sexta-feira, 14 de setembro de 2012

"HÁ UMA LINHA QUE SEPARA A AUSTERIDADE DA IMORALIDADE"


O sentimento que existe é que, ASSIM NÃO. O que se está a passar não só é angustiante como é revoltante porque se enquadra numa atitude de roubo, de saque. Este governo comporta-se como piratas dos novos tempos, frios, calculistas, que matam sem matar. Aquilo com que hoje nos confrontamos é imoral, designa-se por assalto diário por esticão, assume uma configuração própria de carteiristas políticos. Portugal tem um governo desprezível, amador, experimentalista, completamente desnorteado perante a pressão pública. Ultrapassaram os limites do razoável, do aceitável, pese embora não tivesse sido a esmagadora maioria dos portugueses culpada pela situação a que se chegou. Passos Coelho, entrevistado pela RTP 1, fez-me lembrar a mãe de um jovem no juramento de bandeira. Para ela, dos trinta homens do pelotão, só o filho marchava com o passo certo! Vi um Primeiro-Ministro, por um lado, obstinado e casmurro no aumento da dose, quando o doente já está na pele e osso e ligado "à máquina" da solidariedade, mas vi também um homem inseguro, apavorado e apanhado, em diversos momentos, a não dizer toda a verdade.
 
 
Diz a sabedoria popular: "o último a rir, ri-se melhor"
O caminho parece-me que está traçado, a partir do pressuposto que são muito raros os casos de apoio a esta política de Passos e Portas. E esse caminho é o de eleições antecipadas. Quando, não sei, talvez o debate do Orçamento de Estado seja determinante ou, então, após derrota dos partidos da coligação na próximas eleições autárquicas (2013). Penso que não há volta a dar ao actual quadro, se considerarmos a vox populi, o posicionamento contra as políticas do governo desde as organizações patronais às centrais sindicais, passando pelos movimentos de cidadania e pelos debates nas várias televisões, tudo indica a irreversibilidade de uma clarificação. O sentimento que existe é que, ASSIM NÃO. O que se está a passar não só é angustiante como é revoltante porque se enquadra numa atitude de roubo, de saque. Este governo comporta-se como piratas dos novos tempos, frios, calculistas, que matam sem matar. Não fui que o disse, mas a Drª Manuela Ferreira Leite, dirigente do PSD: "(...) se continuamos a insistir nesta receita, que não está a dar resultados, quando chegarmos ao fim o País está destroçado" (...) "Só por teimosia se pode insistir na receita", considerando que nos últimos agravamentos de impostos já "toda a gente via que não ia dar resultados, já se percebia que não dá receita", por isso "devia-se alterar", pois é para isso que servem as "negociações com a troika". Ferreira Leite questionou também por que motivo é que a redução da TSU é agora considerada "essencial", se não se ouve "um sindicato, um economista, um empresário a defender" tal decisão. A medida é "altamente perniciosa", vai "aumentar dramaticamente o desemprego" e só por "teimosia é que pode vir a ser aplicada".
Mas não é só a Drª Manuela Ferreira Leite que está em desacordo com o poder. Mesmo aqueles que fizeram tudo para derrubar o governo do PS, hoje mostram-se rendidos e estão na primeira linha do ataque a um governo desprezível, amador, experimentalista, completamente desnorteado perante a pressão pública. Daí que entenda que não tenhamos volta a dar, tarde ou cedo, deverá acontecer uma clarificação política através de novo acto eleitoral. Ainda ontem, o Secretário-Geral do PS, Dr. António José Seguro, assumiu, numa declaração frontal e emocionada que "há uma linha que separa a austeridade da imoralidade". Exacto. Aquilo com que hoje nos confrontamos é imoral, designa-se por assalto diário por esticão, assume uma configuração própria de carteiristas políticos. Ultrapassaram os limites do razoável, do aceitável, pese embora não tivesse sido a esmagadora maioria dos portugueses culpados pela situação a que se chegou. Nem o anterior governo (embora não isento de erros) se considerarmos o que se está a passar em vários países europeus e não só.  
Na Região, pateticamente, ontem, o Presidente do Governo falava, pela enésima vez, da Constituição da República, como se esse fosse o problema. Não é, de todo. E, pela noite, Passos Coelho, entrevistado pela RTP 1, fez-me lembrar a mãe de um jovem no juramento de bandeira. Para ela, dos trinta homens do pelotão, só o filho marchava com o passo certo! Vi um Primeiro-Ministro, por um lado, obstinado e casmurro no aumento da dose, quando o doente já está na pele e osso e ligado "à máquina" da solidariedade, mas vi também um homem inseguro, apavorado e apanhado, em diversos momentos, a não dizer toda a verdade. Falta agora saber até que ponto é verdade o sim do CDS/PP às propostas de Passos Coelho, para avaliarmos o estado da coligação. Certo é que Paulo Portas cancelou uma visita a Milão "por motivos políticos de força maior". Até Domingo a história será clarificada entre a verdade e a mentira. Aguardemos.
Ilustração: Google Imagens.

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