terça-feira, 11 de setembro de 2012

MADEIRA COM INTERESSE GEOESTRATÉGICO


As declarações do Presidente do Governo Regional devem ser totalmente clarificadas. Se se enquadram na lógica da chantagem, do paleio para entreter, julgo que merecem uma chamada de atenção dos Órgãos de Soberania; se, eventualmente, existe um fundo de verdade, ainda pior, mais necessária se torna tal clarificação. Um membro do Conselho de Estado não pode (não deve), em circunstância alguma, tecer considerações daquela natureza. Parece-me muito grave e, neste caso, o Presidente da República não pode ficar calado. Tem o dever de chamá-lo a Belém e de, sem rodriguinhos, conhecer toda a extensão das declarações proferidas. Concretamente, que países fora da UE estão interessados em garantir posições geoestratégicas, que eventuais contactos foram feitos, por quem e onde. Se se trata apenas de uma declaração chantagista e de desespero político, toda a população da Madeira e do Porto Santo tem de conhecer a figura que ainda governa a Região; se é verdade, trata-se de uma traição à Pátria que deve ser analisada, no mínimo, politicamente, e nos lugares certos.
 
 
"Madeira tem outras soluções" (mais uma balela, estou convencido) às políticas "erradas que a UE vem impondo" (não sei se está a falar dos milhões recebidos), disse o Presidente do Governo Regional da Madeira, salientando que "há muita gente fora da UE que está interessada em ter posições nesta zona do Atlântico" (...) "Cada um que entenda como quiser", acrescentou.
Bom, estas declarações devem ser totalmente clarificadas. Se se enquadram na lógica da chantagem, do paleio para entreter, julgo que merecem uma chamada de atenção dos Órgãos de Soberania; se, eventualmente, existe um fundo de verdade, ainda pior, mais necessária se torna tal clarificação. Um membro do Conselho de Estado não pode (não deve), em circunstância alguma, tecer considerações daquela natureza. Parece-me muito grave e, neste caso, o Presidente da República não pode ficar calado. Tem o dever de chamá-lo a Belém e de, sem rodriguinhos, conhecer toda a extensão das declarações proferidas. Concretamente, que países fora da UE estão interessados em garantir posições geoestratégicas, que eventuais contactos foram feitos, por quem e onde. Se se trata apenas de uma declaração chantagista e de desespero político, toda a população da Madeira e do Porto Santo tem de conhecer a figura que ainda governa a Região; se é verdade, trata-se de uma traição à Pátria que deve ser analisada, no mínimo, politicamente, e nos lugares certos. Quem assim se comporta, a ser verdade, claro, não pode continuar a ser membro do Conselho de Estado. Isto para mim é absolutamente líquido, porque as mais altas instituições do Estado não podem continuar a albergar pessoas que não se comportam, politicamente, com a dignidade, responsabilidade, lealdade e transparência que se exige.
O Presidente da República não pode continuar a assobiar para o lado, fazer que não ouve e não vê, usar e abusar da transmissão de uma falsa imagem de pessoa preocupada. Pelo contrário, no espaço de uma intervenção distante qb exige-se uma presença atenta e acutilante. Um Presidente da República não pode passar entre os pingos de chuva e não molhar-se. Tem de molhar-se, isto é, tem de actuar, custe o que custar e doa a quem doer, por vezes, exercendo o seu magistério de influência, outras, corrigindo atitudes, como no caso em apreço, as declarações de um seu Conselheiro de Estado, mesmo que esse conselheiro lá esteja por inerência. Ele, Presidente, é o garante do regular funcionamento das instituições democráticas e tem como especial incumbência a de, nos termos do juramento que prestou no seu acto de posse, "defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa". Portanto, de que está à espera? Tem medo de quê e de quem?
Ilustração: Google Imagens.

5 comentários:

jorge figueira disse...

Por que carga de água leva isto a sério? O PR disse que um edil deveria estar preso pelo excesso de despesa isso impediu-o de continuar a assobiar para o ar e receber deputados no hall de um hotel em vez de ser na ALM? Há muita amnésia nesta gente

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

Enquanto o PR for Cavaco Silva, bem podemos esperar sentados.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelos vossos comentários.
É verdade, já não podemos esperar um comportamento que nos leve a acreditar que alguém, neste nosso País, é o fiel da balança. Eu também não confio.
Quando ele cá veio em visita oficial, desempenhava eu a função de deputado na ALRAM. Não aceitou ouvir os vários partidos no plenário. Apenas foi ao jantar na Assembleia. Posicionei-me de forma clara: não compareci ao jantare justifiquei ao Presidente da Assembleia, dizendo-lhe que primeiro está o DEVER e depois o PRAZER do convívio institucional.Como faltou ao Dever...

jv disse...



Caro,é, realmente, singular esta situação de total impunidade. Jardim infringe desde as mais elementares,até à mais subversivas leis,continuando incompreensivelmente incólume. Estranho estatuto. Todo o comportamento por mais bizarro que seja passou a ser normal. É alguém que adquiriu um estranho estatuto, na sociedade portuguesa. Toda a imprensa lhe lhe reserva um espaço, dando-lhe uma estranha relevância, inquirindo-o como se fosse alguém que pela sua actuação e exemplo fosse merecedor de qualquer crédito. Crédito, este, que é posto em causa, constantemente, por esta mesma imprensa. Não será esta estranha ambiguidade de interagir, que o torne acríticamente tolerável?
Quanto ao Presidente da República, é um personagem completamente vazio e não menos ridícula figura, que não actua, nem actuará com certeza por mais esta afirmação. Na Madeira já se passaram situações de enorme gravidade, semelhantes a golpes de estado, como no caso da proibição de entrada dum deputado, democraticamente eleito no Parlamento Regional, em que este mesmo senhor, nem se pronunciou. São situações destas em que todas as autoridades se demitem, cobardemente e vergonhosamente das suas mais elementares funções que levam a que esta sinistra figura aja como age.
Os tribunais na Madeiras são implacáveis com quem ousa melindrá-lo e extremamente tolerantes e subservientes quando tem de responder por todos seus mais tresloucados actos.
Perante tudo isto, Jardim pode acusar, injuriar, caluniar, agredir(inclusive crianças), transgredir, fazer o que lhe der na gana sem ter que responder perante ninguém, nem mesmo perante a lei, tornando-se num intocável ditador.

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Que dizer, para além das suas palavras?