sábado, 7 de julho de 2012

MAS QUAL ESTABILIDADE?


Em termos de justiça eu diria que, o que por aqui se passa, corresponde a quase duas "penas máximas"... para o povo! São já 36 anos seguidos sem liberdade condicional.


"O meu mandato acaba em 2015, vai haver estabilidade política até 2015, não vai haver "tontarias" de eleições antecipadas nem disparates desse género; vai haver estabilidade, e eu garanto-vos essa estabilidade". Palavra do senhor... governo!
Em 2007, sem qualquer razão plausível, através de uma grosseira mentira, refiro-me à Lei das Finanças Regionais, o homem provocou eleições antecipadas e, qual embuste, ludibriando o povo através da mensagem política, manteve-se ao leme. Hoje, uma grande parte do povo já percebeu a história em que caiu. Agora, porque não sabe para que lado se volta, porque nem os seus o aconchegam, promete manter-se e garantir "estabilidade". Mas qual estabilidade? A falsa estabilidade das empresas a falir, do desemprego que cresce, a falsa estabilidade consubstanciada nas resmas de facturas pregadas no teto, a falsa estabilidade que nem dinheiro tem para pagar os frescos das refeições nas escolas, as facturas atrasadas e os necessários e imprescindíveis consumíveis nos hospitais? É este homem que nos vem falar de estabilidade? Qual a solidez e segurança deste sistema que demonstra estar a rebentar pelas costuras?
Ora, quando uma pessoa não tem noção da realidade, a noção que o seu tempo terminou, a noção que já é o problema e não a solução e, ao invés de uma postura serena e lúcida não se afasta, demonstra, inequivocamente, que esconde muita coisa para além daquilo que é perceptível. Tenta esconder, ao fim e ao cabo, o seu próprio fracasso político. Admitir isso, para alguns, é difícil, porque não sabem lidar nem estão preparados para lidar com o fracasso. O sentimento de evidente culpa é, digamos, abafado, porque "(...) o falhado é um homem que errou mas não é capaz de converter o seu erro em experiência" - Elbert Hubbard. Manter-se no erro parece-me, pois, revelador de pouca inteligência.
Perguntaram a Jerrold Post, figura que dedicou a sua carreira à psicologia política: os líderes políticos geralmente são narcisistas? Bem, respondeu, "(...) certamente, muitos deles são. Há um narcisismo saudável, em que uma pessoa tem fé e grande confiança nas suas habilidades e ambições. Quando você junta isso com uma oportunidade, contribui para a liderança. Mas quando o narcisismo é patológico, ou nocivo, torna-se bastante perigoso". Digo eu, em termos de justiça, o que por aqui se passa, corresponde a quase duas "penas máximas"... para o povo! São já 36 anos seguidos sem liberdade condicional, porque este governo não é saudável.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

O homem tem de dizer qualquer coisa para convencer o povo superior/pata-rapada de que ainda está ao leme.
Porém, não me parece que ainda convença seja quem for.
Embora uma andorinha não faça a primavera, há dias quando viajava de táxi aqui na Madeira, o motorista, pessoa que pela maneira como falava revelava pouca escolaridade, manifestou-se revoltado com o jardinismo. Além de outras razões, queixava-se de que há muito que não recebe os pagamentos por serviços prestados ao GR e que tal lhe está a dificultar a vida.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Maioria absoluta já não tem. Com toda a certeza. Há um ambiente de clara repugnância política. Já poucos aguentam. O problema agora é saber se o povo quer a "evolução na continuidade" ou se quer romper com este estado de pura anormalidade política. As autárquicas serão determinantes.
Um bom fim de semana.