quarta-feira, 29 de agosto de 2012

HOSPITAL "MEIAS-SOLAS". O VICE-PRESIDENTE DO GOVERNO TEM O DEVER DE EXPLICAR


"(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção ia para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir, que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constata-se o recuo, todavia, de trapalhada em trabalhada (...)".
 
 
Se o Governo não é uma sociedade secreta
tem o dever de explicar e de ser transparente.
Simplesmente porque o dinheiro
não é destes dois senhores
mas de todos os contribuintes.
Assume o Presidente do Conselho de Administração do SESARAM que a ampliação do Hospital Dr. Nélio Ferraz Mendonça, hospital, sublinhe-se, com 60 anos desde que foi apresentado o respectivo projecto, está na responsabilidade da Vice-Presidência que prevê esteja concluído lá para 2017/2018. Sobre esta matéria escrevi vários textos desde Março de 2011. Tive a oportunidade de assistir a um "Ciclo de Conferências: Um hospital para século XXI" promovido, em conjunto, pelas Ordens e Sindicatos dos Médicos e dos Enfermeiros. Não escutei uma palavra discordante quanto a tal necessidade, nessas conferências que envolveram engenheiros, arquitectos, técnicos especialistas e, naturalmente, médicos e enfermeiros. Na sequência do que ouvi, eu que nada percebo de construções hospitalares, mas tendo em consideração o conhecimento de tantas figuras que se debruçaram sobre a matéria, obviamente que, no mínimo, é estranho que o governo regional faça tábua rasa do conhecimento e continue a avançar por uma solução tipo "meias-solas" em uns sapatos velhos. Este hospital tem 60 anos!
A este propósito escrevi um texto (aqui) que a determinada altura referia: "(...) Podem acrescentar o que quiserem, podem expropriar terrenos de bananeiras, casario, etc., porque o que ali estão a fazer são efectivamente remendos. Fica melhor, pois fica. Torna-se mais operacional em determinadas áreas, ninguém coloca em causa. Mas não deixa de constituir um remendo. Dizem as Ordens dos Médicos e dos Enfermeiros, dizem os Sindicatos, dizem os especialistas em construções hospitalares, dizem os que zelam pela SEGURANÇA, só o Secretário diz, agora, por conveniência política, exactamente o contrário, para contornar o clamoroso erro que foi a não construção do novo hospital. A posição do governo regional é, de facto, delirante! "(...) Em 2001, a ex-Secretária dos Assuntos Sociais e Saúde, Drª Conceição Estudante, declarava que a opção ia para um novo hospital; em 2003, o Presidente do Governo assumiu que o vai construir em sete anos e que é prioritário; em 2004, o presidente do governo disse que, se for eleito, gostaria de inaugurar o novo hospital até 2008; em 2005, o presidente do Conselho de Administração do HCF assumiu que o actual hospital estava fora de prazo e em Dezembro foi anunciado o concurso público e, logo a seguir,que oito consórcios mostraram-se interessados; em 2006 foi dito que a obra avançava no final de 2008; em 2007, o actual secretário assumiu que a construção do novo hospital estava decidida, definitiva e irrevogavelmente. A partir de 2008, o PSD começou a oferecer sinais de dúvida, com o Deputado Jaime Ramos a dizer que o novo hospital não era uma necessidade urgente e básica; no entanto o presidente do governo continuou a sublinhar que a prioridade era um novo hospital. Daí para cá constata-se o recuo, todavia, de trapalhada em trabalhada (...)".
Se volto a referir esta matéria é porque o Vice-Presidente tem o dever político de explicar muita coisa: o porquê da teimosia, qual a posição dos especialistas, se foram ou não ouvidas as ordens e os sindicatos, qual o ponto de situação relativamente aos terrenos expropriados em Santa Rita, quanto custará esta ampliação, enfim, existe aqui um rol de questões que não podem nem devem circunscrever-se aos bafientos corredores e gabinetes do governo como se de uma sociedade secreta se tratasse. Este processo está envolto em secretismo e qualquer cidadão tem o direito de ser devidamente esclarecido.
Ilustração: Google Imagens.

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