domingo, 5 de agosto de 2012

ROUBAM AOS MADEIRENSES PARA ALIMENTAR A SUA PROPAGANDA POLÍTICA


A Empresa Jornal da Madeira encontra-se tecnicamente falida. A Situação Líquida é negativa há muitos anos, sem que existam sinais de inversão dessa tendência. Para solver o 'buraco empresarial' que constitui a EJM, cada madeirense no activo (população activa) será chamado a contribuir com cerca de 425 euros, para além de todo o esforço a que actualmente já se encontra obrigado".  

Uma vez mais o Jornal da Madeira. A edição de hoje do DN-Madeira inclui um trabalho (muito bem conseguido) entre outros aspectos, sobre a situação financeira do Jornal da Madeira (aquela que se sabe!). Em números: "o JM já recebeu nos últimos 20 anos mais de 45 milhões de euros do erário público. Nos últimos tempos, foram mais de 3 milhões por ano, ou seja, mais de 10 mil euros por dia!
Transcrevo, pela sua importância: "O DIÁRIO pediu um parecer técnico a um conceituado economista português que quis manter o anonimato, de modo a percebermos o que poderia justificar sucessivos gastos públicos numa empresa que não tem receitas, que não faz pela vida e que provoca distorções no mercado. O contributo surge em 11 pontos que merecem atenção e reflexão.
"As contas e a Certificação Legal de Contas da EJM revelam que a empresa se encontra numa situação muito especial, por quanto:
  1. Encontra-se tecnicamente falida. A Situação Líquida é negativa há muitos anos, sem que existam sinais de inversão dessa tendência;
  2. O Activo da empresa é incapaz de satisfazer o Passivo, existe uma insuficiência superior a 50% deste, pelo que a empresa não revela qualquer capacidade para assumir os seus compromissos;
  3. Os fluxos de caixa, de natureza operacional, reforçam este desequilíbrio, registando um défice superior a 2,4 milhões de euros;
  4. A tesouraria da empresa só se mantém à custa de financiamentos obtidos;
  5. A exploração da actividade da empresa é incapaz face ao conjunto dos compromissos assumidos. Os sucessivos prejuízos conduzem a empresa a uma dependência de meios que não resultam da exploração mas sim de financiamentos, subvertendo a lógica empresarial da mesma;
  6. A situação de desequilíbrio na tesouraria da empresa é reforçada pelos incumprimentos das obrigações resultantes desses mesmos funcionamentos;
  7. As vendas e prestações de serviço da empresa registam-se incapazes para o volume de salários contratado, não sobrando qualquer verba para fazer face aos demais custos da mesma;
  8. A empresa apenas existe por via dos suprimentos realizados pelos seus sócios, o que indica que não existe qualquer razão económica que justifique a sua existência. A manutenção da mesma ultrapassa a racionalidade económica e apenas poderá depender de razões abstractas, motivadas em orientações para além de qualquer vertente empresarial;
  9. Atendendo aquilo que é referido na Certificação Legal de Contas, apenas se acrescentaria o facto de o sócio financiador desta empresa utilizar meios públicos, dos contribuintes em geral, para prosseguir com a continuidade de uma empresa que em nada justifica a sua existência, face ao tremendo desempenho económico e financeiro que apresenta;
  10. À luz do enquadramento económico actual, não subsiste qualquer razão para a existência de uma entidade, constituída sob a forma de sociedade por quotas (logo, visando o lucro) que apresente os resultados referidos;
  11. Para solver o 'buraco empresarial' que constitui a EJM, cada madeirense no activo (população activa) será chamado a contribuir com cerca de 425 euros, para além de todo o esforço a que actualmente já se encontra obrigado". 
Dez mil euros por dia saem dos impostos de todos os madeirenses e portosantenses para alimentar esta vergonhosa propaganda de um poder com 36 anos. Num tempo de sérios constrangimentos financeiros, de gente que passa mal e de gente obrigada a emigrar, governo regional da Madeira retira dos bolsos de todos para manter o controlo da sociedade. Não é de estranhar que 25 perguntas colocadas ao Secretário dos Assuntos Sociais (tutela, à Administração do JM e à Diocese do Funchal tivessem ficado sem resposta. Eles sabem que o que se está a passar é um escândalo, mas há que silenciar em nome da solidariedade política.
Ilustração: Google Imagens. 

4 comentários:

Anónimo disse...

...Não há esperança Dr.!!
A filhaputice humana não descansa e assentou o coiro de forma pesada e quase inamovivel nesta ilha infernal.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Apesar de todo o controlo eu creio que existe uma maioria eleitora que já não suporta esta situação. Isto atingiu os limites. O problema é que a designada Troika é muito célere a carregar sobre as pessoas, agravando a suas vidas, com cortes em todos os direitos, mas deixa passar ao lado estes encargos que são absolutamente desnecessários. Será que esta situação do JM serve os interesses políticos que enquadram a ideologia dominante? Pessoalmente, não tenho quaisquer dúvidas.

jorge figueira disse...

Resta-nos cantar em coro aquela música em louvor do Sr. de Matosinhos (mesmo assim convém saber se ao Santo não será atribuído algum nome desprestigiante, por exemplo santeco): OH SR.DE MATOSINHOS OH SRª DA BOA HORA ENSINAI-NOS O CAMINHO PARA IRMOS DAQUI EMBORA. Sem o dizer, muitos estão a fazê-lo.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu novo comentário.
Só tenho pena que, quem tem a responsabilidade de governar, não tenha em consideração que há muita gente a cantar, para dentro, as agruras da vida. Continuam a assobiar para o lado como se nada estivesse a acontecer. Mas diz a sabedoria popular que "não há bem que sempre dure nem mal que ature". Espero que o mal esteja a terminar...