sábado, 11 de agosto de 2012

PADRE MARTINS JÚNIOR: 50 ANOS DE SACERDÓCIO


Há algum "crime" em subir ao púlpito e falar a verdade, muito para além, perdoem-me a franqueza, da lengalenga das Leituras que todos já as conhecemos de fio a pavio? Haverá mal algum em denunciar a pobreza, os escândalos, a inversão das prioridades, as carências e as meias-verdades? Haverá algum mal em olhar para a Cruz de uma forma redentora e não pelo seu peso na vida de cada um? E que peso na consciência dos líderes da Igreja quando o que parece estar em causa é uma troca de silêncios por subsídios?


O Padre Martins Júnior está a comemorar os 50 anos da ordenação sacerdotal. Hoje, passei pela Ribeira Seca, cumprimentei-o e felicitei-o. Por múltiplas razões tenho por ele estima e consideração. Uma estima que cresce à medida que os dias se passam sem que a hierarquia da Igreja julgue, em Tribunal Eclesiástico, as atitudes que, desde o Bispo Francisco Santana até António Carrilho, passando por Teodoro de Faria, dizem ter cometido e que justificaram a suspensão "a divinis". Consideração que cresce à medida que assisto aos silêncios cúmplices e que, cada vez mais, provam ser claramente políticos. Que raio de cumplicidade esta que conduz, não à separação de poderes, mas ao esmagamento da hierarquia da Igreja pelo poder político personificado em um só homem? Afinal, que medo tem a Igreja em julgar o Padre Martins Júnior?
Razão continua a ter o Padre José Luís Rodrigues, quando no início de Maio de 2010 escreveu: "Será justo condenar e ostracizar um povo que ama e escolhe para o guiar na sua igreja um padre que sempre o defendeu dos poderosos e tomou militantemente a opção de estar sempre ao lado do seu povo? Que crime é este? Não é chegado o tempo de denunciar esta situação a quem de direito, às instâncias superiores da Igreja Católica, até que chegasse ao conhecimento do Papa?
A verdade é que D. Teodoro de Faria passou ao lado (e bem percebo porquê) de um "problema" que deveria ter sido resolvido e, o agora Bispo D. António Carrilho denuncia, silenciosamente, lavar as mãos. Passaram-se alguns anos desde que aqui chegou, o que me leva a exclamar: que grande engrenagem esta! Como é que não foram capazes de fazer um acto de contrição e que prefiram manter fora da Igreja (apenas no papel) um Pastor que deseja estar de pleno direito na Igreja que serve? Por ser político? E Cristo, não o foi?
Em 2011 escrevi: Há algum "crime" em subir ao púlpito e falar a verdade, muito para além, perdoem-me a franqueza, da lengalenga das Leituras que todos já as conhecemos de fio a pavio? Haverá mal algum em denunciar a pobreza, os escândalos, a inversão das prioridades, as carências e as meias-verdades? Haverá algum mal em olhar para a Cruz de uma forma redentora e não pelo seu peso na vida de cada um? E que peso na consciência dos líderes da Igreja quando o que parece estar em causa é uma troca de silêncios por subsídios?
Que engrenagem é esta, repito. Que engrenagem, não, que vergonha Senhor D. António Carrilho, que não dá um passo no sentido da solução de um "problema" que mancha a diocese e que coloca o povo da Ribeira Seca contra a Diocese. Julguem-no e não faça, Senhor Bispo o gesto de Pilatos. Diga, abertamente, o que se esconde por detrás desta situação. Fale claro ao povo da Igreja Católica. Assuma, claramente, se existe ou não uma pressão político-partidária no presente caso. Porque é tempo de acabar com isto. 
O Padre Martins Júnior completa por estes dias 50 anos da ordenação sacerdotal. E a verdade é que merece a simpatia dos seus paroquianos. A prova disso é que uma comissão organizadora montou as festas unidas num só tronco: a tradicional Festa do Senhor e homenagem ao orago da Ribeira Seca, a Senhora do Amparo, ambas as comemorações "a servir de prefácio e conclusão a uma outra efeméride, esta comemorada uma só vez na vida. Trata-se do cinquentenário da ordenação sacerdotal do Padre Martins Júnior que coincide com o cinquentenário do funcionamento da comunidade da Ribeira Seca, como paróquia da diocese local", sublinha a notícia de hoje do DN. Por ali vão passar Francisco Fanhais, Janita Salomé, Vânia Fernandes (que actua hoje à noite), JP Simões, Pedro Barroso, o Grupo Folclórico do Porto Santo e o Grupo Folclórico de Gaula. Estarão ainda presentes Frei Bento Domingues e o padre Anselmo Borges, professor catedrático de Filosofia na Universidade de Coimbra.
Oh Senhor Bispo D. António Carrilho faça o favor de se mexer!
NOTA
O Padre Martins Júnior concedeu uma entrevista ao DN-Madeira, publicada na edição de Domingo. Uma entrevista a não perder. Aqui fica um excerto: "(...) Que amarras estão a segurar essa revogação da suspensão? Tenho estado calado durante cinco anos. Prometi-lhe que nunca levaria a comunicação social lá [ao Paço Episcopal] como ele me pediu. Pediu-me que não fizesse declarações públicas. Cumpri escrupulosamente. Terminou o interregno. Acabou-se. Agora vou falar. Esta Igreja que me fez sentar no banco dos réus, num processo que é só do foro eclesiástico. Esta Igreja que pede ao poder político para me sentar no banco dos réus. Ninguém pode servir a dois Senhores. Ou se serve a Cristo ou se serve o Poder. A Igreja é sempre aliada do Poder vigente, mormente na Madeira. Há alguma dúvida? Disse-o ao Sr. Bispo numa das muitas conversas que tenho tido no Paço Episcopal. Disse-lhe uma vez 'Já estou cansado de conhecer estas pedrinhas' [alusão ao empedrado do Paço Episcopal]. Mas, não ata nem desata, não se chega a nada. A população já me disse 'não vá lá mais, não é preciso, não precisamos nada disso para nos salvarmos'.
Qual é a solução? É a revogação do despacho de D. Francisco Santana ou um julgamento através do Tribunal Eclesiástico?
A solução é que me julguem. O Tribunal Eclesiástico é a sede própria. Digam qual foi o meu crime. Fui retirado da Ribeira Seca pelo Sr Bispo Dom Francisco Santana. Digo Dom em tom de ultraje, mesmo para enxovalhar. Um Bispo chamar-se Dom, francamente. São representantes de Cristo mas arrogam-se. Querem ser reis. (...)"
Ilustração: Google Imagens.

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