sábado, 14 de julho de 2012

OS DIRIGENTES DO DESPORTO QUE SE ACAUTELEM: O GOVERNO ESTÁ A VENDER ILUSÕES E FUMO!


Entre a fome que por aí vai e o futebol profissional, o governo escolheu o futebol! Uma opção que não é estranha. Nunca foi. E este aspecto é que me preocupa. Preocupa-me a irracionalidade, a manutenção de um sistema falido, o jogo da ignorância, a promessa fácil do presidente do governo quando têm seis anos de atraso nas transferências acordadas através de contratos-programa, a cedência às pressões deste ou daquele, o ar politicamente boçal com que se diz que é assim e ponto final, talvez porque se intitule de "único importante". Isso é que me preocupa. Preocupa-me este arrastar de responsabilidades como se estivesse a arrastar os pés pelo areal. Preocupa-me a permanente mentira e a incapacidade para tomar consciência que se o processo está errado, só há que inverter a marcha, custe o que custar e doa a quem doer. Pacientemente, é certo, mas seguramente. Porque quem aposta nos mesmos modelos só pode esperar, no futuro, os mesmos resultados de ontem e de hoje. É isto que me preocupa.

A recente polémica dos apoios ao desporto conduziu o Dr. Jorge Carvalho a apresentar o pedido de demissão do cargo, para o qual está indigitado, ao Secretário Regional da Educação. No online do DN-Madeira, quando a notícia foi publicada, escrevi: "Uma atitude de grande dignidade que fica na história do jardinismo. Quando tantos evidenciam ter uma coluna de plasticina, o Dr. Jorge Carvalho demonstrou uma rara nobreza no desempenho político. Parabéns". Fi-lo com sinceridade, porque conheço a figura em questão e porque, no actual quadro de dependências políticas, uma atitude destas tem nobreza e reflecte um comportamento inabitual. Se irá reconsiderar ou não, o problema é dele e das suas circunstâncias. Não comento, nem comentarei o seu eventual recuo. Para já, o seu gesto, significa uma derrota para o Presidente do Governo Regional e para o Secretário da Educação. Ambos perdem, por razões diferentes, é certo, mas perdem. Ficou claro que o Director Regional, recentemente indigitado, não pactua com trapaças e que, politicamente, o Dr. Jardim e o Dr Jaime não podem dele fazer um mero capacho. Com esta atitude, parece-me que o Dr. Jaime Freitas é mais lacaio do Dr. Jardim, do que o Dr. Jorge Carvalho é relativamente ao Dr. Jaime Freitas. Se este tivesse alguma dignidade política, muito antes do Director Regional já tinha colocado o seu lugar à disposição.
Mas, atenção, elogio a atitude do Dr. Jorge Carvalho, não a questão dos apoios ao desporto por parte do governo. Esse aspecto já aqui o desenvolvi, portanto, relativamente ao governo, as minhas posições são completamente antagónicas. Aliás, pouco me rala o facto do Secretário da Educação e do Director Regional terem sido ultrapassados, mesmo depois, há já algum tempo, do Presidente do Governo ter dito que nunca interferiu nas "contas" e opções das várias secretarias. Cada um deixa-se espezinhar como quer e entende. O problema é deles. Eu, envolvido numa situação dessas, sabia escolher o caminho. Deus me livre, num eventual quadro de responsabilidades governativas, ouvir, num programa de televisão, que os apoios estipulados iam ser revistos e, vinte e quatro horas depois, o presidente do governo anunciar que assim seria. Apenas concederia meia-dúzia de horas para a minha substituição. E ponto final, porque à desonestidade aprendi que se deve responder com actos de honestidade intelectual. Só que "eu sou eu e as minhas circunstâncias" como destacou Ortega e Gasset. Os outros que procurem os seus caminhos.
Mas a este propósito, os dos anunciados subsídios, a questão maior divide-se em duas alíneas: a) o governo não tem dinheiro, não sabe se o terá, há resmas de facturas por liquidar e promete, demagogicamente, aquilo que não tem; b) essa verba daria para alimentar cerca de 50 famílias (4 pessoas), durante um ano, a uma média de € 20,00/dia, considerando um cabaz essencial. Ora, entre a fome que por aí vai e o futebol profissional, o governo escolheu o futebol! Uma opção que não é estranha. Nunca foi. E este aspecto é que me preocupa. Preocupa-me a irracionalidade, a manutenção de um sistema falido, o jogo da ignorância, a promessa fácil do presidente do governo quando têm seis anos de atraso nas transferências acordadas através de contratos-programa, a cedência às pressões deste ou daquele, o ar politicamente boçal com que se diz que é assim e ponto final, talvez porque se intitule de "único importante". Isso é que me preocupa. Preocupa-me este arrastar de responsabilidades como se os seus responsáveis estivessem a arrastar os pés pelo areal. Preocupa-me a permanente mentira e a incapacidade para tomar consciência que se o processo está errado, só há que inverter a marcha, custe o que custar e doa a quem doer. Pacientemente, é certo, mas seguramente. Porque quem aposta nos mesmos modelos só pode esperar, no futuro, os mesmos resultados de ontem e de hoje. É isto que me preocupa.
Sempre disse aos meus alunos: quando não perceberem, perguntem. Perguntem, uma, duas, três ou mais vezes. Não há mal nenhum nisso. Mal é errar por ignorância, por não se ter perguntado e estudado! Infelizmente, no plano político e não só, temos muitos anos de ignorância altifalante.
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Vico D´Aubignac (O Garajau) disse...

Bom dia Sr Professor,

Claro que o dito senhor vai reconsiderar e permanecer no cargo: é a conhecida técnica de lavar a cara e deixar lá meticulosamente as remelas.
Bom fim-de-semana.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Já não sei o que dizer, mas é bem possível. Aguardemos por amanhã.
Um bom Domingo.