quinta-feira, 1 de março de 2012

A DESCULPA DO ESTOIRA-VERGAS


Estava ele naquela cantiga de embalar tolos e, porventura, muitos de nós a refletir: este homem faz lembrar o filho "estoira-vergas", que através do seu blá blá foi deixando dívidas por todo o lado, até que bate à porta do paizinho para o safar das loucuras. E o paizinho, claro, tendo ainda algum (pouco) crédito na praça, diz-lhe, pois bem, faz a relação das tuas dívidas, coloca por ordem, diz-me quais são aquelas que são prioritárias por se vencerem em data próxima e, depois, eu encarregar-me-ei de, diretamente, as pagar. Mas, atenção, não voltes a repetir isto, fica o aviso do paizinho! E vou-te descontar isto na "herança", isto é, a mesada para o futuro será muito bem pensada.

Pergunto: para quê aquela conferência de imprensa de ontem, do secretário regional do Plano e Finanças? Para quê? Só se foi para disfarçar o mau gosto das declarações do presidente do governo que, na véspera, deselegantemente, disse para "os senhores credores se entenderem com Lisboa", até porque "fazia-lhe tão bem ao coração não ter que aturá-los à porta". Só se foi para isso, para deitar, qual sapateiro, meias solas em uns sapatos muito velhos e gastos. Porque, em relação ao presidente, pode-lhe fazer bem ao seu coração, enquanto músculo a cuidar, mas cujas atitudes estão a colocar doente e muito frágil o coração de muitos. E o solícito secretário lá veio dizer, calma, nós é que dizemos a quem pagar, nós é que temos as faturas, nós é que elaboramos os processos para pagamento e nós é supervisionamos. Que tristeza!
Estava ele naquela cantiga de embalar tolos e, porventura, muitos de nós a refletir: este homem faz lembrar o filho "estoira-vergas", que através do seu blá blá foi deixando dívidas por todo o lado, até que bate à porta do paizinho para o safar das loucuras. E o paizinho, claro, tendo ainda algum (pouco) crédito na praça, diz-lhe, pois bem, faz a relação das tuas dívidas, coloca por ordem, diz-me quais são aquelas que são prioritárias por se vencerem em data próxima e, depois, eu encarregar-me-ei de, diretamente, as pagar. Mas, atenção, não voltes a repetir isto, fica o aviso do paizinho! E vou-te descontar isto na "herança", isto é, a mesada para o futuro será muito bem pensada.
Ora, o Secretário prestou-se a ser interpretado desta maneira, quando todos sabemos que o governo, neste momento, perante o acordo e naquilo que é essencial, perdeu a sua autonomia. Eu lamento, todos os madeirenses, estou certo, lamentam esta situação, mas ela é real. Até o processo estatístico está sob controlo, não vá o paizinho ser novamente enganado. É esta política de "engana tolos" que me desespera e que me faz pena. Lembro-me da grosseira mentira do secretário, sucessivamente, dita em sede de Assembleia Legislativa com os aplausos, de pé, dos companheiros da bancada da maioria. Que não era verdade o que a oposição dizia, que os números não eram esses, que confundiam e somavam, intencionalmente, duas e três vezes a mesma parcela, que tudo estava sob controlo, que não havia necessidade de qualquer inquérito parlamentar à dívida da Região, que os números do desemprego eram aqueles que o Dr. Brazão de Castro afirmava, enfim, que tudo era pura invenção e que o povo sabia que era assim e na maioria votada sabendo que os detratores tinham nome e rostos. Afinal, todo o jogo por debaixo da mesa acabou por ser descoberto, restando-lhes, agora, estas habilidosas formas de contornar os problemas como quem toma uma colher de açúcar a seguir ao intragável óleo de fígado de bacalhau. Até quando a Madeira terá de suportar esta gente que, politicamente, não é verdadeira e ofende tudo e todos quantos não se vergam a esta ânsia de poder absoluto?
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

António Trancoso disse...

Meu Caro Amigo
Como é possível,que um Povo, que desbravou uma densa floresta;que, ultrapassando terríveis precipícios, construiu 1400 kms de levadas;que enfrentou a ditadura salazarista em 1931;que sempre foi capaz de superar, com estoicismo, as enormes dificuldades do isolamento insular...não sinta uma imensa vergonha de ser representado por um energúmeno megalómano, acolitado por um bando de gangsters!?!

João André Escórcio disse...

De facto é impressionante. Mais impressionante quando hoje diz que quer controlar a "sucessão". Isto é, a manutenção da História. Preocupa-me este estado de loucura política.
A questão é esta: por que não se cala e por que não se vai embora?