sábado, 11 de agosto de 2012

A DEMAGOGIA DO CDS/PP


O que me choca é a pouca-vergonha e a ausência de responsabilidade no corredor entre a dignidade do cargo de presidente do governo e as rodadas de imperial no bar do Henrique. Isso é que desprestigia a função e torna a residência oficial em um simples local de veraneio e de pernoita igual a tantos outros. E não deveria ser assim. A ostentação, o nível baixo e, por vezes, com alguma indignidade nas palavras ditas, em visitas locais, em cima de um palco ou entre um copo e umas lapas (as verdadeiras e outras) é que fazem ecoar a crítica relativamente à existência de uma residência oficial. O que não faz sentido é ela servir de poiso de férias de ex-governantes, actuais governantes e, porventura, de amigos de governantes. Aquilo não pode ser uma "datcha" reservada para os do "comité central". O que está em causa é, portanto, a definição clara da sua função o que implica uma utilização reservada e digna.  


Ao longo da minha vida tenho tido a possibilidade de sair da região e de visitar países, desde grandes cidades a aldeias. Costumo preparar ao pormenor, através de roteiros que me levam a integrar e conhecer a sua cultura em vários domínios. Neste quadro já visitei palácios que são residências de férias, desde regimes monárquicos a regimes republicanos, desde os nórdicos aos do sul. Até o Papa desfruta de uma residência de Verão, em Castel Gandolfo, um  lindo edifício do século XVII, que há quatro séculos serve de refugiu no período estival. Não vejo, por isso, onde está o problema de existir um edifício que sirva de residência oficial de um governante pertença à Igreja ou não. Trata-se, até, de uma questão de dignidade pelo cargo que alguém, circunstancialmente, ocupa, aliás, no quadro do trabalho que, embora em férias, naturalmente tem de desempenhar. A residência pode servir, por modesta que seja, para a recepção oficial de outros governantes de visita à Região, pelo que nada me choca a sua existência. Outra coisa é a forma abusiva e ostensiva, ao geito de dono da capoeira, com que se faz a sua utilização. O problema reside aí e não na função específica do edifício. O que me choca é a pouca-vergonha e a ausência de responsabilidade no corredor entre a dignidade do cargo de presidente do governo e as rodadas de imperial no bar do Henrique. Isso é que desprestigia a função e torna a residência oficial em um simples local de veraneio e de pernoita igual a tantos outros. E não deveria ser assim. A ostentação, o nível baixo e, por vezes, com alguma indignidade nas palavras ditas, em visitas locais, em cima de um palco ou entre um copo e umas lapas (as verdadeiras e outras) é que fazem ecoar a crítica relativamente à existência de uma residência oficial. O que não faz sentido é ela servir de poiso de férias de ex-governantes, actuais governantes e, porventura, de amigos de governantes. Aquilo não pode ser uma "datcha" reservada para os do "comité central". O que está em causa é, portanto, a definição clara da sua função o que implica uma utilização reservada e digna.
Se outro fosse o entendimento sobre a utilização da residência não fazia sentido qualquer pagamento diário pela sua utilização. O governante deveria suportar, apenas, os seus encargos de alimentação e outros. Considero, por isso, uma discussão demagógica aquela que esconde o essencial da questão para centrar a preocupação naquilo que uma parte do povo quer ouvir. Aquela é a casa oficial de todos, repito, todos, os presidentes de governo, pelo que, o que deve ser combatida é a sua utilização indiscriminada e abusiva. Aquele é património da Região, logo, de todos, e não património pessoal deste ou daquele.
Este presidente do governo tem de continuar a ser combatido nas suas fragilidades políticas, enquanto causador da desgraçada em que o povo mergulhou, enquanto político de raiz ditatorial, enquanto político que se pavoneia por aí à custa de uma grosseira mentira política, à custa da ignorância altifalante e à custa de ter utilizado os impostos de todos contra os interesses e a felicidade de todos. É aqui que o combate político tem de assentar, inclusive, no caso em apreço, na forma como utiliza as instalações oficiais. Neste pressuposto, alienar as instalações do Porto Santo e outras, não faz qualquer sentido, nem é por aí que sairemos da grave crise que, por culpa dele, todos estamos a sofrer. Sendo assim, considero demagógica a proposta do CDS/PP.
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Há muito que se percebe que há algo que não bate certo com esta crise. Nomeadamente na "qualidade" dos sucessivos "governos" pós 25 de Abril.
Agora parece que as coisas começam a ser explicadas.
Vamos a ver no que dá.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Espero bem que sim. O problema é que parece existir gente a querer levar ao colo alguns, no sentido de mudar alguma coisa "para que tudo fique na mesma". Isso preocupa-me relativamente à construção de um futuro assente no rigor e na qualidade do exercício da política. O que escrevi tem muito a ver com isso.
Um bom fim-de-semana.

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Peço desculpa, mas o meu comentário refere-se ao seu artigo anterior.

João André Escórcio disse...

Caríssimo,
Eu percebi, mas conjuguei.