quinta-feira, 5 de abril de 2012

A MENTIRA PODERÁ SER PAGA COM JUROS


Como acreditar na "palavra escrita" se a mentira é dita com uma tal convicção? Até lá, dois anos ou mais de corte nos magros salários, não bastassem outras agruras, despedimentos e impostos sempre a subirem, os portugueses terão de continuar a "empobrecer". Se reclamarem, adivinha-se, terão a bastonada pela frente, como recentemente aconteceu. Ora, tenho como certo que esta reiterada mentira, esta trapalhada discursiva, sempre com um sorriso nos lábios, poderá vir a ser paga e com juros. O povo não vai aguentar nem as  loucuras do "chefe" local que, durante trinta e seis anos, gastou o que tinha e o que não tinha, como não estará para suportar esta equipa de loucos políticos que estão a conduzir o país para a falência social.


Inaceitável a trapalhada discursiva e o que ontem ouvi da boca do primeiro ministro, que o 13º e 14º meses só serão pagos, progressivamente, a partir de 2015. Em campanha eleitoral, entre outras promessas que não estão a ser cumpridas, os subsídios de Natal e de férias seriam intocáveis, referiu. Mais tarde, retirou esse direito aos portugueses, durante a vigência do acordo com essa maldita e cega "troika". Veio, depois, o secretário de Estado e o próprio ministro dizerem que era somente em 2012 e 2013 que tal aconteceria. Agora, na sequência de posições vindas de fora, o Dr. Pedro Passos Coelho coloca como horizonte 2015. E esta manhã, no debate do Orçamento Retificativo, o Ministro Gaspar, pressionado pela oposição, salientou o valor da "palavra escrita", isto é, digo eu, que o rombo (roubo) na carteira dos portugueses será em 2012 e 2013. Perguntar-se-á, em que ficamos? Falou de um lapso, mas terá sido, quando todos os dias os portugueses se confrontam com novas e subtis medidas? Como acreditar na "palavra escrita" se a mentira é dita com uma tal convicção? Até lá, dois anos ou mais de corte nos magros salários, não bastassem outras agruras, despedimentos e impostos sempre a subirem, os portugueses terão de continuar a "empobrecer". Se reclamarem, adivinha-se, terão a bastonada pela frente, como recentemente aconteceu. Ora, tenho como certo que esta reiterada mentira, esta trapalhada discursiva, sempre com um sorriso nos lábios, poderá vir a ser paga e com juros. O povo não vai aguentar nem as loucuras do "chefe" local que, durante trinta e seis anos, gastou o que tinha e o que não tinha, como não estará para suportar esta equipa de loucos políticos que estão a conduzir o país para a falência social. De austeridade em austeridade, de penalização em penalização, os portugueses, naturalmente, sairão à rua e agitarão a bandeira do descontentamento. Parece-me óbvio que tal aconteça.
Por culpas que não são próprias, do povo mais humilde até à classe social que foi "média", aquele povo que nada tem a ver com os gastos acima das possibilidades, aquele povo que se levantou contra o PEC IV, parece-me que está de saco cheio. E isto é perigoso porque prezo a paz e não suporto o conflito. Não estão em causa, repito, por culpas que não são próprias, porque as causas são de pendor mais externas que internas, não estão em causa, repito, algumas medidas tendentes ao equilíbrio orçamental, mas tudo tem um limite a partir do qual a situação pode descambar. Basta olhar para a Grécia. É que, simultaneamente, não se vislumbram medidas eficazes que conduzam ao crescimento económico. Os indicadores não são esperançosos e, por isso mesmo, esta coligação PSD/CDS que tanto prometeu, que tantas palavras utilizou no sentido de garantir a saída do sufoco, afinal, não apresenta soluções. AUSTERIDADE é a única palavra que se ouve. O resto é paleio.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Ainda não percebi porque é que os governantes se dão ao trabalho de contar histórias. Todos sabemos que nos vão cortar definitivamente os subsídios.

João André Escórcio disse...

Bom dia e, já agora, Boa Páscoa para si e toda a sua família.
Esta mentira foi, para mim, chocante. Uma aldrabice.