quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

FAÇA O FAVOR DE NÃO INSULTAR OS EMPRESÁRIOS


Afinal, pergunta-se, para que serve este governo? Para que serve toda esta máquina política montada na Região, quando meia dúzia de funcionários podem juntar a faturação, dividi-la de acordo com as normas, das mais antigas para as mais recentes e remetê-las para pagamento? Que interesse pode nutrir a população pela existência de um governo que hipotecou a Autonomia e que tem todos os serviços bloqueados? Para que serve? Qual, neste momento, o seu objeto? O problema é que, com total hipocrisia, com uma venda nos olhos, o Senhor Presidente da República continua calado e o Senhor Representante da República denuncia, claramente, uma conivência política com este estado de situação.


O Povo precisa de libertar-se
do labirinto no qual o envolveram
Repetitivo se torna dizer que a AUTONOMIA, para já, foi-se! O governo regional, naquilo que é essencial, dir-se-á, em linguagem vulgar, que não risca nada. Digamos que existe, mas não existe. Existe, formalmente, mas, na prática, o presidente do governo assume funções de um antigo presidente da Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal. Os secretários são, neste enquadramento, diretores de serviço ou coisa semelhante. Quando o governo pretende dar um passo que envolva encargos, de "chapéu" na mão, tem de curvar-se perante a República. A loucura política de homem e de um partido a tal conduziu. Mas o mais grave, porque evidencia total ausência de decoro e respeito é produzir declarações ofensivas, descredibilizadoras, insultuosas e de uma soberba absolutamente condenável. Dizer: "os senhores credores que se entendam com Lisboa e não venham bater à minha porta" (...) "Vão ter de ir bater às portas de Lisboa" (...) "Faz-me tão bem ao coração não ter que aturá-los à porta", é de uma tal insensatez e mau gosto que um cidadão só pode sentir vergonha e repulsa pelas declarações produzidas.  Um governo que precisou dos empresários, dos grandes aos pequenos, e que agora, "servido", feitas as inaugurações, sacode as responsabilidades e manda-os dar uma voltinha! Alguém de bom senso, alguém com respeito por si próprio e pelos demais poderá aceitar este desaforo? Empresários que confiaram, que venderam produtos, serviços e obras, que mantiveram o silêncio, hoje, entalados entre as dívidas e as faturas não liquidadas, poderão, serenamente, aceitar declarações daquele jaez? Pessoas com responsabilidades, muitos obrigados a despedir colaboradores, porque lhes falta o suporte financeiro, ao escutarem aquelas palavras, o que dirão, para não dizer, o que lhes apetecerá fazer?
Este presidente e este governo ultrapassou todas as marcas. É uma vergonha e é uma nódoa. Ao invés de pedir compreensão, de lhes falar com serenidade e respeito, pelo contrário, arvora-se em ditador de aldeia e manda-os dar uma voltinha até ao Terreiro do Paço. Inacreditável. Afinal, pergunta-se, para que serve este governo? Para que serve toda esta máquina política montada na Região, quando meia dúzia de funcionários podem juntar a faturação, dividi-la de acordo com as normas, das mais antigas para as mais recentes e remetê-las para pagamento? Que interesse pode nutrir a população pela existência de um governo que hipotecou a Autonomia e que tem todos os serviços bloqueados? Para que serve? Qual, neste momento, o seu objeto?
O problema é que, com total hipocrisia, com uma venda nos olhos, o Senhor Presidente da República continua calado e o Senhor Representante da República denuncia, claramente, uma conivência política com este estado de situação. Este quadro dramático, onde, previsivelmente, chegaremos a Agosto com mais de 25.000 desempregados (neste momento já ultrapassou os 21.000), um momento que é de sinal vermelho, de alerta total para o desastre social que se aproxima, daquelas figuras não se vislumbra uma preocupação pela campainha de alarme que continua a tocar em altos decibéis. Só eles não ouvem, quando toda a oposição política clama por uma intervenção e quando os sindicatos e todos os parceiros sociais se manifestam preocupados. Por lá, o Senhor Presidente da República foge aos contatos eventualmente menos agradáveis e na Madeira "escuta-se" o seu silêncio; por aqui, do Representante de Sua Excelência, para além de uma ou outra notícia de uma visita de circunstância, o tempo passa e questiona-se: será que essa figura institucional existe? E se existe, para que serve? Apenas para olhar pela escassa legislação produzida? É pouco, muito pouco.
A Madeira está a passar, por culpa própria de quem a governou, ininterruptamente, a caminho de 40 anos, uma fase muito delicada, não apenas no mero plano da análise política, mas da sua economia, das suas finanças, do estado social e cultural. A Madeira está em um pântano em todos os setores. Há uma catástrofe social em crescendo e necessário se torna que alguém deite mãos a isto. Enquanto é tempo.
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Sejamos bem claros: o que o Dr. AJJ quer, e sempre quis, é manter-se no poleiro a qualquer preço. Ele agora só está a explicar que, para tal, nem tem de trabalhar. E o que correr mal vai para as costas do governo da República.
Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
"para quem não tem vergonha, todo o mundo é seu". Nem mais. Mas é chocante!

António Trancoso disse...

Caro André Escórcio
"(...)por culpa própria de quem a governou,(...)",e,também, permita-se-me o acrescento,de quem, oportunista,ou,inculta,ou, alienadamente, conferiu, sistemática e permanentemente, o seu voto a esta "gente"!
A fuga ao "trabalho" de PENSAR, mais tarde ou mais cedo,acaba em lágrimas de sangue...
As gerações futuras serão implacáveis no julgamento dos seus ancestrais;herdam o resultado da digestão das espetadas e vinho seco com que hipotecaram a Liberdade,a Cidadania e a Autonomia.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Completamente de acordo, mas não vejo o dia de assistir à mudança radical deste regime. Exato... REGIME.
Um abraço.