domingo, 19 de agosto de 2012

RIGOROSAMENTE NADA É COM ELE!


Foram, li por aí, quarenta minutos de "pum, pum, dá-lhe, dá-lhe (...)" qual relógio que não adianta nem atrasa. Fez-me lembrar aquela história de um prédio que ruiu, pelo que o cimento, a areia e o ferro foram chamados ao Tribunal. Individualmente inquiridos, o cimento e a areia terão sublinhado que eram da melhor proveniência, apresentando, inclusive, relatórios da sua inegável qualidade. Interrogado o ferro, apenas disse: senhor dr. juiz, eu o culpado? Eu nem estava lá! Bom, Jardim é assim, parece o ferro, aparentemente poderoso, que tudo suporta, mas há 36 anos que não está no processo. A culpa é sempre dos outros. Ele apenas ganhou eleições, formou governo e nomeou pessoas. A partir daí não existe enquanto governo portador de responsabilidades.

Táctica velha, esfarrapada e cheia de buracos, aquela que ontem constituiu o "espectáculo", no Porto Santo, do presidente do PSD-Madeira. Rigorosamente nada do que se passou e passa na Região é com ele. O desastre económico-financeiro, as falências em catadupa e o desemprego, a pobreza e a degradação social não têm rigorosamente nada a ver com as suas políticas ao longo de 36 anos. É como se não tivesse existido governo regional, Autonomia e regionalização de todos os sectores da governação. É como se isto por aqui ainda funcionasse com um enquadramento tipo Junta Geral do Distrito, tal como aconteceu antes de Abril de 1974. A culpa do desastre é dos outros, dita em altos decibéis e de forma que ele pensa ser convincente: a maçonaria, a troika, os ingleses da Madeira velha, a Constituição da República, a banca e o capitalismo. Foram, li por aí, quarenta minutos de "pum, pum, dá-lhe, dá-lhe (...)" qual relógio que não adianta nem atrasa. Fez-me lembrar aquela  história de um prédio que ruiu, pelo que o cimento, a areia e o ferro foram chamados ao Tribunal. Individualmente inquiridos, o cimento e a areia terão sublinhado que eram da melhor proveniência, apresentando, inclusive, relatórios da sua inegável qualidade. Interrogado o ferro, apenas disse: senhor dr. juiz, eu o culpado? Eu nem estava lá! Bom, Jardim é assim, parece o ferro, aparentemente poderoso, que tudo suporta, mas há 36 anos que não está no processo. A culpa é sempre dos outros. Ele apenas ganhou eleições, formou governo e nomeou pessoas. A partir daí não existe enquanto governo portador de responsabilidades.
Jardim faz lembrar, ainda, a descuidada empregada doméstica que varre para debaixo do tapete. Tudo, aparentemente, está limpinho embora tudo exale um cheiro nauseabundo pela acumulação de porcaria. Subir ao palco e assumir responsabilidades, falar do Porto Santo e da miséria estrutural que por lá anda e que faz um povo sofrer, combater o desemprego na Região à luz de um projecto económico, dissertar sobre as razões mais substantivas da falência dos sistemas educativo e de saúde, assumir responsabilidades e gerar confiança nos empresários, falar da dívida e dos constrangimentos consequência da dupla austeridade, isso nunca foi nem é com ele. Como sempre nem uma proposta para o futuro.
Politicamente, Jardim faz-me lembrar um soldado que tive no meu pelotão, em Guiléje, na Guiné, que em situação de ataque à tabanca, ficava tão descontrolado que, serenado o ataque, ainda continuava a disparar. Jardim continua a disparar para todo o sítio, o que mexe e o que não mexe, mas é incapaz de, serenamente, equacionar os problemas, falar a verdade e, estrategicamente, definir alvos que através do diálogo e da concertação torne melhor a vida dos madeirenses e portosantenses. Politicamente, eu diria que cria as suas próprias emboscadas e nelas cai. Pensará ele que ainda ganha alguma coisa com a sua atitude descontrolada de abrir fogo quando o seu poder é apenas aparente? Neste momento, nem superioridade de fogo tem. Apenas faz barulho. A quem estamos entregues!
Ilustração: Google Imagens.

4 comentários:

jorge figueira disse...

Faltando o pão, o circo torna-se cada vez mais sofisticado."A BOLA", através do CSM vai longe - imagine-se - à Geórgia,esperemos que ninguém se lembre de trazer, nos souvenirs,relíquias do estalinismo. O discurso começa a ficar a jeito para enviarem discordantes para os Gulag..

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
De facto, este homem trata a população como se todos fossem imbecis, como se não conseguissemos ver o alcance da sua postura política.
Não sei quando, mas que vai dar tragédia vai...
Aliás, uma pontinha dela já está aí aos olhos de quem quer ver.
Bom Domingo.

jv disse...

Caro, o comportamento deste «senhor» é no mínimo de total incoerência, mas
parece-me pela maneira como certa imprensa ainda lida com ele, dando relevo sem sentido crítico ao que ele proclama, que o vai legitimando perante a «imbecilidade» de alguns(que parecem não ser assim tão poucos) e pelo o aproveitamento de quem ainda ainda pensa poder beneficiar com actual situação.
Alguém na posse das suas faculdades básicas, perante a tragicidade dos factos que assolam a Madeira, possa tolerar minimamente tal criatura, seja em que circunstância for?

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Destaco esta sua passagem: "(...) dando relevo sem sentido crítico ao que ele proclama (...)" por constituir um aspecto que acaba por ser muito preocupante. Falta, muitas vezes, sentido crítico, de uma análise mais profunda que ajude a desmontar a sua colossal mentira política.
Uma boa semana para si.