quarta-feira, 23 de maio de 2012

O PARADOXO: TAXAS MODERADORAS NO DECORRER DA "SEMANA DA SOLIDARIEDADE"


Só a teimosia, a negação das evidências, os ouvidos de mercador e a subserviência do grupo parlamentar do PSD estão na origem de um sistema que está de rastos, com médicos e enfermeiros a serem dispensados, a esmagadora maioria mal pagos e insatisfeitos, com uma sistemática carência de consumíveis absolutamente necessários, um clima organizacional de cortar à faca, dívidas a fornecedores que ultrapassam os 1000 dias para liquidação das facturas, um hospital velho, perigoso e remendado, uma população que depois de três décadas ainda é incapaz de perceber e avaliar o que é uma urgência de uma constipação, portanto, perante a aflição de um cofre vazio, o que estavam à espera? Que a Autonomia funcionasse? Não, com a corda ao pescoço, infelizmente, têm de "obedecer" e as taxas são o corolário de tudo o que não fizeram no sistema de saúde. Por tudo isto e muito mais, deixem-se de comunicados que, no essencial, constituem areia para os olhos das pessoas.


Duas notas:
Primeira: Para quê tantos comunicados do governo sobre as taxas moderadoras? Há taxas e ponto final! Se é para estes e não para aqueles, isso é pouco relevante. A verdade é que assumiram que, na Madeira, não seriam aplicadas e foram. Portanto, mentiram, aldrabaram, armaram-se em fortes quando sabiam que tinham de "obedecer" ao acordo. De resto, este episódio nem constitui novidade tantas as promessas feitas e que serviram, apenas, para  ludibriar a população e ganhar as últimas eleições, mesmo que "à rasquinha". Ora, isto só está a acontecer pelas despesas tresloucadas que fizeram ao longo de muitos anos. E já que o assunto é SAÚDE, o comum dos cidadãos tem o direito de perguntar, por exemplo, como é que foi possível chegar a 14.500 cirurgias em espera? O que andou este governo a fazer durante trinta e seis anos? Então o sistema de saúde não foi regionalizado? E o que fizeram para que este problema fosse esbatido?
Ora, só a teimosia, a negação das evidências, os ouvidos de mercador e a subserviência do grupo parlamentar do PSD estão na origem de um sistema que está de rastos, com médicos e enfermeiros a serem dispensados, a esmagadora maioria mal pagos e insatisfeitos, com uma sistemática carência de consumíveis absolutamente necessários, um clima organizacional de cortar à faca, dívidas a fornecedores que ultrapassam os 1000 dias para liquidação das facturas, um hospital velho, perigoso e remendado, uma população que depois de três décadas ainda é incapaz de perceber e avaliar o que é uma urgência de uma constipação, portanto, perante a aflição de um cofre vazio, o que estavam à espera? Que a Autonomia funcionasse? Não, com a corda ao pescoço, infelizmente, têm de "obedecer" e as taxas são o corolário de tudo o que não fizeram no sistema de saúde. Por tudo isto e muito mais, deixem-se de comunicados que, no essencial, constituem areia para os olhos das pessoas.
Segunda: As infra-estruturas "reforçam a coesão social", assumiu ontem o Senhor Deputado Savino Correia, no decorrer da designada "Semana da Solidariedade" iniciativa do GP do PSD-M. 
Senhor Deputado, quanto enganado está (!). Pelo contrário, devido à loucura de muitas obras desnecessárias, devido à "fúria inauguracionista", hoje, é precária a coesão social a todos os níveis de análise. O facto de ser construída uma estrada de ligação a um sítio recôndido, tal não significa, por si só, que exista coesão social. O Senhor Deputado deveria olhar para o equivalente a três Estádios dos Barreiros completamente cheios de desempregados, olhar para a pobreza e para a exclusão social (80.000 = 30% da população), olhar para os 30.000 com pensões de miséria e sem qualquer compensação inscrita no Orçamento Regional, olhar para os idosos e para as crianças sem futuro, olhar para todos os indicadores estatísticos e aí concluirá, interrogando-se, onde está a VERDADEIRA coesão social! Onde? Quando temos dívidas por pagar na ordem dos oito mil milhões (incluindo as PPP) que vão hipotecar o futuro durante mais de 25 anos? Ademais, o Senhor Deputado teve azar, pois veio falar de coesão social precisamente no dia que se ficou a saber da implementação das "taxas moderadoras". Que grande paradoxo em plena "semana da solidariedade". Finalmente, a expressão "coesão social" não se mede por uma estrada ou pela existência de uma piscina? É muito mais do que isso. E o Senhor Deputado sabe. Não convém assumir, não é verdade?
Ilustração: Google Imagens.

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