segunda-feira, 23 de julho de 2012

A REVOLTA CONTRA OS SAQUEADORES


Quando Miguel Sousa Tavares fala de uma governação entregue a "um bando", obviamente que me choca, mas tenho de engolir. É o sentimento que existe, não no sentido de pandilha, mas de gente impreparada ou que há muito deveria ter sido substituída. Pessoas politicamente esclerosadas, repetitivas e previsíveis, sem qualquer rasgo inovador e criativo, para as quais o poder é sinónimo de vaidade e de profissão. Gente que tanto mal está a fazer à Madeira, que pouco se rala que as empresas estejam em insolvência ou falência, que o desemprego se multiplique e que a degradação social prolifere. Gente menor que gerou, matreiramente, a ilusão de um "povo superior", tentando, com isso, adormecê-lo no sofrimento angustiante da vida. Houve um tempo que eu olhava para a situação com alguma tolerância. Hoje, porém, sinto que a excessiva tolerância conduziu-me a um estado de revolta contra a pouca-vergonha, a mentira e a aldrabice desta governação, simplesmente porque me coloco na situação de um qualquer desesperado, de um empresário que não consegue cobrar as facturas, de escolas sem cêntimo para desenvolver projectos educativos, da saúde sem norte e com gravíssimas limitações financeiras e tudo o mais que todos conhecem e dominam. Raios os partam!


Os portugueses, de uma maneira geral, os madeirenses, em particular, estão perante autênticos saqueadores. Ir à magra carteira tornou-se em um roubo descarado mas legal. Quase diariamente a mão bem visível de quem tem responsabilidades governativas, sorrateiramente, entra, aloja-se e saca mais uns euros. Primeiro, preparam a população, depois, sem novidade, zás, saqueiam onde pouco já existe para tirar. Novas taxas sobre os rendimentos do trabalho vêm a caminho (fase de preparação) no âmbito do próximo Orçamento de Estado. Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, que faz jus ao seu nome assume que "ninguém pode garantir que não haverá mais impostos". A ver vamos. Uma coisa é certa, por esta via caminhamos para uma revolta contra os saqueadores e vendedores de Portugal a retalho. Miguel Sousa Tavares, no artigo de opinião desta semana, no Expresso, sublinha que "não era inevitável nem necessária a destruição planeada de parte saudável da economia, para que, sobre as suas ruínas, quem sobreviver tenha a vida facilitada". Fernando Madrinha vai mais longe: "(...) quando retomar a trajectória do crescimento, Portugal, que já hipotecou a soberania, terá hipotecado o seu futuro". Os que sobreviverão, digo eu, serão os mesmos de sempre, uma corja de pacientes jogadores num xadrez que busca, há muito, o momento do xeque-mate. Já estão a fazê-lo, desmantelando o Estado, peça por peça, empobrecendo-o e submetendo-o à ditadura dos interesses de uns poucos, relativamente aos interesses da maioria do povo.
Dói, ouvir testemunhos de gente pobre que não sabe o que fazer da vida; choca, escutar os depoimentos de jovens licenciados, de regresso à casa dos pais, arrumando as coisas num canto da garagem e partirem à aventura, em despedida emocionada, porque o país não lhes garantiu o espaço necessário à retribuição do investimento feito. Fiquei perturbado com o texto e com as palavras sentidas ao longo de uma exemplar reportagem na SIC. Estavam, ali, uma arquitecta e uma jurista, esta, soluçando, a caminho de Macau. Fiquei com um nó na garganta como se fosse uma minha filha a ter de partir para o desconhecido. E há para aí um tal Relvas, sem vergonha na cara, que faz em um ano os estudos que deveriam decorrer ao longo de cinco, a sugerir que os jovens emigrem. Mas que raio de País este que descamba e fica entregue a uma corja sem visão e sem sentimentos. É esta a "corrupção" de que, recentemente, falou D. Januário Torgal Ferreira e que tanto abespinhou certos políticos.
E por aqui, pela Madeira, o desastre é servido em dose dupla. Quando Miguel Sousa Tavares fala de uma governação entregue a "um bando", obviamente que me choca, mas tenho de engolir. É o sentimento que existe, não com o significado de pandilha, mas de gente impreparada ou que há muito deveria ter sido substituída. Pessoas politicamente esclerosadas, repetitivas e previsíveis, sem qualquer rasgo inovador e criativo, para as quais o poder é sinónimo de vaidade e de profissão. Gente que tanto mal está a fazer à Madeira, que pouco se rala que as empresas estejam em insolvência ou falência, que o desemprego se multiplique e que a degradação social prolifere. Gente menor que gerou, matreiramente, a ilusão de um "povo superior", tentando, com isso, adormecê-lo no sofrimento angustiante da vida. Houve um tempo que eu olhava para a situação com alguma tolerância. Hoje, porém, sinto que a excessiva tolerância conduziu-me a um estado de revolta contra a pouca-vergonha, a mentira e a aldrabice desta governação, simplesmente porque me coloco na situação de um qualquer desesperado, de um empresário que não consegue cobrar as facturas, de escolas sem cêntimo para desenvolver projectos educativos, da saúde sem norte e com gravíssimas limitações financeiras e tudo o mais que todos conhecem e dominam. Raios os partam! 
NOTA:
Eu sei que a vida não pára, mas quando há dramas que envolvem dezenas ou talvez centenas de famílias, vítimas dos recentes incêndios, o "vigia da quinta" promove um jantar "oficial" com os principais dirigentes das trupes carnavalescas. Sintomático. Então isto não é revoltante? 
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Anónimo disse...

Senhor Professor,

Mais um excelente artigo seu!

Cumprimentos.

Vico D´Aubignac

João André Escórcio disse...

Obrigado, muito obrigado pela sua mensagem. É bom sentir que há pessoas atentas. É dessas que a Madeira precisa para um tempo novo, um tempo de esperança.