domingo, 15 de abril de 2012

POR MIM, RUA, JÁ!


É contranatura e paradoxal fazer a cama para que os mesmos se deitem. De resto, a inovação, a criatividade e qualquer novo paradigma só resulta quando vindo do exterior. É sempre por fora que as mudanças trazem o fio condutor da esperança. Nunca por dentro, simplesmente porque existem complexas estruturas montadas que só permitem alterações marginais para que tudo fique na mesma.


O "chefe" anda aos papéis. Em tempos disse, em um outro contexto, que andava com as "calças na mão". Ligando as duas frases, fica por identificar o tipo de papel. Higiénico, talvez, em função da borrada feita. A verdade é que esta história da "sucessão" tem, ainda, muito para contar de intriga, de golpes, de cumplicidades, de jogos de bastidores, eu sei lá o que vai por detrás da cortina. Apenas algumas coisas vão sendo ditas e vistas pela atuação fugidia dos atores nos vários palcos ao dispor da maioria. Há um jogo de gato e do rato, teatrinhos com jogos de luz e sombra, novelas esquisitas com sujeitos a fazerem de lacaios ou altifalantes de outros, enfim, esta situação tresanda e o pior é que há pessoas a darem para este peditório, a alimentarem o jogo, a fazerem a cabeça da população, como se os posicionados, como diz a sabedoria popular, não fossem "farinha do mesmo saco". São e ponto final. Os princípios ideológicos estão lá, os processos podem ser aqui e ali diferentes, mas o resultado final o mesmo. A cartilha aprendida, os cordões umbilicais que alimentam a suas posturas políticas, no essencial, não diferem. Portanto, ninguém pode esperar que a alternativa que a Madeira precisa tenha origem naqueles que conduziram ao desastre económico, financeiro, social e cultural. É contranatura e paradoxal fazer a cama para que os mesmos se deitem. De resto, a inovação, a criatividade e qualquer novo paradigma só resulta quando vindo do exterior. É sempre por fora que as mudanças trazem o fio condutor da esperança. Nunca por dentro, simplesmente porque existem complexas estruturas montadas que só permitem alterações marginais para que tudo fique na mesma.
Considero, assim, menos avisado este contínuo alimentar da novela interna de um partido, quando é certo que a maioria política sempre retirou dividendos do pressuposto que "não interessa que falem mal, mas falem de nós". A todo este propósito, a Jornalista Clara Ferreira Alves (transcrito no DN-Madeira)  sublinha no Expresso: "O meu país é comandado por gente sem memória e sem história, uma raça de criados que não se importam de o ser desde que tenham um pequeno poder". Ora esta frase, com a qual concordo em absoluto, aplica-se à Madeira, bastando para tal substituir o "meu país" por "a minha região". E o meu país cansou-se do governo socialista em seis anos, já está cansado dos social-democratas e não estão no poder há um ano, que raio de gente a nossa que não se cansa de 36 anos de poder absoluto? Por mim, rua, já!
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Concordo consigo na generalidade. Mas penso que o problema não tem a ver com o partido A, B ou C que, a bem dizer, não são muito diferentes.
Tem a ver com outras enfermidades mais profundas que, desgraçadamente, não são só madeirenses ou nacionais.
O que, bem entendido, não iliba totalmente as sucessivas e desastrosas governações.
Há que mudar todo o paradigma.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
É evidente que sim. Concordo consigo. As tais enfermidades são muito profundas se fizermos uma análise cuidada das causas. Ultrapassam a Madeira, como ultrapassam o próprio País. Só que temos aqui um problema para resolver. Um problema de paradigma, um problema de pessoas, um problema de interesses, um problema de educação e de cultura e, por isso, não lhes concedo nem mais um segundo de benefício da dúvida na atual Legislatura. O Presidente da República tem o dever de olhar para a situação da Madeira e de repensar o seu posicionamento de um enervante laxismo.
Um abraço.