terça-feira, 2 de outubro de 2012

FILHOS DA MÃE!


Ainda há poucos dias, num supermercado, cruzei-me com um social-democrata que, durante anos, colaborou com o governo. Disse-me: "um nojo as edições de sábado e domingo". Não sei, porque não li, ao que, especificamente, se referia, mas as palavras dizem tudo. Esta montanha de silêncios e de medos sem fim, nas últimas semanas conduziram ao descaramento na utilização do JM para fins de propaganda sobre as eleições internas do PSD. Não se trata de meras notícias, mas de claríssima propaganda, algumas vezes ofensiva. E estamos todos a pagar esta desavergonhada política de regabofe financeiro, onde, por um lado, as autarquias pedem dinheiro (PAEL), endividando-se cada vez mais, por outro, as instituições de solidariedade social e as paróquias contam cêntimos para matar a fome. Filhos da mãe!
 
 
Não há quem trave a existência de um órgão de comunicação social, pago por todos os madeirenses e porto-santenses, cujo objecto é a propaganda de um partido no sentido da manutenção do seu poder. Penso que já nada há a dizer sobre esta pouca-vergonha que coloca em causa desde os dignitários da Igreja madeirense até às instituições europeias, passando, naturalmente, pelas nacionais. Todos estão no mesmo saco dos interesses directos e indirectos, da subserviência e dos silêncios que comprometem a própria democracia. Questiono: o que mais dizer se tudo já consta de exaustivos documentos para as instituições europeias, para a Assembleia da República, para o Conselho da Autoridade da Concorrência, eu sei lá por quantos documentos os meus olhos já passaram. A imagem que subsiste é que ninguém quer mexer neste assunto, travando-o de uma vez por todas. Vão empurrando com a barriga, pois não querem o seu nome enlameado na língua-viperina de quem não costuma colocar guardanapo. E enquanto perduram os medos por uma intervenção séria e eficaz, que reponha os princípios pelos quais se deve nortear o órgão de comunicação social Jornal da Madeira, o povo continua a assistir ao desbaratar de dinheiros públicos (mais de três milhões de euros anuais, fora o colossal passivo de muitos milhões) que tanta falta fazem neste momento de grave angústia colectiva. Ainda há poucos dias, num supermercado, cruzei-me com um social-democrata que, durante anos, colaborou com o governo. Disse-me: "um nojo as edições de sábado e domingo". Não sei, porque não li, ao que, especificamente, se referia, mas as palavras dizem tudo. Esta montanha de silêncios e de medos sem fim, nas últimas semanas conduziram ao descaramento na utilização do JM para fins de propaganda sobre as eleições internas do PSD. Não se trata de meras notícias, mas de claríssima propaganda, algumas vezes ofensiva. E estamos todos a pagar esta desavergonhada política de regabofe financeiro, onde, por um lado, as autarquias pedem dinheiro (PAEL), endividando-se cada vez mais, por outro, as instituições de solidariedade social e as paróquias contam cêntimos para matar a fome. Filhos da mãe!
E eis que vem o mesmo de sempre, o mentor desta tragédia, falar de "Separação se o Estado negar mais Autonomia". Separação para viver de quê e subordinado a quem? Com que meios e com que riqueza? E o JM coloca, hoje, em rodapé essa frase de um candidato à manutenção deste poder que não olha a meios para o manter. Uma frase que é fumo, apenas fumo, que tenta vender fumo, por ausência de contextualização, justificação e consistência política. E o Presidente da República olha para ela, assumida por um seu Conselheiro de Estado, e mostra-se indiferente, faz ouvidos de mercador, não chama a atenção e deixa-se ir nessa continuada irresponsabilidade discursiva. Dizia-me, há dias, um amigo em jeito de contraponto: "(...) mas, Portugal tem Presidente da República?". Respondi-lhe: tem e não tem!
Ilustração: Google Imagens (1ª) e Arquivo pessoal (2ª).

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