segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

TEMPOS DRAMÁTICOS


A questão, por exemplo, da indemnização pela expropriação da herdade "Cova Funda" onde foi construído o complexo do União, leva-me a duas leituras: primeira, até que ponto esta deliberação é a ponta do icebergue de outras expropriações mal conduzidas e mal negociadas e que, eventualmente, se encontram em processo judicial? Não deve ser apenas este caso. Muitos outros, penso eu, arrastam-se pelos Tribunais e, se assim é, qual o valor indemnizatório global que estará em jogo?; segunda, esta expropriação denuncia, claramente, a ausência de planeamento no desporto e de definição de prioridades sociais. Esta expropriação, a par de outras, explicam o regabofe nos dinheiros públicos e a loucura inauguracionista no sentido de garantir a satisfação das clientelas.


As últimas semanas têm sido dramáticas em notícias. Sem qualquer ordem, mas apenas pelo que retenho em memória, começando pelo que hoje li: um milhão e oitocentos mil euros para pagar nos próximos trinta dias, pela expropriação (abusiva) de uma herdade onde foram construídas as instalações do C. F. União; 800 inquilinos devem 7,4 milhões de euros aos "Investimentos Habitacionais da Madeira", o que explica a pobreza que por aí anda; no hospital os tratamentos de quimioterapia estiveram (estão?) atrasados por falta de liquidez para a aquisição dos mesmos; uma penhora, entre muitas outras, de veículos na Câmara Municipal de Machico; empresas em falência (1.260 nos últimos tempos); crescimento do desemprego; mais de 70 milhões de dívidas às farmácias; mais de 50 milhões de dívidas do Instituto do Desporto; clubes e associações a caminho da falência; escolas com dívidas acumuladas e como se isto não bastasse, temos aí um programa de muitos milhões de ajustamento financeiro muito grave para os madeirenses. Enfim, esta é uma amostra, uma simples amostra, de uma situação absolutamente dramática e face a qual não se vê tendência para que seja atenuada. Infelizmente, o quadro tenderá para pior, sobretudo porque a Região, porque não se preparou, não estar municiada com alternativas, no quadro da economia, para que possa gerar crescimento, emprego e alguma riqueza. Metaforicamente, a Madeira não está, como alguém me dizia, com um "pneu furado", que possa facilmente substituir pelo sobressalente, tem os quatro furados. A Região não soube diversificar, gerar alternativas às quebras e insuficiências deste ou daquele setor, por exemplo ao do turismo, e, portanto, assente em uma monocultura, ainda por cima desinserida de qualquer plano estratégico, parece-me óbvio que se torna difícil colocar em marcha a viatura do crescimento e do desenvolvimento. Se não fosse uma tristeza proporcionava uma sonora gargalhada aquela do secretário dos recursos naturais e ambiente, Dr. Manuel António, querer, agora, mais apoio para a construção de embarcações de pesca. Isto, depois de tão maltratado que foi o setor das pescas, inclusive, com o aconselhamento para o abate de embarcações. Trata-se da mesma teoria que foi seguida, por exemplo, com a cana de açúcar: em um primeiro momento, foi dito não à sua plantação, mais tarde, criaram incentivos ao seu plantio. Se isto é governar, por favor, eu vou ali e já volto!  
A situação que os madeirenses e portosantenses estão a atravessar, repito, é dramática. E não vejo que este governo tenha qualquer solução que atenue os crescentes dramas. A questão, por exemplo, da indemnização pela expropriação da herdade "Cova Funda" onde foi construído o complexo do União, leva-me a duas leituras: primeira, até que ponto esta deliberação é a ponta do icebergue de outras expropriações mal conduzidas e mal negociadas e que, eventualmente, se encontrem em processo judicial? Não deve ser apenas este caso. Muitos outros, penso eu, arrastam-se pelos Tribunais e, se assim é, qual o valor indemnizatório global que estará em jogo?; segunda, esta expropriação denuncia, claramente, a ausência de planeamento no desporto e de definição de prioridades sociais. Esta expropriação, a par de outras, explicam o regabofe nos dinheiros públicos e a loucura inauguracionista no sentido de garantir a satisfação das clientelas.
E assim se chegou ao descalabro financeiro. Será, pergunto, que este governo tem alguma possibilidade de se manter ao leme? Não será altura do Presidente da República olhar para os indicadores e começar a mexer-se antes que o drama seja insustentável? E os madeirenses o que têm a dizer a tudo este quadro negro? Manter-se-ão obedientes às conversas de adro de igreja, ou está no momento de dizerem basta? E face a todo este quadro, que informações têm sido dadas ao Presidente da República pelo Senhor Representante da República? Os próximos tempos serão clarificadores, mas há gente com responsabilidades políticas que anda muito calada. E serão considerados cúmplices se mantiverem este ensurdecedor silêncio.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

António Trancoso disse...

Meu Caro Amigo
A política de Pão e Circo está em fase de estertor.
O Circo já está a arder,e,o Pão é cada vez mais ausente da mesa dos deserdados da terra.
A fome,sendo má conselheira,é capaz de gerar o caos,que,por sua vez,abre portas á negação de soluções democráticas...
Basta saber um pouco de História...
Tal como outros,de má-memória,Jardim não se livrará da transição de "deus" a Demónio.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Está tudo a arder e ele a tocar harpa!
Um abraço.