sábado, 28 de julho de 2012

A ENTREVISTA DO SECRETÁRIO DAS FINANÇAS... UM LOGRO!


As respostas atingiram o seu apogeu, qual girândola, quando o governante assume que "temos o grande desafio de fazer o ajustamento das finanças públicas e de reorganizarmos todo o nosso funcionamento. Apesar de duro, este Programa tem o mérito de nos obrigar a imprimir uma série de reformas que, a prazo, irão ter efeitos positivos e que irá permitir a sustentabilidade das finanças públicas". Uma resposta que permite duas reflexões: primeira, a assunção do descalabro e a incompetência de muitos anos, ao fugir-lhe a língua para a verdade; segunda, como é que se pode, impunemente, do ponto de vista político, falar do mérito de um programa que atira milhares para o desemprego, que deixa vários sistemas a "pão e água" e que denuncia não haver possibilidades de pagar a dívida no tempo acordado? Oh, Dr. Ventura Garcês, não brinque com coisas que são muito sérias. Pense antes de declarar, assuma as responsabilidades políticas, porque quando diz que não é seu "timbre abandonar o barco, sobretudo quando o mar está revolto", apetece-me dizer-lhe: "o secretário não sabe nadar, yo!".

Entre a pressão de dois senhores!
O exercício de funções governativas obrigam ao rigor, à honestidade dos comportamentos, à transparência e à humildade no que concerne à assunção dos erros. A política não é composta, apenas, de momentos de exaltação, isto é, de momentos bons. Fugir às responsabilidades, contornar os problemas e não enfrentá-los, do meu ponto de vista significa desonestidade e apego ao poder. É entender a política como uma profissão e não com um serviço público à comunidade. A entrevista do Secretário Regional das Finanças, Dr. Ventura Garcês, publicada na edição de hoje do DN-Madeira é, nesse quadro, um logro. Aliás, sinceramente, um político que escondeu uma monumental dívida e que, sucessivamente, mentiu aos Deputados no Parlamento sobre a verdadeira situação financeira da Região, outra coisa não poderia esperar. Não está aqui em causa a figura do cidadão, que respeito, mas a figura do cidadão investido em um importante e central cargo político. Ora, se há aqui um responsável pelo desastre esse chama-se Ventura Garcês. O visado não é apenas o presidente do governo, mas quem, ao longo de todo o tempo, sobretudo nas últimas legislaturas, não puxou as rédeas, não travou a loucura, não chamou à atenção, permitiu o descalabro e deixou-se ficar como se nada de grave estivesse a acontecer. É tão responsável quanto o outro, ou, porventura, mais (ir)responsável porque teve nas suas mãos o Plano e as Finanças e nunca da sua boca se ouviu qualquer reparo, por subtil que fosse, mesmo quando o presidente o responsabilizou pelas "contas", ao dizer que nunca interferiu nas políticas dos outros secretários.
Desta entrevista que nada adiantou, apesar do esforço do jornalista Agostinho Silva, ressaltam alguns aspectos que evidenciam a pobreza política das respostas. Deixo aqui algumas. Por exemplo, pagar aos fornecedores através de uma contratualização a dez anos. No actual estado significa o mesmo que uma empresa dizer aos seus trabalhadores: venham daqui a dez anos receber o vosso salário! Ora, com empresas aflitas, grandes e pequenas e com um desemprego crescente, no mínimo, o secretário deveria ser comedido e ter cuidado com o que diz. Uma outra, aquela dos Açores receberem mais 136,5 milhões por ano, ao abrigo da Lei das Finanças Regionais. Não sei se são 136, 140 ou 130, isso pouco interessa. O que o secretário escondeu que o orçamento da Madeira é superior ao da Região Autónoma dos Açores e que não se pode comparar realidades diferentes: os Açores é composto por nove ilhas distantes 600 quilómetros entre Santa Maria e o Corvo, enquanto a Madeira tem duas ilhas habitadas distantes uma da outra 66 km. Que apesar disso os Açores têm menos funcionários públicos, embora qualquer necessidade da população tenha de ser quase multiplicada pelo número de ilhas. Para além deste aspecto, não é o próprio PSD-Madeira que considera a Região dos Açores atrasada? Se o são, na perspectiva do PSD, logo terão de "beneficiar" no âmbito da discriminação positiva. Falar que a Madeira tem enfrentado catástrofes como justificação é outra sem sentido. E os Açores que volta e meia enfrentam situações delicadas?
As respostas atingiram o seu apogeu, qual girândola, quando o governante assume que "temos o grande desafio de fazer o ajustamento das finanças públicas e de reorganizarmos todo o nosso funcionamento. Apesar de duro, este Programa tem o mérito de nos obrigar a imprimir uma série de reformas que, a prazo, irão ter efeitos positivos e que irá permitir a sustentabilidade das finanças públicas". Uma resposta que permite duas reflexões: primeira, a assunção do descalabro e a incompetência de muitos anos, ao fugir-lhe a língua para a verdade; segunda, como é que se pode, impunemente, do ponto de vista político, falar do mérito de um programa que atira milhares para o desemprego, que deixa vários sistemas a "pão e água" e que denuncia não haver possibilidades de pagar a dívida no tempo acordado? Oh, Dr. Ventura Garcês, não brinque com coisas que são muito sérias. Na política não vale tudo. Pense antes de declarar, assuma as responsabilidades políticas, porque quando diz que não é seu "timbre abandonar o barco, sobretudo quando o mar está revolto", apetece-me dizer-lhe: "o secretário não sabe nadar, yo!".
Ilustração: Google Imagens.

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