sábado, 22 de setembro de 2012

BEM PODERIA SAIR DE BELÉM QUE NÃO SENTIRÍAMOS A FALTA!


Só ele não vê, fiel ao seu posicionamento ideológico, que este povo está a rebentar pelas costuras, que a angústia cresce todos os dias, que existe uma claríssima ausência de esperança e que a situação tem de ser travada, no sentido do País pagar o que deve, mas à custa de cortes em sectores e áreas despesistas de um Estado monstro que nada acrescenta de riqueza. Nunca à custa de quem já pouco ou nada tem, de quem chora por não ter que dar aos filhos, não só para a alimentação, mas também para a sua formação, à custa de uma juventude cujo futuro está na incerteza da emigração, à custa do descarado roubo aos reformados e pensionistas, à custa de gente que a partir dos 35 anos é considerada "velha" para um emprego, à custa de tanta gente obrigada a trabalhar a três euros e tal à hora e quadros bem qualificados a quinhentos euros por mês. Estamos perante uma situação de desastre. A TSU foi apenas mais uma decisão no sentido do empobrecimento. E as outras? Todas as outras?


Estiveram oito horas no Conselho de Estado.
Poderiam estar dezasseis...
 pois com esta figura o resultado seria o mesmo.
"Só o Parlamento pode aprovar impostos, só o Parlamento pode aprovar o Orçamento", disse o Presidente da República. Não disse que jurou cumprir e fazer cumprir a Constituição e que é o garante do regular funcionamento das instituições. O que ontem assumiu é conversa de treta, pois qualquer cidadão, mesmo aquele menos escolarizado e familiarizado com a "coisa pública" sabe que é na Assembleia da República que o Orçamento de Estado e restantes leis são aprovadas. O que não significa que tudo não tenha de passar pelo seu crivo. Ora, com costumeiras intervenções daquela natureza, bem poderíamos tirar este senhor de Belém que não se notaria a sua falta. É tudo menos o Presidente de todos nós! O Presidente que funcione como último reduto de confiança. Num momento que precisamos de um político de mão cheia, temos um político com uma mão cheia de nada. Um Presidente intermitente, jogador de palavras, que se refugia, que se diz "prudente" e "cauteloso" para que dali nada saia. Um Presidente que sorri de si mesmo, incapaz de ajudar ou mesmo colocar isto nos eixos. Cruzo-me com pessoas, abordamos as questões de actualidade política e tudo vai bater ao mesmo: "ele que nos desampare a loja", dizia-me um amigo.
Ouvi as suas declarações antes do Conselho de Estado de ontem. Para mim é um desespero escutar a sua continuada lengalenga. Disse pensar que a "eventualidade" de uma crise política "está ultrapassada" (...) que "seria dramático para Portugal se juntássemos às dificuldades de financiamento externo uma crise política" (...) que "a estabilidade política é essencial para Portugal" e, finalmente, a treta do costume "por isso, compreendam que eu seja ponderado, cuidadoso na utilização das palavras". Ora, crise política "ultrapassada", duvido, quando este governo está ferido de morte; entre uma "crise política e dar cabo dos portugueses, sinceramente, prefiro a primeira com aquela responsabilidade que os portugueses, apesar de apertados, há meses que aceitam, tolerantemente; "ser ponderado e cuidadoso" não o inibe de tomar atitudes públicas. Portanto, concluo, com esta primeira figura do Estado, vamos continuar a "empobrecer", quando está aos olhos de todos que este continua a ser o caminho do desastre. Só ele não vê, fiel ao seu posicionamento ideológico, que este povo está a rebentar pelas costuras, que a angústia cresce todos os dias, que existe uma claríssima ausência de esperança e que a situação tem de ser travada, no sentido do País pagar o que deve, mas à custa de cortes em sectores e áreas despesistas de um Estado monstro que nada acrescenta de riqueza. Nunca à custa de quem já pouco ou nada tem, de quem chora por não ter que dar aos filhos, não só para a alimentação, mas também para a sua formação, à custa de uma juventude cujo futuro está na incerteza da emigração, à custa do descarado roubo aos reformados e pensionistas, à custa de gente que a partir dos 35 anos é considerada "velha" para um emprego, à custa de tanta gente obrigada a trabalhar a três euros e tal à hora e quadros bem qualificados a quinhentos euros por mês.
Estamos perante uma situação de desastre. A TSU foi apenas mais uma decisão no sentido do empobrecimento. E as outras? Todas as outras?
Sinto uma incontida revolta, tal como ouvi da boca do General Ramalho Eanes, "pelos meus filhos e pelos filhos dos outros". Só aquela primeira figura do Estado, fazendo o jogo de uma direita ideologicamente repelente, não vê nem toma uma atitude. Antes apara o jogo de um grupo politicamente mafioso, reles e insensível, cúmplice de uma rede internacional. Continuo a dizer que isto vai dar chatice. Se vai!
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Admiro, mais uma vez, a sua paciência. Eu cá nem me dei ao trabalho de ouvir os noticiários. Como afirmei em "A Fénix do Atlânttico", este Conselho de Estado iria ser mais do mesmo. Ou seja, nada.
Com Cavaco ao leme, nem outra coisa seria de esperar.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Já não há paciência, digo eu. Ouvir certas figuras torna-se um pesadelo. Mas sinto que estão a semear vento...