domingo, 18 de março de 2012

DEMISSÃO QUE FICA BEM, MAS QUE NÃO EXPLICA TUDO!


A questão do IVA, apesar de ser um problema grave, não pode esconder a gravíssima cumplicidade do CDS/PP e do PSD que são governo na República. É dessa coligação de que fazem parte os partidos homólogos da Madeira que, a honestidade inteletual, deve observar. Ora, a demissão fica bem, mas não explica tudo! Os responsáveis pela ausência de um pacote de medidas ajustado à Região, distribuído no tempo, suave e que tivesse em conta a descontinuidade geográfica e a ultraperiferia tem responsáveis, precisamente os dois dois partidos da Madeira e os dois partidos que asseguram o governo na República. Não tiveram capacidade de negociar, assistiu-se, durante largo tempo, a um jogo de sombras e de empurra, mas a verdade é que o seu cartório está cheio de culpas. Imagino a cantoria que não seria se o Engº José Sócrates ainda fosse primeiro ministro! Portanto, a história deste processo não pode circunscrever-se a uma demissão que, embora digna, não deixa de ser uma maquilhagem, uns retoques no rosto da cumplicidade.


Não me admira que, a este ritmo, lá para Agosto, a Madeira atinja 25.000 desempregados. Façam as contas que fizerem, aquelas continhas que o Dr. Brazão de Castro era especialista, isto é, o desemprego crescia e a taxa diminuia, a verdade é que estamos em cima dos 19% de desemprego. E se a cifra dos 25.000 for, lamentavelmente, atingida, poderemos entrar nos 22 a 23% de desemprego. A acontecer será, obviamente, uma calamidade. Já é, mas agravar-se-á. A juntar a isto, o IVA, esse imposto cego que tanto atinge pobres como abastados, a supressão do subsídio de insularidade de 2% que os funcionários públicos dele se serviam para colmatar algumas insuficiências, o subsídio de férias cuja esmagadora maioria pura e simplesmente não o vai receber, o IMI, o imposto de circulação automóvel, o agravamento do IRS, as mais que prováveis taxas moderadoras, o despedimento de funcionários públicos, os combustíveis e tanto mais que tornará a vida dos madeirenses um calvário. Este é um cenário, muito cinzento, e não vejo outro que possa ser concebido com tonalidades mais esperançosas, mais concordantes com a Primavera que se aproxima. Perante isto, vejo políticos com responsabilidades governativas, conformados, fazendo apelo a discursos patéticos, que isto não será de sangue, suor e lágrimas e que dentro de quatro anos teremos as contas em dia (como se isto fosse verdade). Que hipocrisia!
No olho deste tornado que, lentamente, se abate sobre a Madeira, leio a notícia da demissão do vice-presidência do grupo parlamentar do CDS/PP, ele também líder deste partido na Madeira. É evidente que, "in extremis", face a um quadro conjuntural que não lhe permitia outra saída, a demissão do Senhor José Manuel Rodrigues acaba por ter dignidade política. Mas o problema não é esse, não pode ficar por aí, porque o problema é muito mais vasto. Eu lembro-me das palavras ditas quando os socialistas governavam. E tenho presente toda a ação política corrosiva contra Sócrates e seu governo. O alvo estava definido porque interessava desgastar até à perda de credibilidade no sentido de chegar ao poder. E foi isso que foi feito. Ora, a questão do IVA, apesar de ser um problema grave, não pode esconder a gravíssima cumplicidade do CDS/PP e do PSD que são governo na República. É dessa coligação de que fazem parte os partidos homólogos da Madeira que, a honestidade inteletual, deve observar. Ora, a demissão fica bem, mas não explica tudo! Os responsáveis pela ausência de um pacote de medidas ajustado à Região, distribuído no tempo, suave e que tivesse em conta a descontinuidade geográfica e a ultraperiferia tem responsáveis, precisamente os dois dois partidos da Madeira e os dois partidos que asseguram o governo na República. Não tiveram capacidade de negociar, assistiu-se, durante largo tempo, a um jogo de sombras e de empurra, mas a verdade é que o seu cartório está cheio de culpas. Imagino a cantoria que não seria se o Engº José Sócrates ainda fosse primeiro ministro! Portanto, a história deste processo não pode circunscrever-se a uma demissão que, embora digna, não deixa de ser uma maquilhagem, uns retoques no rosto da cumplicidade.
Ficou bem, mas não apaga a história do processo. A demissão equivale à imagem da bacia de Pilatos e, na política, não pode ser assim. O IVA é uma parte e o resto, questiono? Será correto ficar pelas declarações assim-assim? Que posições foram assumidas pelo CDS/PP, partido de governo na República, para colocar em causa e travar, no sentido do seu reequacionamento, toda a proposta do PSD da Madeira? Que proposta alternativa foi apresentada? Que eu saiba, o PS-Madeira apresentou uma, devidamente estruturada e fundamentada, que teve o destino de todas as outras: o caixote do lixo. Mas, pelo menos, houve essa tentativa.
Como mero observador destas questões, lamento que se continue a querer passar entre a chuva sem se molhar. A Madeira precisa de atitudes sérias, frontais, doa a quem doer, coloque ou não em causa os equilíbrios internos dos partidos, simplesmente porque há uma larga faixa da população que está a sofrer e que sofrerá ainda mais, a partir da implementação das medidas que os dois partidos na República assumiram.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

"(...) a demissão do Senhor José Manuel Rodrigues acaba por ter dignidade política."

Caro André Escórcio

Peço desculpa, mas não me parece que seja esse o caso. No meu entender, JMR quis apenas armar-se em herói para convencer o eleitorado de que ele é o grande defensor dos interesses do povo.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Exato, na verdade eu não quis ir tão longe. Todavia, é um ato que, isolado do contexto, acaba por ser de aplaudir, sobretudo quando à nossa volta, gente com tantos "pecados" políticos no governo é incapaz de assumir uma posição. Agora, tal como sublinhei, a questão é mais complexa e esta atitude não apaga um longo historial de cumplicidades.