sábado, 15 de setembro de 2012

MILHARES NA RUA CONTRA UMA ECONOMIA DE GUERRA


Os madeirenses começam a interiorizar o colete de forças que lhe mandaram vestir. Um colete com o selo da fábrica "Companhia Jardim, SARL", tamanho universal e unisexo. Esse espartilho, voluntariamente vestido e amarrado não sei com quantas fivelas, tarde ou cedo rebentará. Por este caminho, no limite, lamento e lamentarei, mas haverá inevitavelmente sangue. Basta um olhar pela História. Será o corolário do sofrimento, quando há crianças com fome e pais desesperados. Vive-se uma economia de guerra, intencionalmente montada por uma direita política historicamente inteligente e paciente, que soube colocar as peças, soube maquiavelicamente engodar, soube como atrair desprevenidos que se deixaram ir no isco docemente colocado à frente dos seus olhos, ao ponto de hoje terem o povo nas suas mãos: mais impostos sobre os rendimentos do trabalho para benefício de outros, menos direitos e substancialmente mais deveres, empobrecimento e, no desespero, nada de manifestações porque "mais vale um na mão do que dois a voar". A esmagadora maioria do povo está, assim, ajoelhada perante esta economia de guerra. Só que os seus mentores estão a incorrer num erro de análise: esquecem-se que para estarem bem, os outros têm de estar minimamente felizes! Esta tarde foi dado o primeiro passo para uma democracia não controlada de cima para baixo.

 

Sendo esta uma hora de tanta angústia e incerteza, uma hora de privações como não há memória, uma hora de travar este rumo suicida gerador de galopante pobreza, uma hora que é preciso dizer à tripla Passos Coelho/Paulo Portas/Alberto João Jardim que basta de austeridade, não contei, mas é opinião geral que à volta de 3000 pessoas responderam ao apelo de um grupo de cidadãos. Dir-se-á que foi pouco, cerca de 10% do número que terá estado, no passado Domingo, no Chão da Lagoa. Mas foram muitos neste despertar de consciências. Faltaram, certamente, muitos dos 23.000 desempregados, milhares de pensionistas espoliados, empresários completamente destroçados perante esta economia de guerra, professores, médicos, enfermeiros, arquitectos, engenheiros, funcionários públicos em geral, tantos e tantos que estão a sofrer na pele o fanatismo político do governo da república e a loucura do governo regional. Mas foi um primeiro passo. Já foi uma multidão de desagrado pelas políticas seguidas. Foram, não apenas segundo o slogan "Que se lixe a Troika", mas também em função do que aqui se passa, que sublinharia... "Que se lixe o Alberto João Jardim".
Eu sei, todos sabemos, que não temos, infelizmente, uma cultura de reivindicação mas de subjugação, genericamente, não somos portadores de uma cultura de cidadania activa, não temos uma cultura política no sentido da defesa dos interesses de todos, porque não fomos educados para isso, porque a escola, medrosa e subserviente, não despertou para esse sentimento da democracia e da liberdade, vivida de baixo para cima, mas há um momento, quando a fome aperta, os direitos (poucos) são subtraídos, quando é sensível uma atitude de roubo descarado, parece-me óbvio que a tal atitude de jogar para os outros a responsabilidade que nos compete tem os dias contados.
Não deixou de ser uma grande manifestação se em consideração tivermos outros momentos. Foi bom, muito bom. Talvez na próxima (haverá próxima muito mais cedo do que alguns pensam) os madeirenses despertem para a triste realidade da Região ainda não assimilada pela generalidade do povo. Os madeirenses ainda não interiorizaram totalmente o colete de forças que lhe mandaram vestir. Um colete com o selo da fábrica "Companhia Jardim, SARL", tamanho universal e unisexo. Esse espartilho, voluntariamente vestido e amarrado não sei com quantas fivelas, tarde ou cedo rebentará. Por este caminho, no limite, lamento e lamentarei, mas haverá inevitavelmente sangue. Basta um olhar pela História. Será o corolário do sofrimento, quando há crianças com fome e pais desesperados.
Vivemos uma economia de guerra, intencionalmente montada por uma direita política historicamente inteligente e paciente, que soube colocar as peças, soube maquiavelicamente engodar, soube como atrair desprevenidos que se deixaram ir no isco docemente colocado à frente dos seus olhos, ao ponto de hoje, essa direita sentir que tem o povo nas suas mãos: mais impostos sobre os rendimentos do trabalho para benefício de outros, menos direitos e substancialmente mais deveres, empobrecimento e, no desespero, nada de manifestações porque "mais vale um na mão do que dois a voar". A esmagadora maioria do povo está, assim, ajoelhada perante esta economia de guerra. Só que os seus mentores estão a incorrer num erro de análise: esquecem-se que para estarem bem, os outros têm de estar minimamente felizes! Esta tarde foi dado o primeiro passo contra uma democracia controlada de cima para baixo.
Ilustração: Arquivo próprio.

2 comentários:

jorge figueira disse...

Se me permite não teremos SARL. Estamos perante uma SASR Sociedade Anónima Sem Responsabilidade. Não são: os maçons,a Trilateral, o Pres. Bush, o ET ou até o Tim-Tim que causaram tudo isto?

João André Escórcio disse...

Obrigado pelo seu comentário.
Eu que quis dizer é que as SARL distribuem os dividendos... neste caso pelos amigos!!! Parece-me o caso.
Bom fim-de-semana.