todos os outros do sistema empresarial. É tempo do povo retirar o tapete e deixá-los cair.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O PATÉTICO ARTIGO DE AJJ


Poderia aqui divagar sobre as "tropas de assalto" da Autonomia, aquelas tropas partidárias que, paulatinamente, controlaram toda a sociedade, reduzindo-a à condição de súbditos sem voz, e poderia divagar sobre a conquista do poder pelos grupos pós-Autonomia, aqueles que dominam a economia e que foram protegidos e bafejados pela sua subserviência e hossanas ao "chefe". Mas essa é uma história que, de uma maneira ou de outra, já foi contada milhares de vezes, os mais bem informados dominam-a e, portanto, pouco interesse tem a ela regressar. O que me parece grave é o estado doentio das posições assumidas pelo "chefe" e toda a bajulação e condescendência dos restantes elementos do seu governo, incapazes de corrigirem a excessiva curvatura das suas colunas.


Madeira: a construção de um castelo na areia!
É patético o artigo de opinião do dr. Alberto João Jardim, publicado na edição de hoje do JM. O seu ódio de estimação ao DN e à família Blandy denuncia, uma vez mais, quão este homem convive mal com a comunicação social que não se ajoelha aos seus pés e quão o enfurece todas as análises de jornalistas, articulistas e observadores com posições distintas daquelas que a sua governação considera como certas. Ao invés de aproveitar as sugestões e os dados que as diversas histórias sugerem, não, o homem descarrega, contra-ataca, despeja sentimentos abstrusos, cola-as a movimentos sanguinários e escreve isto com um desplante e uma fúria absolutamente inauditas. Sempre foi assim, dirão alguns. Pois, só que, hoje, essa veia transporta cada vez mais o veneno da atitude ditatorial. Ter uma opinião livre ou menos condicionada é sinónima de estar contra ele. Este excerto do seu texto parece-me claro: "Wagnerianamente imbuídos da “missão” de destruir o PSD e a mim, qual divagação nibelunga, Blandy e as suas “tropas de assalto SS” todos os dias produzem papel com ânsias de tudo destruir, tudo denegrir, particularmente agora que o País e a Região Autónoma vivem momentos mais difíceis. É exactamente a prática de todas as forças totalitárias que, quando pressentem as dificuldades nas áreas que ilegitimamente detestam, procuram tudo arrasar, para conquistar facilmente. Ou reconquistar. Porque ainda há quem sonhe o regresso do poder dos grupos pré-autonomia".
A propósito, poderia aqui divagar sobre as "tropas de assalto" da Autonomia, aquelas suas tropas partidárias que, paulatinamente, controlaram toda a sociedade, reduzindo-a à condição de súbditos sem voz, e poderia divagar sobre a conquista do poder pelos grupos pós-Autonomia, aqueles que dominam a economia regional e que foram protegidos e bafejados pela sua subserviência e hossanas ao "chefe". Mas essa é uma história que, de uma maneira ou de outra, já foi contada milhares de vezes, os mais bem informados dominam-a e, portanto, pouco interesse tem a ela regressar. O que me parece grave é o estado doentio das posições assumidas pelo "chefe" e toda a bajulação e condescendência dos restantes elementos do seu governo, incapazes de corrigirem a excessiva curvatura das suas colunas. Desses e de todos os que têm inteligência suficiente para perceberem que este navio tem rombos preocupantes e que, minuto a minuto, se afunda com o seu comandante em aparente euforia, embora as sirenes há muito sejam audíveis. Isso é que me parece grave, porque tudo o resto é conhecido. É estranho esse silêncio? Nem tanto. Porque, por um lado, ainda subsistem muitos interesses particulares e, por outro, há as ditas almofadas sociais que, por enquanto, vão tapando a desgraça social, a enorme dívida social, sublinho, muito maior que a dívida pública. São, neste caso, as dezenas de instituições de solidariedade social que esbatem a fome, são os subsídios da Segurança Social Nacional, é a agricultura de subsistência, é a emigração forçada e é a economia paralela. Junta-se a tudo isto o sentimento que há que carregar a cruz, a coluna de um povo vergado ao jeito do baile pesado, enfim, há uma doçura social, melhor, um apagão na consciência coletiva que possibilita que aquele homem continue a ditar disparates. E como se isto não bastasse, talvez para amenizar as relações, ainda há dias, no TJ da RTP-Madeira, destacaram e sublinharam várias passagens de um artigo do decadente "chefe". Significativo do colete de forças que enfiaram nos madeirenses e portosantenses.
Ilustração: Google Imagens.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A PROPÓSITO DOS MOVIMENTOS DE CIDADÃOS


Defendo a necessidade de movimentos de cidadãos que, pela sua postura e reconhecimento social, possam manter o poder em constante preocupação. Porém, o facto de assim pensar, não significa que não tenha bastas reservas sobre os movimentos descontextualizados da realidade política. É o caso daqueles que têm sido criados na Região Autónoma da Madeira. E as minhas reservas baseiam-se, fundamentalmente, no quadro político asfixiante da Região, na rede tentacular existente que esmaga e tritura que a diversidade do pensamento político flua com normalidade democrática. E quando uma situação destas acontece, pelo peso dos anos, das rotinas e dos constrangimentos que impedem o exercício da liberdade, sustento, também, que os livres pensadores devem reforçar o poder da oposição e não o de a fragmentar.


Os movimentos que nascem dos próprios cidadãos revelam-se, em abstrato, do meu ponto de vista, de uma enorme importância, porque, eventualmente, podem ser mobilizadores da opinião pública, suscetíveis de revelarem novos ângulos de análise, podem, até, ter implicações no comportamento eleitoral. Eu sou dos que acreditam em uma democracia que nasce, verticalmente, de baixo para cima e não daquela que é exercida do vértice estratégico para baixo. Evidentemente, bom seria, no caso político, dispor de um sistema não aferrolhado na torre de marfim, mas de um sistema onde quem dirige tenha a vivência e a consciência do país real, da região real, das pessoas, dos seus estados e desequilíbrios. Sabe-se, porém, pelo dia a dia, que os que lideram, após as promessas eleitorais, rapidamente esquecem as boas intenções e fecham-se na sua concha de interesses pessoais, de grupo ou partidários, hoje, com cordões umbilicais à escala internacional. Os diretórios políticos querem lá saber se o povo está a passar mal. Outras lógicas de poder e de interesses sobrepõem-se aumentando a distância entre o exercício desse poder e a realidade dos governados. Defendo, assim, a necessidade de movimentos de cidadãos que, pela sua postura e reconhecimento social, possam manter o poder em constante preocupação. Este, para mim, constitui um bom princípio de vivência democrática e que, ao fim e ao cabo, corresponde a um dos doze princípios do desenvolvimento: o da participação. Ou as pessoas participam ou os processos tendencialmente morrem!
Porém, o facto de assim pensar, não significa que não tenha bastas reservas sobre os movimentos descontextualizados da realidade política. É o caso daqueles que têm sido criados na Região Autónoma da Madeira. E as minhas reservas baseiam-se, fundamentalmente, no quadro político asfixiante da Região, na rede tentacular existente que esmaga e tritura que a diversidade do pensamento político flua com normalidade democrática. E quando uma situação destas acontece, pelo peso dos anos, das rotinas e dos constrangimentos que impedem o exercício da liberdade, sustento, também, que os livres pensadores devem reforçar o poder da oposição e não o de a fragmentar. É evidente que há mais vida democrática para além dos partidos, mas há contextos que nos devem obrigar a cerrar fileiras em torno de um objetivo comum. Por mais meritória que seja, no quadro dos princípios, as iniciativas de cidadania activa, penso que no contexto regional, com um partido a dominar há 36 anos e face à subserviência do poder da Igreja Católica e ao quadro de menoridade cultural de largas faixas da população, importante é conjugar esforços no seio dos partidos políticos. São esses que vão a votos e são esses os operadores da desejada mudança. Dividir o pensamento estratégico apenas conduz a que o poder continue a ser entregue de bandeja àqueles que alguns dizem combater, mesmo que esses movimentos não tenham por objeto se substituirem aos partidos políticos.
O Povo, mesmo aquele menos escolarizado (não se pode ignorar a existência, segundo o INE, de 58.000 pessoas sem instrução) reconhece onde está a força, a defesa dos seus interesses e a esperança, quando se lhe oferece uma conjugada alternativa. Quando pressente a desunião segue o caminho mais fácil: ou não vota ou aposta no conhecido em detrimento do desconhecido. E, portanto, no caso da Madeira, com eleições autárquicas já para o próximo ano e com a probabilidade de legislativas regionais antecipadas, repito, pontualmente, no estrito quadro político regional, parece-me da maior importância a luta política concentrada nos partidos políticos e não na divisão do pensamento estratégico. Até porque a democracia, na Região, é, ainda, apenas formal e tem se esgotado nos atos eleitorais. Chegará o tempo de uma total abertura onde os movimentos de política global ou setorial terão o seu lugar e a sua indiscutível importância. Mas esta é uma posição meramente pessoal, que não é pacífica e, portanto, sujeita a outras leituras.
Ilustração: Google Imagens.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

CIDADES E LUGARES 746. BRUGES/BÉLGICA

A frente da basílica de Bruges. À esquerda a entrada para o plano inferior; à direita para o plano superior. Clique sobre a foto para vê-la ampliada.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A ESCOLA VISTA SOB O ÂNGULO DA CULTURA


A Escola já não pode ser aquilo que nos foi legado pela Sociedade Industrial. Uma Escola com uma atividade centrada em objetivos eminentemente pedagógicos, uma atividade centrada sobre si própria. A Escola, no essencial, apesar de utilizar o computador, tem vindo a passar ao lado das mudanças tecnológicas, da televisão, dos jornais, livros e revistas, das redes interpessoais planetárias e, por isso, continua sempre igual e a querer competir com a vida que é sempre diferente. Ora, entendo que a Escola tem de mudar o seu paradigma e passar a ser vista pelo ângulo da CULTURA e não apenas pelo ângulo da transmissão de conhecimentos em sala de aula.

Foto de uma aula
no Museu de Belas Artes de Bruxelas.
Quanto valerá uma aula destas
para o futuro destes jovens?

A 29 de Março de 2011, teci algumas considerações a propósito de uma notável entrevista que li na revista A Página da Educação. A essa entrevista ao Professor Catedrático Miguel Guerra retorno e deixo, a propósito do que pretendo escrever, estas passagens: "(...) disse um pedagogo italiano que para ensinar Latim ao João, mais do que saber Latim, é preciso conhecer o João" (...) os alunos aprendem daqueles professores que amam e, por sua vez, quando o professor ama a sua missão e ama as pessoas, torna possível o processo educativo e o processo aprendizagem, porque o verbo aprender, tal como o verbo amar, não se podem conjugar no imperativo. Despertar o desejo de aprender, despertar o desejo de ser uma pessoa melhor, só se consegue com amor". E logo mais adiante: "(...) a educação tem a meu ver, duas componentes: a componente crítica, ser capaz de analisar e de entender o que se passa. Mas para que haja educação, tem de haver uma dimensão ética, que consiste em saber conviver, na solidariedade, em ter compaixão para com os desfavorecidos. A Educação é o principal elemento que nos afasta da selva, onde o mais forte come e destrói o mais débil (...) acho que as aprendizagens seriam melhores se os alunos participassem mais, se não fossem meros aprendizes, profissionais da obediência - vocês têm de fazer o que os outros pensaram, o que decidiram para vocês fazerem, ou seja, ver a Escola mais como um projecto partilhado. Muitos dos problemas de hoje das escolas não se resolvem com mais vigilância, com mais ameaças e com mais castigos. Acredito que se resolvem com mais participação".
Ora bem, grosso modo, é esta a concepção Escola que não temos. A Escola está cada vez mais determinista, errada na sua organização, pois continua a seguir os padrões da Sociedade Industrial que Alvin Tofller configurou na existência de um código oculto de seis princípios: os da mazimização, centralização, concentração, padronização, sincronização e especialização.
Se olharmos em abstrato para a Escola, na sua organização e nos objectivos que persegue, facilmente encontramos uma matriz orientadora completamente desadequada dos novos tempos. Salvo um ou outro estabelecimento que constitui a exceção, a Escola tornou-se em um espaço impessoal, por ausência de alma, pela arquitetura desadequada, pelas atividades ritualizadas, pela burocracia, pela legislação em catadupa, pelas limitações orçamentais, pela ausência de autonomia pedagógica, pela incultura e má educação e pela desresponsabilização dos pais. Nesta Escola, ensina-nos Rubem Alves, "cumpre-se o ritual e o formal. Para a burocracia o que interessa é o que vem no relatório. Não as crianças". Nesta Escola as crianças tendencialmente ficam para depois. De onde provêm? Que constrangimentos familiares, económicos, familiares, espaciais e religiosos transportam? Nada disso importa.
Ora, a Escola já não pode ser aquilo que nos foi legado pela Sociedade Industrial. Uma Escola com uma atividade centrada em objetivos eminentemente pedagógicos, uma atividade centrada sobre si própria. A Escola, no essencial, apesar de utilizar o computador, tem vindo a passar ao lado das mudanças tecnológicas, da televisão, dos jornais, livros e revistas, das redes interpessoais planetárias e, por isso, continua sempre igual  e a querer competir com a vida que é sempre diferente. Ora, entendo que a Escola tem de mudar o seu paradigma e passar a ser vista pelo ângulo da cultura e não apenas pelo ângulo da transmissão de conhecimentos em sala de aula. A Escola não está só no "mercado" das ofertas e se ontem a sociedade foi controlada pelo tempo de trabalho, apesar dos constrangimentos, hoje, a sociedade tendencialmente está a ser controlada pelo tempo livre. Há um conjunto de megatendências no quadro de uma nova perspetiva do desenvolvimento e, por isso mesmo, a Escola terá de mudar de paradigma face à complexidade da organização do tempo da nova sociedade.

Ainda há poucos dias fotografei,
numa praça em Tournai,
duas turmas ouvindo os professores 
e retirando apontamentos. 

Tudo isto para sublinhar que a Escola que fica pelo pátio e pelas salas de aula não é uma Escola que prepare para o futuro. Nas minhas visitas por essa Europa, cada vez mais me cruzo nas praças e nos museus com turmas acompanhados dos seus professores. É esse tipo de Educação que nos faz falta, uma Educação contextualizada, vivida, que desperta, que enriquece e que constitui a base para a aprendizagem de outros conhecimentos. Ao lado da aula que, obviamente, terá de ser em sala, devem desenvolver-se muitas outras mais enriquecedoras e portadores de futuro do que aquelas que configuram, hoje, os currículos. Só que  as escolas e os professores terão de dispor de meios e a organização escolar terá de ser completamente diferente. As rotinas horárias terão de dar lugar à flexibilidade e as aulas externas não podem ficar dependentes de um sem número de autorizações. Estamos, por isso, muito distantes dessa Escola que prepara para o futuro. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

COM QUE ENTÃO... HÁ POBREZA!


Negaram os sinais de pobreza, passaram ao lado dos dramas sociais e, agora, aparecem aí como salvadoras(es) da "pátria", como pessoas envolvidas e interessadas em resolver o problema. Esquecem-se, por exemplo, que o anterior Presidente do Conselho Diretivo do Centro de Segurança Social da Madeira, Dr. Roque Martins, foi demitido por ter dito a verdade fatual da pobreza. Mas que raio de gente esta, politicamente oportunista, que se colam às situações conforme os momentos! Basta de tanta hipocrisia. Este quadro de permanente folclore ofende os mais pobres e deixa um rasto de descredibilização do exercício da política. Há gente que se tivesse um pouco de vergonha na cara não se prestavam a servicinhos daquela natureza.


Assiste-se a um corrupio de deputados(as) do PSD claramente a quererem demonstrar serviço. Serviço em defesa dos pobres. Há dias, foi aquele súbito interesse da Deputada Rafaela Fernandes pelo Banco Alimentar Contra a Fome. Deputada de quem assisti, ao longo de quatro anos e meio, no Parlamento da Madeira, ao maior e mais despudorado desinteresse pelos pobres; agora, a Deputada Nivalda Gonçalves, outra da mesma linha de pensamento que foi à Cáritas Diocesana evidenciar o meritório trabalho que a instituição realiza. Uma visita tipo água do luso!
Deputadas(os) que ouviram tão bem quanto eu, na Assembleia, o actual Secretário dos Assuntos Sociais, há uns anos, poucos, dizer que a pobreza na Madeira rondava os 4%, quando os vários estudos apontavam para 30%. Isto é, no discurso oficial, a pobreza não existia e mesmo algumas reconhecidas margens, os tais 4%, estavam salvaguardadas pela assistência social. Na opinião do Secretário a Madeira tinha menos pobres que, por exemplo, a Suécia (9%). Espantoso.
Negaram os sinais de pobreza, passaram ao lado dos dramas sociais e, agora, aparecem aí como salvadoras(es) da "pátria", como pessoas envolvidas e interessadas em resolver o problema. Esquecem-se, por exemplo, que o anterior Presidente do Conselho Diretivo do Centro de Segurança Social da Madeira, Dr. Roque Martins, foi demitido por ter dito a verdade fatual da pobreza. Mas que raio de gente esta, politicamente oportunista, que se colam às situações conforme os momentos! Basta de tanta hipocrisia. Este quadro de permanente folclore ofende os mais pobres e deixa um rasto de descredibilização do exercício da política. Há gente que se tivesse um pouco de vergonha na cara não se prestavam a servicinhos daquela natureza.
Há quantos anos andam toda a oposição política e as próprias instituições de solidariedade social a manifestar o crescimento da pobreza. Há quantos anos se sabe que o simples facto de ter emprego não significa que não seja pobre. Há quantos anos era expectável o crescimento do desemprego, hoje com mais de 20.000 e sempre a crescer, e que essa situação significava o aumento exponencial das bolsas de pobreza. Há quantos anos! Deputadas que negaram e chumbaram todas as propostas e tantas vezes tentaram espezinhar o discurso da oposição política e, agora, aparecem aí com um discurso, não sei se de preocupação, mas, no mínimo, de colagem ao drama social, como se alguma vez tivessem evidenciado alguma preocupação pela pobreza. Nunca. Os pobres estavam controlados, era mentira que os idosos deixavam os medicamentos nas farmácias, enfim, todos viviam com dignidade e com a atenção dos poderes públicos. Sinceramente, a idade está a conceder-me cada vez maior tolerância, mas há situações, como é normal dizer-se, que embrulham o estômago.
Ilustração: Google Imagens.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CIDADES E LUGARES 745. BRUGES/BÉLGICA

Localizada na Praça Burg, a Basílica do Santo Sangue consiste numa capela românica no primeiro piso e  de uma capela gótica na parte superior. Os dois níveis não poderiam ser mais diferentes: o nível mais baixo, românica, é austero com uma decoração subtil, enquanto o nível superior, gótico, a Basílica é viva, com cores e detalhes (foto). As duas capelas estão ligadas por uma escadaria monumental de tijolos. As escadas e fachadas foram construídas em 1533 em estilo renascentista, mas demolido durante a ocupação francesa. Foram reconstruídos no século XIX.
Clique sobre a foto para vê-la em pormenor.

FACE AO DESASTRE SOCIAL, O PSD DISCUTE AS GALINHAS POEDEIRAS!


Discutam o problema em sede de comissão especializada, acordem com todos os partidos uma forma de garantir o adiamento das normas europeias, destas e de outras, mas não tragam para o centro do debate assuntos face aos quais o povo não está interessado. A questão central tem a ver com as condições de vida das pessoas, com o drama da pobreza, com a falta de empregos e com esse terrível pacote de medidas de ajustamento financeiro. O debate tem de centrar-se aí e não nas galinhas poedeiras. É que as galinhas podem esperar até 2015, mas o povo não.

As galinhas vão ter de esperar até 2015 pela aplicação das regras no concernente às suas condições de vida nos galinheiros. Oh meus senhores(as) deputados(as) do PSD na Assembleia da Madeira, e se fossem até ao Pico Ruivo ver a neve? No mínimo, refrescariam a cabecinha. É que apesar de se tratar de uma adaptação da legislação europeia, mandaria o bom senso político, o respeito por uma população que está a passar mal, que fossem discretos na apresentação de certos diplomas. O problema, hoje, não se situa ao nível das condições para as galinhas, mas nas condições em que se encontra este grande "galinheiro" humano regional de 780 km2. Discutam o problema em sede de comissão especializada, acordem com todos os partidos uma forma de garantir o adiamento das normas europeias, destas e de outras, mas não tragam para o centro do debate assuntos face aos quais o povo não está interessado. A questão central tem a ver com as condições de vida das pessoas, com o drama da pobreza, com a falta de empregos e com esse terrível pacote de medidas de ajustamento financeiro em curso. O debate tem de centrar-se aí e não nas galinhas poedeiras. É que as galinhas podem esperar até 2015, mas o povo não. O povo reclama soluções que tardam e, portanto, necessário se torna centrar o debate nas questões essenciais. E se fizerem isso têm assunto até ao final da sessão legislativa.
Mas esta Assembleia é assim, ou melhor, sempre foi assim, prefere discutir o assunto "timex", que não adianta nem atrasa, prefere o fait-divers, prefere a discussão de "caca", já que falamos de galinheiro, mas não os assuntos sérios e que preocupam. É por isso que os secretários não se apresentam nas comissões ou no plenário, é por isso que o presidente do governo prefere andar por aí, de "galinheiro" em "galinheiro" a divulgar o plano de ajustamento financeiro, mas foge ao debate na sede do primeiro órgão de governo próprio. Dir-se-á que o galo foge da capoeira, ou aquilo, na voz popular, mete-lhe um grande "galo". E estamos todos entregues a isto, à discussão das condições da galinha poedeira, mas, na mesma sessão, não conseguem dar um passo no sentido da revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região. E o curioso é que sugerem o consenso, quando aí está uma matéria onde será necessário sentar todos à mesa em uma discussão serena, franca e aberta. Repito, sugerem o consenso, mas logo a seguir, disparam contra o consenso em matérias de relevante importância.
Tenho a sensação que tarde ou cedo haverá revolta no "galinheiro" regional. Não há quem aguente a teimosia, o quero, posso e mando, o contínuo disparate, as intervenções desprestigiantes, porque marginais relativamente ao importante, esta atitude de fidalgos arrogantes mas cheios de "caca" até ao pescoço (escrevo de acordo com a política de galinheiro sem regras), quando todos precisamos de humildade política, de debate sério e de um grande sentido de responsabilidade. Ao contrário de um debate sobre as galinhas poedeiras parece-me óbvio que importante seria discutir o "Estado da Região" e o "Plano de Ajustamento Financeiro", entre muitos outros temas de oportunidade política. Prefere-se a galinha e o ovo, talvez
, para tentar compreender qual deles surgiu primeiro.
Ilustração: Google Imagens.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

CONSENSOS... INTERESSANTE PROPOSTA!


Interessante esta proposta do PSD, isto é, estamos entalados, de corda ao pescoço, na fronteira com o caos, portanto, naquilo que é essencial vamos aqui fazer uma "vaquinha", vamos todos para dentro do saco de gatos, dividimos as responsabilidades de trinta e seis anos e, assim, permaneceremos mais uns anitos no poder! Interessante, esta proposta, mas convenhamos que é preciso ter uma grande lata para a fazer. Por mim, só há uma palavra para este PSD: rua! Pelo que fizeram e por aquilo que não fizeram. E neste aspecto, o Senhor Representante da República, com as suas declarações de hoje, não está a ver bem o problema da Madeira. É lapalisseano sublinhar que "vamos viver momentos difíceis" e que "temos que ter esperança". Mas qual esperança Senhor Representante? Terá o Senhor Representante conhecimento de algum plano de crescimento económico que os madeirenses desconheçam?


Repita lá, outra vez Senhor Deputado Coito Pita! Consenso para evitar um desastre? Mas como é que pode haver qualquer consenso com o PSD? Um partido que, desde há trinta e seis anos, ostracizou e espezinhou a oposição política, chumbando todas as propostas que pela Assembleia passaram, que utilizou todos os mecanismos legais e os ilegais para se manter no poder? Como é que pode existir sequer a hipótese de diálogo? Nem a actual nem a próxima geração de políticos do PSD, aquela que anda pela juventude, deve merecer qualquer confiança. Trinta e seis anos merecem, no mínimo, quatro a cinco legislaturas de cura de oposição. Fazer consensos, sim, mas com quem tem as mãos limpas e o discurso coerente e portador de futuro, nunca com quem trouxe a Região ao desastre económico, financeiro, social e cultural. É assim em qualquer parte.
Interessante esta proposta do PSD, isto é, estamos entalados, de corda ao pescoço, na fronteira com o caos, portanto, naquilo que é essencial vamos aqui fazer uma "vaquinha", vamos todos para dentro do saco de gatos, dividimos as responsabilidades de trinta e seis anos e, assim, permaneceremos mais uns anitos no poder! Interessante, esta proposta, mas convenhamos que é preciso ter uma grande lata para a fazer. Por mim, só há uma palavra para este PSD: rua! Pelo que fizeram e por aquilo que não fizeram. E neste aspecto, o Senhor Representante da República, com as suas declarações de hoje, não está a ver bem o problema da Madeira. É lapalisseano sublinhar que "vamos viver momentos difíceis" e que "temos que ter esperança". Mas qual esperança Senhor Representante? Terá o Senhor Representante conhecimento de algum plano de crescimento económico que os madeirenses desconheçam? Como pode haver esperança com políticos que não apresentam soluções? Mas, pior ainda, oh Senhor Representante, disse que "temos que saber viver com essas dificuldades, temos que encontrar meios de superar as dificuldades e temos que sobretudo olhar para aqueles que são os mais fracos e tentar que nunca se deixe que essas pessoas desçam abaixo daquilo que tem a ver com a dignidade da pessoa humana", e eu questiono-lhe, enquanto cidadão, com que meios, perante uma economia de rastos e com um plano de ajustamento financeiro sufocante e que corta qualquer margem no sentido de gerar confiança e esperança? E conhecerá a fome, a falta de dignidade humana que já existe por esses becos fora? 
O que precisamos, Senhor Representante, é de um governo de salvação regional e não de palavras de circunstância, absolutamente gastas, sobretudo quando já nada há mais para dizer. Curiosamente, as palavras do Deputado Coito Pita conjugam-se com as do Senhor Representante: um pede consensos, outro, sublinha que "temos que encontrar meios de superar as dificuldades e temos que sobretudo olhar para aqueles que são os mais fracos e tentar que nunca se deixe que essas pessoas desçam abaixo daquilo que tem a ver com a dignidade da pessoa humana". Isto é, a palavra "temos", articula-se com o discurso do consenso. Não, Senhor Representante, o futuro não se constrói com aqueles que produziram a pobreza, o desemprego e o caos social. O futuro constrói-se com inovação, com gente desprendida do poder, com cidadãos sem as mãos manchadas daquilo que, alegadamente, o preocupa, Senhor Representante. O futuro constrói-se com o perdão da República a uma parte da dívida da Madeira e com o pedido de desculpas aos madeirenses por parte do UI (único importante). O futuro constrói-se, não com o conhecido PSD, nem com velhas raposas, com aqueles que são, hoje, capazes de dizer que nada tiveram a ver com aquela gente! O futuro constrói-se com decência, em liberdade, em democracia, com seriedade, rigor, sentido das prioridades, respeito e muita disciplina a todos os níveis.
Ilustração: Google Imagens.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

CIDADES E LUGARES 744. BRUXELAS/BÉLGICA

Museu Nacional de Belas Artes de Bruxelas. Escultura apropriada ao significado do dia 14 de Fevereiro.

DEFRAUDADOS E REVOLTADOS?


Ele deu o dinheiro que tinha e que não tinha, influenciou no sentido de colocar nos corpos diretivos do associativismo quem quis e entendeu, comprou, à custa do financiamento público, o silêncio dos dirigentes, aproveitou-se, politicamente, de alguns resultados conseguidos para agitar a bandeira do falso sucesso, organizou jantares para medalhar e agradecer, enfim, em toda a sua estratégia só falhou em um aspecto: quis o clube único, a fusão dos clubes com história e aí, o povo, vaiou-o! Saiu escoltado do Estádio dos Barreiros e esse facto não foi perdoado. Os agentes, diretos e indiretos, dessa vaia foram ostracizados.


Tenho pelo dirigente desportivo Rui Marote a melhor consideração e estima pessoal. Desde os tempos em que fui vereador da Câmara Municipal do Funchal. Sempre soubemos colocar o relacionamento pessoal e a cordialidade muito acima das divergências políticas. Daí a minha frontalidade política. Então o meu Caro Rui Marote, enquanto porta voz dos clubes e associações, sente-se defraudado e revoltado com a posição do governo regional em matéria de desporto? Então esta situação não era expectável? Obviamente que sim! Há muitos anos, desde o início dos anos 80, que há textos e posições políticas contra o caminho escolhido pelo governo. No ex-bloco soviético é que a política desportiva assentava em um associativismo todo ele financiado e controlado pelo Estado. Aqui, a opção escolhida foi, exatamente, a mesma, todavia, sob a capa de uma aparente democracia. O mentor desta história sabia, deste os tempos de Salazar, que era politicamente importante seguir o crescimento com as rédeas na mão. Podia assim controlar a Região com o Jornal da Madeira, o futebol e a Igreja. Ele deu o dinheiro que tinha e que não tinha, influenciou no sentido de colocar nos corpos diretivos do associativismo quem quis e entendeu, comprou, à custa do financiamento público, o silêncio dos dirigentes, aproveitou-se, politicamente, de alguns resultados conseguidos para agitar a bandeira do falso sucesso, organizou jantares para medalhar e agradecer, enfim, em toda a sua estratégia só falhou em um aspecto: quis o clube único, a fusão dos clubes com história e aí, o povo, vaiou-o! Saiu escoltado do Estádio dos Barreiros e esse facto não foi perdoado. Os agentes, diretos e indiretos, dessa vaia foram ostracizados. Tratou-se de um pequeno erro de leitura histórica e sociológica, logo recomposto, e daí para cá, grosso modo, a orientação política manteve-se. Quem não se recorda dos discursos por ocasião dos jantares de aniversário dos principais clubes? A eloquência servida como doce, as promessas de mais um pavilhão, mais um estádio, mais uma outra coisa qualquer. Os aplausos, as pancadas nas costas, a força da palavra contra o Terreiro do Paço! Tudo muito bem pensado e articulado. 
Enquanto isto se passava, multiplicavam-se as dívidas. Mas ele sempre disse... que a história não fala de dívidas, mas de obras, pelo que a "obra do desporto" estava a ser feita, para manter a Madeira no mapa e para retirar os "jovens da droga". Ora, nem a Madeira foi colocada no mapa do sucesso desportivo, porque esse desporto nunca teve sustentabilidade, nem a droga diminuiu, antes aumentou!
Meu Caro Rui Marote, tenho a certeza que lá no fundo é capaz de me dizer que tenho alguma razão e que tudo quanto disse à mesa da vereação da Câmara, durante longos doze anos, tinha razão de ser. Hoje, os resultados estão aí, com os sinais de falência por todo o lado. O caminho, prova-se, estava errado. Como há dias escrevi, o tempo é de desligar a máquina e de criar uma nova política desportiva ao serviço do desenvolvimento. Lamento, isso sim, a situação de muitos dirigentes que acreditaram e que hoje têm complexas responsabilidades, inclusive, junto da banca.
Ilustração: Google Imagens.

CIDADES E LUGARES 743. BRUGES/BÉLGICA

Vaga de frio pela Europa. Em Bruges, cidade património da UNESCO, a neve é uma constante.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

TEMPOS DRAMÁTICOS


A questão, por exemplo, da indemnização pela expropriação da herdade "Cova Funda" onde foi construído o complexo do União, leva-me a duas leituras: primeira, até que ponto esta deliberação é a ponta do icebergue de outras expropriações mal conduzidas e mal negociadas e que, eventualmente, se encontram em processo judicial? Não deve ser apenas este caso. Muitos outros, penso eu, arrastam-se pelos Tribunais e, se assim é, qual o valor indemnizatório global que estará em jogo?; segunda, esta expropriação denuncia, claramente, a ausência de planeamento no desporto e de definição de prioridades sociais. Esta expropriação, a par de outras, explicam o regabofe nos dinheiros públicos e a loucura inauguracionista no sentido de garantir a satisfação das clientelas.


As últimas semanas têm sido dramáticas em notícias. Sem qualquer ordem, mas apenas pelo que retenho em memória, começando pelo que hoje li: um milhão e oitocentos mil euros para pagar nos próximos trinta dias, pela expropriação (abusiva) de uma herdade onde foram construídas as instalações do C. F. União; 800 inquilinos devem 7,4 milhões de euros aos "Investimentos Habitacionais da Madeira", o que explica a pobreza que por aí anda; no hospital os tratamentos de quimioterapia estiveram (estão?) atrasados por falta de liquidez para a aquisição dos mesmos; uma penhora, entre muitas outras, de veículos na Câmara Municipal de Machico; empresas em falência (1.260 nos últimos tempos); crescimento do desemprego; mais de 70 milhões de dívidas às farmácias; mais de 50 milhões de dívidas do Instituto do Desporto; clubes e associações a caminho da falência; escolas com dívidas acumuladas e como se isto não bastasse, temos aí um programa de muitos milhões de ajustamento financeiro muito grave para os madeirenses. Enfim, esta é uma amostra, uma simples amostra, de uma situação absolutamente dramática e face a qual não se vê tendência para que seja atenuada. Infelizmente, o quadro tenderá para pior, sobretudo porque a Região, porque não se preparou, não estar municiada com alternativas, no quadro da economia, para que possa gerar crescimento, emprego e alguma riqueza. Metaforicamente, a Madeira não está, como alguém me dizia, com um "pneu furado", que possa facilmente substituir pelo sobressalente, tem os quatro furados. A Região não soube diversificar, gerar alternativas às quebras e insuficiências deste ou daquele setor, por exemplo ao do turismo, e, portanto, assente em uma monocultura, ainda por cima desinserida de qualquer plano estratégico, parece-me óbvio que se torna difícil colocar em marcha a viatura do crescimento e do desenvolvimento. Se não fosse uma tristeza proporcionava uma sonora gargalhada aquela do secretário dos recursos naturais e ambiente, Dr. Manuel António, querer, agora, mais apoio para a construção de embarcações de pesca. Isto, depois de tão maltratado que foi o setor das pescas, inclusive, com o aconselhamento para o abate de embarcações. Trata-se da mesma teoria que foi seguida, por exemplo, com a cana de açúcar: em um primeiro momento, foi dito não à sua plantação, mais tarde, criaram incentivos ao seu plantio. Se isto é governar, por favor, eu vou ali e já volto!  
A situação que os madeirenses e portosantenses estão a atravessar, repito, é dramática. E não vejo que este governo tenha qualquer solução que atenue os crescentes dramas. A questão, por exemplo, da indemnização pela expropriação da herdade "Cova Funda" onde foi construído o complexo do União, leva-me a duas leituras: primeira, até que ponto esta deliberação é a ponta do icebergue de outras expropriações mal conduzidas e mal negociadas e que, eventualmente, se encontrem em processo judicial? Não deve ser apenas este caso. Muitos outros, penso eu, arrastam-se pelos Tribunais e, se assim é, qual o valor indemnizatório global que estará em jogo?; segunda, esta expropriação denuncia, claramente, a ausência de planeamento no desporto e de definição de prioridades sociais. Esta expropriação, a par de outras, explicam o regabofe nos dinheiros públicos e a loucura inauguracionista no sentido de garantir a satisfação das clientelas.
E assim se chegou ao descalabro financeiro. Será, pergunto, que este governo tem alguma possibilidade de se manter ao leme? Não será altura do Presidente da República olhar para os indicadores e começar a mexer-se antes que o drama seja insustentável? E os madeirenses o que têm a dizer a tudo este quadro negro? Manter-se-ão obedientes às conversas de adro de igreja, ou está no momento de dizerem basta? E face a todo este quadro, que informações têm sido dadas ao Presidente da República pelo Senhor Representante da República? Os próximos tempos serão clarificadores, mas há gente com responsabilidades políticas que anda muito calada. E serão considerados cúmplices se mantiverem este ensurdecedor silêncio.
Ilustração: Google Imagens.