quarta-feira, 11 de julho de 2012

A PATÉTICA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA SOBRE OS APOIOS AO DESPORTO


Se alguém perguntar, oh Senhor Secretário, o senhor vai estar aí algum tempo mais, (espero que pouco) diga lá o que vai deixar para o futuro e para quem lhe suceder? Esta pergunta ficará, com toda a certeza, sem resposta. Ele não sabe, porventura não quer saber e, apenas porque há milhões por pagar, consequência da loucura de nunca ter sido definida uma política desportiva ao serviço do desenvolvimento, vê-se na circunstância de cortar. Se crise não houvesse o regabofe continuaria. Para onde vai, o quer atingir, que passos tem o governo de dar para, reconfigurando, lá chegar, isso pouco lhe interessa. Importante é atribuir o quinhão, tentar manter as portas do associativismo abertas, disfarçar os erros cometidos ao longo de anos e com uma mensagem: tentem fazer o mesmo que faziam. Projecto, mas qual projecto?  Ora, da conferência de imprensa de ontem resulta, claramente, que o governo não consegue sair do labirinto onde se meteu, desde os primórdios dos anos 80. Um percurso de permanente ilusão que conduziu à falência do sistema. Todos o sabem. Uma falência anunciada. E o grave da situação é que o Dr. Jaime Freitas não tem noção disso.



O governo continua a não acertar com a política desportiva. Desta vez, aliás, como sempre, começou pelo fim, isto é, não sabendo para onde caminha, cortou nos apoios apenas porque a palavra de ordem é poupar. Concretamente, segue a política de não ter política, melhor dizendo, corta o fatinho à medida da fazenda que dispõe. Se ontem foi assim, hoje, pouca preocupação manifesta que as calças fiquem por meia perna ou que as mangas não ultrapassem os cotovelos, o objectivo é distribuir o dinheirinho conforme presumem, repito, presumem, que existirá no cofre. Definir um projecto sustentável, de exemplar rigor, para todos os sectores e áreas de intervenção, do escolar ao federado e dos trabalhadores aos especiais, onde conste o percurso a seguir no sentido de garantir uma elevada taxa de participação física e desportiva, a par de uma representação externa de alta qualidade, não, o governo voltou a (re)começar pelo fim, pelo dinheiro a atribuir, com a agravante de não saber se o terá disponível face às graves dificuldades que a Região atravessa. Depois, pateticamente, encena, ludibria com os potes e créditos e demais enfeites, baralhando e dando de novo, exactamente com a mesma configuração de ontem. Resultado previsível a prazo: continuação e agravamento das dificuldades, baixíssima taxa de participação física e desportiva e, tarde ou cedo, nova onda de protestos. 
Se alguém perguntar, oh Senhor Secretário, o senhor vai estar aí algum tempo mais, (espero que pouco) diga lá o que vai deixar para o futuro e para quem lhe suceder? Esta pergunta ficará, com toda a certeza, sem resposta. Ele não sabe, porventura não quer saber e, apenas porque há milhões por pagar, consequência da loucura de nunca ter sido definida uma política desportiva ao serviço do desenvolvimento, vê-se na circunstância de cortar. Se crise não houvesse o regabofe continuaria. Para onde vai, o quer atingir, que passos tem o governo de dar para, reconfigurando, lá chegar, isso pouco lhe interessa. Importante é atribuir o quinhão, tentar manter as portas do associativismo abertas, disfarçar os erros cometidos ao longo de anos e com uma mensagem: tentem fazer o mesmo que faziam. Projecto, mas qual projecto?  
Ora, da conferência de imprensa de ontem resulta, claramente, que o governo não consegue sair do labirinto onde se meteu, desde os primórdios dos anos 80. Um percurso de permanente ilusão que conduziu à falência do sistema. Todos o sabem. Uma falência anunciada. E o grave da situação é que o Dr. Jaime Freitas não tem noção disso. Não tem noção que há dirigentes aflitíssimos, com os seus nomes olhados de forma enviesada pela banca, porque foram empurrados pela megalomania e total descontrolo do governo, porque acreditaram e porque ninguém soube travar os entusiasmos. Não tem noção que há empresários que não conseguem cobrar fornecimentos feitos de boa-fé, pessoas que estão entaladas à espera que paguem o que devem. Não tem noção que o problema neste momento é pagar as facturas em atraso, descomprimir a angústia dos dirigentes. Não tem noção que, ao mesmo tempo que se impõe uma ruptura com o passado, há uma absoluta necessidade de conceder tempo no sentido de uma adaptação da estrutura associativa a uma nova política. Se a tivesse, sublinho! Ele não tem noção de nada, ao ponto de ser caricato pedir às falidas Sociedades Anónimas Desportivas que façam o mesmo com menos dinheiro, quando bom e barato não existe em ramo algum, muito menos no desporto, isto é, ele não tem noção que a alta competição só se faz com profissionais de topo e que isso custa dinheiro, muito dinheiro. Qualquer governante com um mínimo de bom senso político, conhecimento e rigor imporia a si próprio, no actual quadro, repensar a estratégia, não a simples redução da percentagem do apoio, mas repensar o interesse em nela estar e participar, refiro-me às SAD's, tendo sempre presente que esta é uma Região pobre, assimétrica, dependente e com um Plano de Ajustamento Financeiro às costas! Mas, não, para o Secretário da Educação e dos Recursos Humanos tudo isto não interessa, pois importante é colocar um penso rápido numa ferida que sangra desde há muito. Não vai ter vida fácil simplesmente porque o monstro que o governo criou, que os seus antecessores conceberam, de braço dado com o Equipamento Social, exige muito alimento diário e, se não há para manter a Educação e a Saúde a funcionarem com dignidade, obviamente, que continuará a faltar para outros sectores e áreas consideradas não prioritárias. A situação tenderá a piorar, pode o movimento associativo ter a certeza disso, até por insuficiência financeira da Região. O governo está comprometido, até 2015, com responsabilidades na ordem de 4,1 mil milhões de Euros (incluindo 600 milhões das PPP) quando o orçamento da Região é de cerca de 1,5 mil milhões anuais e que estão esgotados para o seu funcionamento. Onde é que irão desencantar o dinheiro para pagar as outras responsabilidades, no caso do desporto, o funcionamento, os vícios e a manutenção do parque infraestrutural? Não sei!
Ah, o princípio da continuidade territorial, isto é, que deve ser a República a suportar os encargos das ligações aéreas no âmbito da participação desportiva. Só faltava essa mistificação para sacudir as responsabilidades. Sabia o Secretário que, anualmente, do Orçamento de Estado, a Região recebe mais de duzentos milhões exactamente para suprir os custos de insularidade? Que é daí que, numa política de rigor, devem sair os encargos com a representação nacional? Repito, mais de duzentos milhões de euros! É evidente que não podem, a todo o momento, andarem para cá e para lá representações sem qualidade e num vasto leque de modalidades. A participação nacional tem de ser limitada através de rigorosos critérios, da mesma forma como acontece com os praticantes de Bragança, de Faro, de Coimbra ou da Covilhã.
Volto a dizer que tudo isto era previsível. Há muitos textos de alerta sucessivamente publicados. Há muitas intervenções políticas na Assembleia Legislativa, vários projectos apresentados, infelizmente, todos liminarmente chumbados por uma maioria acéfala que nunca quis estudar e propor as mudanças que se impunham. Uma maioria conivente e, portanto, responsável pelo descalabro. Sabia-se que o monstro crescia de orçamento em orçamento, eram conhecidas as múltiplas fragilidades do sistema a partir de vários estudos sobre política de desenvolvimento do desporto. Aproveitaram-se do associativismo com motivações de controlo político-partidário, engodaram ao mesmo tempo que alguns se encheram, pelo que a pergunta surge naturalmente: e agora Senhor Secretário? Respondo-lhe: agora, gira as ameaças que vão naturalmente surgir, gira a rota de colisão entre o governo a que pertence e os dirigentes, gira o encerramento de clubes, gira a diminuição do número de praticantes, mas poupe-nos a conferências de imprensa patéticas e propostas de financiamento que não se filiam num documento de política estratégica. Entretanto, oiça o presidente do Cruzado Canicence. Ele tem sido claro, talvez pela sua mentalidade empresarial. Anunciou e sustentou a sua posição de não querer entrar em loucuras, preferindo fazer um compasso de espera durante dois anos, porque, sublinha, existem outras prioridades. Fale com ele, já que o governo não gosta de ouvir a oposição!
Ilustração: Google Imagens.

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