quarta-feira, 25 de abril de 2012

DE BURACO EM BURACO. RUA COM ESTA GENTE NÃO CONFIÁVEL.



Vivem-se tempos de uma grande preocupação e se, de acordo com a Lei, a confirmarem-se as conclusões a que o DN Lisboa chegou no dia de ontem, obviamente que muitos sentar-se-ão no banco dos réus, mas as consequências da investigação não resolverão o problema imediato da Madeira, o problema da sua economia, o problema das finanças, o problema da falta de liquidez, o problema da normalidade social. E é aqui que o drama se apresenta labiríntico e muito complexo, porque não podemos suspender a fome e as carências mais preocupantes da população.


A notícia desta manhã (DN-Lisboa) traz ao conhecimento público que, alegadamente, terá sido detetado mais um "buraco" de dois mil milhões nas contas da Região da Madeira, segundo depreendi, por obras realizadas e não faturadas, vem aumentar a incerteza quanto ao futuro da Região. Assume o DN: "A investigação ordenada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) detetou muitas faturas não reportadas, obras que foram feitas sem enquadramento orçamental, outras sem emissão de fatura e derrapagens de milhões de euros". 
Penso que tal não estará longe da verdade, pois há muito que disso se fala. Eu próprio, há dias, neste espaço, fiz exatamente essa abordagem. Ora, uma dívida que, eventualmente, cresça para os oito mil milhões que a somar às parcerias público-privadas poderá ascender a mais de dez mil milhões, constitui uma situação de uma enorme gravidade. Não gosto de escrever sobre meras hipóteses, mas há um conjunto de sinais que apontam para que aquela seja uma incontornável verdade. E se assim for, independentemente das consequências que só o Tribunal poderá determinar à luz da Lei, definitivamente, este governo regional não tem condições para continuar. Já não me reporto sequer a este alegado "buraco" financeiro, reporto-me sim à forma como a Madeira tem sido governada desde que tomaram posse. E neste quadro continuo a dizer que este presidente do governo e todo o PSD-Madeira não têm condições nem pessoais nem políticas para se manterem à frente da governação. Entendo que devem ser afastados e, neste aspecto, o Presidente da República tem óbvias responsabilidades, antes que o caos se instale. 
Mas a confirmar-se o montante "descoberto" a questão que se coloca é como a Madeira sobriverá nos próximos anos? Serão os madeirenses sujeitos a novas medidas de austeridade, quando a situação já é de rutura? Não acredito. O que poderá estar em causa é a perda total da Autonomia, mesmo que inscrita constitucionalmente. Neste momento, ela, na prática, não existe, se considerarmos o rigor do Plano de Ajustamento Financeiro, perguntar-se-á, então, como será doravante? O quadro é politicamente dramático. Com o desemprego a crescer assustadoramente e a pobreza sem controlo, com os sistemas de saúde, educação e empresarial à deriva, sobressai uma sensação de total vazio e até de medo quanto ao futuro. Se há gente, muita gente desesperada, se há um crescente número de empresários em queda livre, se a mentira e a permanente aldrabice do governo regional continuam, quais são, então, as hipóteses mais viáveis para a Madeira sair deste sufoco? Vivem-se tempos de uma grande preocupação e se, de acordo com a Lei, a confirmarem-se as conclusões a que o DN Lisboa chegou no dia de ontem, obviamente que muitos sentar-se-ão no banco dos réus, mas as consequências da investigação não resolverão o problema imediato da Madeira, o problema da sua economia, o problema das finanças, o problema da falta de liquidez, o problema da normalidade social. E é aqui que o drama se apresenta labiríntico e muito complexo, porque não podemos suspender a fome e as carências mais preocupantes da população. Os próximos dias serão determinantes, embora a investigação esteja para durar. Uma coisa parece-me certa: a confirmar-se mais este "buraco", as contas do Estado sofrerão mais um golpe e todos sofreremos com isso.
Ilustração: Google Imagens.

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