domingo, 30 de setembro de 2012

UMA OFENSA AOS EMPRESÁRIOS


As manifestações constituem um indicador de grave insatisfação e os analistas, desde economistas, representantes do associativismo, professores universitários até aos jornalistas, são genericamente unânimes em condenar esta contínua busca pela austeridade junto dos que pouco ou nada têm, rapando o tacho como se alguma coisa ainda houvesse para rapar. Basta um mínimo de atenção para tudo quanto vão dizendo e escrevendo, para nos aquilatarmos da verdadeira situação de um governo de quem nada se espera. Está moribundo, a olhar para ontem, sem um mínimo de capacidade para gerar alguma confiança e benefício da dúvida. Cada dia que se passa é sensível o pesadelo para quem governa e para quem sofre com as suas atitudes marcadamente ideológicas. O País afunda-se e pasmo, ou se calhar não, com a indiferença do Senhor Presidente da República. O recuo na TSU foi uma aspirina contra uma dor sentida no meio de outras dores. O seu efeito passou pouco depois, pelo que se deduz que não é com aspirinas ou pensos rápidos que se cura uma infecção generalizada que paralisa e impede a vida. Neste quadro, pergunto, de que está à espera o Senhor Presidente da República quando este "doente" está, pelas más políticas impostas por uma direita retrógrada, insensível e em ajuste de contas com o passado, ligado à máquina da sobrevivência, ela própria castradora da esperança?
 
 
Há pessoas que não sabem o que é viver
com o salário mínimo ou com uma pensão!
Parece-me óbvio que este governo da República , como sói dizer-se, "está feito num oito". Não acerta quer através dos seus ministros, quer através dos seus assessores ou colaboradores na implementação das suas políticas. Assisto aos debates que vão acontecendo e não descubro vivalma que não teça considerações muito negativas na apreciação global ao trabalho político. Aliás, os indicadores económicos e não só vindos a público testemunham, claramente, o descalabro e o desacerto. Estamos pior do que estávamos e, depois desta continuada receita de austeridade, dizem, ficaremos ainda mais pobres e sem futuro. As manifestações constituem um indicador de grave insatisfação e os analistas, desde economistas, representantes do associativismo, professores universitários até aos jornalistas, são genericamente unânimes em condenar esta contínua busca pela austeridade junto dos que pouco ou nada têm, rapando o tacho como se alguma coisa ainda houvesse para rapar. Basta um mínimo de atenção para tudo quanto vão dizendo e escrevendo, para nos aquilatarmos da verdadeira situação de um governo de quem nada se espera. Está moribundo, a olhar para ontem, sem um mínimo de capacidade para gerar alguma confiança e benefício da dúvida. Cada dia que se passa é sensível o pesadelo para quem governa e para quem sofre com as suas atitudes marcadamente ideológicas. O País afunda-se e pasmo, ou se calhar não, com a indiferença do Senhor Presidente da República. O recuo na TSU foi uma aspirina contra uma dor sentida no meio de outras dores. O seu efeito passou pouco depois, pelo que se deduz que não é com aspirinas ou pensos rápidos que se cura uma infecção generalizada que paralisa e impede a vida. Neste quadro, pergunto, de que está à espera o Senhor Presidente da República quando este "doente" está, pelas más políticas impostas por uma direita retrógrada, insensível e em ajuste de contas com o passado, ligado à máquina da sobrevivência, ela própria castradora da esperança?
Mas como vinha a dizer, sendo sensível o desnorte, não existe remodelação governamental que sustenha o peso das políticas impostas. Dúvido, até, que alguém de valor e com sensibilidade se disponibilize para integrar um quadro ministerial, qual barco com rombos e adornado pela água que o fará naufragar. Como se isto não bastasse, com pouca inteligência política, o responsável pelas privatizações, o Dr. António Borges (PSD), um dos tais que não pertence ao elenco ministerial mas que actua como se fosse, sobre a TSU veio dizer: “(...) que a medida é extremamente inteligente, acho que é. Que os empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes, não passariam do primeiro ano do meu curso na faculdade, isso não tenham dúvidas”. Cego e surdo, teimoso que nem sei o quê, não conseguiu fazer um esforço para ouvir outras vozes da sociedade e, numa inaudita declaração expôs o governo ao ridículo e os empresários a uma avaliação que, de todo, não merecem, face às dificuldades que enfrentam. Curiosamente, no mesmo dia, na habitual coluna de opinião no New York Times, intitulada esta semana de "A loucura da austeridade na Europa", o Nobel das Ciências Económicas, Paul Krugman, defendia que as medidas de austeridade levadas a cabo por países como a Grécia, Espanha ou Portugal "foram demasiado longe" (...) "Muitos analistas sugerem que os cidadãos de Espanha e da Grécia estão apenas a adiar o inevitável, ao protestarem contra os sacrifícios que devem, de facto, ser feitos. Mas a verdade é que estes cidadãos estão certos. Mais austeridade não serve nenhum propósito. Os verdadeiros intervenientes irracionais são os políticos, alegadamente sérios, que exigem cada vez mais sacrifícios" (...) "O que a opinião pública destes países está, de facto, a dizer é que chegaram ao limite: com a taxa de desemprego em níveis idênticos ao da Grande Depressão, a austeridade já foi longe demais." Questiona, então, Paul Krugman: "Porquê as exigências de mais sacrifícios?" (texto lido e transcrito, em parte, do Jornal de Negócios).
Ora, é caso para perguntar: afinal, quem é o ignorante? E quem não passaria de ano se fosse aluno? Parece-me óbvio que se trata de uma cegueira ideológica do Dr. António Borges e não de um conhecimento científico experimentado. 
Ilustração: Google Imagens.

2 comentários:

Fernando Vouga disse...

Caro André Escórcio

A criatura fala assim porque está a comer na gamela grande. Tem uma enorme factura para pagar ao Governo. E o preço é a violação da própria consciência.

João André Escórcio disse...

Caríssimo, que mais dizer?