quarta-feira, 19 de setembro de 2012

É TEMPO DE ENDIREITAR A GIBA!


Alguém perceberá esta teimosa opção que está muito para além de resolver o problema da foz das ribeiras face ao tempo de chuvas que (oxalá) se aproxima? Alguém compreenderá, mesmo contra a voz de tantos especialistas, que as carências mais básicas da população estejam em risco em função de um homem que vê no cimento a "droga" da sua acção governativa? Com um povo à rasca, revoltado, encostado à parede, em sofrimento, sem dinheiro para resolver os problemas mais imediatos, será que alguém compreende este desnorte e esta incapacidade de negociar os recursos financeiros disponíveis no sentido de uma aplicação mais oportuna e racional? O povo quer lá saber se o dinheiro vem da "Lei de Meios" ou se estas obras se enquadram na luta pelo poder interno do PSD... Ora, se ele quer brincar com o dinheiro, brinque com o dele, desbarate-o como quiser e entender, mas não à custa de todos os outros. A luta contra este homem parece-me irreversível. Sairá da cena política pela força do povo e do seu voto e ficará na História como o coveiro da Autonomia.
 
 
Quando os graffitis e outras mensagens começam a ameaçar quem governa, deveria, até por uma questão de bom senso do(s) visado(s), tomar consciência do pior que vem a caminho. Depois de 36 anos de regabofe, de mil e um enganos, de substancial controlo da sociedade por todos os meios e feitios, qualquer pessoa sensata, com um mínimo de lucidez, saberia interpretar os crescentes sinais de contestação e colocar-se a milhas. Por agora as palavras de ordem são, fundamentalmente, dirigidas à dupla Coelho/Portas, não tardarão as manifestações dirigidas ao auto-declarado "Único Importante". Mas, como pedir sensatez a quem nunca o teve? Sensatez perante o desenvolvimento sustentável, os históricos desequilíbrios sociais, a defesa da democracia e da concomitante liberdade, sensatez no diálogo e na concertação? Não se pode pedir a uma pessoa aquilo que ela não pode ou não quer dar, por razões de mentalidade e interesse político? Alguém, por exemplo, pode aceitar que sendo o bolo financeiro "disponível!" tão reduzido e sendo pública e notória a fragilidade social, galopante e irreversível nos tempos mais próximos, existindo fome e desemprego, que ali, na avenida, como se o cofre estivesse a abarrotar, estejam a despejar muitos milhões que tanta falta fazem em vários sectores mobilizadores da economia que não se esgota na construção civil? Alguém perceberá esta teimosa opção que está muito para além de resolver o problema da foz das ribeiras face ao tempo de chuvas que (oxalá) se aproxima? Alguém compreenderá, mesmo contra a voz de tantos especialistas, que as carências mais básicas da população estejam em risco em função de um homem que vê no cimento a "droga" da sua acção governativa?
Com um povo à rasca, revoltado, encostado à parede, em sofrimento, sem dinheiro para resolver os problemas mais imediatos, será que alguém compreende este desnorte e esta incapacidade de negociar os recursos financeiros disponíveis no sentido de uma aplicação mais oportuna e racional? O povo quer lá saber se o dinheiro vem da "Lei de Meios" ou se estas obras se enquadram na luta pelo poder interno do PSD, onde o "chefe" pretende fazer no concelho do Funchal uma obra para poder, no momento certo, chamar de incompetente o seu adversário interno. Mais, ainda, alguém concederá o benefício da dúvida sobre a importância da obra, com inauguração agendada para 2015 (percebe-se), quando o défice nas contas acumula-se, quando não há dinheiro sequer para pagar a dívida contraída ao longo de muitos anos?
Ora, se ele quer brincar com o dinheiro, brinque com o dele, desbarate-o como quiser e entender, mas não à custa de todos os outros. A luta contra este homem parece-me irreversível. Sairá da cena política pela força do povo e do seu voto e ficará na História como o coveiro da Autonomia. Desesperadamente, hoje, mais do que nunca, vai a todas, inaugura desde caminhos com meia-dúzia de metros a estabelecimentos comerciais. Interessa-lhe falar, dizer coisas, atacar os outros, manter a supremacia discursiva, gerar a dúvida, convencer-se da sua verdade fechando os olhos à realidade circundante. As mensagens deixadas nas paredes são, pensará, obra da oposição política radical. E, certamente, não são. Estou mais próximo de terem origem no povo esmifrado até ao tutano, daquele povo que ainda Sábado passado saiu à rua contra a vilania de poderes sem pingo de humanismo.
Não gostaria de assistir a momentos de maior tensão social, mas isso implicará que os mentores da tragédia disso tenham consciência, porém, denunciam que não estão preparados para se afastarem por iniciativa própria. Perderam a noção do tempo e das suas capacidades. E quando isto acontece, apesar da tolerância do povo muito atreito à curvatura do baile pesado, um dia endireitará a giba e, olhos nos olhos, enfrentará quem o enganou durante anos.
NOTA FINAL
O artigo de opinião do UI, se àquilo se pode designar por "artigo de opinião", publicado na edição de ontem do JM, um jornal pago por todos os madeirenses, parece-me claro quanto ao seu desnorte e apego ao poder. A propósito das eleições internas, em tom dramático, o homem escreve:
"(...) Resta-me um apelo pessoal. Em nome do que juntos temos vivido, conseguido e triunfado ao longo destes trinta e vários anos, peço que me ajudem a derrotar esta tentativa de uns oportunistas destruir o PSD/Madeira. Peço que paguem a quota de 2011, para assim poderem votar os que já tenham um ano de inscrição no Partido. Não vamos pagar as quotas de alguém. Farão eles, que têm grandes manobras financeiras por detrás".
Ilustração: Arquivo próprio e Fénix do Atlântico.

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