segunda-feira, 21 de maio de 2012

SEMANA DA SOLIDARIEDADE? POR FAVOR, TENHAM VERGONHA.


São essas mesmas pessoas que hoje, afogadas em porcaria social até ao pescoço, aflitas perante a crescente onda de contestação, levam a efeito a "semana da solidariedade", hipocritamente, admitem a existência de "pobreza extrema e exclusão" e, com uma distinta lata política, falam das dez cantinas sociais que serão abertas e das instituições de solidariedade social que são "braços armados" da política do governo no combate à fome. Mete-me dó este tipo de pessoas que se vendem por um prato de lentilhas. Pessoas que conseguem enaltecer a política do governo regional quando, se o desastre social está aí, apenas se deve à péssima governação do PSD-Madeira. Não se trata de uma governação de uma legislatura, mas de uma governação, com maioria absoluta, durante 36 anos consecutivos. Se há desemprego, se há fome, se há pobreza e exclusão social, se há dívidas até ao céu da boca e se há empresas a definhar, outros não podem ser culpados, nem os governos da República, mas quem esta terra governou. O PSD-M teve tudo, maioria política, dinheiro, muito dinheiro, só que as estratégias não foram as corretas. Estratégias que, ao contrário de construírem uma terra de paz e de felicidade, geraram uma terra assimétrica e de enormes desequilíbrios a todos os níveis.


Há pessoas para todo o tipo de comportamento. Falam e escrevem sem qualquer coerência e sem memória. O que ontem era a verdade, indiscutível, insofismável, hoje, enterram os pensamentos, as palavras ditas e apresentam-se com novas roupagens, com um discurso maquilhado, como se ninguém tivesse presente o que foi dito em nome da defesa de uma política que deu no que deu. Vociferaram, espumaram, ofenderam, gritaram contra todos quantos alertaram para a pobreza, para as carências de uma população que dia a dia ia sendo esmifrada, espoliada nos seus direitos e encostada à parede por clara ausência de políticas autónomas geradoras de necessários equilíbrios. Pessoas que chumbaram propostas, umas atrás das outras, que negaram audições, boicotaram inquéritos, subiram ao palanque da Assembleia Legislativa para pregar a palavra do "vigia da quinta" e para ocultar a realidade que milhares já estavam a sentir na pele. Bastaria andar por aí com olhos não partidários, bastaria ter presente os desabafos, o desenho da economia e das finanças, as megalómanas obras, as dívidas, as caraterísticas do sistema educativo e o quadro da formação profissional, para além do analfabetismo, ou melhor, de um crescente número de pessoas sem instrução, para concluírem que o buraco, não apenas o financeiro, mas o buraco da pobreza estava a aumentar e a tornar-se incontrolável. Apesar disso,  mandava a liturgia partidária que tudo fosse negado. Por falta de inteligência? Digo eu, não, por falta de respeito por si próprios e cega obediência ao "chefe", o tal que determina quem ocupa os lugares no hemiciclo. 
São essas mesmas pessoas que hoje, afogadas em porcaria social até ao pescoço, aflitas perante a crescente onda de contestação, levam a efeito a "semana da solidariedade", hipocritamente, admitem a existência de "pobreza extrema e exclusão" e, com uma distinta lata política, falam das dez cantinas sociais que serão abertas e das instituições de solidariedade social que são "braços armados" da política do governo no combate à fome. Mete-me dó este tipo de pessoas que se vendem por um prato de lentilhas. Pessoas que conseguem enaltecer a política do governo regional quando, se o desastre social está aí, apenas se deve à péssima governação do PSD-Madeira. Não se trata de uma governação de uma legislatura, mas de uma governação, com maioria absoluta, durante 36 anos consecutivos. Se há desemprego, se há fome, se há pobreza e exclusão social, se há dívidas até ao céu da boca e se há empresas a definhar, outros não podem ser culpados, nem os governos da República, mas quem esta terra governou. O PSD-M teve tudo, maioria política, dinheiro, muito dinheiro, só que as estratégias não foram as corretas. Estratégias que, ao contrário de construírem uma terra de paz e de felicidade, geraram uma terra assimétrica e de enormes desequilíbrios a todos os níveis. E vão pagar por isso, pela sobranceria e pelo quero, posso e mando. O resto, o que dizem os deputados nesta "semana da solidariedade" é treta, é conversa fiada! Os pobres, mais cedo do que tarde, vão-lhes dizer como é.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

António Trancoso disse...

Meu Caro Amigo
Os pobres, mais tarde que cedo,não terão oportunidade de lhes dizer coisa nenhuma.
Quando "tocar a ossos" (velha expressão que a memória recupera, já os passaportes, em dia, terão sido utilizados,em apressadas viagens, para destinos onde o acesso às "magras" poupanças, colocadas em paraísos fiscais,tornem os "exílios" menos desconfortáveis...
"Quem ficar para trás...que feche a porta!"(Se é que,ainda,houver, uma,para fechar...)

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Eu sei que há muitos passaportes em dia...