domingo, 22 de julho de 2012

NUNO CRATO EM "PLANO INCLINADO"


O quadro que hoje está desenhado só levará a uma profundíssima revolta, muito mais expressiva do que aquela contra a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Não me sobejam dúvidas relativamente a isso. Este PREC de direita (Processo Revolucionário em Curso, in Expresso), na expressão de Miguel Sousa Tavares, é um ajuste de contas com o passado, com uma avalancha de consequências previsíveis: mais pobreza, por um lado, e mais riqueza por parte de quem já é muito rico. Quem sofre com este PREC, com estes tempos bárbaros, na escrita de Henrique Monteiro, são, de facto, os que vêm limitados os acessos à Educação e à Saúde, direitos constitucionais, cortados sem dó nem piedade e sem a visão que o futuro só pode ser construído com muito trabalho, rigor e disciplina, é certo, mas com respeito pelas pessoas e pelos direitos conquistados. E há tanto por onde cortar. Quem, minimamente, acompanha o país político, sabe onde é que ninguém mexe e sabe, também, que vale tudo para "roubar" a já de si pobre carteira da maioria dos portugueses. Impostos e mais impostos, subsídios de férias e de Natal, despedimentos deliberadamente facilitados, liquidação da contratação colectiva, condicionamentos variados no sentido da falência de empresas viáveis, emigração forçada, privatização de tudo, ao ponto de Miguel Relvas querer ficar no governo até à venda da RTP, contra a qual se batem mais de uma centena de personalidades da vida pública portuguesa.

Coloque os óculos, Senhor Ministro.
Enxergue o drama do Sistema Educativo!
O Ministro da Educação, Doutor Nuno Crato, anda, claramente, como soe dizer-se, à procura da rolha. Melhor dizendo, não consegue sair do "plano inclinado", programa de televisão que o catapultou para o ministério. Só que, entre dizer umas coisas, ao lado do Dr. Medina Carreira, e governar, a diferença é substancial. Destes meses de governação parece ficar provado que lhe falta uma visão de conjunto do sector ao mesmo tempo que demonstra não ter força política suficiente para determinar que o actual quadro de crise necessita de um substancial reforço na política educativa. Está, claramente, subjugado às regras economicistas ditadas externamente e que explicam a perniciosa reconfiguração do sistema educativo, onde os professores são enxotados como peças descartáveis. Depois de muitos anos com a casa às costas, milhares de docentes confrontam-se, agora, com o drama do desemprego. Não só esses, mas também outros com vínculo aparentemente estável. Sem capacidade política para actuar de forma sustentada e paulatina nos alicerces do sistema, apontou as baterias a uma insensata revisão da estrutura curricular, geradora de inúmeros conflitos, e pronto, milhares para casa!
O que se passou na Assembleia da República, onde o ministro foi visado por muitos professores que se encontravam na galeria destinada ao público, é consequência das suas posições e do desconforto existente na classe. O ministro não valoriza o estudo que revela que os professores do Ensino Secundário apresentam, hoje, crescentes valores elevados de stress, exaustão emocional e falta de reconhecimento profissional, e que ter horário zero tira o sono a qualquer pessoa e provoca altos níveis de ansiedade e depressão. Profissionais com muitos anos de serviço são tratados como peças descartáveis, imolados no altar dos interesses economicistas ditados pela sacrossanta troika que, pouco ralada demonstra estar com as pessoas e com o país. Interessa-lhe sacar o máximo de juros em função de um empréstimo que deveria ser considerado de acordo com as possibilidades do país e tendo em vista os equilíbrios financeiros mundiais. E sabem que esta crise tem origem bem longe do país, exactamente, onde o FMI tem a sua sede. Mas, enfim... o ministro, ou melhor, este governo está mais preocupado em saber onde pode cortar, mesmo que isso signifique empobrecimento, retirando o pão da boca de milhares de docentes que sempre foram necessários ao sistema educativo. Para o ministro o futuro do país depende de uns acertos marginais nas horas de Português e da Matemática. Como se mais escola equivalesse a melhor escola!
O quadro que hoje está desenhado só conduzirá a uma profundíssima revolta, muito mais expressiva do que aquela contra a ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Não me sobejam dúvidas relativamente a isso. Este PREC de direita (Processo Revolucionário em Curso, in Expresso), na expressão de Miguel Sousa Tavares, é um ajuste de contas com o passado, com uma avalancha de consequências previsíveis: mais pobreza, por um lado, e mais riqueza por parte de quem já é muito rico. Quem sofre com este PREC, com estes tempos bárbaros, na escrita de Henrique Monteiro, são, de facto, os que vêm limitados os acessos à Educação e à Saúde, direitos constitucionais, cortados sem dó nem piedade e sem a visão que o futuro só pode ser construído com muito trabalho, rigor e disciplina, é certo, mas com respeito pelas pessoas e pelos direitos conquistados. E há tanto por onde cortar. Quem, minimamente, acompanha o país político, sabe onde é que ninguém mexeu e sabe, também, que vale tudo para "roubar" a já de si pobre carteira da maioria dos portugueses: impostos e mais impostos, subsídios de férias e de Natal, despedimentos deliberadamente facilitados, liquidação da contratação colectiva, condicionamentos variados no sentido da falência de empresas viáveis, emigração forçada, privatização de tudo, ao ponto de Miguel Relvas querer ficar no governo até à venda da RTP, contra a qual se batem mais de uma centena de personalidades da vida pública portuguesa.
Ora, Nuno Crato é mais um que, no seu sector, dá rumo ao desmantelamento do Estado. Um governo que não assume a Educação como a prioridade das prioridades e que negligencia a Saúde, um governo que demonstra apenas saber conjugar o verbo cortar, manifesta desprezo pelo futuro. Sinto-me revoltado contra esta ideologia dominante que varre a esperança que deveria constituir o alimento e motivação de toda a população. Não foi a esmagadora maioria dos portugueses que viveu as possibilidades. Enxergue o drama do Sistema Educativo, já que, por aqui, não há esperança nesta Secretaria da Educação.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

"Nuno Crato é mais um que, no seu sector, dá rumo ao desmantelamento do Estado."

Caro André Escórcio

Mas isso é o que tem acontecido sistematicamente desde os tempos de Cavaco como PM. Há que reduzir o Estado a uma máquina de exploração dos mais fracos pelos mais fortes.
Ironicamente, tal política só não foi posta em prática, na sua totalidade, aqui na Madeira, pelas razões bem conhecidas (...) e com os resultados catastróficos que vamos ter de pagar. Mas isso é outra história.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
É verdade, nos anos 80, caso o País tivesse investido com seriedade e muito rigor na Educação, hoje, provavelmente, não estaríamos a passar por momentos tão difíceis. E nesse tempo era Cavaco o detentor da responsabilidade. Mas não foi só na Educação, como salientou e bem...