quarta-feira, 3 de outubro de 2012

"VERDE DE... BOLOR"


"(...) Mas como pode, afinal, "realizar a esperança" um homem que governa há 36 anos uma região falida? Como pode o coveiro convencer que há vida além morte? A única cor que dali prolifera é o verde da putrefacção. O verde da omissão, da incompetência e da imoralidade, da falta de transparência e da ilegalidade ou, na melhor da hipóteses, do bolor, de um fungo que é uma fitopatologia que habitualmente dá nas laranjas quando estão há demasiado tempo na fruteira". Excelente.
 
 
O bolor já está muito para além dos 50%
Há textos felizes, porque escorreitos, limpinhos, dizendo tudo em poucos parágrafos. Textos que não entram no confuso labirinto das palavras e das ideias. Tenho lido muitos assim e escorrem-me na garganta como mel. Sabe-me lê-los, não porque vão de encontro ao que penso, talvez um pouco isso, não nego, mas porque são clarinhos como uma água de nascente. Li, esta manhã, um desses textos, do Jornalista Ricardo Duarte Freitas (Diário de Notícias da Madeira), o qual, termina, qual girândola, relativamente ao homem que quer continuar a governar apesar das sete décadas de vida que leva: "(...) Mas como pode, afinal, "realizar a esperança" um homem que governa há 36 anos uma região falida? Como pode o coveiro convencer que há vida além morte? A única cor que dali prolifera é o verde da putrefacção. O verde da omissão, da incompetência e da imoralidade, da falta de transparência e da ilegalidade ou, na melhor da hipóteses, do bolor, de um fungo que é uma fitopatologia que habitualmente dá nas laranjas quando estão há demasiado tempo na fruteira". Excelente.
Tenho eu aqui divagado contra as políticas desse homem, desfasado no tempo político, responsável primeiro pela situação a que a Madeira chegou, centro e periferia de tudo o que aconteceu, o homem que ditou as regras do jogo político, amordaçou pessoas, atirou-as no Tribunal por terem, de uma forma mais contundente, uma opinião sobre a condução do processo político, um homem que colocou e retirou pessoas, que inventou mil e uma situações para desculpabilizar a sua governação, atirando para os outros responsabilidades locais, um homem que garantiu, através das suas políticas e proteccionismos de mercado, riqueza para alguns em detrimento de uma riqueza colectiva, um homem que, através das suas políticas, repito, destruiu o sistema produtivo, engrossou a fila dos desempregados e conduziu à morte centenas de empresas.
Um exemplo: aquilo que ainda ontem segui, através de uma reportagem da RTP-Madeira, foi dramático: em Câmara de Lobos, quase setecentas famílias, frente a um armazém, em espera por um saquinho com alguns produtos alimentares. Vi crianças, jovens e menos jovens a passar pela situação de mão estendida, em busca de um penso para uma dor que regressará findo aquele pequeno mas importante cabaz. E assisti, momentos antes, a uma peça sobre as obras no aterro, de claríssimo branqueamento sobre a justificação dos milhões que ali estão a ser enterrados, sem contraponto, sem ouvir, em estúdio ou não, outras opiniões que não as daquele estudo laboratorial. Também, certamente, foram realizados estudos para a marina do Lugar de Baixo e a natureza, que não envelhece, deu cabo daquilo tudo! Oxalá esteja eu enganado, mas a probabilidade é do desastre voltar a acontecer, agora, no Funchal.
Ora, por um lado, setecentas famílias pobres (entre 85.000 pobres que a Região tem, entre os quais 50% no quadro da pobreza persistente), por outro, vinte milhões gastos, sem efeito multiplicador visível, para gáudio da vontade de homem insensível às prioridades e ao drama que varre a população de uma ponta à outra. "É o verde da omissão, da incompetência e da imoralidade, da falta de transparência (...)". Nem mais.
Ilustração: Google Imagens.

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