quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

FACE AO DESASTRE SOCIAL, O PSD DISCUTE AS GALINHAS POEDEIRAS!


Discutam o problema em sede de comissão especializada, acordem com todos os partidos uma forma de garantir o adiamento das normas europeias, destas e de outras, mas não tragam para o centro do debate assuntos face aos quais o povo não está interessado. A questão central tem a ver com as condições de vida das pessoas, com o drama da pobreza, com a falta de empregos e com esse terrível pacote de medidas de ajustamento financeiro. O debate tem de centrar-se aí e não nas galinhas poedeiras. É que as galinhas podem esperar até 2015, mas o povo não.

As galinhas vão ter de esperar até 2015 pela aplicação das regras no concernente às suas condições de vida nos galinheiros. Oh meus senhores(as) deputados(as) do PSD na Assembleia da Madeira, e se fossem até ao Pico Ruivo ver a neve? No mínimo, refrescariam a cabecinha. É que apesar de se tratar de uma adaptação da legislação europeia, mandaria o bom senso político, o respeito por uma população que está a passar mal, que fossem discretos na apresentação de certos diplomas. O problema, hoje, não se situa ao nível das condições para as galinhas, mas nas condições em que se encontra este grande "galinheiro" humano regional de 780 km2. Discutam o problema em sede de comissão especializada, acordem com todos os partidos uma forma de garantir o adiamento das normas europeias, destas e de outras, mas não tragam para o centro do debate assuntos face aos quais o povo não está interessado. A questão central tem a ver com as condições de vida das pessoas, com o drama da pobreza, com a falta de empregos e com esse terrível pacote de medidas de ajustamento financeiro em curso. O debate tem de centrar-se aí e não nas galinhas poedeiras. É que as galinhas podem esperar até 2015, mas o povo não. O povo reclama soluções que tardam e, portanto, necessário se torna centrar o debate nas questões essenciais. E se fizerem isso têm assunto até ao final da sessão legislativa.
Mas esta Assembleia é assim, ou melhor, sempre foi assim, prefere discutir o assunto "timex", que não adianta nem atrasa, prefere o fait-divers, prefere a discussão de "caca", já que falamos de galinheiro, mas não os assuntos sérios e que preocupam. É por isso que os secretários não se apresentam nas comissões ou no plenário, é por isso que o presidente do governo prefere andar por aí, de "galinheiro" em "galinheiro" a divulgar o plano de ajustamento financeiro, mas foge ao debate na sede do primeiro órgão de governo próprio. Dir-se-á que o galo foge da capoeira, ou aquilo, na voz popular, mete-lhe um grande "galo". E estamos todos entregues a isto, à discussão das condições da galinha poedeira, mas, na mesma sessão, não conseguem dar um passo no sentido da revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região. E o curioso é que sugerem o consenso, quando aí está uma matéria onde será necessário sentar todos à mesa em uma discussão serena, franca e aberta. Repito, sugerem o consenso, mas logo a seguir, disparam contra o consenso em matérias de relevante importância.
Tenho a sensação que tarde ou cedo haverá revolta no "galinheiro" regional. Não há quem aguente a teimosia, o quero, posso e mando, o contínuo disparate, as intervenções desprestigiantes, porque marginais relativamente ao importante, esta atitude de fidalgos arrogantes mas cheios de "caca" até ao pescoço (escrevo de acordo com a política de galinheiro sem regras), quando todos precisamos de humildade política, de debate sério e de um grande sentido de responsabilidade. Ao contrário de um debate sobre as galinhas poedeiras parece-me óbvio que importante seria discutir o "Estado da Região" e o "Plano de Ajustamento Financeiro", entre muitos outros temas de oportunidade política. Prefere-se a galinha e o ovo, talvez
, para tentar compreender qual deles surgiu primeiro.
Ilustração: Google Imagens.

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