domingo, 1 de julho de 2012

COMEMORAR O QUÊ?


Hoje, segui, durante duas horas e meia, um programa de rádio de indiscutível qualidade. A RDP-Madeira percorreu as ilhas, fugiu da presença dos que exercem cargos ou funções políticas (pelo menos entre as 10:15 e as 12:45 horas), concedeu a palavra ao povo, passou por todos os sectores, interligou de forma muito bem conseguida os diálogos, com os jornalistas a colocarem apenas o essencial, com excelente som de ambiente e musical de fundo, pois bem, esses pretensos autonomistas das jantaradas e das bandeiras empunhadas com mãos sujas deveriam colar o rabinho à cadeira e escutar a autenticidade do sentimento das pessoas. Para mim valeu a pena, porque a rádio trouxe-me a Madeira profunda, eu estive não estando em toda a Região, senti e percebi a clareza das suas palavras, das suas angústias, o sentido das suas críticas, o olhar para ontem mas com o sentido e responsabilidade do futuro, que é muito mais que as palavras de um qualquer constitucionalista que paga em palavras de elogio os pareceres que lhe vão sendo solicitados. Parabéns RDP-Madeira pelo exemplar cumprimento do serviço público a que estão obrigados. O resto é treta, neste dia onde não existem razões substantivas para qualquer comemoração.


O verdadeiro autonomista não precisa de dizer que o é. O autonomista não precisa de agitar bandeiras nem de ir às jantaradas de aniversário do João. O autonomista não precisa de colocar bombas, dispensa o debate da independência, não precisa de referendos, não persegue, não sectariza, não se fecha e não precisa de criar um novo partido. O autonomista utiliza a inteligência ao serviço da negociação com sucesso.
Potencialmente, nós, insulanos, somos todos autonomistas. Não faz qualquer sentido que uns, movidos por interesses que não se desvendam de forma fácil, alardeiem um sentimento autonomista como se fossem os seus donos, colocando-se em bicos de pés em manifestações que metem dó. Coitados, que tristeza evidenciam, em quanta ilusão vivem perante os ditos "patarapadas". Que paciência muitos têm de ter para tolerar discursos repetitivos e vazios de futuro, a hipocrisia, as meias-verdades, a utilização de meios fraudulentos de comunicação, as ordinarices, as ofensas rasteiras dos actuais senhorios que julgam não dar a perceber o seu jogo! Que tristeza, repito!
O estalar de foguetes pela manhã, o discurso do constitucionalista de serviço que substitui a voz do povo representada na Assembleia, as flores na Praça da Autonomia, a paradoxal Missa de Acção de Graças que não se percebe a sua razão quando tudo isto está de pantanas (a não ser para um acto de contrição), enfim, tudo isto cheira mal, exala um odor a azedo, porque não é autêntico, não é verdadeiro, não tem alma, é claramente artificial e ao serviço de uma política pobre e geradora de pobreza que se espalha.
Hoje, segui, durante duas horas e meia, um programa de rádio de indiscutível qualidade. A RDP-Madeira percorreu as ilhas, fugiu da presença dos que exercem cargos ou funções políticas (pelo menos entre as 10:15 e as 12:45 horas), concedeu a palavra ao povo, passou por todos os sectores, interligou de forma muito bem conseguida os diálogos, com os jornalistas a colocarem apenas o essencial, com excelente som de ambiente e musical de fundo, pois bem, esses pretensos autonomistas das jantaradas e das bandeiras empunhadas com mãos sujas deveriam colar o rabinho à cadeira e escutar a autenticidade do sentimento das pessoas. Para mim valeu a pena, porque a rádio trouxe-me a Madeira profunda, eu estive não estando em toda a Região, senti e percebi a clareza das suas palavras, das suas angústias, o sentido das suas críticas, o olhar para ontem mas com o sentido e responsabilidade do futuro, que é muito mais que as palavras de um qualquer constitucionalista que paga em palavras de elogio os pareceres que lhe vão sendo solicitados. Parabéns RDP-Madeira pelo exemplar cumprimento do serviço público a que estão obrigados. O resto é treta, neste dia onde não existem razões substantivas para qualquer comemoração.
Ilustração: Google Imagens. 

2 comentários:

Anónimo disse...

Um dia do povo e para o povo.

João André Escórcio disse...

Deveria ser, tem toda a razão. Infelizmente, não é.