sexta-feira, 9 de março de 2012

A ISABEL MULHER E A ISABEL POLÍTICA



É por isso que a frieza das palavras que consubstancia a ideia de que a vida continua tem muito que se lhe diga. Simplesmente porque em um oceano de incompreensões múltiplas encontramos pessoas que comungam do essencial que nos anima na vida, que têm os mesmos ou semelhantes olhares sobre as situações, que enquanto muitos se calam, outros, abandonam a sua zona de conforto na vida para dizer, a todo o momento e sempre que se justifica, apenas isto: se fizermos daquela maneira e não desta! Tudo dito de uma forma superior, serena, sem confitos, sem necessidade de altos decibéis, ganhando com isso o respeito e a admiração. Repito, então, que a frieza das palavras, a tal história que a vida continua, envolve sentimentos que não se apagam com um simples estalido de dedos.


Dizem que a vida continua. Tenho dificuldade, confesso, em assumir essa frieza das palavras. É evidente que sim, que continua, ela já existe há muitos milhões de anos, mas nós vivemos aqui e agora, rodeamo-nos de pessoas, assumimos cordões umbilicais de princípios e de valores, construímos laços de uma identidade que nos fazem nutrir respeito, estima e consideração. Sem que nada provoque, a verdade é que sentamo-nos tantas vezes, frente a frente, a discutir problemas e opções e isso acaba por ser multiplicador dos traços que nos unem no sentido de uma sociedade mais equilibrada, justa e mais feliz. É por isso que a frieza das palavras que consubstancia a ideia de que a vida continua tem muito que se lhe diga. Simplesmente porque em um oceano de incompreensões múltiplas encontramos pessoas que comungam do essencial que nos anima na vida, que têm os mesmos ou semelhantes olhares sobre as situações, que enquanto muitos se calam, outros, abandonam a sua zona de conforto na vida para dizer, a todo o momento e sempre que se justifica, apenas isto: se fizermos daquela maneira e não desta! Tudo dito de uma forma superior, serena, sem conflitos, sem necessidade de altos decibéis, ganhando com isso o respeito e a admiração. Repito, então, que a frieza das palavras, a tal história que a vida continua, envolve sentimentos que não se apagam com um simples estalido de dedos. Há uma memória, existe uma proximidade, mesmo quando essa proximidade se circunscreve ao domínio do trabalho político ao serviço dos outros. O que não será a dor dos mais próximos familiares!
A Isabel não é uma figura que se possa apagar, esquecer com facilidade, que deslize na voragem dos acontecimentos. Ela faz falta, como Mulher, como mãe, avó e como cidadã interventora nos processos sociais. Não gosto dos discursos de circunstância, detesto as palavras ditas em elogio fácil, de encher um texto depois da morte. Se o faço é por sentimento acrescido, por respeito, pela necessidade que tenho de me curvar perante a sua partida. Fica-me a saudade e o aperto pelo que estão a sentir o Luís Sena Lino e os filhos Leonor, Luís André, os netos e família. Um abraço solidário para todos.  
Ilustração: Google Imagens

2 comentários:

António Trancoso disse...

Recordarei, sempre, Isabel Sena Lino, como a Óptima Colega que sempre deu provas de ser.
A sua prematura partida não é justa; nem para os seus doridos Familiares, nem para todos os que tiveram o privilégio de com Ela terem trabalhado!
Fica a saudade do seu exemplo de Vida.

João André Escórcio disse...

Obrigado, Amigo.
Comungo a sua posição.