terça-feira, 17 de julho de 2012

ONDE PARAM A DIGNIDADE, O DESPRENDIMENTO, O RIGOR E A HONESTIDADE?


Não fico, portanto, pasmado, quando olho para este poder regional, um poder de mãos sujas no sentido do que deveria ter feito e não fez, um poder que conduziu a este desastre económico, financeiro, social e cultural, e vejo todos os seus elementos de mãos dadas em torno de um homem sem noção do tempo do seu tempo. Vejo-os ali agarrados como lapas, mesmo que ultrapassados e triturados, subjugados às ordens de quem os quer como servos e não como responsáveis políticos. É triste vê-los rastejar, sentir que naquelas cabeças, em cada decisão a tomar, têm sempre o pensamento no "chefe" (que pensará ele?), sentir que, a qualquer momento, podem ser desautorizados e ultrapassados. A recente polémica em torno dos apoios ao desporto foi paradigmática. O secretário amouchou, não foi solidário, deixou cair o elo mais fraco, foi ultrapassado e manteve-se no lugar, impávido e sereno, como se tudo o que se passou fosse normal. Deu uma imagem pública de sub-chefe, de funcionário que cumpre um horário, não de um governante que sabe o que quer, onde quer chegar e que o tem de fazer para lá chegar.


Não entendo o exercício da política sem dignidade e desprendimento, sem rigor e honestidade. Genericamente, a política constitui um acto de enorme nobreza que não se compagina com a trapaça, com os jogos obscuros, biombos, ausência de pureza de carácter, isto é, o exercício da política, tal como a entendo, não é para gente menor, para portadores de sentimentos corruptos no sentido literal do termo. Eu sei que assim não é, que o que não falta são políticos de meia-tijela, oportunistas, garotos, uns que fazem uma licenciatura em um ano enquanto os honestos precisam de cinco, uns que enriquecem em meia-dúzia de anos face a outros de trabalho a vida inteira, da mesma forma que reconheço pessoas de grande doação que, quando lhes pisam os calos, a consciência ordena-lhes que mande às malvas, para não dizer a outro sítio, quem se guia pelas sebendas conspurcadas do poder.
Não fico, portanto, pasmado, quando olho para este poder regional, um poder de mãos sujas no sentido do que deveria ter feito e não fez, um poder que conduziu a este desastre económico, financeiro, social e cultural, e vejo todos os seus elementos de mãos dadas em torno de um homem sem noção do tempo do seu tempo. Vejo-os ali agarrados como lapas, mesmo que ultrapassados e triturados, subjugados às ordens de quem os quer como servos e não como responsáveis políticos. É triste vê-los rastejar, sentir que naquelas cabeças, em cada decisão a tomar, têm sempre o pensamento no "chefe" (que pensará ele?), sentir que, a qualquer momento, podem ser desautorizados e ultrapassados. A recente polémica em torno dos apoios ao desporto foi paradigmática. O secretário amouchou, não foi solidário, deixou cair o elo mais fraco, foi ultrapassado e manteve-se no lugar, impávido e sereno, como se tudo o que se passou fosse normal. Deu uma imagem pública de sub-chefe, de funcionário que cumpre um horário, não de um governante que sabe o que quer, onde quer chegar e que o tem de fazer para lá chegar. Do lado do "chefe" ficou a ideia, uma vez mais, que só existe um "único importante", um dono da coisa pública e que os seus escolhidos são figurinhas a quem se dá um pontapé no rabo para andarem de acordo com os seus desígnios. Que tristeza! Onde param a dignidade, o desprendimento, o rigor e a honestidade?
Não tenho estômago, nunca tive, para digerir situações destas. Por isso vivi situações desagradáveis. Há um limite a partir do qual, por respeito a si próprio, uma pessoa deve, abertamente, cara a cara, dizer: se entende que isto é um brinquedo, fique lá com ele, brinque como quiser, mas não me chateie nem faça de mim bola de trapos. Porque é de bola que estamos a falar. É por estas e por muitas outras que a Madeira precisa de uma varridela total, no sentido da respeitabilidade que devolva a confiança aos cidadãos.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Anónimo disse...

Apoiadíssimo, Senhor Professor!
Muito bem escrito!
V.D´A.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
O que sinto é, exactamente, o que escrevi. Obrigado.