quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O CASO DAS PISCINAS: SE GERISSEM ASSIM AS SUAS VIDAS...


Seria muito importante que fosse dado público testemunho dos estudos realizados que conduziram à decisão política de construção e quais os pareceres solicitados, emitidos e analisados. Já não falo sequer da definição do mercado (da análise interna: limitações organizacionais e financeiras, força e fraqueza dos produtos), externa: número de consumidores na área próxima das piscinas e nas freguesias limítrofes), dos consumidores e da competição entre os vários competidores existentes no mercado desportivo), mas falo dos aspectos centrais do projecto, concretamente, das macro-influências: demográficas, económicas, sociais, culturais, tecnológicas, entre outras, que determinaram a decisão política. Gostaria que tudo isto fosse conhecido de forma transparente. Posiciono-me desta maneira porque tenho vários estudos simulados, um deles publicado na revista de Ciências do Desporto (Ludens), da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, Volume 15, nº 1/2, Janeiro/Junho de 1995, página 52 a 59. Falo deste estudo de 1995, exactamente por ter sido publicado antes de toda a loucura cometida.

 
Ausência de estudo e de planeamento, ignorância em estado puro, utilização abusiva e criminosa dos dinheiros públicos, interesses partidários à frente do interesse público, tudo e muito mais que evito aqui assumir, mas que, certamente, estará no pensamento dos visitantes que por aqui passam, determina este escândalo de milhões de euros gastos (não investidos) em absoluto desacerto com as necessidades. Nem respeitaram a grelha internacional de infra-estruturas que determina as necessidades para uma dada população. Foi um fartar vilanagem cujos contornos um dia serão conhecidos em toda a sua extensão.
Pessoalmente, considero esta situação, denunciada, ontem, na RTP-M, pelo presidente da Associação de Natação da Madeira, um CRIME com todas as letras, pois configura uma delapidação dos sempre escassos recursos financeiros. Ai se outra fosse a JUSTIÇA e vários actores deste processo estariam em maus lençóis. Não apenas pela pouca-vergonha das piscinas construídas (julgo que 14 e ainda está mais uma em construção, a da Camacha), mas por muitas infra-estruturas absolutamente desadequadas das necessidades. São muitos milhões, muitos milhões desbaratados, para satisfazer clientelas políticas, interesses localizados e, naturalmente, o sector muito do agrado do governo, a construção civil.
Seria muito importante que fosse dado público testemunho dos estudos realizados que conduziram à decisão política de construção e quais os pareceres solicitados, emitidos e analisados. Já não falo sequer da definição do mercado (da análise interna: limitações organizacionais e financeiras, força e fraqueza dos produtos), externa: número de consumidores na área próxima das piscinas e nas freguesias limítrofes), dos consumidores e da competição entre os vários competidores existentes no mercado desportivo), mas falo dos aspectos centrais do projecto, concretamente, das macro-influências: demográficas, económicas, sociais, culturais, tecnológicas, entre outras, que determinaram a decisão política. Gostaria que tudo isto fosse conhecido de forma transparente. Posiciono-me desta maneira porque tenho vários estudos simulados, um deles publicado na revista de Ciências do Desporto (Ludens), da Faculdade de Motricidade Humana de Lisboa, Volume 15, nº 1/2, Janeiro/Junho de 1995, página 52 a 59. Falo deste estudo de 1995, exactamente por ter sido publicado antes de toda a loucura cometida.
Em 12 de Dezembro de 2010 escrevi neste espaço: "(...) Henry Mintzberg, sobre o planeamento, sublinhou a necessidade de, a todo o momento, existir um pensamento acerca do futuro, um controlo sobre o futuro, um processo integrado na tomada de decisão e um processo formalizado para produzir um resultado articulado na forma de um sistema integrado de decisões. Ora, nada disto aconteceu. No caso das piscinas como em outras instalações que visam a prática desportiva, sabe-se da evidente desadequação entre a realidade e a procura, por motivos, inclusive, culturais, porque o desporto, infelizmente, não é, ainda, genericamente, entendido como bem cultural. Basta ter em consideração que, apenas, 23% da população tem hábitos de prática física e desportiva de carácter regular, entre os 14 e os 65 anos (...)".
O que se está a passar não é, portanto, consequência da crise, mas da loucura inauguracionista com fins eleitorais. É por isso que, hoje, temos uma dupla e pesadíssima austeridade, dívidas até ao céu da boca, desemprego, pobreza e um cofre vazio. E ainda ontem ouvi o Secretário dos Assuntos Sociais a pedir ao governo da República que enfrente a crise pelo lado da despesa. Que lata, que monumental e indecoroso desaforo quando o governo a que pertence gastou o que não tinha e hipotecou a Autonomia por muitos anos. Que lata, que falta de espelho político, como se todos os eleitores fossem uns mentecaptos, uns incapazes de analisarem todo o processo histórico. Que lata, quando ainda têm uma piscina em construção, a da Camacha? Pergunto, se vão ter a lata de inaugurá-la para logo a seguir encerrá-la? Há situações que o melhor que um secretário faria era estar calado.
O mais curioso é o governo, através da Direcção Regional, ter chamado o líder da Associação de Natação da Madeira para transmitir o facto consumado, isto é, que só há dinheiro para manter em funcionamento metade das infra-estruturas. Esta atitude é reveladora de ignorância e de incapacidade da Secretaria, pois prova que o governo não estudou antes da decisão política e não sabe que, no caso particular das piscinas, desde que em número sustentável e devidamente geridas por especialistas, no mínimo, as receitas podem (e devem) ser iguais aos encargos? Há, inclusive, exemplos, de lucros. No caso da Madeira tal poderia verificar-se, mesmo considerando o facto, ERRADO e de contornos duvidosos, relativamente à opção tomada quanto às características do processo de aquecimento de águas e ambiente? Se não sabem como o fazer, demitam-se!
Uma coisa é certa, quem  desbarata os dinheiros públicos, fruto dos impostos de todos, não é gente politicamente confiável. Por isso, questiono: que raio de políticos estes e de que está à espera o povo desta Região? Então não está aos olhos de todos que têm de ser literalmente varridos do poder?
Nota final:
Gostei da forma frontal, serena e conhecedora como o Dr. André Barreto, Presidente da Associação de Natação da Madeira abordou a questão do encerramento de metade das piscinas existentes.
Ilustração: Google Imagens.

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